A Filha De Héstia
4 O arco de fogo
Notas iniciais
*POV Lira
Cheguei no chalé 11 podre de cansaço. Deitei na minha cama, já que todos os outros indeterminados amontoados, já tinham sido determinados e eu enfim tinha um lugar mais espaçoso para dormir.
---
De manhã acordei, tomei um banho, me arrumei e fui tomar café, encontrei Luiz e Fernanda, os gêmeos.
-E aí Luiz, como foi cuidar de sua irmãzinha ontem?
-Ah! Foi incrivelmente genial! Coloquei ela dentro do banheiro e ela tomou um banho!
-Mas ela estava tão bêbada... Como.... Ela tomou banho sozinha mesmo?
-Sim! — Luiz respondeu segurando a irmã que estava com olheiras mais roxas que uvas.
"Ressaca!" pensei. "Que engraçado, a garota tem 14 anos, e está de ressaca, depois de se embebedar com uma garrafa de vinho!"
-Mas sem nenhum problema ou estrago?
-Bom, estrago não teve nenhum, alguns problemas sim!
-Quais?
-Tá curiosa hoje, ein Lira? — ele riu e depois continuou — Ela fez tudo certo, entrou no banheiro, ligou o chuveiro e tomou banho! Só se esqueceu de tirar a roupa...
-Ela tomou banho de roupa?
-Sim! Tinha que ver ela vestindo outra muda de roupa seca por cima, que deixei para ela antes... -ele riu ao lembrar.
-Nossa! Imagino! Mas vamos indo tomar café!
Fernanda veio se equilibrando em nós dois, como um cabide. Jack se aproximou de nós, e se espantou com a amiga.
-Nossa! Ela levou uma surra de alguém?
-Não! Só está com sono mesmo! Foi dormir tarde, tadinha!
-Hm... Sei como é uma pessoa bêbada ficar de ressaca de manhã! Minha mãe ficava assim todo Domingo de manhã! — Jack nos acompanhou até o refeitório.
Cada um foi para sua mesa, e eu me sentei na minha já rotineira mesa 11. Héstia deu o bom-dia com sua voz suave, e um sorriso. Quando eu me levantei, já de café-da-manhã no estômago, fui dar uma volta(de novo...). A minha 'volta' se tornou desagradável a partir do segundo em que eu vi Joe se aproximando, filha de Ares. Sem perceber acabei esbarrando nela...
-Epa! Olha por onde anda, idiota!
Não falei nada! Só desviei dela, e segui andando ela pareceu não gostar.
-Ei! Volte aqui, indeterminada!
Apenas me virei de um passo à frente, e esperei os comentários!
-Nunca, ninguém fez isso comigo!
-Fazer o quê?
-Me desviar e seguir andando, todo mundo se encolhe de medo, ou dá uma desculpa e sai! Ninguém nunca simplesmente fingiu que eu não era nada!
-Isso te magoa?
-Não! Só me faz pensar o que você pensa de mim...
-Uma menina forte, que zoa de mim!
-Só?
-Tem mais, mas não vem ao caso!
-Porque não?
-Pois se eu falar, você se irritará comigo!
-E você não quer isso!
-Correto!
-Sabe essa sua formalidade de falar me irrita!
-Quanto a isso eu não posso fazer nada!
-Porque você fala assim tudo certinho?
-Sei lá! Uma mania de criança, que evoluiu!
-Mania de criança! Sei... — ela se sentou na grama, eu, mesma receosa, me aproximei. — você acha que sua mãe ainda te determinará?
-Não acho! Tenho certeza!
-E quem você acha que pode ser?
-Bom! Isso eu não sei! — me sentei ao lado dela.
-Sabe! Mesmo você sendo tão perfeitinha, com essa sua fala certinha me irritando! Você consegue ser legal!
-Como assim!
-Você faz com que o lugar, as pessoas onde você está reunida se sintam melhores, parece que fica mais aconchegante, mais sereno!
Aquela conversa de novo. Será um pacto?
-Você não se parece nada com nenhum olimpiano.... Pode ser filha de um deus menor talvez... Mas eu não diria tão menor...
-Ah! Já me falaram isso!
-Hm...
-Como você reagiu ao saber que era filha do deus da guerra?
-Entendi tudo! Porque explicou muitas coisas da minha vida! Minha força, minha raiva por coisas pequenas, minhas revoltas...
-Ah!
-Ei! Sua amiga 'princesinha' está vindo para cá, junto de um menino-bode!
-Menino-bode?
-Acho que é Deni!
Eu sorri. De fato os dois vinham na nossa direção. Joe se levantou limpou a calça atrás que ficou um pouco suja.
-Lira! E... Joe.
-Oi para você também! -Joe falou.
-Eu não esperava encontrar vocês duas juntas! — Deni completou.
-Nós viemos para perguntar sobre a Fê! Ela está bem?
-Sim! Só tomando banho de roupa, mas tudo bem! — eles me olharam esquisito — Perguntem ao Luiz, ele saberá explicar.
-Então eu vou indo lá! Depois a gente se vê! Bééé! — Deni saiu sendo seguido pela filha da deusa do amor.
-Como você os aguenta? Eu não suporto tanta boniteza e perfeição!
Eu ri.
-Eu não sei como você pode ser tão rabugenta assim!
-Não sou rabugenta!
-Não! Só um pouco assim! — fechei meus dedos em pinça deixando um mínimo buraquinho, depois fui aumentando-o e depois estendi os braços demonstrando bastante 'rabugentice'.
-Exagerada!
-Não! Capaz!
Abri os braços de novo, desta vez eu estava mais concentrada para não bater a minha mão no rosto de Joe. Mas algo diferente aconteceu. Um grande arco de fogo nos rodeou quando abri os braços. Joe arregalou os olhos. Várias pessoas vinham na direção, inclusive Quíron que tinha voltado, pois seus compromissos estavam cancelados. Todos tentavam entender como o fogo começou.
-Como você?
-Eu não sei! Eu só abri os braços assim!
Abri os braços novamente, o que fez com que as chamas ao nosso redor aumentassem. Joe segurou meus braços fechados.
-Então não faça mais isso, indeterminada!
-Joe! Lira! Vocês estão bem? — Quíron chamava.
-Sim! — dissemos nós duas em coro.
-Não saiam daí.
-Como se pudéssemos! Humpf! — Joe bufou.
Ai eu tive uma ideia.
-Ei! Se quando eu abri os braços concentrada o fogo nasceu, talvez quando eu os fechar o fogo suma!
-Não, tente isso! — Joe tentou me impedir, mas eu não deixei,
Fechei os braços concentrada, porém ao invés do fogo sumir ele avançou mais para o centro onde entre nós já nascia uma pequena chama no chão.
-Ei! Esse círculo de fogo, parece com esse do seu colar! — Joe comentou
E era verdade! Talvez. Apertei o colar na minha mão, e soube como fazer o circo de fogo sumir.
Ergui a mão que não segurava o colar, e o fogo aumentou, depois a baixei na altura da cabeça, e ele diminuiu, logo baixei um pouco mais, e ele ficou um fogaréu. Já dava para ver a multidão a nossa volta. E para finalizar meu 'show' baixei a mão, ainda segurando com a outra o colar, e o fogo desapareceu, deixando somente a grama queimada.
-Meus deuses! Você conseguiu! — Joe me olhou e saiu de perto indo falar com os irmãos.
-Eu consegui! — repeti.
-Conseguiu, mas foi muito perigoso, mocinha! — Héstia se aproximou de mim. Me fitando com aquele olhar compreensível.
Eu sorri de canto de boca. E olhei para meus amigos, cada um ergueu uma sobrancelha como se dissesse. Parabéns! Ótimo!
-EI! Olhe! O círculo que Lira deixou queimado na grama, é o símbolo de Héstia!
Héstia mordeu o lábio! E Quíron se aproximou da deusa do lar. Héstia se aproximou mais de mim, ergueu a mão e seu símbolo flutuou sobre minha cabeça. Ela estava me determinado como sua filha. Eu mordi o lábio. Eu era a filha de Héstia. Mas não podia ser! Héstia jurou diante o Olimpo, diante Zeus, ser virgem. Como...
-Não é possível!- Quíron suspirou. — Vejam semideuses! Cá entre nós está Lira Venture(o sobrenome bizarro retornou .-.), a filha de Héstia.
Todo mundo petrificou. Inclusive Fernanda, que mesmo na pior, fez um gesto que parecia ser profecia. Eu entendi tudo! Eu era o que levaria um problema, segundo a profecia de Fernanda. Não podia ser!
---
Cinco dias se passaram, desde que fui declarada filha de Héstia, que agora também tinha que ir ao Monte Olimpo. Por conta de uma reunião entre os deuses. Todos me olhavam com receio. Eu era tipo a filha proibida! A filha que não deveria existir! Ouvia fofocas todo dia!
-Essa com toda a certeza, é o maior acontecimento relacionado a semideuses. Imagine uma filha de Héstia!- comentou uma vez uma filha de Apolo para o irmão.
-Tudo bem! Que foi estrondoso, mas acho que não chega a ser o maior em si, o segundo talvez, acho que foi mais escândalo a história da quebra de promessa dos três grandes. Quando apareceu, os filhos do mar, das profundezas e dos céus. Ai foi um escandalo!
-Mas eu falo de agora! Agora esse foi o pior!
O pior acontecimento! Nossa, eu era tão indesejável assim?
E ainda vinha muito por ai, como agora a minha mãe era a diretora do acampamento. Resolvi conversar um pouco com a Milena, já que a Fernanda dormia ainda, por conta do vinho da festa, Deni ae Jack faziam não sei o quê(eu não estou afim de falar com meninos mesmo)... Cheguei na frente do chalé, a porta estava a porta então a chamei, ela veio correndo e me arrastou para dentro e fechou a porta.
-Milena! Você está me sequestrando?
-Sequestrando não. Pegando emprestado...
-O que você quer?
-Ei! Você que veio aqui, lembra?
-Sim! Mas o que você quer me pegando emprestado?
-Conversar!
-Sobre...
-Tudo.
-Por onde começará então?
-Sua determinação como filha de Héstia.
-Não fale o nome alto!
-Ela não ficará irritada, é difícil ela ficar, só porque pronunciei seu nome!
-Ok! Mas se você arranjar problemas por isso, já lhe aviso que eu não vou dar ajuda nenhuma.
-Duvido! Mas voltando ao assunto. -a expressão dela passou de alegre para radiante — Confesso que fiquei paralisada quando vi sua mãe te determinando! Foi tipo: Máximo!
-É pode ser. Isso explicou muitas coisas...
-E então eu descobri porque você faz simples reuniões entediantes ficarem legais, porque Héstia é a deusa da lareira, da família, isso faz com que todos se reúnam mais confortáveis com o evento! Isso é demais! Você é tipo uma animadora de festas! Que máximo, isso!
-Sim, mas eu estou preocupada com outra coisa...
-O quê? Preocupada com o quê?
-Aonde eu vou ficar, se não há nenhum chalé para os filhos de Héstia, já que a deusa jurou virgindade diante Zeus?
-Bom! Eu sei que Quíron vai dar um jeito! Ele vai pensar em um lugar para você ficar! Além disso, aqui no Acampamento já estava em andamento uma ideia para a construção de chalés diferentes para os filhos de deuses menores ou não olimpianos que viessem para o Acampamento, será aqui perto. Mas não vai ter a mesma estrutura em 'U'!
-Sim, eu sei disso! Mas mesmo assim eles não tinham pensado em colocar um chalé para uma filha de Héstia! E nós nem sabemos ao certo, se eles vão de fato construir esses chalés!
-Pois é... Mas se você pensar eles TÊM que construir, você viu como já aumentou o número de semideuses filhos de deuses menores. Não são em grande quantidade, mas são mais do que um filho para cada um dos deuses.
-É... Como Paola, filha do arco-íris...
-Ah! Mas se bem que não terá muitos lugares aqui, e se ultrapassarmos a linha, os monstros atacarão...
-Pois é! Mas se não vão construir aqui no Acampamento Meio-Sangue... Irão construir aonde?
-Em outro lugar, oras... Mas eu sei que não será no outro acampamento... E sim em outra região protegida por uma barreira anti-monstros...
-Sim...
-Mas onde...
-É...- ficamos assim por um bom tempo só com "sim's" e "É's", até percebermos que a loira teve uma ideia. — Porque não falamos que outra coisa... Já sei!
-Sobre o quê? — mordi o lábio..
-De como você se tornou amiga tão rápido de Joe...
-Ah! Isso...
-É... Onde está a zoadora oficial?
-Eu nunca a chamei assim!
-Você não falou, mas pensou em chama-la!
-Ok! Assumo... Eu descobri que ela pode ser legal, se você souber conversar com ela...
-Você conversou com ela sem conseguir um roxo?
-Sim... Não foi difícil, era ela que estava comigo na hora que fiz todo aquele fogo aparecer...
-Ah! Eu pensei que era outra pessoa, eu não consegui ver quem estava lá...
-Ela é bem nervosa, mas é só você saber o que a deixa assim, que ela desabrocha, como uma flor delicada...
-Joe, delicada? Nós estamos falando da mesma pessoa?
-Eu não disse que ela era delicada! Apenas fiz uma comparação dela com uma flor que se abre lentamente...
-Mesmo assim, essa sua comparação não bate na minha cabeça...
-É porque você julgou ela pelo que pareceu para você!
-Ok! Então você Lira, toda comportada e certinha, ficou amiga de uma filha do deus da guerra! Isso é demais para minha cabeça!
-Humpf!
-Ok, então! E a Fê? Você tem falado com ela?- a loirinha mudou de assunto.
-Para falar a verdade, não muito! Ela tem andado cansada, como se aquele vinho fosse uma bebida alcóolica muito forte.
-Traduzindo o que você disse: Como se aquele vinho fosse um porre danado!
-Ei, não fale assim, mini deusa do amor!- zombei.
-Há! Há! Muito engraçado, lareira ambulante!
Fiz cara feia, ela riu. Depois conversamos um pouco mais e Milena foi dormir. Eu estava a caminho do chalé 11, e ouvi alguém chorando. Um movimento atrás de uma árvore me deixou curiosa. Sem querer pisei em um graveto que fez "CREC", o choro parou.
-Lira! Eu sei que está ai! — Joe falou segurando o choro.
-Como você soube que era eu?
-Sua 'aura do aconchego' te denunciou! — ela fungou.
-Que coisa! Eu ainda vou aprender a controla-la.
Joe riu baixinho, mas depois parou. Acho que ela queria disfarçar seu humor e tristeza.
-Tudo bem? — perguntei rodeando a árvore.
Os olhos da menina de cabelos longos e castanhos, enxugou os olhos rapidamente quando me viu.
-Sim.
-Você está bem mesmo? Estava chorando... — me sentei ao seu lado e olhei-a mordendo o lábio.
Joe suspirou profundamente.
-Você ganhou! Eu não estou bem e... Estava chorando sim.
-Posso perguntar por quê?
-Estou chorando porque briguei com meus irmãos...
-Mas por quê?
-Eu tive a oportunidade de ir em uma missão, mas não quis, eles ficaram me perguntando por que não aproveitei a oportunidade. Eu apenas disse que não estava disposta para ir, que ia ser muito difícil ir sozinha, como foi a proposta de início. Porém depois Quíron, me falou que eu podia escolher alguns amigos para me ajudarem na missão. Eu não quis... Mesmo assim, achei que eu não podia escolher as pessoas que queria que fossem junto, pois eu sabia que elas iam para outra missão. Então, desisti e pedi para que ele desse a oportunidade para outro, já que eu nem ao menos tinha ido fazer uma 'visitinha amigável' ao Oráculo....
-Hm... Mas não fique assim, nem foi tão ruim sua escolha.
Eu menti. Para mim era ruim sim, mas eu não poderia falar isso para ela, logo agora que começávamos a nos dar bem. Se uma amizade começava a nascer eu não queria destruí-la.
-Lira! Preciso falar com você! Me encontre na casa grande em 15 minutos... — Quíron apareceu do nada, falou e saiu trotando....
Fale com o autor