A Filha De Apolo
17 Meu futuro padrasto me empresta uma grana.
Acordei um pouco tarde, já era hora do almoço,desci para cozinha e minha mãe estava a minha espera.
– Vá se arrumar, vamos almoçar no meu trabalho hoje.
– Então vai só você, prefiro ficar morrendo de fome.
– Maria, por favor.
Subi e me arrumei, estava fazendo isso pela minha fome apenas. Fomos até uma boate que ficava no centro da cidade, ela parecia bem pequena por fora, mas dentro era enorme. Eu já havia ido lá umas 3 ou 4 vezes, todas arrastada. Cheguei e me sentei em uma mesinha, lá dentro era um pouco escuro, só tinha as luzes penduradas em cima das mesas, luzes fluorescentes no palco e a luz do bar.
– Tire essa cara feia do rosto que você ganha sobremesa. – disse minha mãe tentando disfarçar a raiva com um sorriso.
– Foi a cara que eu nasci. – disse enquanto sorria ironicamente.
Minha mãe me fuzilou com o olhar.
– Sua comida já vai chegar.
Depois que minha mãe saiu, uma mulher veio me cumprimentar.
– Olá Maria, ha quanto tempo não a vejo, quantos anos deve ter? 16?
A mulher era muito bonita, e soava simpática também, era alta, magra, loira de olhos verdes, aparentava ter seus 34 anos.
– 15 na verdade...
– Não deve se lembrar de mim, né? Eu e sua mãe somos amigas desde quando vocês vieram pra cá, você e eu brincávamos de boneca quando eu ia cuidar de você enquanto sua mãe não estava.
Tentei me lembrar.
– Denise né? – disse eu em duvida.
– Daniele, mas que bom que lembrou. – disse ela rindo.
– Ah eu me lembro sim, você tinha cabelo vermelho.
– É, eu mudei de visual já faz um tempo, mas ainda continuo com o mesmo rostinho de sempre. – ela disse rindo.
Dei um sorriso simpático.
Minha comida havia chegado, macarrão com almôndegas.
– Por que não senta ai? – disse enquanto puxava uma cadeira. – Esta servida?
– Ah obrigada,mas já comi – disse Daniele enquanto sentava. – vou ficar só 5 minutos.
Ficamos conversando por alguns minutos, até que chegou um cara gritando, e eu o conhecia.
– ... eu não quero saber, quero essa vagabunda dançando hoje anoite na minha boate! – o porco bêbado e gordo olhou para mim. – O que esta pirralha esta fazendo na minha boate? Ninguém avisou que crianças não entram?
Respirei fundo e falei calmamente.
– O que foi que disse?
– Ah então é você, a filha da vagabunda mais quente da boate. – disse ele provocando.
– Ian, vai com calma... – Daniele tentou melhorar a situação.
Levantei do meu lugar, me aproximei do homem, ficando cara a cara com ele.
– Repita, mas um vez sobre o que você disse sobre minha mãe.
– O que? Aquela vagabunda? – disse ele rindo.
Dei um soco na mesma hora na sua cara, que ele chegou a se desequilibrar, no mesmo instante eu pude ver todos se assustarem, Ian voltou e tentou me dar um tapa, mas eu abaixei e chutei sua perna fazendo- o cair, na mesma hora subi encima dele e dei um soco atrás do outro, até a hora dele me empurrar, cai encima de uma das mesas, quando fui correr pra cima dele, Daniele e mais um cara me seguraram, enquanto dois seguranças seguravam Ian, e um cara ficou no meio de nos dois.
– Isso é ridículo! Ela é só uma menina, vou ligar pra policia.
– Ligue e ira perder seu emprego, otário.
– Estou esperando por isso ha muito tempo.
O homem foi em minha direção.
– Venha vamos lá fora,vou pegar gelo pra você.
O homem era alto e muito magro, tinha os cabelos arrepiados e um nariz meio torto.
Sentamos no meio fio na frente da boate, ele me deu gelo, e eu coloquei no meu braço.
– Você luta Box, karate, kung fu ou algo do tipo?
Olhei sem entender.
– Ah me desculpe. – disse ele meio constrangido. – A propósito, meu nome é Josh.
– Sou Maria, e eu sinto muito pelo seu emprego.
– Ah não sinta, você foi a gota d’agua pra mim pedir demissão. Mas a propósito, porque estava lá?
– Minha mãe fez eu vim...
– E sua mãe é ?
– Christina.
– Não brinca, sou amigo dela.
– Serio? Ela nunca falou de você.
– É na verdade e gente não se fala muito...
– Entao por que são amigos?
– Maria, você não é a melhor pessoa pra falar isso mas... eu sou apaixonado pela sua mãe...
Eu dei uma pequena risada.
– Serio? E você já disse isso a ela?
– Não é claro que não.
– E por que não?
– Ah entenda, eu não faço o tipo dela...
– É realmente, ela gosta de caras mais poderosos.
– ... e ela é incrível, bondosa, tem um sorriso incrível, e uma vez, quando a vi na luz do sol, meu Deus, era como se ela brilhasse. Uma vez entrei numa briga por ela, mas é uma longa historia...
Fiquei o olhando encantada.
– Josh, você é um cara legal, tenho certeza que minha mãe ia gostar de você.
– Obrigado. – ele disse com seu sorriso torto. – Vou leva-la para casa, aqui é muito perigoso.
– Ah na verdade eu tava pensando em pegar minhas coisas, ir para rodoviária e voltar para o acampamento.
– Acampamento?
– É tipo um internato...
– Ah claro. Mas não deve ter dinheiro para passagem eu imagino.
Olhei desapontada para rua.
– Droga.
– Não tem problema, eu te empresto uma grana.
– Não precisa, eu vou arrumar um jeito...
– Claro que não, eu pago. Afinal, o melhor jeito de se conquistar uma mulher é conquistando a sua filha.
– Mas não ajudando a filha a fugir.
Ele riu.
– Vamos passar na sua casa primeiro?
Josh me levou ate minha casa.
– Eu não vou demorar.- disse enquanto descia do carro.
Arrumei minha mala, peguei minha mochila e fui para o carro.
– Gostei do cinto...
Olhei assustada para o cinturão.
–...mas a fivela não esta do lado errado?
– É... eu devo ter colocado errado, estava com pressa. – disse sorrindo sem graça enquanto arrumava o cinturão.
Então era assim que os mortais viam o cinturão. Josh me levou até o aeroporto.
– Josh, eu ia de ônibus...
– Aqui até New York é muito tempo.
Olhei sorrindo.
– Você vai ser o melhor padrasto viu?
Nós descemos do carro,ele sorriu e me deu o dinheiro.
– Tome, pelo soco que eu sempre quis dar no Ian.
– Obrigada. – eu disse o abraçando.
Fui em direção a porta, e voltei para o Josh.
– Diga a minha mãe que... diga a ela que eu sinto muito,mas meu lugar não é aqui... e diga a ela que eu a amo.
– Eu vou dizer.
– E não esqueça de dizer o que tem a dizer pra ela. – eu gritei enquanto ia em direção a porta.
– Eu vou dizer! – disse Josh enquanto acenava pra mim
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