A Filha De Afrodite Feia
4 Sente-se, tenho uma proposta pra você.
Notas iniciais
PVO JOÃO
Virei-me e vi a pessoa, ou deus, que menos queria ver nesse momento:
- Onde pensa que vai Joe? E você Annabeth? – ele disse se apoiando em uma árvore e nos olhou, entediado.
- João pai, você deveria saber, e essa é Annie, estamos indo embora – eu disse reunindo um pouco de coragem.
Ele riu, uma gargalhada estrondosa, mas parou bruscamente, me encarando nos olhos, o púrpura que irradiava de seus olhos penetravam minha pele provocando uma sensação de... medo?
- E vão pra onde? Morar de baixo da ponte? Vender bala? Não Joe, volte pro seu chalé agora, eu estou mandando – os olhos ficaram mais intensos, todo o meu corpo se enrijeceu, fechei os punhos, uma raiva me invadiu.
- Você não manda em mim – falei baixinho.
- Como é? – ele disse, com um sorriso brincando nos lábios.
- VOCÊ NÃO MANDA EM MIM! – gritei – Você abandonou minha mãe, a deixou louca, a usou e depois foi embora, você a deixou com um filho pequeno pra cuidar, ela morreu de loucura sabia? E você não é o deus da loucura? Ela morreu quando eu tinha 1 ano! Depois eu tive que ir morar com meus avós, que morreram também. Você ao menos sabia disso? Eu não gosto de você Dionísio, não ligo pro que você diz, não ligo pro que você faz ou manda, eu e a Annie estamos indo embora, e você não pode fazer nada. Você vai ver seu último filho partir, por conta de sua insensibilidade, adeus querido papai.
Seu rosto se retorceu, seus olhos brilharem mais intensamente e eu sabia que em poucos segundos estaria morto, mas seus olhos foram apagando, até ficar numa tonalidade de roxo igual aos meus.
Ele suspirou, eu via uma pontinha de dor em sua face, ele hesitou um pouco antes de falar:
- Você acha que eu a deixei porque quis? Eu fui obrigado a deixa-la João, você acha que eu não me preocupo com você? Quantos monstros tentaram te atacar? Eu esta lá, junto a ti. Eu espero que um dia entenda meu filho. Você é novo ainda está certo, eu não mando em você, adeus filho, espero que um dia possamos nos ver de novo. Você é mais parecido com sua mãe do que pensa garoto.
E com essas sábias palavras, sumiu em névoa púrpura e um cheiro de uvas verdes, as minhas preferidas.
Aquilo foi como um choque pra mim, olhei para Annie que havia ficado quieta até agora, ela estava tão abismada quando eu, o mundo a minha volta girou, tudo ficou mais embaçado:
- Annie?
- Hm? – ela ainda me encarava, a noite parecia mais fria do que estava, as palavras de meu pai ecoavam em minha cabeça. E desde quando eu tive mais tempo pra pensar no que ele disse? – João?
- Hm?
- Não de um passo, tem algo atrás de você e não parece ser amigável – ela respondeu, os olhos fixos em um ponto atrás de mim, o que estava atrás de mim rosnou, um cão infernal.
POV Annie
Minha noite estava maravilhosa, estávamos fugindo do acampamento, fomos pegos e pra melhorar, nos primeiros metros fora do acampamento, finalmente livres, aparece um cão infernal. Maravilhoso.
Ele era negro como a noite, seus olhos brilhavam com um intenso vermelho sangue, tinha o tamanho de um caminhão, de sua boca nada chamativa vinha um rosnado. Ele estava a 100 metros de João.
- Annie, se der pra você fazer o favor de matar isso aqui, eu agradeceria – João disse, seus olhos brilhavam de tensão.
- Ahn, é – eu usava um colar por cima do colar do acampamento, que esse ano já estava com 15 contas, o outro colar era de prata e continha uma pequena foice, sim, uma foice. Encostei a mão na foice e magicamente me vi segurando uma em tamanho real, com 1,70 de altura.
Você pode pensar porque eu uso uma foice. Simples, em homenagem a Silena, a ex conselheira chefe do chalé de Afrodite, acredite, ela era minha amiga, tenho essa foice desde que Leo Valdez chegou ao acampamento, ele me ajudou a forjá-la e por isso devo um favor a ele. Qual? Ele escolhe.
O cão deu mais um rosnado, que me trouxe de volta a realidade, João já havia transformado seu anel em espada:
- No três, 1... 2... – comecei.
- TRÊS! E rolou para onde eu estava, enquanto eu atacava o monstro, ele deu uns passos pra frente e tentou me abocanhar, desviei para a esquerda e me prensei no tronco de uma árvore, impedindo um ataque por trás. O monstro se encontrava a minha frente, rosnando, tentei atacá-lo mas, ele desviou e com um movimento rápido, abocanhou o cabo de minha foice, e a jogou pra longe.
- João, uma ajuda por favor? – eu gritei.
O cão tentou me abocanhar,mas coloquei o braço esquerdo na frente do roso, senti uma pontada de dor me atingir na altura do cotovelo, o cão recuou e uivou, transformando-se em areia amarela, João se encontrava atrás do cão, bufando. Ele viu meu ferimento e correu para me socorrer, o corte não havia sido fundo, com um pouco de néctar já estaria melhor.
- Você ta bem? – ele perguntou.
Assenti com a cabeça e disse:
- Temos que dar o fora daqui ou aparecerão coisas bem piores que este cão.
Ele balançou a cabeça concordando, abriu um pouco a mochila e tirou um cantil de néctar. Tomei um gole e já sentia a dor diminuindo. Olhei para trás, para o vale silencioso, a última vista de minha antiga casa.
- Porque ninguém veio nos ajudar? – perguntei.
- Não sei, mas não quero ficar aqui para descobrir, ele fechou a mochila e a ajeitou nas costas, depois se virou para o norte e seguiu andando, eu ia a poucos passos atrás dele, era melhor dar-lhe um tempo para pensar no que aconteceu, família era um assunto delicado para ele.
Você pode estar se perguntando também porque o João é tão ativo quando se falar de lutas, até eu me pergunto isso, Castor e Polux não chegavam nem ao pé dele, sim, lutaram na última batalha e eu os respeitava por isso, mas uma das coisas que mais faziam era distribuir caixinhas de suco de uva para os outros semideuses. E quanto a mim? A maioria das outras crianças de Afrodite só pensam em moda, isso é fato, mas eu não sou assim, sou mais ao estilo de Piper, não liga para aparência e não recusa quando o assunto é lutar contra inimigos, eu a respeito mais ainda por isso:
- Ei – eu o chamei, ele ia a frente, passos rítmicos, cada vez mais rápidos, ele não respondeu – ei João, onde vamos?
Ele virou para trás, como se acabasse de sair de um sonho:
- Desculpe Annie, eu não escutei, não sei, mas daqui a mais ou menos um quilometro tem uma estradinha, podemos pegar uma carona lá e ir para qualquer lugar.
- Já sei – um sorriso se iluminou em meu rosto – tem um lugar que eu quero visitar.
POV Jake
Após aquele sonho eu não consegui mais dormir, ficava me remexendo na cama, esperando o sono chegar, mas ele não chegou. Fiquei impaciente e decidi andar um pouco, eu sabia de um lugar onde só eu conhecia. Um lugar que eu não ia a muito tempo.
Levantei-me sem fazer barulho, calcei os sapatos e abri a porta, sem sinal de vida. Dei alguns passos em direção a floresta, e parei bruscamente, não estava ventando, o que era estranho, mas não liguei muito, continuei andando em direção a floresta.
Alguns minutos depois eu já estava bem adentro na floresta, e finalmente cheguei lá. Uma grande árvore com uma casinha entre as folhagens, meu pai Apolo construiu para mim depois que voltei de minha última missão, ninguém no acampamento podia vê-la, só eu e ele. Um bom encantamento faz muitas coisas, amigo. Fui até o seu tronco e puxei uma cordinha que ficava escondida, logo uma escada apareceu na minha frente, subi devagar, ao chegar ao topo eu me entristeci, o lugar estava intacto, era pra lá que Apolo ia quando não tinha nada pra fazer, conversamos e treinamos muito lá. Mas isso foi a 5 anos atrás, quando eu tinha apenas 11 anos, lá foi o lugar onde tivemos a nossa última briga, a pior de todas e depois ele nunca mais apareceu.
Olhei ao redor, era grande por dentro, não tanto quanto parecia por fora, era uma sala quadrada, tinha um grande espelho que ocupava toda a parede que estava a minha frente, lanças, machados, escudos e espadas prendiam-se a parede esquerda, uma mesinha no canto, um sofá no outro e uma figura escura sentada nele, recuei a parede e agarrei um machado:
- É Jake, eu acho que estou certo, seu pai te abandonou não? – a figura levantou-se, era a mesma voz estridente de meus sonhos, saiu um pouco das sombras, mas não tanto para que eu pudesse ver seu rosto.
- Quem é você? O que quer aqui? Como entrou aqui? – levantei o machado um pouco mais alto.
- Guarde isso garoto, eu tenho uma proposta muito melhor, sente-se, vamos conversar.
- Porque eu confiaria em você? – perguntei.
- Simples, não confiaria, mas aqui eu não posso te causar mal algum, é uma casinha bem feita – ele olhou ao redor – muito bonita, e encantada, nada pode te fazer mal aqui certo?
- Como sabe?
- Isso não vem ao caso, sente-se aqui Jake, tenho uma proposta para você.
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