A Filha Da Magia

3 Capítulo 3 - Conheço uma Sabidinha


Notas iniciais
Bom, pessoal. Aqui está mais um capítulo. Espero que gostem, boa leitura!

Era muito rápido. Eu só via borrões. Eu só sentia o vento em meus cabelos.

Estava tão atordoada que não percebi os detalhes de quase nada.

A parte cavalo de Quíron era branca. E era um pouco estranho... meio surreal ver uma pessoa que é metade cavalo. E é meio surreal saber que deuses gregos existem de verdade.

Em mais ou menos 10 minutos, chegamos a uma estrada de barro, Quíron diminuiu a velocidade. Ele foi trotando.

–Sophie, pode soltar minha camisa. –disse ele. Eu olhei para minhas mãos e vi que, de tanta força que eu estava fazendo para segurar a blusa, minhas unhas fizeram pequenos furos.

–Desculpe. –eu disse.

–Não tem problema.

Ficamos em silêncio por um tempo, Quíron continuava a trotar.

–O que é um sátiro? –perguntei.

–É um ser mitológico, da cintura para cima é humano, mas da cintura para baixo é bode.

–Ah, ta. Então quer dizer que também existem Pégaso, cães infernais, Cérbero, ciclope, hipocampo...

–Sim. –disse Quíron, ele começou a olhar para os dois lados...

–O que foi? –perguntei.

Foi quando surgiu um bicho estranho... era verde, da cintura para cima era humano, mas da cintura para baixo era cobra. A cauda se bifurcava e ficava se mexendo... argh, que agonia.

–Semideusa! Essa é nova... –disse a mulher. Sim, ela era mulher. Tinha língua de cobra e falava com ênfase no “s”. Ela correu para mim com uma lança na mão.

Quíron correu.

–O que era aquilo? –perguntei, em meio aos solavancos.

–Dracanae. –disse Quíron.

Ele correu... quer dizer, galopou... ah, ele correu até uma trilha na floresta, e essa trilha subia até uma colina. Chegamos até lá.

Eu arfei surpresa.

–Esse... –disse Quíron, ofegante– é o Acampamento Meio-Sangue.

¨¨¨¨

No alto da colina, do meu lado, havia um pinheiro.

–Esse pinheiro protege o Acampamento das ameaças que residem lá fora. –disse Quíron, ele me contou resumidamente a história do pinheiro.

–Uau. –eu disse.

Descemos a colina. Assim que eu passei pelo pinheiro, ouvi um baque atrás de mim. Virei.

A dracanae que estava nos seguindo, bateu com o nariz na barreira mágica.

–Ai! –ela exclamou– Eu ainda te mato, semideusa! Você será saborosamente comida por mim.

Virei-me. Descemos a colina, mas antes peguei uma pedra do tamanho da minha mão e joguei-a na dracanae. A mira foi certeira, a pedra bateu bem na cabeça da criatura mitológica que caiu, desmaiada.

Quíron bateu palmas.

–Boa mira, Sophie. Com sorte você é filha de Apolo.

–Apolo... o deus da música? –perguntei.

–E das profecias, curandeiro... enfim. Vamos lá. Vou falar com Annabeth para fazer um tour com você pelo Acampamento.

Ele seguiu em frente.

Fiquei um tempo parada. Quem era Annabeth?

Segui em frente com Quíron.

Ele me mostrou o caminho para a Casa Grande. Lá, vi um sátiro –metade humano, metade bode– o sátiro tinha cavanhaque e um cabelo bem cheio que não conseguia esconder seus chifres na cabeça.

Ele se aproximou de mim comendo uma lata de refrigerante.

–Olá, –ele disse– eu sou Grover. Você é Sophie, não é?

–Sim. –eu disse, tímida. Ainda estava com minha bolsa da escola. Meu celular estava no bolso da minha calça.

Grover mexeu o nariz.

–Sinto cheiro de... algo... –ele olhou para minha calça. Enfiou a mão no meu bolso traseiro e tirou de lá meu celular.

–Ei! –eu reclamei– Aquela era uma área restritamente privada!

–Foi mal. –ele disse. Tirou a capa do meu celular e abriu a parte de trás. Tirou a bateria, o chip, cartão de memória e comeu.

–Ei! –eu disse, tentando tirar meu celular da boca dele. –Quíron! –eu gritei.

Quíron estava na Casa Grande, que por acaso, era de verdade, uma Casa Grande. Tinha dois andares, era de madeira envolvida por vigas. Quíron estava conversando com uma menina alta e loira, deveria ter uns dezessete anos. Ela olhou para mim, seus olhos eram cinza e sua pele era bronzeada. Ela estava vestindo uma camiseta com o nome “Acampamento Meio-Sangue” e um centauro apontando uma flecha no arco para cima.

–Grover! –disse Quíron– Tenha modos.

–Foi mal. – disse Grover, engolindo meu celular. –É que aqui não é permitido o uso de aparelhos eletrônicos. Atrai monstros.

–E isso te dava o direito de enfiar a mão no bolso traseiro da minha calça, tirar meu celular de lá e sem minha permissão comê-lo?

–Se eu pedisse sua permissão, você iria me deixar comer seu celular? –perguntou Grover, com uma sobrancelha levantada.

–Não...

–Então pronto. –ele disse, depois saiu gritando: – Juniper! Eu vou achar você!

Eu dei de ombros, depois subi as escadas da faixada da Casa Grande. Fiquei do lado de Quíron.

–...e é isso que irá acontecer. –ele disse.

–Eu entendo Quíron. –disse Annabeth.

–Então... –disse Quíron– Sophie, esta é Annabeth. Annabeth, esta é Sophie.

–Olá.

–Oi. –nos cumprimentamos com um aperto de mão.

–Já vi que vão ser amigas. –disse Quíron. –Annabeth, quero que faça um tour pelo Acampamento com Sophie. Quero que mostre a ela cada canto desse Acampamento.

–Tudo bem, Quíron. –disse Annabeth. Quíron entrou na Casa Grande.

Annabeth se virou para mim. Essa garota tinha um ar perigoso.

–Vamos fazer o tour?

Eu assenti.

¨¨¨

Annabeth me mostrou cada canto do Acampamento. A arena, os chalés, o lago de canoagem, o arsenal, estábulos, pavilhão do refeitório, anfiteatro, campo dos morangos...

Ela também me deu um mapa do Acampamento, caso eu me perdesse.

–Vou te fazer uma pergunta... –ela disse– você sabe quem é Percy Jackson?

–Não. –eu disse.

–Você não faz ideia de quem é Percy Jackson?

–Não.

Ela respirou fundo.

–São exatamente 11h30 da manhã... meio-dia nós almoçamos.

Annabeth me contou suas aventuras. Percy Jackson sendo acusado de ter roubado o raio, o verdadeiro culpado e a traição de quem eles chamavam de “amigo”. Ela me contou suas aventuras pelo Mar de Monstros, ou o que os humanos chamam de “Triângulo das Bermudas”. Tocou um sinal.

–É hora do almoço, –ela disse– eu te conto lá. Pode sentar na minha mesa.

Nós fomos até o pavilhão do refeitório, estava cheio de comidas deliciosas, enchi meu prato. Foi quando eu vi uma fila enorme na direção de uma fogueira. Eles só podiam estar malucos... estavam jogando parte da comida na fogueira.

–Porque vocês estão jogando a comida na fogueira? –perguntei.

–É meio que um agrado aos nossos pais... –ela disse, mas foi interrompida.

–Oi, Sabidinha. –disse um cara de cabelos negros e olhos verdes.

–Oi, Cabeça de Alga. –ela disse e o beijou. Depois ela se virou para mim. –Sophie, este é Percy.

–O garoto que foi transformado em porquinho da índia? –perguntei.

–É... esse sou eu. –disse Percy. –Você sabe quem é seu pai ou mãe olimpiano?

–Na verdade é mãe, –eu disse– meu pai é mortal.

–Ah ta. –ele disse. –Mas pode ser que seu pai seja...

–Cabeça de Alga! –disse Annabeth. –Isso é coisa de se falar?

–Deixa pra lá, Annabeth. –eu disse.

Eu era a última da fila, Percy passou na frente da Annie. Quando ela despejou uma parte da comida na fogueira, ouviu-se um chiado e a comida havia desaparecido. Era minha vez. Quíron estava lá, ele olhou para mim. Pra quem eu mandava a comida?

–Para todos os deuses. –eu disse– Espero que gostem.

Joguei uma parte da minha comida. Virei-me.

Quando eu havia dado cinco passos para a frente, um raio caiu atrás de mim. Me virei rapidamente.

O raio havia caído bem no meio da fogueira, fazendo uma cratera pequena e deixando o redor queimado. Eu olhei para o céu.

–De nada! –gritei.

Voltei para o refeitório e me sentei ao lado de Annabeth.

Notas finais
Então, gostaram? Comentem!