A Filha Da Magia

14 Capítulo 14 - Pittsburg


Notas iniciais
Hey, pessoal!!!!! Tudo bem com vocês? Aqui está o 14º da fic. Hmm, acho que é isso mesmo :D Boa leitura!

Market St ainda não havia acabado, eu e Nico continuamos caminhando por não-sei-quanto-tempo e... Além do mais, estava começando a escurecer, e Nico e eu não podíamos mais caminhar à noite, por causa dos monstros. Teríamos que arranjar algum lugar para dormir.

— Nico, aonde vamos dormir? — eu perguntei.

Nico olhou para mim, mas continuou andando.

— Dormir? — ele perguntou, antes que eu respondesse, ele continuou: — Não vamos dormir, pelo menos não agora.

— Mas e o papo de monstros à noite?

— Teremos que correr o risco. — ele disse.

Eu respirei fundo e continuei andando ao lado de Nico.

Os postes faziam sombras à noite, e o mesmo viaduto de antes nos acompanhava pela rua por cima de nossas cabeças. Fiquei com um pouco de receio de Nico me puxar para um selinho a cada cem metros que caminhávamos, mas graças aos deuses, ele não fez isso. Não, ele me dava um selinho a cada duzentos metros.

Sabe... Os lábios dele eram tão macios! E a forma como ele pegava no meu rosto...

Nico parou de andar. O sol estava se pondo a oeste, deixando o céu com rastros de luzes e alaranjado. Eu parei de andar junto com ele. Não, Nico di Angelo não ia me beijar.

Íamos enfrentar o minotauro que estava cem metros à nossa frente.

A criatura era tão enorme, que sua cabeça passava uns trinta centímetros das casas ao redor. Era peluda, com um corpo enorme e musculoso humano, mas os pés e a cabeça eram de touro. O minotauro usava apenas uma tanga bege, ele estava armado com um machado, o metal afiado, de dois gumes e com o cabo de madeira. Seus olhos eram completamente negros e ele usava uma argola de prata entre as narinas. Ele estava andando pela Market St na nossa direção.

— Ahn, Nico... Eu acho que tem um minotauro ali. — eu disse, tentando ser um pouco sarcástica.

Ele olhou para mim e desembainhou sua espada de ferro estígio.

— Sério? Não diga. — ele disse irônico.

O minotauro rugiu e avançou para nós. Não havia ninguém nas ruas, ainda bem. Perguntei-me o que elas veriam no lugar do minotauro, talvez um Transformer, de preferência o Bumblebee. Não... Bumblebee não tem nada a ver com esse minotauro, mas fazer o quê? É a névoa!

Nico me puxou para ele quando o minotauro avançou em nós. Eu caí no chão, rolando para absorver o impacto. Saquei uma adaga, peguei em seu cabo e joguei no minotauro, mas foi em vão, a adaga caiu como se fosse de plástico.

— Você precisa segurar na ponta da adaga, não no cabo. E jogue com mais força, por favor. Ah, e mire no peito, obrigado. — ele disse, depois se levantou e foi para a frente do minotauro. — Hey! — ele gritou, chamando a atenção do bicho.

O minotauro se virou furioso para Nico. A criatura ficou com o peito nu virado para mim. Peguei outra adaga, segurei na ponta e me levantei. Eu não sei como eu consegui fazer aquilo, mas... Num segundo, a adaga estava em minhas mãos, mas em outro segundo, ela estava voando e acertou bem no lado esquerdo do peito do minotauro, que rugiu.

Acho que o corte não foi muito fundo, pois o minotauro, com as próprias mãos, arrancou a adaga de seu peito. Era de noite, então não consegui ver direito o que escorria de seu peito, parecia terra.

O minotauro estava com a adaga em suas mãos, ele arremessou-a em mim. Me joguei no chão, e senti a adaga passando de raspão por minha orelha. Senti o viiiu que ela fez ao passar.

Nico di Angelo avançou para o minotauro com a espada, ele cortou o pé do minotauro a fora. O animal caiu de joelhos, e foi a minha deixa. Eu chamei o fogo em minhas mãos, de preferência o fogo grego, mas veio fogo normal, então a gente usa o que tem. Eu joguei o fogo no minotauro, que ficou batendo no corpo numa tentativa bem sucedida de apaga-lo.

— Use a espada! — gritou Nico, correndo para a lateral do minotauro. Nico cortou o braço do minotauro, que reagiu.

O minotauro segurou Nico como se ele fosse um boneco e o jogou para cima. Nico bateu no viaduto, e depois despencou de uma altura de mais de cinco metros. O filho de Hades caiu, e depois não se mexeu mais.

— Não! — eu gritei. Olhei para o minotauro, que abriu a boca para falar algo.

— Desista, Filha da Magia! Renda-se a mim, e eu lhe darei riquezas incontáveis. — disse o minotauro, mas eu percebi que não era ele que falava. Era Gaia.

De repente, minha visão mudou. Eu vi lindos vales, com campos floridos e montanhas enormes, o céu azul e o sol amarelo, brilhando com vida. As abelhas brincando com o pólen das flores e os beija-flores beijando as margaridas. Um lago límpido e azul se encontrava ao fundo.

— Hey, Sophie. — disse Nico di Angelo atrás de mim.

Eu me virei para olhá-lo. O filho de Hades estava completamente perfeito; seu casaco de aviador e sua blusa com estampa de caveira, sua calça jeans surrada e seus All Star combinavam perfeitamente com sua aparência pálida.

— Você poderá viver aqui, com Nico, felizes para sempre. — disse Gaia, de algum lugar.

Era uma oferta muito tentadora.

— É só você dizer três palavras: eu me rendo. — disse a Mãe Terra.

Era muito tentador. Apenas três palavrinhas. Três.

— Eu... — eu disse. — Eu...

— Sophie, por favor. — disse Nico di Angelo.

A visão perfeita sumiu, substituída agora pela realidade. Minotauro à minha frente, e Nico, ao fundo, deitado no chão abaixo do viaduto.

— Sophie... Por favor... — ele suplicava.

Eu abaixei o olhar. Depois voltei a olhar para o minotauro com voz de Gaia.

— Eu... Eu preciso te dizer três palavrinhas, Mãe Terra. — eu a avisei.

— Diga-as. — ela falou.

— Vai pro Tártaro. — eu falei, saquei minha espada e cortei a fora a cabeça do minotauro, saindo terra ao invés de sangue. A voz de Gaia sumiu, e o minotauro se transformou em poeira.

— Vocês não perdem por esperar. — disse Gaia, fazendo a terra tremer um pouco. Eu apoiei a espada no chão enquanto a terra parava de tremer. Quando parou, eu me virei, e Nico di Angelo estava mexendo o tórax. Pelo menos ele estava respirando, isso queria dizer que ele estava vivo.

Corri até ele.

A perna de Nico estava dobrada num ângulo assustador. A boca dele estava sangrando, e ele estava suado.

— Você está bem? — perguntei.

— Ah, claro. Tão bem que posso até dançar break. — ele disse, se contorcendo de dor.

— Desculpe di Angelo. O que eu posso fazer? — perguntei.

— Minha perna, — ele murmurou — deixe-a reta.

— Ah, — eu arqueei as sobrancelhas — deixar a perna reta, legal. Fácil.

Eu agarrei a perna de Nico e a deixei no ângulo reto, ignorando o fato de que Nico grunhia de dor.

— Ótimo, agora pegue o néctar e a ambrósia. — ele pediu. — Na minha mochila.

Eu abri a mochila dele e peguei uma latinha que dizia “Néctar! A bebida dos deuses. Cura pneumonia, piolho, dengue e ferimentos de semideuses e etecetera.” Eu entreguei a latinha para Nico, que bebeu dois goles.

— Não posso beber muito, — ele explicou — consumida em grande quantidade, pode matar.

Entreguei a ambrósia para Nico, que partiu e comeu um pedaço. Depois ele me entregou tudo e guardei em sua mochila.

— Acho que vamos ter que passar a noite aqui. — ele disse. — Amanhã eu provavelmente estarei melhor. Você pode... Pegar o perfume? Não posso deixar você fazendo o turno à noite toda. É melhor dormirmos disfarçados.

— Concordo. — eu disse, peguei o frasco de perfume que Piper nos havia presenteado e nos perfumei. Quando guardei o perfume e me virei para Nico, ele disse:

— Você ainda nem usou o Valdezcudo.

— Ih, é verdade. — eu disse. — Acho que estou esperando o momento certo para usá-lo.

— Acha?

— Não sei se tenho certeza. — falei.

Ficamos conversando até que sentimos fome. Jantamos e depois ficamos olhando as estrelas. Nico estava melhor e bebeu mais um pouco de néctar e ambrósia. Ele tentou se sentar, e colocou a mochila no chão e deitou a cabeça nela.

— Você acha que seu pai me mataria se ele soubesse que eu te beijei? — perguntou Nico, olhando para mim.

Eu olhei para ele, em seguida para as estrelas.

— Pra falar a verdade, eu não sei. Meu pai nunca foi desses de “olha, você só vai namorar com tal idade”. Não... Acho que ele não ficaria bravo não.

Nico sorriu.

— Tenho minhas dúvidas.

Eu deitei a cabeça na minha mochila. Fiquei olhando as estrelas, não vi a constelação da Zoë Doce-Amarga, mas me contentei em dizer:

— Bob disse “oi”.

Ouvi as leves respirações de Nico ao meu lado e percebi que ele havia dormido.

Continuei olhando para o céu até pegar no sono.

Eu acordei com Nico me chamando.

Seguimos pela Market St comendo o sanduíche orgânico que Deméter nos fez. Era o que tinha, então tínhamos que comer.

Ainda eram cinco horas da manhã.

Ah, e eu me enganei. Não demoraríamos quatro dias para chegar à Pittsburg. Demoraríamos um pouco mais. É que eu contei os quatro dias junto o nosso horário de dormir. Então, podemos aumentar para seis dias.

— Nico, como você sabe que não estamos perdidos? — perguntei.

— Eu meio que tenho um GPS instalado na minha cabeça. Você também deveria ter um. É coisa de semideuses.

— Ah.

Passamos pela Philly Pretzel Factory, e lá havia um viaduto. Deuses, pensei. Nico estava com um pouco de dificuldade para andar. Ele ficou à minha frente.

— Ahn... Não vamos perder tempo nos beijando? — perguntei.

Nico franziu o cenho.

— Está rejeitando meu beijo? — ele perguntou.

Eu sorri, aproximei meu rosto do dele e encostei meus lábios nos dele. Depois me afastei e continuamos a caminhar.

— Então vai ser assim, a cada viaduto que nós passarmos, eu vou ganhar um beijo seu? — perguntei.

— Pode ser. — respondeu Nico. — Hey, acabou a Market St. Graças aos deuses.

— Ainda bem. — eu disse. Estávamos agora na West Chester Pike, e lá na frente estava...

— Ah, não. Market St novamente. — disse Nico. Caminhamos pela Market St. — Espera... Eba! West Chester Pike novamente. Agora é pra ficar.

Andamos pela W. C. Pike.

Depois de cinco dias de caminhada, chegamos à Pittsburg nove da noite.

— Vamos descansar. — disse Nico.

Eu me deitei no chão, agradecida. Havíamos caminhado seis horas inteiras, sem parar para descansar. Era bom deitar.

Nico se sentou.

— Finalmente Pittsburg. — ele disse, aproximou seu rosto do meu e me beijou. Não foi um selinho, foi um beijo mesmo.

Calma gente, sem essa de língua. Mas teve mordida.

Nico se afastou.

Eu sorri, me virei para o lado e dormi.

No dia seguinte, Nico di Angelo me acordou. Fomos para um lugar com sombras e viajamos até Columbus.

Notas finais
O que acharam pessoal?