A Filha Da Magia
1 Capítulo 1 - Apresentando minha vida
Notas iniciais
Eu estava dormindo.
Sonhei que estava caindo. Caindo para o desconhecido.
Caindo para o nada.
Sonho estranho que tive, tão estranho que até me arrepiou. Faz um bom tempo desde que não tenho sonhos assim...
A propósito, meu nome é Sophie Makier, tenho 13 anos (hoje é meu aniversário de treze anos) e moro em Long Island, nos Estados Unidos. Sentei em minha cama.
Meu quarto é um pouco grande, uma cama, criado-mudo, pôster da banda Imagine Dragons (da qual eu sou fã), uma mesa com computador...
Eu moro em um pequeno apartamento com meu pai, Sam Makier. Minha mãe fugiu de casa depois de eu nascer, meu pai disse que ela nunca mais voltou ou deu sinal de vida. Uma mãe faz bastante falta na vida, eu sinto isso na pele todos os dias quando vou dormir, levo um beijo de boa noite do meu pai, mas sinto falta de um beijo de boa noite de uma mãe. Hey você, que estiver lendo isso, valorizem suas mães o máximo que puderem, porque eu não tive chance de valorizar a minha.
Tá... me desculpem por meu sentimentalismo. Hoje é meu aniversário de treze anos (segunda vez que menciono isso) e hoje é meu último dia de aula. É bom demais pra um dia só.
Meu quarto é pintado de um amarelo claro, o que dá uma sensação confortável, e têm umas sombras pretas de instrumentos musicais, as pessoas acham que dá um ar mais clássico, mais eu simplesmente não gosto de coisas clássicas. Eu gosto de aventura, mistério, perigo...
Vou ao banheiro e faço minhas higienes, depois volto enrolada numa toalha de banho. Como minha escola não tem uniforme (e isso é algo absolutamente legal) coloquei uma blusa de alça com estampa de uma feiticeira com dois tigres do lado e uma calça jeans escura. Saí do meu quarto e fui para a cozinha. Meu pai já estava lá, preparando meu café da manhã. Ele é um ótimo chef, a propósito.
Meu pai colocou os ovos com bacon no meu prato enquanto eu sentava à mesa.
Comi a comida avidamente, sempre tive um apetite bom. Meu pai trabalhava como chef, mas ele tinha muitas outras qualidades: mecânico, faxineiro, eletricista... e a melhor de todas: ser mãe. Ou dar o melhor que pode.
–A comida estava uma delícia pai. –eu disse.
Sam se curvou com a mão na barriga.
–Obrigado. Obrigado. E feliz aniversário. –ele disse, me dando um beijo no topo da cabeça. –Então, –meu pai disse, um pouco nervoso– está pronta para o seu último dia de aula?
Eu assenti várias vezes com a cabeça.
–Estou até um pouco ansiosa. –eu disse e ri.
Meu pai imediatamente obteve uma expressão totalmente séria.
–Sophie... quando você chegar da escola, vai ter uma surpresa lhe esperando.
–Surpresa? –eu perguntei– Por acaso é um ingresso para o próximo show da Imagine Dragons?
–Não, bobinha. –ele disse e bagunçou meu cabelo– É outro tipo de surpresa. E não tente adivinhar, porque eu não vou dizer.
Eu semicerrei os olhos.
–Então tá certo. –eu disse. –O senhor já tomou café da manhã?
–Já, –meu pai respondeu– e, por favor, não me chame de senhor. Eu me sinto um velhinho segurando uma bengala.
Eu balancei minha cabeça.
–Não exagere pai.
Ele riu.
–Então tá... vamos?
–Perai, me deixe tomar só mais um gole desse achocolatado que por um acaso, está divino dos céus... –eu tomei um gole, e ao mesmo tempo, um trovão ribombou nos céus. Levantei uma sobrancelha enquanto o copo ainda estava em minha boca.
Meu pai começou a rir.
Eu tirei o copo da boca e ri junto.
–Tudo bem, vamos. –eu disse. Calcei meus tênis All Star (e esse look que eu estou usando ficou completamente uma droga), coloquei a mochila nas minhas costas e desci as escadas do apartamento. Morávamos no segundo andar.
Entrei no Nissan do meu pai e ele dirigiu para minha escola.
Com o canto do olho, pensei ter visto uma forma escura e volumosa olhando para mim, olhei rapidamente pela janela do carro. Não era nada, apenas a sombra de um beco sem saída.
Liguei meu celular e coloquei Imagine Dragons para escutar.
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