Notas iniciais
Desculpem-me pela loooonga demora, mas pelo menos já deixei o link da história quase que completa em outro site, enfim, boa leitura para os que continuam acompanhando pelo Nyah Bjsss da autora :* :* :*

O cessar dos aplausos deu lugar ao silêncio, que de vez, pairou sobre salão. Logo, o mesmo é interrompido pelo soar dos instrumentos, que um por um, dão incio a uma calma e leve melodia. Todos abrem espaço, se concentrando nos cantos do salão até um grande espaço ser aberto no meio do lugar.

"O que está acontecendo?" — Penso em silêncio.

Por um momento fico sem entender nada do que está acontecendo. Sinto uma presença ao meu lado. Viro-me e vejo Robert, meu irmão 6 meses mais novo que eu, de terno e gravata com sua mão estendida em sinal para que eu a segure.

—Minha Khaleesi, concederia-me a honra de ser seu par em vossa primeira valsa como rainha?- Ele pergunta com a sobrancelha estendida o que me faz rir, apoio minha mão na dele e ele a beija, aquela formalidade toda nele é engraçada.

Andamos, — Desfilamos— para o meio daquele imenso espaço e todos os olhares estão sobre nós. A família Targaryen aprendeu que não devemos temer, ou nos envergonharmos de 1000 olhares, desde que eles estejam sobre 500 sorrisos. E era assim que estavam todos no momento.

Ele se prende a mim e então começamos a dançar a valsa da Rainha. Robert sempre foi um bom irmão pra mim embora tenha sido muito julgado por todo o reino já que na percepção de todos seria tudo mais fácil se ele tivesse sido o primeiro a nascer ao invés de Lauren. Ele é engraçado e divertido, um dos meus melhores amigos.

Logo Robert se solta de mim se reverencia novamente e Tomaz entra. Ele diz oi e então continuamos a valsa.

Me distraio rapidamente no instante que vejo Luke ali no canto junto a Arya, ele usa um lindo terno preto o que realçava o escuro de seus olhos. Era quase tão encantador quanto os olhos de Richard. Um deles, era como uma floresta na primavera, após o frio e pálido inverno; era o que dava cor a natureza depois daquela neve toda. O outro era como um abismo, um grande e fundo buraco vazio no chão, um lugar escuro que você não enxerga nada, sente medo, aflição, mas principalmente, vontade de se jogar nele.

Toda a minha distração se esvai num piscar de olhos, no exato momento no qual a mão de Richard vem e noto sua mão em minha cintura. É óbvio, tenho a obrigação de dançar com todos os meus irmãos, ele é o último por ser o mais novo e o que não é filho de meu pai. Automaticamente, lembro-me de por minha mão em seu ombro e assim a valsa continua.

Enquanto dançamos, eu tento me concentrar em apenas uma coisa: Não desviar de seus olhos. Meio idiota? Talvez, mas acho que deixaria muito na cara a dificuldade que tenho para encara-los.

Ele puxa meu corpo mais para perto envolvendo seus braços em minha cintura fazendo com que eu me sinta a vontade para apoiar minha cabeça em seu ombro.

Consigo sentir sua respiração abafada em meu pescoço, que acabar por fazer com que eu me arrepie por completo. Estamos perto como naquele dia, talvez até mais, mas o lugar é público demais, nada que ocorreu entre nós, antes, pode acontecer aqui, muito menos agora.

Sua boca chega perto de meu ouvido, fazendo com que eu me arrepie mais uma vez, então ele sussurra:

—Você me ama?

Aquelas palavras saem num sussurro baixo, tão baixo, que quase não o ouço. Ele pergunta numa forma calma, mas aquelas palavras vêm com uma sensação de como se alguém estivesse me chutando a ponto de querer me matar. Um calor assustador percorre cada veia, cada parte de meu corpo, é estranho, sinto minhas mãos geladas e meu coração acelerado. Parece medo, como se agora no lugar onde antes corria o sangue, agora fosse apenas a pura e defensora adrenalina.

Aquela sensação me era familiar, em pânico meus olhos começam a procurar minha mãe em meio a multidão, é inútil, ela está longe e não pode me ouvir e nem se pudesse poderia me ajudar.

O calor aumenta e eu sinto como se não respirasse. Me agarro aos ombros de Richard para não cair e fecho os olhos com força. Prego meus lábios abafando o grito de dor que quero soltar.

Involuntariamente abro os olhos, não consigo mais ouvir a música, não vejo nada, tudo está escuro, um completo breu.

Fico com medo até que uma lamparina vem em minha direção fazendo com que eu consigo enxergar seu rosto. Ele é negro, sem barba apenas um cavanhaque. Ele usa uma armadura e segura a espada firmemente. Uma voz masculina, grave e alta, sai de sua boca de uma forma, completamente assustadora fazendo-me gelar.

—O almoço. — Estendo-me para segurar mas ele abaixa e algo é jogado para dentro. Uma bandeja. Ele se afasta correndo enquanto chamo por ele mas o mesmo ignora.

Viro-me sem entender absolutamente nada, onde estou? O que aconteceu?

Olho para o lado e vejo um espelho ali, de repente as luzes são acesas e eu noto onde estou. Um lugar escuro e imundo, vazio e solitário. Olho-me no espelho e mal consigo me reconhecer.

Meus cabelos estão uma zona e eu uso trapos rasgados e sujos. Eu estou toda machucada, cheia de arranhões e feridas, todas recentes, elas sangram e doem. Ao meu lado está uma bandeja com o almoço. Olho para a parede e vejo algo desenhado a giz, nela. Uma data, tento distinguir os números mas eles ficam embaçados, como se eu tivesse algum problema de visão e não pudesse vê-los. Abaixo dos números há alguns nomes, como uma lista, alguns deles são: Lizzie, Anne, Jorge e... Há mais um ali, faço o possível para ler mas quanto mais eu tento, mais fica embaçado.

Isso não é uma visão, é mais poderoso do que a mesma, eu não me vejo mais, eu estou no lugar do meu eu do futuro. É tudo completamente aterrorizante.

Fico tentando forçar a vista mas de nada adianta, de repente começo a ouvir passos e procurar de onde eles vêm. Alguém está se aproximando, o som aumenta cada vez mais, até que então percebo que minha visão está falhando de novo e aos poucos não enxergo mais nada, alguém acabou de entrar ali. Mas quem? Por que ficou tudo escuro justo na hora?

—Olá!- A voz ecoa em minha cabeça de forma pertinente como um martelo.

Tudo fica escuro, não embaçado, e sim preto. Não ouço nada, de novo. Uma dor imensa me vêm a cabeça de novo, meus olhos se abrem novamente e estou de volta ao salão, Richard me segura com força e eu suo frio. A sensação horrível e dolorosa já se foi, ele segura em meu pescoço fazendo com que eu olhe em seu rosto.

—Irina, tudo bem? Você está mais pálida que o normal, sua boca tá branca e... E você está gelada, Irina!!- Ele fala nervoso em um tom de briga, preocupado.
—O que, o que aconteceu? — Pergunto zonza ainda tentando entender o que aconteceu.

Ele se afasta de mim e todos aplaudem a valsa e então a festa realmente começa e todos começam a dançar e comer.

—Irina vem!!! — Ele agarra em meu braço e me puxa para fora do castelo até o jardim de inverno.

—Irina, me explica!! Você quase desmaiou ali!! O que ta acontecendo?
—Não foi nada, eu só estou meio mal, acho que o almoço não me fez bem. Também estou cansada, não durmo direito a muito tempo.
—Tem certeza que é só isso? Não está mentindo para mim, né?
—Tenho. Calma, Richard. Ta tudo bem.
—Ok. Desculpa por ter gritado!- Ele me abraça mas não consigo ficar calma como estava antes.

Olho por cima de seu ombro, meus olhos procuram a lua no céu como uma criança procura sua mãe na feira quando não a vêm. Eles finalmente a encontram, ela aparentava estar como sempre esteve, todos os dias, mas era estranho, eu sentia como se ela gritasse, como se ela estivesse com medo por mim e tentasse me avisar, me alertar de algo, mas o quê? Qual era o perigo dessa vez? A coroa já é minha, Lizzie não representa mais uma ameaça pra mim... Não é?