A Filha Da Lua
34 Capitulo 34
Ela permite que mais uma lágrima escorra por seu rosto vagamente, uma única lágrima, sozinha, sinalizando o fim daquele raríssimo acontecimento. Sua cabeça se apoia sobre meu ombro ficando recostada e eu me dou a liberdade de encostar a minha na dela, apenas usufruindo daquele momento "irmãs", que só fazia com que nos ligássemos cada vez mais.
Seus fios de cabelo fazem cócegas em minha bochecha, mas não falo nada. Ficamos as duas em silêncio, sentadas ao lado da lareira, com o som do vento do lado de fora ecoando pelas paredes do castelo junto a madeira sendo queimada, trazendo lembranças calorosas de Winterfell, até que para minha surpresa, tirando-me de meus pensamentos, a mão esquerda de Arya se prende a minha esquerda, entrelaçando seus dedos nos meus. Dedo dela, dedo meu, dedo dela, dedo meu, e assim vai. Enquanto meu braço mais próximo a ela, o direito, o qual ela apoia sua cabeça, envolve-a com ternura e leveza, tentando de alguma forma, deixa-la mais aconchegante. Ela se encolhe em mim, e então ficamos ali, abraçadas, por uma longa hora.
Normalmente é ela quem me passa a sensação de segurança, não que eu não me sinta segura agora, sempre que estou com Arya, sei que minha vida não corre perigo, não sei porquê. Mas enfim, nesse exato momento, é ela quem precisa dessa sensação. Me sinto em paz, não consigo pensar em nada além, apenas na dor que a causei ao faze-la lembrar de tudo pelo que ela passou, e isso é terminantemente horrível para mim. Magoa-la, fazer com que lágrimas escorressem por um rosto o qual me fez sorrir inúmeras vezes, aquilo me dava um aperto imenso no coração, causando um imenso desconforto comigo mesma.
Porém, ainda me permito aproveitar aqueles poucos momentos com Arya, como se ela fosse uma irmã pra mim, como se ela fosse mais próxima de mim do que até mesmo minha própria mãe. Aquela troca de calores e carinho, era única, e em um mundo onde você não sabe quais realmente te amam, e quais irão enfiar uma faca nas suas costas quando não estiver olhando, eu não posso me dar ao luxo de desperdiçar essas ocasiões.
Uma hora se passa, até que umas batidas na porta são ouvidas me acordando. Não me levanto, na verdade, me mantenho imóvel já que tenho o pressentimento de que Arya adormeceu. Logo após as batidas, ouço a voz fina com um forte sotaque francês:
—Majesté!? -É Alfred. — O jantar será servido em 10 minutos, sua lady mãe, exigiu que fosse bem arrumada já que vários príncipes, lordes, duques, dentre outro cargos importantíssemos, estarão lá!
—Pois diga a ela que eu me esforçarei para escolher meu melhor pijama! -Falo com intuito de provocar.
—Ela presumiu que fosse dizer algo do tipo então me pediu para informa-la que sua prima da indonésia, chegou a uns 20 minutos e virá para o jantar desta noite! Se não me engano, é... Qual nome ela disse...? Ah sim, Lady Eleanor!
Aquele nome invade meu cérebro e me desperta uma fúria que me faz berrar com Alfred com todas as minhas forças:
—O QUE ELA VEIO FAZER AQUI!? — Arya se mexe em meu braço despertando um pouco. Ela me olha confusa com os olhos levemente caídos e os cabelos bagunçados caindo de forma perfeita sobre seu rosto. Os ajeito com meus dedos, prendendo-os atrás de sua orelha e ela sorri pra mim.
—O que está acontecendo? — Ela pergunta. — Ouvi um grito.
—Minha prima vadia vai vir pra cá! — Falo. — ALFRED!
—S-Sim, majesté. -Ele fala com medo.
—Prepare tudo com minhas empregadas, esse jantar irá pegar fogo! -Falo em voz alta e Arya me olha confusa.
—Pode deixar!
Ela esfrega os olhos com as costas das mãos, afastando as mesmas, enquanto boceja junto a uma espreguiçada das grandes, como se esse tivesse sido o melhor sono dela em anos. Provavelmente poder compartilhar isso com alguém, era aliviador.
Ela me pergunta de quem estamos falando e conto toda a história de quem realmente é a Lady Eleanor. Eu odeio essa garota com todas as minha forças. Ela é uma descarada, bastarda, vagabunda e invejosa. Eleanor é prima distante de todas nós, ela veio de Indonésia. O motivo por eu não ir com a cara dela são vários, mas os dois piores são que: Há um ano e alguns meses atrás, no meu aniversário de 15 anos, encontrei o meu "namorado", com ela no estábulo. Na época, a senhorita ingênua aqui, saiu chorando para o jardim dos fundos, quem fora me consolar havia sido meu irmão, Richard. Se fosse hoje, acho que lhe dava uns bons tapas. Depois desse episódio, para completar, teve um dia que eu estava indo para o quarto de Lauren e quando entrei, ela estava vestindo as roupas dela, usando suas jóias, como se fossem dela.
Eleanor sempre teve inveja de nossa família, principalmente de Lauren já que ela era a herdeira legítima e bem, ela fora enviada para indonésia quando ainda tinha 6 anos para se casar, até que seu futuro marido abdicou de seu trono, deixando-a na mão, então ela vem procurando um marido rico, com terras, para que ela possa ter do que se gabar. Eleanor é a 5ª na linha de sucessão, para ter o trono ela teria que passar por Lauren, Mary, Eu, Lizzie e Anne.
Acho que a única que eu odeio tanto quanto Lizzie, é Eleanor, já que pelo menos entre eu e Lizzie, temos algo em comum, o ódio por nossa priminha. Ambas são farinha do mesmo saco, ambas não vão nem um pouco com a minha cara, mas para Eleanor ter o trono, ela teria que passar pelas irmãs Neville Lannister, portanto, elas não compartilham amizade.
—Então quer me dizer que essa prima que você tanto odeia está aqui hoje?
—É!
—E vai jantar com a gente?
—Aham! — Arya olha para cima como se estivesse pensando, ela faz uma cara maléfica e uma risada sinistra. -Vá se arrumar Irina, irei chamar a TEPCK!
—Por quê?
—É... Nada não! Só quero que eles fiquem bem arrumados, sabe como Luke, Eddy e Mieko são, dependendo deles é capaz de irem de armadura toda enlamada! A exceção é Athena e Skyler. — Não contenho uma risada.
Ela se levanta e ergue a mão para me ajudar.
Me levanto e saio do quarto indo para o meu. Minhas criadas já me aguardam com o vestido sobre o manequim, ele é azul marinho, tem pouco volume mas tem algum. Sua cintura é bem acentuada com um cinto de tecido da mesma cor da saia que realça minhas curvas. A saia é de fenda, o que faz com que sempre que a minha perna esquerda vá para frente, ela fique exposta. Na parte de cima, é como uma blusa de manga cumprida, porém com apenas uma manga. Essa parte não é azul, ela é bege com uns detalhes azuis, como se fossem fitas com flores e pequenas folhas, todas azuis. Para completar, elas me dão um salto preto, põem alguns anéis de safiras que ganhei em meu aniversário junto aos brincos de diamante.
No cabelo, elas prendem duas mechas da frente, juntando-as atrás, fazendo um topete, uma pequena elevação na parte da frente do cabelo, pondo uma presilha quase inaparente. Elas fazem menção a se retirar do cômodo, mas as chamo de volta.
—Esperem!-
—Sim, Majestade?
—E a minha coroa?
—Mas Vossa Majestade disse que não gostaria de andar por ai com algo de tamanho peso e tamanho em vossa cabeça.
—Eu sei o que eu disse, mas hoje é uma noite especial Rosa. Portanto, por favor, peça para que tragam minha coroa!
—Sim vossa graça!
Ela se reverencia chamando outra criada ainda parada no quarto e ordena que ela vá o mais rápido possível buscar Alfred, já que ele é o único que tem a chave da sala do trono, onde ficam o cetro, o orbe e a coroa, junto a pintura que fizeram de mim segurando os mesmo na Abadia, no caso é a mesma sala onde me arrumei no dia da coroação. Aguardo alguns minutos enquanto elas terminam de dar os toques finais em minha roupa até que Alfred aparece segurando a almofada com uma caixa de vidro em cima.
Ele tira calmamente a caixa apoiando-a sobre a penteadeira. Suas mãos, cobertas por uma luva branca a qual só o vejo usar quando vai mexer em algo relacionado a realeza, pegam com suavidade a coroa de diamantes e a apoia sobre a minha cabeça prendendo-a no meu penteado para que ela não caia.
—Prontinho majesté! Mas será que posso perguntar a senhorita o porquê dessa reviravolta?
—Ué Alfred, só porque estou usando a coroa tem que ter um motivo? Eu não posso só querer fazer que nem todos os reis?
—Não, porque a senhorita não é que nem todos os reis! — Ele me conhece bem, hein!
—Ta, isso é verdade! Talvez eu queira esfregar um pouco meu novo título na cara de alguém... Só talvez...
—Esse alguém é sua prima da Indonésia?
—Digamos que sim...
—Quer dizer então que não gostamos dela? — O inimigo do meu amigo é meu inimigo.
—Exatamente!
—Ok, deixe comigo! — Ele pisca com um olho pra mim e sorri. Retribuo.
Sua mãe me ajuda a levantar da cadeira e então me leva até a sala. Pelo que ouço parece que todos já estão lá, todos os lugares ocupados menos o trono. A TEPCK, é claro estará conosco, junto a minha família toda. Alfred acena a cabeça para mim pedindo licença e entra na sala antes de mim. Respiro fundo, estou de fato nervosa, a última vez que vi Eleanor passei a impressão de uma menina covarde e fútil, não posso parecer com aquela garotinha de 15 anos amedrontada e intimidada por um par de seios cálidos.
Dou um tossida limpando a garganta, erguendo a cabeça e empinando o nariz. Logo ouço a voz de Alfred anunciar:
—Nos dando a honra e a graça de sua presença no jantar desta noite, vossa graça, Khaleesi Irina!
Sorrio vitoriosamente e posso ouvir do outro lado da porta as cadeiras se arrastando para atrás, as pessoas se levantaram. Um filete de luz aparece e logo toda a porta se abre me expondo para todos. Dou um passo apreensiva, porém sem deixar que transpareça em meu rosto. Olho para o primeiro rosto seguro que sei que posso olhar, Arya. Ela me encara e acena a cabeça sussurrando "Tudo bem", indicando pelo que parece que até agora estou me saindo bem. Entro na sala e todos se reverenciam. Logo após os cumprimentos iniciais, todos saem de seus lugares para me cumprimentar, minha mãe é a primeira a se aproximar de mim, me abraçando e sussurrando em meu ouvido de forma discreta:
—Trate bem a sua prima!
—Preparei uma ótima recepção para ela. — Digo de volta soltando-a. Logo Arya se aproxima de mim e me abraça também.
—Você sabe cadê o Luke? — Ela olha para mim segurando em meu cabelo sorrindo fingindo que provavelmente está me dando os parabéns ou me cumprimentando normalmente.
—Suspeito, mas lhe conto depois, é arriscado demais aqui!- Sussurro sorrindo e vou falar com outro.
5 minutos depois eu ja tinha cumprimentado todos. A TEPCK, meus irmãos, lordes e duques, até os empregados, mas então, não falta ninguém. Meus olhos correm pela sala procurando mais alguém para cumprimentar mas infelizmente eles caem direto em Eleanor, que me encara com deleite. Suas sobrancelhas arqueadas parecem rir de mim, me sinto inferior por alguns segundos e tenho vontade de sair correndo como costumava. Ela sempre foi a melhor em tudo, estudos, aparência, amor, sorte, mas agora é diferente, não irei me render, ao invés de abaixar a cabeça apenas a ergo, fazendo o mesmo com a sobrancelha esquerda analisando-a de cima a baixo.
—Eleanor, querida, tudo bem com você? — Sequer encosto nela. Vai que é contagioso.
—Irina? É você? Nossa você ta... Diferente.
—Você notou? Pois é, cabelo branco, olho roxo!
—Não... Você era mais alta quando a gente se conheceu, não? Ta encolhendo? Ou sou eu quem está ficando mais alta? — Ela diz rindo ironicamente e eu dou uma risadinha forçada contraindo-me de ódio.
—Ah eu não sei, deve ser você! Pena que altura não pode lhe dar uma coroa, não é prima?
A sala fica em silêncio, todos ouviram essa breve conversa. Ouço um chiado, uma risada, olho para o lado e vejo Eddy se segurando para não cuspir a água em sua boca. Seus olhos se contraem e ele tapa a boca querendo rir. Arya faz o mesmo e enquanto Eleanor não vê, ela sussurra para mim: Arrasou!
—Bem, vamos nos sentar? Sei que a refeição deve estar uma delícia! — Minha mãe diz tentando fugir do assunto.
—Vamos! — Digo sorrindo para Eleanor que me olha com nojo de forma disfarçada.
Vou para o meu trono, Alfred o puxa e empurra para mim e eu agradeço.
—É tão bom estar em casa de novo! Senti falta dessa zona! — Minha sobrancelha se ergue tanto que eu sinto que ela vai embolar no meu cabelo. Olho para minha mãe que até para de beber, e Arya que a encara perplexa. Ela chamou meu palácio de zona? Foi isso mesmo?
—A zona de um palácio deve ser melhor do que a de uma simples mansão. Mas quem me dera poder dizer o mesmo sobre você, querida!
—Me chama de Eleanor. Na verdade, futura duquesa Eleanor, sabe Irina, eu arranjei um homem, alguém que me ama, que é rico, e olha que meu pai não teve que organizar nada para eu arranja-lo.
—Pois é, sorte a sua! Você graças ao seu homem será uma duquesa, e eu sozinha consegui ser uma rainha, algo que pelo que eu me lembre, com homem nenhum você conseguirá ser.
—Não se esqueça Irina que... — Ela vai falar mas uma voz a interrompe.
—Rainha. -Arya fala e eu a olho louca para rir. -Fale com vossa majestade de forma apropriada! — Ela põe a taça de vinho na boca bebendo-a calmamente fitando Eleanor com um olhar amedrontador.
—E você quem acha que é para me dar ordens? — Ela vai ficando vermelha de raiva. — Arya, não é?
—Lady Arya, pra você!
—Ah sim, a órfã fracassada! Meu pai me contou o que fez. Pena que deu certo pra Irina e não pra você!
—Cuidado ao se referir a ela assim! Ela é mais da família do que você!
—Oi?
—Oi nada, se eu quiser eu arranco aquela espada daquela armadura e a nomeio grã-duquesa.
—Não pode!
—Ah eu também não podia vencer um Wyrm! Acredite, se tem uma coisa que eu posso é poder! E se tem uma coisa que eu gosto, é de provar aos outros o quão eu posso!
—Do que está falando, Eleanor? — Pergunta Eddy voltando ao assunto. Burro, como é burro!
—Ah você não sabe? — Ela revira os olhos para mim voltando-os para Eddy. — Sua amiga Arya ela já...
Olho para Skyler, sentada ao lado de Eleanor, com pânico no olhar. O Segredo de Arya não pode ser exposto tão facilmente, se eu não fizer nada, Arya avançará em Eleanor. Logo Alfred aparece com um champanhe e eu faço um sinal para ele ir servir minha prima. Ele põe a garrafa em seu copo e então Skyler desengonçadamente se levanta empurrando Alfred para o lado fazendo com que o copo cheio de champanhe seja derrubado. Logo a frase "Já tentou ser uma Khaleesi" é substituída por um "AAAHHH"
—INCOMPETENTES! -Ela grita e eu e seguro para não rir enquanto minha mãe me encara de cara feia.
—Ai meu Deus! Me desculpe, eu não tive a intenção! — Sky fala na inocência, e da uma piscada pra mim fazendo-me sorrir vitoriosa. Logo Eleanor pega um pano e se seca tentando manter sua pose de recatada.
—Alfred, por favor, mande que sirvam o jantar! — Minha mãe fala e ele olha para mim pedindo meu consentimento e eu aceno a cabeça. Alguns minutos depois de um silêncio tenso, os carrinhos entram fazendo barulho, carregando diferentes pratos.
Vários garçons entram na cozinha pondo a comida em nossa frente. Percebo uma olhada maldosa de Arya para Skyler, disfarçadamente a olho e percebo um leve cutuque de Sky em Eddy, ele então olha para Alfred e tosse, e por algum motivo Alfred o olha acenando discretamente com a cabeça, seus olhos vão para Athena, fazendo o mesmo aceno.
—Então, Lady Eleanor, sabe cavalgar? -Athena pergunta. Por que ela está falando com Eleanor?
—É claro que eu sei cavalgar, só os idiotas não sabem!
—Então presumo que também saiba lutar com espadas, até porque, em minha percepção, somente os idiotas não sabem empunhar uma.
—Elizabeth e Lauren não sabem!
—Na verdade sabemos sim, podemos não ser profissionais como a TEPCK ou como Irina, mas sabemos o básico! — Responde Lauren.
—Bem, então...
—Athena!
—Então Athena, eu sei sim lutar de espadas! — A olho confusa querendo rir.
—Desde quando Eleanor? Ano passado você vivia dizendo que era coisa de homem!- Pergunta minha mãe.
—Pois é! Eu mudei! E mais, posso apostar que venço Irina numa luta! -Um som de metal batendo na louça invade todo o cômodo junto a vários sussurros. Na mesma hora eu solto meu garfo também, sem conseguir conter uma risada debochada e provocativa. Sinto todos os olhares daquela mesa me encararem ansiosos por minha resposta, minha mãe me encara do outro canto da mesa com a cara franzida, repetindo não inúmeras vezes, olho para Arya e ela apenas sorri maliciosamente para mim. Recado entendido.
—Então ta apostado, hoje após o jantar?- Ela engasga com seu vinho e começa a tossir. Ela está perplexa, e me olha com aflito, por mais que ela saiba que é a maior roubada, é da Eleanor que estamos falando, ela jamais negará. -Está com medo, prima?
—O quê? Quem? Eu? Medo de você? HA! Faça-me rir né Irina!
—Ela disse que é Majestade... — Sussurra Eddy, porém sai alto o suficiente para que todos ouçam e eu prenda um riso enquanto ele põe uma garfada de seu frango na boca.
—ENFIM — Ela fala alto. -, aceito seu desafio, mas ainda estou cansada demais de minha viagem, amanhã, após o almoço, estará livre ou irá inventar uma desculpa para não comparecer?
—Foi você quem pediu para adiar. Se tem alguém tentando fugir, não sou eu! — Ponho o copo em meus lábios, bebendo de meu vinho apreciando o gosto do álcool junto a futura vitória, em minha boca.
—Ok então! Amanhã, as 15, no jardim da frente!
—Feito! — Minha mãe está prestes a pular em cima de mim de tanta raiva.
—Alfred, bonita gravata! — Fala Arya de forma aleatória, desviado totalmente do assunto. Isso não é muito dela. A olho sem entender direito. Alfred usa a mesma gravata que todos os homens de paletó, todos os dias, qual a surpresa? Por que o elogio?
—Obrigado, Lady Arya! -Ele sai da sala, provavelmente foi buscar alguma comida.
Percebo finalmente que a refeição é um frango, junto a um molho realmente muito bom, deve ser tomate. Tudo aquilo é temperado com algum tipo de erva que não consigo decifrar qual. Deixo o gosto daquilo me transportar para outro lugares, era maravilhoso.
A porta se abre e Alfred entra com outro prato na mão como previ. Ele se aproxima de Sky pondo o prato perto dela e chamando Eleanor, perguntando algumas coisas bem estranhas, até que vejo Mieko, que está usando um vestido preto justo que me deixou surpresa, tirar de sua saia um pote de plástico com algo dentro. Tento decifrar o que tem lá, mas não consigo graças a distância. Vejo apenas uma sombra preta se mexendo. Ela abre o pote e despeja seja lá o que for no prato de Eleanor de forma que ela não veja.
Logo Alfred se afasta de Eleanor e Sky. Fico observando atentamente, e logo Eleanor da uma garfada em seu prato, até que seus olhos triplicam de tamanho e ela começa a gritar se jogando para trás caindo da cadeira de cara no chão. Fico perplexa sem entender, até que ela começa com o maior escândalo de sua vida:
—UMA BARATA! TEM UMA BARATA NA COMIDA! MEU DEUS! -Eu não consigo me segurar e começo a rir. Eddy toma a providência e leva a barata para fora, não o deixaria mata-la, por mais que eu não goste de baratas também, aquela me fez um favor e tanto.
—IRINA! -Minha mãe grita mas eu continuo rindo e até os outros convidados começam a rir. -O jantar acabou! Todos para seus quartos! Me perdoem senhores!
—Não se preocupe, senhora! — Eles falam rindo. — Esse é o melhor jantar que já temos em anos! Essas reuniões costumam ser chata demais! — O cara que eu presumo ser o conde, ri sem parar se contorcendo.
Eleanor vai para seu quarto estressada com todos e eu chamo a TEPCK toda para o meu. Chegamos lá nos jogando pelos cantos rindo sem parar.
—Como tramaram tudo isso? — Pergunto e a porta se abre. Calo a boca na hora mas vejo uma cara refletir a luz do candelabro. Alfred. — ALFRED!
Começamos todos a rir de novo. Ele me abraça com força enquanto rimos.
—Meu Deus! Por favor, me expliquem como armaram tudo isso em tão pouco tempo?
—Bem, assim que Arya soube da chegada de sua prima, ela foi falar conosco e armou tudo aquilo, e Alfred, é claro, não podia ficar por fora!
—Majesté, eu não quero ser apenas um organizador, quero ser seu amigo fiel, e se a senhorita não gosta daquela biscatê, — Ele fala com ênfase no "E"- Eu também não gosto!
—Isso ai! Também não gostamos da biscatê!!! — Zoa Sky.
—Faz tempo que não preparo um janté tão bom! -Ele fala.
—E amanhã? Ansiosa? — Pergunta Skyler sorrindo animada.
—Ah Irina, se eu fosse você, eu arrancava a cabeça dela com a espada e depois dizia que foi sem querer! Se não quiser fazer, eu faço! — Mieko fala cerrando os punhos olhando para frente determinada e todos a olhamos com medo. -An? O que foi, gente? Ta, eu não arranco a cabeça dela... — Ela fala decepcionada. — Mas posso causar uma hemorragia interna, quer?!
—E ela ainda pergunta porque as pessoas têm medo dela! — Diz Eddy abocanhando uma maçã.
—Você não acabou de comer agora mesmo? — Ele para a mordida analisando a situação e concorda com a cabeça.
—É, mas você sabe... To com fome! -Ele diz como se fosse normal comer um prato enorme e ainda uma maçã.
—Enfim, tem poucos dias da batalha e eu admito que ainda estou um pouco quebrada e com um pouco de preguiça de pegar em uma espada novamente.
—Você sentirá o gosto da vitória, de novo! — Fala Athena.
—Cara, como ela pode ser tão burra a ponto de desafiar a Irina? Ela venceu 15 homens sozinha. A garota realmente sabe lutar? — Pergunta Skyler.
—Aquela ali? Ela mal tava conseguindo andar no salto sem cair, que dirá empunhar uma espada!-Eddy fala. — E se ela souber, basta pegar a nossa amiguinha Bibi e pronto!
—Bibi?- Pergunta Mieko confusa.
—É o nome da barata, ué! -Ele fala como se fosse a coisa mais normal do mundo.
—Você deu um nome pra barata?- Ela pergunta cada vez mais pasma me fazendo rir.
—É...
—Enfim, só sei que, amanhã, ela estará ferrada!
—Eu quero lugar na primeira fileira, pode pedir pras suas damas de honra prepararem uma pipoca? Não perco isso por nada! — Ele completa todo feliz e Sky diz:
—Mas então, como Luke não está aqui, eu como sua amiga de anos falarei o que provavelmente ele diria: "Mas e você hein princesinha cor de rosa, ainda lembra como se empunha uma espada, ou esqueceu enquanto vestia algum vestido felpudo e volumoso?"- Ela imita Luke, cruzando os braços e me olhando com a cara levantada, coçando o nariz e fazendo uma pose de galã muito engraçada que me faz chorar de rir. Admito que sinto falta dele, estou acostumada com suas brincadeiras.
—Pois bem, Sky está certa! Precisa treinar, não pode ir despreparada! Vamos!- Arya se levanta bruscamente.
—Oi? — Olho para ela pasma. — Você ta doida, não é? São quase meia noite e você ta me chamando pra treinar? Ta maluca?
—Não, vamos!
—Pois bem, vocês duas, boa sorte no treino pois nós iremos dormir!
—Boa noite galera! Obrigada pelo servicinho!
—De nada, sempre que precisar é só chamar! -Fala Skyler e então todos saem do quarto.
—E se precisar causar uma hemorragia, também! — Grita Mieko do lado de fora.
—Ah, um momento! — Athena se afasta do grupo e me abraça sussurrando emu ouvido: -Para onde mandou meu filho?
—Como sabe que eu sei?
—Porque ele não sairia desse castelo por nada, a não ser que viesse de você!
—Precisei de ajuda para descobrir coisas relacionadas a algo mais sério, ele não me informou para onde estava indo, apenas pedi ajuda, não fui informada de sua saída!
—Ok, se tiver notícias por favor me avise! — Ela sorri calmamente para mim e sai do quarto.
Arya pega a espada que fica trancada no armário novo de meu quarto e a entrega.
—Então, pode começar, para onde Luke foi e por que não me mandou no lugar dele?
—Você também?
—Exatamente! Começa!
—Estávamos brigadas, lembra? Não podia lhe pedir o que eu quero saber!
—Podíamos estar brigadas mas eu continuo fazendo tudo por você! — Ela me fita com seus olhos e logo abaixa o rosto olhando para baixo como se fugisse ou se envergonhasse de algo.
—Eu sei, desculpa, não sabia como ir falar com você. Mas o que mandei que Luke fosse fazer, não pode sair daqui, ninguém da TEPCK ou de lugar nenhum pode saber, ok? — Pergunto e ela concordo. Chego perto e sussurro em seu ouvido o que Luke provavelmente fora fazer.
—Espera! Você está me dizendo que enviou Luke em busca de provas de algo que sequer sabemos se aconteceu ou não porque uma vidente lhe disse?
—É!
—IRINA!
—Você falando assim faz parecer uma ideia estúpida...
—Porque é! Qual o nome dessa cartomante?
—Madchen!
—Como sabe que ela não estava usando alguma erva para engrossar a voz?
—Ela não estava, Arya. Confie em mim! Se quiser podemos ir lá algum dia!
—Iremos! Amanhã após a sua luta! Agora venha, temos que treinar!
Saimos do quarto e vamos para o jardim dos fundos. Noto que ainda estou com meu vestido. Pego minha espada e corto ele um pouco menor do que na altura dos joelhos. Ela me encara perplexa e eu rio de sua expressão.
—Pronta para perder?
—Isso é o que veremos!
Exatamente como ela mandou, eu avanço erguendo minha espada aguardando o momento em que o tilintar de ambas as espadas ecoará pelos meus ouvidos anunciando que a luta começara enquanto pensamos em qual será nosso próximo golpe.
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