A Filha Da Lua
18 Capitulo 18
O uivo do vento é forte, o frio está bem agradável para o dia, o sol, escondido no meio das nuvens mas não acho que irá chover. Minhas malas estão quase prontas só falta uma coisa, a armadura que resolvo por em uma mala separada.
Ponho meu vestido azul de manga longa com gola felpuda e minhas luvas, faz tempo que não uso algo tão macio. Faço uma trança invertida e a prendo em um coque e termino de aprontar as malas.
Carrego-a até a sala, paro na porta de entrada e olho para o resto da casa. Nunca me esquecerei desse lugar ou do cheiro de madeira velha, da comida que Margaret preparava, da vista que tinha pela janela do meu quarto, dos capangas-lutadores, etc.
Saio pelo portão e vejo os 6 treinadores, Margaret e os cocheiros ao lado da carruagem. As outras pessoas andam livremente sem saber quem sou eu.
—Olha só quem está aqui!!! A futura Khaleesi da Inglaterra!! — Diz Arya me abraçando.
—Eeee parabéns!!- Comemora Sky em seguida.
—Parabéns gata!!- Fala Eddy e me da um aperto de mão divertido que criamos tipo aqueles de crianças. Um cumprimento secreto.
—Você merece!!- Mieko parabeniza.
—Aeeee!!!-Luke me levanta e fica girando. Ai que nervoso!!- Sem mim nada disso teria sido possível!!
—Palhaço!!- Rimos.
—Boa sorte Irina, estamos contigo!!- Diz Athena me abraçando.
—Acho melhor você ir logo. A jornada para a Inglaterra é longa. — Aquelas palavras me machucam por dentro.
—Eu... Eu... Será que vocês não podem vir comigo? Por favor!! Foram vocês que me ensinaram tudo que eu aprendi. Eu preciso de vocês lá.
—Nós não podemos. Irão desconfiar se eu sair de Winterfell. Ah só pra você saber os cocheiros são meus amigos de infância, eu salvei a vida de ambos uma vez e agora estão me retribuindo o favor. Estará segura com eles.- Diz Arya pondo uma mecha de cabelo atrás da orelha.
—Então isso é um adeus?- Pergunto dando um riso de choro.
—Não, claro que não. Isso é um até logo.- Arya segura as lágrimas também. Ela me puxa e me abraça com força o que acaba me quebra por dentro, as lágrimas escorrem e eu choro feito uma criança.
—Eu não quero ir!!- Falo em meio ao choro.
—Eu sei que não. Nenhum de nós quer que você vá embora. Mas você precisa. Não só pela sua família ou seu povo mas por você. -Ela seca meu rosto e tenta se acalmar e me acalmar.
—Saiba minha querida, que nossas portas sempre estarão abertas para você. Winterfell é e sempre será sua casa. Se precisar de ajuda ou de um exército, pode falar conosco!!- Me consola Athena abraçando-me novamente. Ela é como uma segunda mãe para mim.
—Pronta...?- Pergunta Skyler.
Respiro fundo, seco as lágrimas com as costas das mãos, ajeito o vestido puxando-o pra baixo e balanço a cabeça concordando. Eles fazem uma fila de 3 do lado esquerdo e 3 do direito um abraçando ao outro em direção a carruagem. Momento clichê.
Lentamente eles se afastam de mim e vão para trás, entro na carruagem e sento-me no banco. Afasto a pequena cortina que tem na minúscula janela que só cabe meu rosto, eles acenam e Arya se aproxima da janela para me falar algo.
—Quero que feche essa janela assim que passar pelo portão. Qual das malas está com a armadura e a espada?
—Aquela ali!- Aponto.
—Pegue-a e a coloque do seu lado. Não duvido nada que a sua tia tenha posto pessoas para vigiar e impedir a passagem de qualquer carruagem. Não há vigias ou guardas do castelo pelo caminho pra te proteger já que ninguém sabe da sua volta então cuidado.
—Pode deixar. Eles não são páreos para mim. — Ela ri e se afasta da carruagem juntando-se aos outros.
A carruagem começa a se mover e meu corpo balança conforme andamos. Olho pela janela e aceno para eles. Arya chora e Skyler também, Eddy está abalado e Athena tenta se manter forte mas Luke continua ali em pé firme. Esse garoto deve me odiar.
Observo a paisagem, as árvores, o povo de Winterfell que logo será meu povo também. Assim eu espero.
Passamos pelo portão e o guarda o fecha com brutalidade trancando-o. Desvio o olhar deles não quero começar a chorar e ficar em depressão. Agora devo mais do que tudo me concentrar no que irei fazer para entrar lá. Provavelmente todos os nobres estarão reunidos falando sobre a sucessora ao trono. 2 dias de viagem, há um pequena armário com comida enlatada e plastificada. Acho que é por isso que há dois cocheiros. Enquanto um descansa o outro comanda o cavalo, um sistema de trocas já que Arya não quer que paremos em lugar nenhum pois a chance de ataque está grande.
Me lembro que me falaram que quando esse treino terminasse eu não teria medo de mais nada. Não deu muito certo.
~2 dias depois~
Estou morta de tédio, ficar nessa carruagem sem parar para respirar ar fresco por 2 dias é muito cansativo. A diferença de temperatura é discrepante, lá um frio de -20 e aqui 30. Confesso que até estou sentindo calor com esse vestido.
—Meredith?- Olho para a direção da voz. -Chegamos!!
—Ai meu Deus!!- Abro a porta da carruagem e saio carregando minhas malas.
Saudades de casa, saudades do palácio, de minha família. Ponho o capuz e vou para o portão, os guardas levantam sua mão para que eu pare, digo quem sou e eles me impedem de entrar por eu estar muito diferente e ninguém saber de minha volta.
—Olha só será que dá para vocês chamaram a rainha Elizabeth ou a princesa Lauren fazendo favor?
—Não podemos!!
—E eu posso saber o porquê? — Eles se encaram por um minuto.
—Não podemos deixar que entre me desculpe. Ordens da futura rainha!!- Eles avançam segurando meus braços com força me carregando para longe, começo a gritar mas é inútil, a carruagem já se foi, só há nós 3 ali.
Preciso me livrar deles, eu posso fazer isso. Dou um soco em seus rosto com suas próprias mãos e chuto suas partes, um giro com as pernas esticadas que acerta seus rostos e pra finalizar seguro a cabeça dos dois e bato-as uma contra a outra. Seguro as malas e entro correndo no palácio, paro no corredor e abro a que está com a espada e pego-a.
Corro pelos corredores enormes, não há ninguém no palácio, nem uma alma, ou minha mãe ou minha irmã. Entro no meu quarto e vejo uma jovem mulher morena de cabelos pretos, Jeanette.
—JEANETTE!!! — Ela se assusta com meu grito.
—Quem é você? -Ainda estou com o capuz o que só dificulta minha identificação.
—Jeanette sou eu, Irina. Eu voltei!! -Tiro o capuz e a encara e ela logo nota que sou eu mesma.
—Irina? É você? — Ela está perplexa. — Graças aos Deuses!!! O que aconteceu? Como se recuperou?
—A história é muito longa Jeanette, não tenho tempo para explicar, eu preciso da sua ajuda. Cadê todo mundo?
—Irina...
—JEANETTE FALA. CADÊ. TODO. MUNDO!!
—Eles... Foram para a coroação da sua tia. — Por um momento sinto que meu coração parou.
—O quê? Você ta brincando néh?
—Não... Ela deve estar neste exato instante entrando na abadia.
—Você tem que me ajudar a impedir isso!!!
—Vamos, ainda da tempo. Eu te empresto meu cavalo!!!- Ela sai me puxando pelo braço e eu vou agarrada a minha espada.
Chegamos no estábulo, ela abre os portões enquanto eu me posiciono no cavalo.
Mexo o pé como Eddy me ensinou e sigo cavalgando.
—ONDE ESTÃO?- Grito.
—VÁ PARA A ABADIA DE WESTMINSTER!!!- Concordo com a cabeça e boto o cavalo pra correr.
Se ela pronunciar os votos será tarde demais, não terá mais volta e tudo isso terá sido em vão.
Corro pela cidade totalmente deserta. Avisto a enorme igreja a uma curta distância, a multidão está enorme, todo o reino está aqui. Como eu chegarei lá a tempo?
Saio empurrando todos, alguns me xingam, me empurram, mas eu continuo, grito minha mãe como se fosse uma garotinha de 5 anos, nunca fiquei tão desesperada em toda minha vida. Meu coração bate forte, minhas mãos suam, o grito que sai pela minha garganta é como um grito no vazio, ninguém ouve, quanto mais desesperada eu fico mais a minha voz trava.
Consigo afastar a multidão, o caminho está quase livre para mim, vários dos guardas tentam me parar mas aplico golpes e desvios que Mieko me ensinou e só consigo executa-los graças a minha nova flexibilidade(Skyler).
Entro na abadia correndo enquanto vários guardas gritam para que me parem. Vejo vários nobres como duques, condes e condessas, na frente da igreja está o trono conhecido como O Trono De Eduarda, O Confessor. Ao redor está a família Lannister e Targaryen, Lizzie está segurando o cetro que o padre a entrega, ela começa a se virar novamente para que possa pronunciar os votos.
Ninguém ainda notou a minha presença ali pelo fato da atenção estar focada nela. Eu tenho que chamar a atenção deles.
—PAREM!!!- Grito com todas as minhas forças o que machuca a minha garganta. Todos me encaram pelo fato do silêncio que estava. — PAREM!! — Repito.
—Como...?- Lizzie sussurra perplexa. Tiro a capa de meu corpo jogando-o no chão e solto meu cabelo.
—Quem é você? — Pergunta o padre. Quem sou eu? Dou uma pausa e então respondo com toda a atitude do mundo. Uma atitude a qual eu não fazia ideia de que possuía.
—EU sou Irina, da casa Targaryen, filha do rei Edward IV e da rainha Elizabeth. E eu voltei para tomar o que é meu por direito. O trono!!! — Todos me encaram sem entender nada do que está acontecendo. Há um minuto atrás eu estava "morta" e agora cá estou eu.
—Ela é uma impostora!!! A princesa está doente, e pelo amor de Deus que cabelo é esse? E esses olhos? GUARDAS!!! — Grita Anne, a irmã de Lizzie, que me deu o colar que quase me matou.
—Eu fui abençoada pela flor da lua e é por isso que estou com esse cabelo branco e os olhos roxos. Sem ela não teria sobrevivido ao colar de prata que VOCÊ me deu de aniversário na tentativa de me assassinar para poder tomar o trono para sua irmã!!- O povo faz aquele: Ooh.
—Isso é impossível, quer dizer que...
—Que eu sou a primeira e única Filha Da Lua do mundo. Agora EU, a futura rainha da Inglaterra, Irina Targaryen, ordeno que largue esse cetro, tire essas roupas, e se junte a sua irmã ali no canto pois quem será coroada, será eu!!!
—Ela não pode reinar. — Lizzie fala tentando não chorar.- Ela não é casada!!! Não pode reinar sem um rei, bobinha!!- Ela está fazendo um escândalo muito pior do que os que ela fazia quando eu ganhava algo e ela não.
—EU QUERO FAZER UM ANUNCIO. Eu passei esses dois últimos meses em treinamento, não estive doente como todos achavam. Isso foi apenas uma desculpa que minha mãe deu para vocês para que não houvesse tentativa de ataque sobre mim.
—E o que quer dizer com isso? Não pode mais se casar, todos os pretendentes já voltaram para seus países!!!- Pergunta Jorge, marido de Lizzie e meu tio. O que matou meu tio materno e meu avô. O olho com desprezo e volto a olhar para o povo e digo com peito estufado de orgulho.
—Isso significa, que eu não serei uma rainha, não quero ser uma rainha. Eu serei uma Khaleesi!!- Ele da um riso alto irônico.
—Se enxergue minha filha, vamos ser realistas, uma Khaleesi? Jamais houve uma!! Você jamais será uma!!!
—Não pedi a sua opinião Jorge. Eu serei uma Khaleesi, há um teste, uma prova correto padre?
—Sim, eu acho que sim!!
—Ótimo. Agora voltemos todos para o palácio para que possamos fazer uma convocação do parlamento. Não me importo se já está tudo pronto para a coroação de Isabel. Eu estou viva e mais forte do que nunca, a coroa me pertence e eu me tornarei a Khaleesi da Inglaterra.
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