A Filha Da Lua
4 Capítulo 4 - Leo
Leo queria acabar com aquela situação.
Ele não odiava Frank. Ele não queria duelar com ele até a morte. Leo nunca nem fora bom em duelar. Ele não sabia porque estava fazendo aquilo. Será que outro eidolon o possuiu?
– Cara, na boa — disse Leo — Eu cansei disso. Abaixe essa espada e vamos resolver isso conversando.
– Não acha que já conversamos demais? — disse Frank — Você mesmo disse que me odeia. Aliás, você estragou tudo. Se infiltrou na vida de Hazel e acabou com tudo. E agora eu vou acabar com você!
– Ninguém vai acabar com ninguém! — gritou Hazel — Chega, vocês dois.
– Hazel! — Leo e Frank disseram ao mesmo dia, e ambos se olharam com raiva.
– Vocês tem noção do quão ridículo estão sendo? — disse Hazel — Parem com isso! Chega!
– Eu estava justamente falando isso aqui pro seu amigo — disse Leo em defesa — Eu cansei dessa história! Fale pra ele ficar longe de n...
– Eu não vou falar nada! — protestou Hazel — Eu quero um tempo!
– O que? — ambos disseram novamente juntos.
– É isso mesmo! Eu estava o tempo todo com medo de magoar vocês, mas vocês não pensam se estão me magoando com essa briga estúpida! Agora, eu vou pensar em mim. Cansei. É isso mesmo.
– Mas... — Frank aproximou-se, pegando sua mão — Eu não posso ficar longe de você! Nós éramos felizes antes dele aparecer!
Leo bufou.
– Não foi o que pareceu — lembrou Leo — Vocês estavam muito distantes um do outro quando eu entrei em cena. Aliás, Hazel já tem um histórico com a minha família. Acho que seria conveniente ela continuar.
Hazel olhou pra ele, incrédula.
– Oh, cale a boca Leo! — disse Hazel — Não diga mais isso! Eu... Sammy é passado. Você não é Sammy. Essa história já esta encerrada!
– Não adianta você tentar convencê-la de que é melhor do que eu, Valdez — disse Frank — Pois pelo o que eu me lembre, você se importa bem mais com seus materiaizinhos que com seus amigos!
Leo sentiu uma queimação vindo. Chamas irromperam de suas mãos, misturadas com raiva e mágoa.
– Você não me conhece, Frank Zhang — disse Leo friamente.
Frank deu um passo atrás.
– Apague esse fogo! — disse Hazel — Acalme-se, Leo. Frank sabe que isso não é verdade. — Hazel lançou um olhar rigoroso para Frank.
– Eu... Eu... — gaguejou Frank — Quer saber? Quem cansou fui eu. Hazel, qual de nós você escolhe?
Leo pôde ver o pânico tomar conta de Hazel. Vários diamantes brotaram da terra em volta dela. Ficou paralisada entre os dois, olhando para Frank e depois para Leo, até que quebrou o silêncio.
– Eu escolho a mim mesma! disse ela friamente, e correu para seu templo.
Leo demorou pra pegar no sono, depois de tudo o que aconteceu naquela tarde, mas quando conseguiu teve um sonho estranho.
Ele estava caminhando em um jardim, cheio de flores perfumadas das quais ele nunca vira. A frente, via-se uma enorme colina cheia de casas. A forte luz da lua iluminava a colina de forma que parecia haver um milhão de postes transparentes. A suas costas, via-se um vasto bosque, que estendia-se até sumir de vista. Não era assustador, mas Leo não faria questão de adentrar lá.
Na sombra de uma enorme árvore, Leo avistou uma garota. Ele não pode vê-la direito, mas captou alguns detalhes. Ela era branca, seus cabelos negros caíam em seus ombros. Vestia uma toga branca e os pés estavam descalços.
Em uma noite linda como essa, Leo se perguntava por que uma garota se esconderia na sombra de uma árvore. Ele se aproximou, e a garota pareceu não notá-lo.
Ela tinha um olhar triste. Talvez seus olhos fossem azuis. Lindos olhos azuis e tristes. Que desperdício, pensou Leo. Ele queria animar a garota, contar suas piadinhas velhas e sem graças só pra arrancar um sorriso daquele belo rosto. Mas, infelizmente, ele não poderia.
Outra garota se aproximou. Leo ficou chocado com a semelhança entre ela e a garota que estava embaixo da árvore. A menina que se aproximava tinha uma expressão de reprovação no rosto, e lançava um olhar ameaçador para a garota da árvore.
– Quantas vezes terei de lhe dizer para não sair da tua casa? — disse a garota nervosa.
– Eu... Eu não queria — disse a menina da árvore.
– Oh, deuses! Se não queria, Alexis, por que estais aqui?
– Eu... Eu segui algo, Alysson! Algo me guiou até aqui.
– E como tu chegastes até aqui sem morrer?
Até aqui sem morrer? Chegastes? Leo não simpatizou muito com essa garota.
– Eu vim para cá com um guarda-chuva. Mas quando cheguei aqui, a coisa que me trouxe simplesmente sumiu, e o guarda-chuva também.
– Oras! — disse a garota nada simpática — E tu realmente esperas que eu acredite nessa historinha? Tu achas que pode me fazer de idiota? Mas eu lhe digo algo: tu não consegues!
A garota mal, que Leo concluiu chamar Alysson, fez um gesto e apareceu uma capa em sua mão e a entregou a Alexis, que a vestiu e seguiu para sua casa.
Quando Leo acordou, não se lembrava de ter jogado o travesseiro e o lençol da cama no chão. Colocou-os em seus lugares e foi caminhar por Nova Roma.
Leo queria saber quem era aquela garota bonita de seu sonho, a tal Alexis. Ela não parecia feliz, ainda mais com uma outra garota igual a ela perguntando como ela não havia morrido pelo simples fato de estar embaixo de uma árvore. Leo queria fazer aquela garota rir. já que esta era a sua especialidade, porque ele sabia que não se importava mais com máquinas do que com pessoas.
Ele encontrou Annabeth em uma confeitaria comendo bolo azul, e se perguntou o porquê de Annabeth sempre fazer aquilo.
– Posso me sentar? — perguntou Leo.
Annabeth fez um sinal e Leo juntou-se a ela.
Ele lhe contou seu sonho, dando ênfase no quanto a garota Alexis era linda.
– Não sei o que isso significa... — disse Annabeth claramente desapontada, pois ela odiava não saber das coisas.
– É, eu também não sei, mas... Mudando de assunto, por que Percy teve de sair às pressas?
A expressão de Annabeth mudou, e Leo quase se arrependeu de ter perguntado aquilo.
– Ele não me contou muito — confessou Annabeth — Mas ele disse que era importante. Disse que teve um sonho e que ele tinha que fazer uma busca.
– Ah, claro — disse Leo — Uma busca sozinho. Percy é esperto. Já sei onde isso vai terminar.
Annabeth fulminou-o com o olhar, e antes que ele pudesse se justificar, Piper entrou na confeitaria.
– Annabeth! — disse Piper — Preciso que você venha comigo.
– O que houve? — disse Leo — Se você não sabe, é falta de educação interromper a conversa dos outros.
– Não estávamos falando sobre nada importante — disse Annabeth — O que aconteceu?
– É Quíron... Ele quer falar com você.
– E eu posso saber o que é mais importante que a nossa conversa? — disse Leo.
– Rachel teve uma visão. Ela... Ela pode ter ditado a nova profecia.
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