A Filha Da Exterminadora
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Brittany POV
A musica bate-estaca soa na mesma batida que o meu coração. Posso sentir o baixo batendo dentro do meu peito – Tum Tum. É difícil enxergar a minha volta com tantos corpos se contorcendo, ainda mais com a névoa de gelo seco e as luzes bruxuleantes do teto do clube, que criam uma atmosfera um tanto hostil. Mas sei que ele está aqui. Posso sentí-lo.
É por isso que sou muito grata a todos esses corpos que se contorcem em volta de mim. Eles me mantêm longe da visão dele – e a ainda disfarçam a minha presença. Caso contrário, ele já teria sentido o meu cheiro. Eles conseguem detectar rastro de medo a uma distância enorme.
Não que eu esteja com medo, porque não estou nem um pouco.
Mas trago uma arma comigo: a minha besta Excalibur Vixen 285 FPS, com uma flecha Easton XX75 de quase 70 centímetros (a antiga ponta de ouro foi substituída por outra talhada a mão), pronta para ser lançada com um simples toque do meu dedo.
Ele nunca vai saber o que o atingiu. E com sorte, nem ela.
O mais importante é dar um tiro certeiro — o que não será fácil com tantas pessoas aqui – e fatal. É bem provável que eu só tenha uma chance para atirar. Então, ou eu acerto o alvo... ou ele me acerta.
-- Aponte sempre para o peito – mamãe costumava dizer – É a parte mais larga do corpo, um alvo difícil de errar. É claro que é mais fácil de matar do que de machucar quando você mira no peito, em vez de mirar na perna ou no braço... mas para que machucar não é? A idéia é acabar com eles.
E foi para isso mesmo que eu vim aqui essa noite. Para acabar com eles. A Eleanor vai me odiar quando descobrir o que aconteceu de verdade... e ainda mais quando souber que fui que fiz tudo aquilo.
Mas também o que ela queria que eu fizesse? Não é possível. Será que Eleanor achava que eu ia ficar parada e assistindo ela jogar sua vida fora?
-- Conheci um cara – disse ela no almoço hoje enquanto estávamos na fila do bufê de saladas
-- Meu Deus, Brittany, você não vai acreditar no quanto ele é fofo. O nome dele é Niall. Ele tem os olhos mais azuis que você já viu.
O que as pessoas não conseguem entender sobre a Eleanor é que por trás daquela aparência — temos que admitir – de vagabunda, bate o coração de uma amiga verdadeiramente leal. Ao contrário das outras meninas do Santo Elígio, Eleanor nunca me tratou mal por meu pai não ser um megaempresário ou cirurgião plástico.
Tudo bem, admito, eu tenho que filtrar mais ou menos três quartos do que ela fala porque, em sua maioria, são assuntos que não me interessam – tipo, o quanto ela pagou pela bolsa Prada na liquidação da Saks, e qual a tatuagem tosca que ela quer fazer quando voltar a Cancun. Mas essa nossa conversa realmente me deixou encucada.
-- Eleanor – perguntei – e o Louis?
Afinal, Louis era o principal assunto desde que ele finalmente criou coragem de chamá-la para sair no ano passado. Quer dizer, era o principal assunto ao lado das bolsas Prada em liquidação e a tatuagem de vagaba na parte inferior das coxas.
-- Ah isso já era – disse Eleanor, selecionando as folhas de alface com o pegador. – O Niall vai me levar para sair hoje a noite, vamos ao Swig. Ele disse que consegue nos colocar lá dentro... ele está na lista VIP.
Não foi o fato de esse cara, seja lá quem fosse, dizer que estava na lista VIP da boate mais nova e exclusiva de Manhattan que me fez sentir calafrios. Não me entendam mal : a Eleanor é linda. Se alguma garota tiver que ser, de repente, abordada por um estranho que diz estar na lista VIP mais cobiçada da cidade, essa garota tem que ser a El.
Foi a situação com Louis que me deixou intrigada. A Eleanor adora o Louis. Eles são aquele tipo de casal perfeito da escola. Ela é linda, ele é um atleta admirado... é uma união do paraíso hormonal. E é por isso que aquilo que ela estava me contando não batia.
-- El, como você pode simplesmente dizer que já era? – indaguei – Vocês estão juntos desde sempre. Ou pelos menos desde quando eu cheguei ao ensino médio do Santo Elígio, em setembro, quando Eleanor foi a primeira (e, até hoje, a única) menina da sala que falou comigo. – E ainda tem a formatura nesse final de semana!
-- Eu sei – disse Eleanor com um suspiro contente. – O Niall vai me levar.
-- Nia...
Foi aí que eu entendi. Entendi tudo.
-- Eleanor, olha pra mim.
Ela então baixou seus olhos. Afinal eu sou baixinha. Baixinha, mas bem rapidinha, como minha mãe costumava dizer. E então eu percebi aquilo que devia ter me dado conta assim que ela chegou com aquela expressão sutilmente apagada — os olhos entorpecidos... a boca mole – que, depois de tanto tempo eu sabia reconhecer.
Não dava pra acreditar. Ele havia atingido a minha melhor amiga. A minha única amiga. Pois bem, o que eu ia fazer agora? Ficar sentada e deixá-lo agir?
Não isso não, dessa vez não.
Era de se esperar que uma garota com uma arma daquele tamanho no meio da pista de dança da mais nova e badalada boate de Manhattan fosse gerar algum murmurinho. Mas aqui é Manhattan. Além disso, todos estão se divertindo muito para me notar. Até mesmo...
Ai meu Deus. É ele. Eu não acredito que estou vendo o cara em carne e osso... Na verdade, é o filho dele.
Ele é mais bonito do que eu achei que fosse. Ele tem cabelos negros e olhos azuis, os lábios carnudos, perfeitos, como os de atores de cinema e ombros bem largos. Ele também é alto – assim como a maioria dos meninos é, comparando ainda mais comigo.
Se ele for um pouquinho parecido com o pai dele, então eu entendo. Finalmente eu entendo. Pelo menos eu acho que sim. Eu ainda não ... Ai, eu não acredito. Ele sentiu o meu olhar. Agora está virando pra cá...
É agora ou nunca. Então eu ergo a arma. Adeus, Niall Drake Horan. Adeus para sempre.
Quando eu finalmente tenho a camisa branca dele sobre a minha mira, algo inacreditável acontece: uma explosão vermelho-cereja surge exatamente no ponto que eu estava mirando. Acontece que eu nem puxei o gatilho.E a espécie dele não sangra.
-- O que é isso Niall? – pergunta Eleanor, movendo-se da frente dele.
-- Droga! Alguém... – Eu observo Niall tirar o olhar azulado e espantado da mancha escarlate em sua blusa e direcioná-lo para Eleanor. – Atiraram em mim.
Verdade. Alguém, realmente atirou nele. E esse alguém não fui eu. Porém, não é só isso que não faz sentido. Ele está sangrando. Isso não é possível.
Sem saber o que fazer me escondo atrás da pilastra, abraçando a Vixen contra o meio peito. Preciso me reestruturar e pensar nos meus próximos movimentos. Nada disso pode estar acontecendo de verdade.
Não é possível que eu tenha me enganado quanto a ele. Eu fiz a pesquisa. Tudo faz sentido.. O fato dele estar aqui em Manhattan.. o fato dele ter procurado a minha melhor amiga, entre tantas outras pessoas.. a expressão distante da Eleanor.. tudo. Tudo menos o que acabou de acontecer.
Eu vou simplesmente ficar aqui, parada, olhando. Tive o tiro perfeito ao meu alcance, mas não acabei com ele. Ou acabei? Se ele está sangrando, então é porque ele é humano. Não é?
Só que se ele é humano e levou um tiro no peito, por que ele ainda está em pé?
Meu Deus...
Notas finais
Besos liamdas!!
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