A Fic Mais Clichê do Mundo
9 Capítulo 9
Me sentei o banco mais próximo, estava possuída de raiva. Era só uma ideia boba, uma brincadeira de criança, mas aquilo me tirou do meu estado normal. Não precisei esperar mais de dez minutos e ele estava la, sentado do meu lado, vai que queria falar alguma coisa, mas esperou alguns minutos, o que foi bom.
–Eu me sinto uma idiota.
–Por que diz isso?
–Eu briguei com a minha irmã por causa de uma coisa boba.
–Quer falar sobre isso? Pra ser bem sincero, fiquei bem surpreso com a sua mensagem.
–Na verdade, não quero. Ela é só uma criança, não entende meu ponto de vista e nem nada.
–Se você falasse o que ouve, talvez eu ajude.
–Cheguei em casa e ela estava com um garotinho. Rã, Lã, Jeans, Pamonha...sei la o nome dele. Eu ache que era só um amiguinho, sei la, mas ela veio com essa historia de que era seu noivo. Quem fica noiva com doze anos?
–E o que você fez?
–Eu surtei. Queria jogar o moleque pela janela, mas vim pra cá em seguida.
–Que barra. Por que não conversa com ela?
–Você não conhece a Anna. É cabeça dura, não vai me darr ouvidos. Já não eramos ,assim, muito próximas. Quando meus pais morreram as coisas ficaram piores. Aposto que a minha tia sabia dessa historia e desse garoto.
–O que ouve com os seus pais? Se você não quiser falar, eu entendo.
–Tudo bem, eu não ligo. Anna só tinha uns sete anos quando aconteceu. Meu pai ia fechar um grande negocio em Los Angeles. Pra ser bem sincera,ate hoje eu não sei o que era. Minha mãe foi com ele, assim, enquanto ele estava em reuniao , minha mãe visitava uns parentes que moravam lá. Eu e a Anna ficamos aqui com a minha tia, não podíamos ir por que tinha aula no dia seguinte e meus pais não queria que perdêssemos. No final das contas, pegaram um avião só de ida.
–Uau...como você reagiu?
–Recebemos uma ligação dizendo que o avião caiu, que de todos só vinte passageiros saíram com vida. Claro que meus pais não faziam parte dos vinte. Eu fiquei arrasada, não podia ser real. Mas acho que para a Anna foi pior, levou uns dias para convensermos ela dessa historia e só uns meses depois ela entro em luto. Acho que na cabecinha dela, eles iriam voltar. Mas se passaram os dias,semanas e eles não voltaram. Lembro da primeira vez que ela chorou por eles. Foi no meio da noite, ela me acordou e demorou muitas horas ate eu poder acalma-la.
–Isso tudo não deveria ter aproximado vocês duas? Tipo, uma ajudava e consolava a outra.
–Não, chegou uma hora que ela ficou dizendo que não era justo para ela, que eu tive mais tempo com eles do que ela. As vezes ate acho que eu queria aquilo, que eu tinha ciumes deles e que eu não queria dividi-los com ela. Sempre que eu tentava conversar com ela, ela ficava brava e saia de perto.
–Eu sinto muito, por tudo.
–Sente pelo que? Não foi você quem derrubou aquele avião.
–Eu sei, é só modo de dizer.
–Tudo bem.
–Apesar de tudo, você tentou, né. Ela, no final das contas, tem a melhor irmã do mundo.
–Tenho certeza que tem outros melhores.
–Eu fui cinsero. Eu sei que é um pouco tarde, mas o que acha de tomarmos um sorvete? Sair dessa zona de tristeza e dar umas risadas. Farei o meu melhor.
–Boa sorte então.
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