Taylor e Justin, Justin e Taylor. Eu não podia acreditar. Como pode? Como ele pode fazer isso comigo? Uma enxurrada de ódio e tristeza me invadia, a noite mal começara e tudo estava desmoronando. Eu queria arrancar aquela cabeleira loira dos dois, fazer um cachecol e amarra-los a eles como cachorros. E era isso que ele era: um cachorro.

–Elsa... –Ouvi o Jack falar. –Por favor, não faça nad...

Eu nem prestei atenção. Não ouvia mais nada. Não via mais nada. Muito menos sentia algo. Um alvo, um único alvo: o ex-casal mais perfeito da escola. Eu tinha que fazer alguma coisa, e iria ser agora.

Eles tinham um grande sorriso no rosto e cantava um dueto com a mais pura emoção. Estavam felizes, mas por pouco. Ela iria se arrepender de ter me conhecido, e ele, de ter mexido com o meu coração.

–Elsa, por favor...pare!

Eu andava até o palco quando o Jack seguia atrás de mim. Senti sua mão fria agarrando o meu braço, me soltei dele e mantive o meu passo. Fiz questão que ninguém estivesse na minha frente, quem quer que estivesse, teria uma bola de neve na cara ou em qualquer outro lugar.

–ELSA...PARE!

O pânico preenchia a festa aos poucos, uma pessoa de cada vez. Alguns tentaram me impedir, mas se arrependeram amargamente. Mas Jack, Jack era persistente e se pôs a minha frente:

–PARE JÁ! VOCE NÃO SABE O QUE ESTA FAZENDO!

–Nem você...

–VAI SE ARREPENDER!
–Não, eles é que vão.

Via seu pânico no seu olhar, pobre garoto, mal sabe que quando uma tempestade chega, não há nada que a faça parar.

–Por favor, não me impeça.

Falei para ele o mais calmo possível. Estiquei-me até ele e lhe dei um beijo na bochecha.

–Você não sabe o que é ter o coração estraçalhado.

–Talvez saiba...

Disse, com a cabeça baixa. Não entendendo o que ele quis dizer, mas não era hora de ligar para isso. Via o medo estampado no rosto do casalzinho, eles ficavam fofos assim. Os demais da banda já haviam desocupado o palco, mas eles não, Taylor se agarrava firmemente em seu tronco enquanto estampou um sorriso torto e maligno.

–Hora Elsa, não acha mesmo que eu e o Justin tenha voltado.

–Não, não acho. Tenho certeza.

Estava a poucos centímetros do palco. Justin a afastou dele, andou até a beirada do palco e se agachou até ficarmos quase da mesma altura.

–O que você é? –Disse, com uma mistura de medo e desapontamento.

–Eu não sei, mas quem você pensa que é para fazer isso comigo?

Sempre calma, mas firme. Vi que todos já se mantinham em uma distancia segura de mim, o que era bom.

–Você é um monstro.

–Não, você é um monstro para brincar com os meus sentimentos.

–Não achei que se envolveria desse jeito.

–Vamos, Justin. Explique agora antes que eu te cubra de neve e estacas de gelo.

–Olha, não era pra ser desse jeito. Taylor e eu estávamos com o namoro no limite, ela quis terminar comigo mas eu não, então quando enfim aconteceu, só precisei de uma idiota qualquer para ficar junto e fazer ficar mortas de ciúmes. E deu certo, ela terminou com o Woody e ligou logo em seguida para mim, mas insistiu que eu a levasse para cá pra deixar tudo bem claro a você.

–Bem, resposta errada.

Uma estava aqui, uma outra ali, e outras mil a minha volta. Ninguém passaria por mim, e nem veria o que estava por vir. Foi muito fácil fazer com que outras aparecessem no palco e cercassem o casal. Os prendi como pássaros, não havia por onde pudessem escapar.

Um forte ventania surgiu e com ele uma nevasca. Eles perderam o equilíbrio fácil, mas não foi um problema para mim. Eles se agacharam e se agarraram para não saírem do lugar. Bem, acho que o cabelo perfeito da Taylor não vai ficar tão bom quando tudo isso acabar.

Senti meus pés soltarem o chão bem devagar, o poder corria pelas minhas veias e o sentia em cada centímetro do meu corpo. Estava pronta para o próximo passo, quando senti uma grande bola de neve nas minhas costas.

Aquilo me tirou o foco, e depois veio outra e outra até ver que a nevasca parara. Não fiz nada daquilo. O gelo desaparecia e poderia ver aos meus pés uma barreira crescendo em um semicírculo entre mim e o palco. Não conseguia desfaze-lo. Alguém estava tentando me impedir.

Quando finalmente vi quem era, aquilo me surpreendeu de um jeito desigual. Não, não poderia ser...nunca imaginei quem poderia ser...O responsável que estava entre mim e a minha vingança era...