A Fera Amavel
16 Welcome to our brotherly time
Notas iniciais
P.O.V Koda
Meus ouvidos captaram os gritos estridentes das gaivotas , o barulho estrondoso das águas geladas que caiam das cachoeiras e meu nariz farejou um forte cheiro de peixe. Meus sentidos são incríveis , mas tudo isso se deve aos ensinamentos que aprendi com a minha mamãe enquanto estava viva.
Eu sabia que Tug gostava de mim , e eu via — o como um pai. Tinha que aparentar que tudo estava bem , e que nada de novo havia acontecido comigo e o Kenai . Eu precisava intervir em favor de Yona, para que ela conseguisse subir a montanha para continuar o seu caminho até chegar à árvore . " Ah Yona, se você pudesse se ver do jeito que eu te vejo. Se você pudesse sentir como eu te sinto... Você iria ser a minha segunda mãe, mas você sempre ficará comigo em meu coração" .
—Koda , Kenai como vão?
Eu corri alegre e veloz até o Tug e ele jogou –se de barriga para cima na água gelada e , eu pulei em sua barriga enorme.
—Você cresceu tanto , filhote.- exclamou acariciando a minha cabeça como todas as vezes em que nos encontrávamos , e eu tenho que dizer que acho um costume estranho. E eu nunca entendi porque ele gosta de fazer isso comigo. Apenas deixo.
Graças ao Grande Espírito , Yona estava escondida dos outros ursos, num esconderijo em que só Kenai e eu sabíamos onde ficava . Tudo o que precisávamos fazer era pescar e agir com naturalidade com os outros até o momento certo.
Respirei fundo. Tudo ficaria bem...
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Eu havia falado cedo demais . Tug e alguns ursos seguiram a gente até as moitas de amieiros onde Yona estava escondida . E Kenai estava sobre as patas traseiras, tentando proteger Yona deles , que olhavam cheios de desdém e cheiravam curiosos.
A culpa foi toda minha. Eu devia ter deixado Kenai levar acomida para ela, sozinho. Mas eu fora teimoso, pela primeira vez, e eu nunca fui desse jeito. Nunca em toda a minha vida. Nem com a minha mãe eu era assim. Kenai ficou chocado, até . Era como se não me reconhecesse mais. E pode acreditar, nemreconheço-me mais.
As árvores ao nosso redor como os salgueiros , pinheiros e amieiros estavam em silêncio . As gaivotas estavam caladas. Sem barulho algum .Estava tudo tão quieto que eu não seria capaz de ouvir os espíritos das árvores conversando entre si. Aquele corvo voou baixo até um galho pertinho da gente e fitando o que estava acontecendo com os seus olhos grandes e redondos como amoras pretas.
—Por quê vocês trouxeram uma humana , Koda ? – disse Bernard, um urso negro com um dente canino entre os beiços. O nariz do Tug começou a fungar .
Eu estava paralisado , tentei evitar que os meus pensamentos de pânico transbordassem, eu não sabia como explicar e vi minutos se tornarem horas. E as palavras não chegavam na minha mente ou na minha boca.
—Espere,meus amigos. Ela parece não ser uma humana qualquer. – exclamou Tug .
E eu vi a chance de Yonase explicar e contar a verdade à eles.
—Quem é você , menina – humana? – perguntou Tug.
Yona saiu de trás da proteção do Kenai e ele se abaixou , saindo da sua posição de ataque. O rosto dela estava pálido e frio , estava segurando a sua emoção e parecia conseguir manter a calma diante dos meus amigos ursos. Ela se aproximou dele e fez uma reverência ao Tug como se estivesse diante de um chefe — humano. Eu ouvi o seu coração pequeno , como o meu , batendo pesado e sem parar. Sua voz , quando começou a falar , adquiriu um tom grave e calmo conseguindo a compreensão deles, instantaneamente , enquanto contava a verdade para eles. Um pensamento passava na cabeça deles, com certeza, e era “ Meu Deus, uma humana que entende a gente... como é possível?”
Muitos ficaram chocados coma historia dela com o pai , outros ficaram revoltados. Mas Tug não conseguia se conter de felicidades ao se ver diante de Yona. Era como se ela fosse de uma importância muito maiorque nem eu, ou Kenai e os outros ursos sabiam.
Ao olhar para o céu, achei uma nuvem branca no formato de um lobo – cinzento. Mamãe dizia que isso era um bom sinal. Era sinal de que a sabedoria seria guia da decisão do Tug e ninguém seria capaz de mudar a decisão dele.
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P.O.V Yona
—Lá vou eu! – gritei segurando firme nas costas do Kenai.
E sem pensar duas vezes , juntos , pulamos da cachoeira , e eu senti a água fria entrar em contato com o meu corpo, e quando emergi a minha cabeça , joguei um pouco de água no rosto peludo de Kenai . E ficamos nadando e rindo como crianças , e uma árvore murmurou um segredo para mim, incentivando – me.
“ Aproveite ao máximo esse dia, querida! ”
Agradeci o conselho dado por ela enquanto ajeitava o meu cabelo molhado. O sol estava iluminando intensamente lá no céu dando uma sensação de calor naquele dia.
Pela primeira vezem minha vida estava completamente no paraíso . Não me sentia mais vazia e sozinha. Sentia –me como se a minha alma tivesse selado um elo com todas as outras criaturas vivas ; árvore e pássaro , urso e humana , rio e pedra. Nada , no mundo inteiro , poderia arrancar o que eu sentia. Nada poderia.
O riso subiu pela minha garganta e eu deixei – o sair . Inspirei fundo e comecei a nadar novamente . Adiante , achei Koda conversando com os seus amigos . Eles tinham quase a mesma idade dele , mas tratavam Koda como se fosse muito maduro e sábio para quem era um filhote .
Sai da água com o desejo de secar um pouco o meu corpo e os cabelos molhados . Uma brisa surgiu , arrepiando a minha pele molhada. No mesmo momento , olho para cima e vejo Kenai sorrindo e com um enorme salmão para a gente.
Tug havia cheirado os meus cabelos. Ele reconheceu quem eu era – uma descendente da Adahy – a árvore da vida ; e disse que eu tinha cheiro de urso — o que me fazia ser um deles. Rapidamente milhares de filhotes de ursos vieram em torno de mim e começaram a fazer suas perguntas sobre o meu vilarejo , as coisas que eu gostava de fazer lá e o que serviam os objetos que nós , os humanos , usávamos em nossas atividades corriqueiras do dia –a – dia . E devo dizer que eles não perderam a oportunidade de rir quando descobriam sobre os objetos , que eu tentava explicar de uma maneira mais simples .
Murmurei um obrigado ao espirito do salmão . Apalpei a minha bolsa procurando a pederneira para fazer fogo e assar aquele salmão apetitoso . Depois peguei um punhado de folhas secas e pedras para evitar que o fogo se espalhasse na grama . Minhas mãos tremiam , mas consegui uma faísca para acender . O barulho do peixe chiava no fogo e afastou os meus pensamentos. Quando o fogo cumpriu o seu trabalho de cozinhar , apaguei –o com uma cumbuca de água.
Peguei um pedaço bem grande de salmão e esticando o meu braço coloquei na boca do Kenai, cuidadosamente . Seus olhos se esbugalharam , surpresos com o meu carinho. Ele mastigou bem devagar , sentindo o sabor cozido e suculento do peixe.
—Fazia muito tempo que não comia algo que não fosse cru que acabei me acostumado com o gosto amargo e limoso. E cheio de sangue . Obrigado por me dar essa chance de provar algo familiar.
Assenti , satisfeita. Agarrei o seu nariz gelado e depositei um beijo. O rosto dele ficou rubro.
— Na verdade sou eu que deveria agradecer você por tercaído naquela armadilha e ter me trazido neste lugar maravilhoso.
Ele riu , de nervosismo.
Aquele salmão estava muito gostoso. Comi um pedaço generoso que deixou – me mais do que satisfeita . Kenai continuou conversando comigo sobre as coisas que ele sentia falta como homem. E das coisas boas de ser um urso.
Koda chegou saltitando atrás de nós .
— Kenai , Yona , depressa , está na hora de contarmos as nossas histórias. – disse impaciente .
— Já vamos, querido. Vai na frente que a gente alcança você, rapidinho.
Koda saiu correndo feito um coelho veloz deixando eu e Kenai mais sossegados para aproveitarmos mais um pouco daquele momento .
Eu pude notar que Kenai estava com o corpo tenso. As orelhas movimentando – se para frente e seu focinho negro contraindo — se como tivesse visto algo. Parecia que tinha visto um fantasma. Segui a direção do olhar dele , mas infelizmente não consegui enxergar nada através das árvores , das pedras e das quedas d’águas. Sua cabeça se abaixou e eu ouvi claramente :
— Me perdoe ! – exclamou para uma presença invisível aos meus olhos.
Eu mesentei ao seu lado.
— É a mãe do Koda?
Ele acenou, concordando. Coloquei minha mão em volta de sua pata , alisando delicadamente sua pata macia . Ele ficou quieto sentindo o meu carinho.
— Você foi uma boa mãe. – berreiconfiante. Minha voz saiu esganiçada e sem jeito. – Você foi forte e esperta, e continuou pensando em seu filhote após a sua morte. Kenai prometeu manter a sua forma de urso como um pacto com o Grande Espírito e pedir o seu perdão todos os dias . E tratar seu filho como se fosse seu irmão mais novo. Agora vá em paz.
Uma voz falou suave como o vento.
—Eu perdôo você , garoto- urso.
Viro para ver o rosto melancólico de Kenai ,e então encosto minha cabeça em seu ombro macio para confortá-lo. Eu ia sentir saudades do seu corpo macio quando fosse a hora de deixá-lo .
— Está tudo bem. Ela sabe que você está cuidando bem do filhote dela.
—Muito obrigado , Yona.
— Vamos . É hora de contarmos histórias para os outros ursos.
O rosto de Kenai estava desconcertado e tão estranho , mas isso não impediu-o de se levantar e caminharmos para a clareira onde estavam os outros ursos. Talvez estivesse ainda pensando na mãe de Koda ou qual história iria contar aos outros nesse ano.
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