A Fera

12 Fúria e Lágrimas


Notas iniciais
Pessoal, tenho que confessar uma coisa para vocês......... Não estou me aguentando de tanta ansiedade a cada novo capitulo que reviso! Sério, estou tentando ao máximo postar aos domingos, no horário, mas não está dando certo! rsrs Fico simplesmente ansiosa para postar logo os próximos ♥ Mas eu quero é saber de vocês! Como estão se sentindo com essa segunda parte da história de Adélia e Rafael? Estão tão ansiosos quanto eu? Comentem! Mil bjos, e espero que gostem ;)

Rafael observava enquanto Fordy depositava sobre a mesa de centro o seu almoço, sem apetite algum. O velho lançava olhares preocupados em sua direção, uma vez ou outra. Parecia suspeito de algo, desconfiado até.

—Estou sem fome – Rafael anunciou, um segundo mais tarde. Estava torcendo para que fosse aquele o motivo dos olhares inquisitivos de Fordy.

—Você não come direito há dias – ele rebateu, parecendo irritado. Rafael revirou os olhos, se aproximando para analisar o conteúdo no prato disposto diante de si. – Ah, tenho um recado vindo de seu pai.

Rafael o encarou com curiosidade, mas não quis dizer nada. Não sabia ao certo se queria saber o que Adam tinha para dizer, embora não tivesse escolha.

— O que ele quer? – Murmurou, demonstrando desinteresse.

— O Dr.Salvatore virá visita-lo para uma consulta – ele disse, remexendo-se de modo desconfortável. Parecia incomodado demais, e Rafael estava começando a se sentir da mesma forma.

—Que ótimo – murmurou para si mesmo, sentindo a bile ameaçar sufoca-lo.

Não fazia tanto tempo desde que vira o médico, e não estava muito ansioso para isso.

Rafael não se sentia mais tão doente como antes. Tinha uma capacidade impressionante para viver com dor, e os apertos que sentia no peito ou o ritmo descontrolado de seu coração já era tão parte de sua realidade quanto qualquer outra sensação débil.

Estava acostumado àquilo – aquelas dores, aquele sufoco. Estava conformado, na verdade.

—É apenas isso o que tem a me dizer? – Rafael encarou Fordy parado diante de si, esperando pela resposta.

Ele sentiu uma ponta de decepção quando o velho negou com a cabeça. Esperava que Fordy lhe trouxesse novidades sobre outra pessoa, embora não soubesse como reagiria se caso estivesse diante de um novo bilhete.

—Rafael – Fordy o chamou em um tom cauteloso. – Tem algo mais.

Rafael parou de revirar a comida em seu prato para encará-lo. Lá estava aquele assunto subentendido que Fordy escondia. Ele não precisava saber do que se tratava para sentir suas mãos suarem enquanto ficava nervoso.

Ele assentiu com a cabeça, demostrando que estava ouvindo.

—Acho que deveria fazer uma visita hoje – o velho continuou. Fordy parecia esconder alguma coisa dele, e Rafael tampouco tinha coragem de perguntar.

Um silêncio desconfortável se instalou entre os dois, e Rafael quase poderia sentir as ondas de nervoso que também emanavam de Fordy. O velho nunca se descontrolava, não importava qual fosse a situação – nem quando Adam reagia de forma bruta, nem quando Rafael lhe fazia perguntas desconcertantes e nem mesmo quando ele caía doente.

Mas Fordy sempre parecia preocupado, e naquele momento o velho chegava a suar. Hora ou outra tocava a própria testa com um lenço, folgava a gravata ou suspirava ansiosamente.

—O que aconteceu? – Quis saber de uma vez por todas. Não conseguia discernir quem estava mais nervoso: ele, por não saber nada ou Fordy, por saber de alguma coisa.

—É uma gripe, pelo o que eu soube – Fordy deu de ombros, como se aquilo não fosse nada. – Apenas vá e descubra se ela precisa de alguma coisa para se sentir melhor, talvez.

Então era aquele o motivo de tanta tensão? Uma gripe?

—Mais alguma coisa? – Rafael tentou soar o mais inquisitivo que pôde, em uma tentativa nada firme de pressioná-lo.

Fordy negou rapidamente, dando de ombros.

—Eu irei mais tarde, se assim desejar – disse, por fim. Não estava muito animado com a ideia, mas saber que se tratava de um mal-estar já era motivo suficiente para preocupa-lo. – Avise-a assim que puder. Não vou aparecer se surpresa.

Ambos ficaram se encarando durante aquele momento de silêncio. Rafael o encarava com o jeito arrogante de quem tinha o ego fragilizado e precisava de um escudo extra, enquanto Fordy o encarava com um misto de pena e descrença.

—Ela precisa de você agora — Fordy não resistiu. Tinha a esperança de que Rafael compreendesse bem o recado quando insinuou que devesse visita-la, mas temeu ao mesmo tempo que ele fosse atrás de briga.

Desde aquela fatídica troca de cartas tudo se resumia a discussões, xingamentos e nenhum dos dois dando o braço a torcer – e aquilo era o tipo de coisa que nenhum deles precisava no momento.

—Por que diz isso? – Rafael resistiu a vontade de chama-lo de louco quando seu coração se aqueceu com a ideia.

Ainda lhe parecia errado pensar daquela forma, mas ter a mínima ideia de que, talvez, Adélia precisasse dele, já fazia seu coração se inflar de ansiedade e algo próximo a uma alegria que só o egoísmo era capaz de lhe proporcionar. Não em uma situação ruim, claro – queria que ela estivesse tão bem quanto ele mesmo.

—Porque eu sei o que está acontecendo – o velho respondeu sério demais, quebrando qualquer expectativa que Rafael havia criado em sua mente. – Sei exatamente pelo o que ela tem passado. E não tem nada a ver com o que Adam lhe disse, ou com o que têm acontecido entre vocês. É algo mais... – ele parou, desviando o olhar.

—O que quer dizer com isso, Fordy? – Rafael sentiu a bile sufoca-lo.

Fordy fez uma pausa, respirando fundo. De pé, ele se aproximou de Rafael que ainda estava sentado em sua poltrona de frente para a janela e o encarou firmemente. Havia algo feroz no olhar do velho que o assustou por um momento, antes de o mesmo começar a falar.

—Apenas lhe faça uma visita, seu tolo. Não se faça de cego e não seja rude – murmurou, fulminando-o. Por um momento, Rafael quase não reconheceu o olhar que o analisava naquele momento. – Ouça-a com cuidado, Rafael. Ela tem muito a dizer a seu respeito.

ஜ

Todo o corpo de Adélia reclamava até dos movimentos mais suaves que fazia durante o banho.

Parecia que havia sido atropelada – seus ossos pareciam pesados e sua carne espancada. Assim que parou em frente ao espelho, ela encarou o próprio reflexo e se comparou a seu pai, quando o mesmo fora brutalmente atacado na calçada de seu prédio.

A única diferença entre os dois naquele momento era a falta de hematomas no corpo dela – Adélia até que estava ótima, fisicamente falando.

Seu nariz ainda avermelhado, seus cabelos engrenhados em um coque e sua expressão ainda estava congelada em uma máscara de tristeza. Não havia um arranhão em seu corpo que comprovasse o que Jeniffer havia lhe contado sobre o que aconteceu na noite passada, e Adélia não conseguia decidir se aquilo era bom ou ruim.

Estava distraída analisando o próprio reflexo quando uma série de batidas na porta a distraiu, fazendo-a perder o fôlego no susto. Mal se dera conta quando suas mãos começaram a tremer de nervoso, e ela obrigou a si mesma a engolir em seco e respirar fundo.

Não poderia ser Jeniffer, já que a mesma nunca batia quando estava prestes a entrar. Por um momento, ela tentou pensar em quem poderia ser, mas sua cabeça não funcionava direito.

Quando as batidas insistiram, Adélia se apressou em procurar algo pontiagudo e forte para usar como defesa, mas tudo o que conseguiu alcançar foi sua escova de cabelo.

—Quem está aí? – Questionou em alto e bom som, apenas para ganhar tempo enquanto pensava em um golpe. – Não vou abrir! – Disse, quando o visitante não respondeu.

—Abra! – Uma voz abafada respondeu, dando um leve soco na porta. – É apenas... Rafael.

Adélia respirou fundo, sentindo um misto de surpresa e alívio inundarem seu coração. Ela soltou a escova rapidamente, abrindo a porta em seguida.

Lá estava ele, parado diante de si naquela postura rígida e mascarado.

Parecia que Adélia não o via a meses, e a sensação de alívio e segurança que sentiu ao descobri-lo detrás da porta ainda parecia ser algo bom e bem-vindo.

—O que faz aqui? – Perguntou, sem conseguir esconder a surpresa na voz. Sua respiração ainda estava presa em sua garganta, dificultando a saída de sua voz.

Rafael não respondeu, pois não sabia exatamente como. Simplesmente estava ali para vê-la, já que Fordy anunciara de forma muito dramática ainda naquela manhã que a mesma estava adoecida. Deveria ter se dado ao trabalho de lhe avisar com um bilhete, o que agora resultada em apenas um questionamento.

—Estou atrapalhando? – Se perguntou, embora sua voz tenha saído mais alta do que deveria. – Adélia, eu não quero... – ele engoliu em seco, tentando controlar os próprios nervos – não quero atrapalhar.

—O que faz aqui, então?

Rafael desviou o olhar para dentro do quarto, notando que a mesma estava aparentemente sozinha. Estava desconcertado com a própria ousadia.

—Soube que estava adoecida – ele murmurou, sem graça e deslocado. Passou poucos segundos encarando-a, avaliando-a em busca de algo que apontasse para os seus problemas.

—Estou apenas abatida – ela respondeu, com um tom de voz estranho.

Rafael estava preocupado com ela?

Ela o investigava com o olhar, buscando algo suspeito. Ele parecia normal – para os parâmetros dele.

—Estou bem – ela continuou. – Estava muito pior mais cedo.

—Sinto muito – Rafael murmurou, quase inaudível.

Amos ficaram se encarando por um momento, tentando decifrar o que o outro escondia.

É claro que Rafael tinha uma enorme vantagem ali, pois ele conseguia vê-la por inteiro. Já Adélia ficava para trás, levando em conta que ele ainda se escondia dela – ela jamais saberia como era quando ele sorria, ou como era quando o mesmo estava triste ou irritado apenas olhando para ele.

—Sente muito? – Ela murmurou de volta, achando um pouco de graça até a irritação espetar seu peito. – Por eu estar doente? Ou pelo o que aconteceu?

Adélia sentiu as lágrimas ameaçarem cair, mas ela as controlou o máximo que pôde. Rafael continuou impassível, como se mal tivesse prestado atenção no que ela disse.

—O que aconteceu? – Ele quis saber, ficando cada vez mais preocupado a medida em que Adélia se encolhia.

—Você não... — De repente, um temor fez o coração de Adélia se afligir quando ela se deu conta de que, talvez, Rafael realmente estivesse alheio ao que aconteceu. – Como você não sabe? – Perguntou para si mesma.

Ficou ainda mais irritada quando Rafael deu um passo à frente, em sua direção, quando notou as lágrimas.

—Eu preciso saber – ele murmurou, sentindo seu peito se afundar de tristeza quando Adélia o encarou com fúria e lágrimas nos olhos. – Eu preciso ajuda-la.

—Me ajudar? – Ela vociferou, piscando com força para espantar as lágrimas. – Você não sabe de nada, Rafael. Não sabe como me ajudar.

Adélia o estava culpando?

Ele se sentiu ofendido. De fato, não poderia ajuda-la por que não sabia de absolutamente nada. E o modo como ela o fulminava com o olhar, o odiando, era o suficiente para deixa-lo arrasado e com medo.

—Me perdoe, Adélia – se desculpou, sentindo-se mal. Não queria magoá-la ainda mais; estava ali para tentar fazê-la se sentir bem e não para deixa-la pior. – Não quero feri-la ainda mais, pois vim apenas com a intenção de fazê-la se sentir bem. Caso esteja incomodada, diga-me e vou embora agora mesmo.

Adélia o encarou por um momento, sentindo sua cabeça latejar de dor. Mal conseguia processar os próprios pensamentos, e lidar com toda aquela carga emocional só a fazia se sentir pior.

Estava confusa, com medo e sozinha. Não tinha ninguém a seu alcance para lhe oferecer apoio e confiança – nem mesmo Rafael cobria tal vazio. O simples fato dele estar alheio a tudo o que aconteceu já a deixava arrasada o suficiente.

No entanto, ainda por não ter ninguém exceto a ele, lidar com aquilo tudo sozinha lhe parecia perigosamente cansativo. Talvez estivesse apenas abalada, mas estava cansada demais – emocionalmente, fisicamente e tudo mais.

—Vai me ajudar? – Murmurou, sendo vencida pelo peso em sua cabeça.

—Vou fazer qualquer coisa por você – ele murmurou em resposta, como um segredo.

—É uma promessa?

Aquilo quase o fez rir, até perceber que ela não estava brincando. Adélia parecia apenas não querer confiar nele, e aquilo o preocupou imediatamente.

—Não – Rafael se sentiu um tanto mal por admitir aquilo, mas não poderia prometer-lhe mais nada. Não até ter sua confiança e noção do próprio espaço. – É apenas um fato, Adélia. Eu faria qualquer coisa para ajudá-la.

Adélia deu de ombro, abrindo espaço entre si e a porta de forma convidativa. Estava cabisbaixa, indicando com a mão tremula para que ele entrasse. Rafael seguiu caminho até estar diante da sacada do quarto, admirando a vista temporariamente.

O sol já estava se pondo, mas a claridade do dia era tanta que ele se sentiu envergonhado quando teve de encará-la, mesmo que ainda estivesse com a máscara.

—Como soube que eu estava doente? – Adélia retorcia as mãos de nervoso atrás dele, enquanto se aproximava.

—Fordy me informou esta manhã – ele respondeu, lançando inutilmente um olhar por cima do ombro, para captá-la.

Apenas a menção do velho fez o corpo de Adélia estremecer, e o tempo que a mesma permaneceu em silêncio obrigou Rafael a encará-la.

—Ah— foi tudo o que ela respondeu.

Rafael observou ela abraçar a si mesma de forma firme e protetora, enquanto seus olhos umedecidos se enchiam de um brilho extra.

—O que há de errado, Adélia? – Ele se aproximou dela, esquecendo-se até da própria timidez.

Tocou-a bem de leve no braço, até estar com uma de suas mãos tremendo diante de si.

Rafael segurou os dedos pálidos e frágeis de Adélia com enorme receio, sem conseguir desviar os olhos do rosto dela, que se contorcia em uma careta de choro.

—Eu não sei o que fiz de errado – ela murmurou, a voz entrecortada por conta do choro. Suas bochechas estavam vermelhas e quentes. – Não sei o que aconteceu. – Ela soluçava, desviando o olhar envergonhada.

Rafael tentou assimilar aquilo calmamente, mas seus nervos estavam entrando em colapso um por um. Não conseguia enxergar mais nada diante de si, exceto Adélia. Estava tão concentrado nela que começou a sentir sua própria dor.

Estava desconcertado por ela estar chorando e por não saber como ajudar; estava furioso por ela estar machucada com algo que ele não sabia e, acima de tudo, estava assustado com o próprio medo.

—Alguém a machucou? Diga-me quem foi! – Ele murmurou, feroz. Bastava Adélia lhe dar um nome e ele mesmo trataria de descontar – até nele mesmo, se fosse o caso.

Adélia enxugou o rosto das lagrimas e encarou os próprios pés enfiados em um par de meias, tonta. Sua cabeça latejava tanto que ela quase conseguia ouvir o zumbido de sua pulsação violenta que a desconcertava.

Fordy, ela quis murmurar. Mas então a imagem de Jeniffer invadiu sua mente.

Como num flashback, Adélia viu Jeniffer sobre si e não o velho. Quase parecia que a mulher a estava atacando-a com violência, escalando seu corpo enquanto gritava e arremessava algo pesado em seu rosto. Todo o corpo de Adélia pareceu sucumbir aquele flash estranho, e a medida em que sua visão ficava mais embaçada e escurecida, o seu corpo parecia ganhar peso extra.

Ela só se deu conta do que estava acontecendo quando os braços de Rafael a rodearam e a abraçaram de forma ligeira e firme, sufocando-a contra seu peito.

Como um balão, parecia que sua mente havia se expandido até um certo limite. Em um momento, coisas que ela não fazia ideia do que significava enchiam-na e então, segundos mais tarde, tudo desaparecia da mesma forma.

Foi como cair de um precipício em um sonho — sempre no meio da queda, ela acordava.

—Adélia? – Rafael murmurou, com um tom de voz que indicava muito além de preocupação.

Ele a sacudiu um pouco, até Adélia focar seus olhos em seu rosto de metal. Não havia expressão alguma nele, e estava tão próximo que ela gritou, cambaleando para trás. Rafael não a soltou até confiar que ela não se desequilibraria, mesmo quando Adélia o empurrou e praticamente berrou.

Ele permaneceu com seu corpo trêmulo entre seus braços até a expressão de choque e terror de Adélia se transformar em outra careta que anunciava lágrimas. Rafael a arrastou até a cama, empurrando-a de leve até ela estar confortavelmente sentada.

—O que está acontecendo? – Uma voz feminina retumbou pelo ambiente, parecendo surpresa.

—J-Jeniffer— Adélia murmurou, ao perceber a figura parada na porta encarando a ambos com os olhos arregalados e inquisidores.

Rafael ajeitou-se em sua postura rígida para receber a empregada, que caminhava lentamente até Adélia. A mulher o encarou por alguns segundos antes de focar sua atenção na garota trêmula diante de si, que a encarava com total choque no rosto.

—Minha querida, o que aconteceu? – Ela tocou o rosto de Adélia com carinho, sem esboçar nenhum sinal do nervoso que Rafael sentia. – Não chore! Vai ficar tudo bem...

Rafael observou, surpreso, enquanto a mulher sentava ao lado de Adélia e acariciava seus cabelos de forma tranquila. Quase parecia que já estava acostumada a ver aquele tipo de reação vindo dela, e o modo como Adélia respirava mais devagar a medida em que a mulher murmurava frases de incentivo assuntou profundamente Rafael.

Quantas vezes aquilo já havia acontecido e ele nunca soubera de nada? Durante quanto tempo Adélia sofria de tal forma e ele nunca tivera a mínima noção?

Rafael tentou engolir em seco, mas sua garganta estava travada de culpa. A quem ele estava tentando enganar?

Como poderia protege-la, quando mal sabia sobre o que se passava dentro de sua própria casa?

Por um momento, Rafael quis apenas fugir daquela cena. Estava se sentindo um inútil, imprestável e covarde. Jamais iria poder ajudar Adélia, pois era cego demais.

—Estou bem – a voz de Adélia o distraiu por um momento, e ele se viu obrigado a encará-la.

Ele observou enquanto sua mão trêmula entregava para a mulher a seu lado um copo vazio de água, pedindo mais.

Água, por que não pensou nisto?

Por um momento, a mulher o encarou. Rafael esperou que ela lhe pedisse para buscar mais água, mas então ela se levantou e foi até outro cômodo, que ele deduziu ser o banheiro.

Estava tão distraído que se assustou quando Adélia segurou sua mão com força, chamando sua atenção.

—Fique comigo, por favor – ela implorou, torcendo-lhe o pulso. Algo em seu olhar lhe dizia que ela não aceitaria um não como resposta.

—Eu ficarei – Rafael murmurou, prometendo sem querer.

Adélia soltou um suspiro de alivio quando ele assentiu, soltando-o quase imediatamente assim que a mulher reapareceu com seu copo d’agua em mãos.