A Fera

9 Você consegue imaginar?


Notas iniciais
Oi, oi gente...Espero que vocês gostem desse capítulo, pois eu me emocionei escrevendo ele...

Oliver

Estava em meu quarto olhando pro teto, Felicity provavelmente já estaria dormindo. Acabei resolvendo dar uma volta pela cidade de moto e quando fui pegar o capacete em cima da minha estante derrubei um livro, eu nem daria atenção, mas era aquele livro, eu o tinha ganhado do meu pai quando completei 8 anos, “O pequeno príncipe”. Me lembrei do dia em que ele me deu esse livro e o que ele me mostrou naquele passeio a biblioteca, foi uma das únicas vezes em que ele foi um pai de verdade.

De súbito, resolvi ir à biblioteca, eu nunca mais tinha aparecido por lá, acho que não tinha lugar pra ela dentro do Oliver babaca que eu era, mas agora ele estava sumindo, Felicity estava fazendo isso.

Espera, Felicity.

Senti uma vontade enorme de leva-la comigo, mostrar aquele pedaço de mim pra ela, eu sentia que tinha que mostrar pra alguém e não havia pessoa melhor, fui até o seu quarto e bati na porta, se ela estivesse dormindo mesmo, eu a acordaria e a levaria de pijama. A adrenalina que corria pelas minhas veias era indescritível.

Por sorte ela estava acordada e aceitou ir comigo, quando chegamos à biblioteca ela achou que eu iria arrombar o lugar e eu não consegui segurar a risada. Eu conhecia outra entrada, a porta era bem frágil e dava direto pro porão, havia encontrado aquele lugar em uma das muitas vezes que fiquei rodando por aqui quando era criança.

Dei graças a Deus quando me deparei com a mesma porta velha e frágil de anos atrás e então nós entramos, passamos pelo porão e chegamos a biblioteca, aquele lugar era mágico, quando olhei pra Felicity, vi os olhos dela brilharem de encantamento pelo lugar.

—Nossa, parece a biblioteca da Bela e a Fera.

Ela olhou pra mim e corou ao perceber o que tinha falado, ela já ia se corrigir e provavelmente começar a se enrolar toda, então eu decidi poupa-la dessa vez ( mas só dessa vez).

—Eu sei, esse lugar é mágico mesmo!

Ela pareceu entender a minha tentativa de tira-la do sufoco e aceitou de bom grado, eu peguei a sua mão para leva-la pra sala audiovisual e senti uma onda elétrica passar por meu corpo, olhei pra ela e a vi arrepiada, será que Felicity havia sentido o mesmo que eu?

Levei- a até a sala e a mandei sentar em cima das almofadas enquanto eu colocava a fita pra rodar. Ela me olhou intrigada, esperando uma explicação, então eu liguei o aparelho e me sentei ao lado dela.

—Quando eu era pequeno, meu pai me trouxe aqui, me deu um livro de presente e entrou aqui para vermos esse documentário, foi uma das únicas vezes em que ele foi um pai de verdade, então eu meio que me conectei a esse lugar, sempre que eu ficava triste eu vinha pra cá, assistia ao documentário e me lembrava daquele dia em que eu fui tão feliz ao lado dele.

—Jonas, fico feliz que queira dividir esse lugar comigo. Mas afinal, de que se trata esse documentário?

—De amor!

—Como assim?

—Você vai ver.

Nesse momento o filme começou a rodar e lá estava aquela mulher em uma tribo africana, Felicity me olhou como quem não entendia nada e eu olhei calmamente pra tela me permitindo viajar pro primeiro dia em que eu tinha visto aquela cena, as palavras fluíram de mim com suavidade.

—Quando meu pai me trouxe aqui, era aniversario da morte da minha mãe, ele contou isso pra bibliotecária e ela disse que tinha o documentário perfeito para gente, meu pai perguntou do que se tratava e ela simplesmente disse “de amor”. Ela nos colocou aqui sentados, igual estamos agora e colocou o documentário pra rodar, ela se sentou conosco e foi explicando do que se tratava. Essa mulher era de uma tribo africana onde tinham o costume de ter os bebes e depois deixa-los um dia inteiro debaixo de uma árvore que eles diziam ser habitada por um dos deuses deles, era como uma prova de força, o bebe que sobrevivesse tinha a benção do deus e o que não conseguisse era descartado, poucos bebes sobreviviam é claro e os que morriam eram deixados lá, as mães os abandonavam sem olhar para trás, era o costume. Mas não essa mãe, quando ela chegou lá e viu que o filho dela estava morto ela ficou, aquilo foi considerado uma ofensa pra tribo, então a mandaram decidir entre o seu bebe morto e a própria tribo, com todo o pacote sabe, família, casa, costumes.

—O que ela escolheu?

—Contrariando todas as possibilidades, ela escolheu o filho, aquilo nunca havia acontecido, foi considerado um horror, eles a abandonaram lá e a excluíram da tribo, mas ela em nenhum momento se importou, ela cavou uma pequena cova e enterrou a criança, passou uma noite inteira cantando cantigas de ninar para que seu filho descansasse em paz e depois foi embora pra cidade, ela teve que aprender tudo, a como se portar perante aquelas pessoas que eram tão diferentes, a lidar com a tecnologia e mesmo assim, ela não desistiu, fez tudo isso de bom grado e todo ano ela voltava lá pra deixar flores sobre o tumulo do filho e passar a madrugada cantando cantigas de ninar, ela fez isso pela vida inteira e quando estava prestes a morrer, pediu que a tirassem do hospital e a levassem pra junto do filho, ela morreu ali, perto dele, e logo em seguida, foi enterrada do seu lado.

Olhei pra Felicity e ela tinha lágrimas nos olhos, pensei na pergunta que a bibliotecária tinha me feito, e decidi que perguntaria pra ela também.

—Você consegue imaginar, um amor assim?

—Não!

A resposta dela foi simples, mas não me espantou, afinal eu tinha dito a mesma coisa e sempre que pensava na pergunta dela a minha resposta continuava a mesma, até eu conhecer Felicity. Ela segurou minha mão e se apoiou no meu ombro, ficamos lá naquela posição por um tempo, até que eu a percebi sonolenta. Decidi leva-la embora e quando chegamos em casa fiquei surpreso por ela não ter caído da moto já que estava praticamente adormecida, vendo que ela não conseguiria andar até o quarto, a peguei no colo e subi as escadas, depositei Felicity suavemente sobre a cama e a cobri. Quando olhei pro lado, vi o seu notebook aberto na nossa foto, daquele dia no bar, sorri ao perceber que ela ainda pensava em mim. Dei um beijo em sua testa e fui dormir.

Sonhei com aquela mulher do documentário e percebi que hoje, depois de conhecer Felicity, a minha resposta pra bibliotecária seria outra.

Felicity

Eu tinha achado aquela biblioteca incrível, parecia um sonho e quando Jonas pegou minha mão senti algo mágico dentro de mim, era como um choque, fiquei arrepiada e percebi que aquilo nunca tinha acontecido com nenhum outro garoto. Quando ele começou a me mostrar o documentário e me contar sobre o mesmo, eu chorei, fiquei extremamente comovida com aquela historia, aquele tipo de amor era simplesmente impossível de se expor em palavras. Quando ele me perguntou se eu imaginava um amor assim eu respondi que não, mas não porque eu não acreditava no amor e sim porque eu não imaginava que algo daquela magnitude pudesse acontecer comigo.

Em um gesto automático eu peguei a mão dele e me aconcheguei em Jonas, comecei a sentir as minhas pálpebras pesadas e logo ele me chamou pra ir embora, quando chegamos em casa, eu não sabia mais que parte de mim estava dormindo e que parte estava acordada, senti Jonas me pegando no colo e me levando pro quarto, no caminho pra lá apaguei.

Acabei sonhando com aquela mulher e escutei uma voz em meu sonho falando que aquele tipo de amor não era impossível pra mim e por incrível que pareça, era a voz da Sara.

Quando acordei, senti o cheiro de panquecas e sorri, Nyssa fazia as melhores panquecas do mundo. Me levantei, tomei um banho e fui pra cozinha, achei estranho o fato de somente John e Nyssa estarem na cozinha, onde estaria Jonas? Desde que me mudei pra cá, com exceção daquele primeiro dia, ele tomou café conosco todas as manhas.

—Bom dia gente, onde está o Jonas?

—Está no quarto, disse que estava ocupado e não queria ser incomodado.

—Sério, que estranho!

—Querida, até eu que sou cego já vi que ele é estranho.

Assim que John disse isso nós começamos a rir, ele era impossível, me sentei a mesa e tomei café com eles, depois disso, fui pra minha aula com John e foi estranho sem o Jonas lá, mas eu relevei, afina, ele devia estar fazendo algo muito importante.

O dia passou e nada dele, já estávamos nos preparando para jantar quando ele apareceu com uma lata cheia de papeis amassados, vi que Jonas foi pra área dos fundos da casa, jogou álcool dentro e colocou fogo em tudo, olhei espantada pra aquela cena, mas Nyssa e John deram sorrisinhos cumplices um pro outro, espera eles sabiam de algo né?

Jonas, não pareceu se importar, sentou na mesma conosco e pediu desculpas por não ter aparecido o dia inteiro, mas disse que foi preciso afinal estava muito ocupado. Depois de comer, decidimos ir pra sala ver algum filme e eu me aconcheguei perto de Jonas, o senti passando o braço pelos meus ombros e suspirei feliz.

Apesar do momento, não conseguia tirar aquela dúvida da minha cabeça.

O que será que Jonas tanto escrevia que teve que amassar todos aqueles papeis? E o que tinha de tão importante neles ao ponto dele ter que queima-los?

Notas finais
Então gente o que acharam? A fic ta entrando em reta final e eu ja queria dizer que estou muito feliz com o retorno que tive de vocês em relação a ela. E queria falar tambem que eu tinha postado esse capitulo ontem, mas por algum motivo ele sumiu, então aqui está ele novamente... Beijooos!!!