A Felicidade é Logo Ali...
13 013- A Vida Dos Outros.
— Você não tem a consciência do que sua filha tem passado! – Ele disse já visivelmente alterado.
— E você tem? – Ela rolou os olhos claros pelos orbes e falou ironicamente.
— Mais do que você.
Lá estava ela, no escritório que tanto sonhou. As paredes creme e o piso de madeira, sempre reconfortantes, se contrastados com as cortinas brancas e as janelas de vidro sem moldura que começava no teto e terminava no chão.
Mas aquele momento não era reconfortante. O sobrinho de seu ex-marido estava sentado na cadeira a sua frente, os cabelos loiros e a forma como falava tão parecidas com as de seu ex-parceiro.
— Não creio que você só tenha vindo para falar da minha filha.
— Então creia, porque eu vim. – A mulher levantou uma sobrancelha. – A Ino pirou quando você a obrigou a comprar outro celular... – Ela o cortou.
— Mas ela precisa... – Ele o cortou.
— “Compre outro celular, para a mamãe falar com você”, reconhece essas palavras? – Ele afinou a voz no começo tentando imitar o som da voz da mulher.
Ela levantou a cabeça e inflou o peito, não queria se mostrar diminuída e não queria mostrar que aquele comentário havia machucado o seu âmago.
— Você ligou? – Ele sabia a resposta.
— Eu liguei.
— Eu acho que não. Você não ligou.
Ele a viu passar a mão pelos cabelos castanhos escuros, ela estava nervosa evidentemente.
— O aniversário dela está chegando. – Ele falou como se fosse evidente.
— Eu sei. – Ela resmungou.
— Acho melhor você fazer algo para agrada-la, demostrar que a ama.
— Isso está me soando como uma ameaça.
Ele deu de ombros.
— Encare como quiser.
Ele se levantou e saiu do escritório assim como havia entrado, rápido e impiedoso. Ela merecia isso? Ela dava tudo que Ino queria e era assim que ela era recompensada. Com desprezo e um chute no meio do estômago.
~*~
Foi um dia cansativo, passou a mão pelos cabelos ruivos. O trabalho estava se mostrando cada vez mais desafiador com sua paciência e a faculdade se mostrava desafiadora com seu tempo.
Do trabalho ele gostava, com exceções de alguns enfermeiros que dormiam no meio do expediente ou um e outro funcionário que gritava com o paciente por puro cansaço. Massageou a têmpora, ele devia ver isso mais tarde. Algo que acalmasse e relaxe seus funcionários. E se possível de mínimo custo monetário para ele já que provavelmente ele faria isso de graça pelos demais.
Depois disso tudo, ele poderia pensar na sua faculdade.
Dessa, ele detestava, ele começou fazendo medicina, não durou nem três períodos essa vontade. Veio tão rápida como foi. Depois ele começou a fazer administração e fez alguns cursos de saúde, contra sua vontade. Administração para saber lidar melhor com a bomba relógio que seus pais deixaram para ele e os cursinhos foram porque seu avô Jiraya havia implicado com ele, como administrar um hospital de médio porte e uma linha de remédios quando não se entende bulhufas do que aquilo exige?
Mas ele deveria agradecer ao avô qualquer dia desses, depois disso ele passou a visitar o hospital mais vezes e ver que a qualidade de atendimento depois da morte dos seus pais só veio caindo.
Mas ainda sim a faculdade ainda lhe exigia quase todo o tempo que ele tinha livre. E se ele tinha muito tempo ele deveria agradecer o avô também, ele que segurava as pontas na maior parte do tempo.
Agora ele estava nadando contra a maré com Jiraya para ver se eles reerguiam o hospital, enquanto a linha de remédios se mantinha estável. Sasori não via a hora de seus dois irmãos se formarem, ele sabia que Sakura queria fazer medicina, então provavelmente ela assumiria o hospital depois da faculdade e Sai por mais que ele quisesse outra coisa da vida ele disse que ficaria muito grato em ajudar Sasori trabalhando na linha de medicamentos. O que em si, já era um alívio.
Pegou a pasta com alguns documentos que teria que ler no caminho pra casa e se despediu de Mousou, seu secretário.
Olhou o relógio de pulso quando pegou o elevador, saiu do andar de administração e desceu mais dois até entrar nos andares hospitalares, desceu alguns andares depois na ala infantil e olhou alguns quartos para ter certeza que as únicas pessoas que dormiam eram as crianças. Depois pegou o elevador de novo e apertou o botão do térreo olhando o relógio inconscientemente. Ele ainda tinha cerca de vinte minutos até o próximo trem chegar. Saiu do elevador quando as portas se abriram, andou tranquilamente até a saída do hospital e depois apertou um pouco o passo até a estação de trem, não porque estava com pressa e sim porque todos ao seu redor andavam depressa.
Chegou à estação de trem e ela estava parcialmente cheia, se a sorte fosse favorável ele pegaria um canto confortável e poderia se escorar na parede do vagão e ler os documentos, quase nunca ele se sentava ás vezes nas poucas ocasiões Sasori dava seu luar para alguém que visivelmente precisava mais.
E assim que o trem parou, depois de mais de sete minutos de espera, ele entrou e se escorou no canto, com documentos em mãos, começou a ler. Quando o trem partiu, ele se segurou em uma das hastes de ferro. Ele lia rápido gravando em sua mente todas as palavras do documento.
~*~
Flashback
— Pai? – Ele semicerrou os olhos, estranhando a presença do mais velho. – O que você está fazendo em casa essa hora?
O mais velho rodeou a mesa e se sentou em uma das pontas perto de seu primogênito.
— Eu quero conversar. A sós.
Itachi fechou o livro grosso que estava lendo e olhou para o pai, a mãe havia ido a pracinha com o irmão mais novo então isso significava que nem tão cedo eles voltariam.
— Estou escutando.
Ele estava sozinho em casa, então, se o pai sabia disso e estava ali, boa coisa não seria.
— Itachi, você sempre soube que você era o meu preferido. – Ele concordou. – Você sabe por quê? – Ele o olhou nos olhos.
— Porque eu não apronto igual o Sasuke. – Ele disse como se fosse obvio.
O mais velho negou.
— Você sempre foi o mais esperto, sempre fez o que eu te pedisse, então por que em algum momento isso seria diferente? Enquanto o Sasuke... – Ele negou com a cabeça. – É um caso perdido. – Ele falou calmamente.
— Você quer algo de mim? – Itachi estava quase entendendo onde o pai queria chegar.
— Você é leal. – Ele disse ignorando a pergunta. – Não é?
— Sou.
— Você é leal ao seu pai, tem certeza? – Ele disse com um tom de duvida. – Até onde vai a sua lealdade?
Itachi engoliu em seco, ele não sabia responder isso.
— Você sabe meu filho, eu vejo tudo, eu sei de tudo, eu vejo as coisas acontecerem... Mas, acho que esta na hora de eu mesmo fazer as coisas acontecerem. – Ele fez uma pausa. – Você intende filho? – Itachi afirmou levemente com a cabeça. – Itachi. – Ele o chamou e seu filho o penetrou com os olhos. – Para isso, eu preciso de você filho. Como nunca antes precisei, porque nós somos iguais e sabemos manter um segredo.
O coração de Itachi bateu mais rápido, seu pai nunca havia lhe chamado de “filho”. Fugaku Uchiha estava ao seu lado, de igual para igual o chamando de filho e dizendo com todas as letras que ele precisava de Itachi para alguma coisa. Controlou o sorriso que quis escapar rebeldemente em seu rosto.
— O que você precisa pai? Eu farei tudo.
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