A Felicidade Existe?
14 14 - Para Onde?
Em casa, estava no meu quarto, era noite, quando ouvi os gritos de meu pai, eram raivosos e ele parecia estar brigando com minha mãe por algo, não conseguia entender bem o motivo da briga, então fui saindo do quarto, antes pedi que Cecília não saísse do quarto e ela teimou comigo que queria ver o que estava acontecendo...
Luara: Não, Cecília! Que saco, fique aí, vá assistir o que você tava assistindo antes! É só eu dizer que vou fazer algo, que você decide que quer fazer também, é?! — Já estava me irritando
Ela teimou mais um pouco até eu conseguir fazê-la ficar no quarto, enquanto eu saía, fiquei encostada na parede, escondida, tentando ouvir a briga e entender o motivo, parecia algo haver com dinheiro ou contas a pagar, enfim...
Foi quando vi Cecília sair de fininho do quarto, revirei os olhos irritada e voltei, começando a brigar com ela por sussurros...
Luara: Eu mandei você ficar dentro do quarto, que droga! Me obedece, Garota!
Cecília: Não, você também, só quer você, só quer que você veja as coisas, só pensa em você!
Eu fiquei com muita raiva, eu tentando proteger essa inútil de aturar o que aturo desde sempre e essa porra fala isso!
Luara: Vai pra dentro do quarto agora! — Quase gritei isso, ela ainda teimou e foi, mas bateu a porta com força e ficou emburrada no quarto — Grr! — Grunhi de frustração
Peguei meu celular e de automático liguei para o Miguel, deu o primeiro toque, comecei a pensar no que eu estava fazendo, como o decepcionei hoje mesmo mais cedo, suspirei, no segundo toque eu desliguei a chamada. Olhei ao meu redor, peguei uma tesoura largada no sofá e pulei a janela da sala, andando pelo corredor da varanda, até chegar nas escadas que levam para a porta de entrada.
Saí de casa e comecei a andar pela rua, não estava prestando atenção por onde eu ia mesmo, encarava com o olhar perdido a tesoura, apertando a lâmina dela na minha mão, mas não o bastante para cortar. Já estava em uma rua um pouco distante da minha casa, quando senti que estava sendo seguida, era um homem, desconfiei e minha raiva cresceu um pouco, comecei a andar mais depressa e ele também, virei em outra rua e ele ainda estava atrás de mim, meu coração bateu mais rápido e eu só pensava em maneiras de bater nele. Ele não parava de me seguir e eu cansei, me virei de repente para trás e olhei para ele...
Luara: O que você quer?! Dá pra parar de me seguir?! — Quando ele avançou e segurou meu braço, eu peguei sua mão e coloquei força no nervo do polegar, então segurando o polegar eu livrei meu braço de seu aperto e de quebra eu me virei e segurei sua mão ao contrário, quase a torcendo — Você deveria checar se suas vítimas sabem se defender, antes de segui-las de preferência — Fui cínica
Foi quando um motoqueiro chegou e chutou o homem que eu prendia, me fazendo solta-lo, depois me segurou e colocou na moto, acelerando, só quando ele levantou a viseira do capacete e me olhou, que vi ser Miguel, fiquei surpresa, mas abracei sua cintura.
Luara: Como fez aquilo?
Miguel: Motocross é um hobby meu e você? Aquela imobilização?
Luara: Luta é um hobby meu — o imitei
Miguel: Você luta? O quê?
Luara: Lutava, antes de entrar pra essa escola e minha mãe cancelar as lutas. E era jiu-jitsu!
Miguel: Eu acho que vou ter mais cuidado em mexer com você! — Riu — Para onde? — Me perguntou uma direção
"Não me importa para onde
Eu vou se você for
Não me importa a direção
Com você eu vou até a uma explosão
Não me importa quanto tempo
Posso ficar preso contigo mesmo no espaço-tempo"
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