A Feiticeira

15 A deusa de três faces


Notas iniciais
Desculpem a demora novamente!!! Espero que gostem!

Alex “saltou” novamente e dessa vez reapareceu em frente à uma cabana à beira de um grande lago. Ela olhou para trás e viu Yggdrasil em todo seu explendor. Olhou novamente para a cabana e entrou.

Estava tudo como se lembrava. As paredes eram de pedra, mas com um teto de madeira revestido de palha que dava um ar aconchegante ao local. Uma laleira também de pedras na sala e um corredor curto que dava em uma suíte com uma cama de casal, um guarda roupa, e um banheiro.

Em cima da lareira havia uma estatua de Sehkmet, a deusa egípcia da magia, que às vezes é confundida com a própria Hécate por ter características parecidas, embora um rosto de leoa não seja uma delas. Aquela estátua traz proteção para a casa, mas infelizmente o poder dela não se estende para as pessoas em si.

Na frente da lareira havia uma cadeira de balanço, e ela se jogou nela. Estava começando a ficar frio, e só então ela percebeu que estava usando o bracelete que Perenele havia lhe dado.

Tocou no pingente que representava o fogo, mentalizou a lareira se acendendo e lançou o feitiço. A lareira se acendeu. Tudo isso ocorreu em um segundo, dois seria muito. Sem exageros. Os anos de prática tornaram isso possível.

Ficou ali sentada um tempo, lembrando de sua infancia. Naquela época era diferente. Ela dormia no quarto onde Clare estava naquele momento, e seus pais ficavam ali mesmo, no quarto.

Lágrimas se formaram em seus olhos ao se lembrar dos pais. Sua mãe morrera a pouco tempo, e seu pai… não gostava de lembrar dele, mas era impossível pois ele fora a pessoa mais marcante e divertida que ela conhecera, até que ele conheceu Nicholó Machiavelli.

Fechou os olhos para impedir que as lágrimas rolassem por seu rosto. Respirou fundo, deixando essas memórias de lado.

Ela se levantou, tomou um banho e trocou de roupa. Estava exausta, e não via a hora de cair na cama, mas infelizmente, não foi possível. Assim que entrou no quarto deu um grito de susto quando se deparou com Hermes sentado em sua cama. Ele apenas olhou para ela indiferente, como se estivesse esperando por essa reação.

— O que diabos você está fazendo aqui? — perguntou Alex furiosa. Odiava quando tinha sua privacidade violada.

— Precisava falar com você, e sei como você odeia quando invadimos seus sonhos. — respondeu ele levantando os ombros.

— Então você invadiu o meu quarto! Você acha que isso me agradaria mais? Que seria melhor? Quanta gentileza! — disse com a voz cheia de irônia.

Eles se encararam por um tempo. Hermes estava sentado ainda, apenas esperando que Alex se acalmasse. Quando ela finalmente o fez, ele começou a falar.

— Trago uma mensagem de Zeus — disse estendendo-lhe um pedaço de pergaminho enrolado. Estava selado com cera e nela havia uma águia, o símbolo de poder de Zeus.

Alex hesitou por um tempo, imaginando o que Ele poderia querer com ela. Mas depois de um tempo, acabou pegando o pergaminho.

— Do que se trata? — perguntou relutante.

— Bem, acho melhor você ler. Votamos hoje à tarde, ideia brilhante! De Atena é claro. Estas são suas ordens.

Seu coração gelou por um segundo. O que os deuses estavam aprontando agora?

— E eu terei alguma chance de dizer não?

— Mas é claro que… Não!

Alex deu um soco no braço do deus e riu.

— Sempre com senso de humor!

Hermes esboçou um sorriso também, mas no fundo sentia pena do destino da garota. Seria difícil e perigoso, e se descobrissem sobre aquilo, era bem provável que ela fosse morta. E infelizmente, ela não tinha escolha se não aceitar seu destino.

Ela abriu o pergaminho e começou a ler. Conforme ia lendo, seu coração se apertava. O que Zeus pedia era impossível. Suicída. E pior, teria que por fim enfrentar seu maior medo.

— Não! Não, não e não! Me recuso a fazer parte disso! EU NÃO VOU!

Hermes olhou para ela com pesar, pois como ele ja havia dito, ela não poderia recusar.

— Sinto muito Alexandra. Não sou eu quem dá as ordens querida.

Os olhos dela se enchiam de lágrimas, e seu peito de raiva. Hermes sentiu o humor dela mudando, e isso não era muito bom. Desapareceu dali em um segundo, deixando Alex sozinha.

Ela se deitou, repusou a cabeça no travesseiro e fechou os olhos. Esperava conseguir dormir, mas não teve êxito. Passou a noite em claro, pensando no que deveria fazer. Rolava na cama, sentava, tentava clarear a mente, mas nada dava certo. Estava inquieta.

Ela se levantou e foi até o guarda-roupa. Abriu-o e pegou um livro antigo todo empuerado. O diário de sua mãe. Ela o escrevera há anos, e quem sabe pode haver alguma informação que poderá ajudá-la.

Foi para a sala e sentou-se na cadeira à frente da lareira, e abriu o livro. Ficou lá lendo por horas, mas não encontrou muita coisa útil. Apenas parou quando o Sol raiou. Ela se levantou, trocou de roupa e saiu da cabana.

Alex saltou e reapareceu no quarto de Clare. Ela foi até a cama e se ajoelhou ao lado dela.

— Clare, hora de acordar!

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— Por que tão cedo? — Dizia Clare com a voz rouca de sono.

Elas estavam em uma clareira em frente à Yggdrasil. Estavam ali por meia hora, treinando.

— E por que não? — Alex nem mesmo olhou para ela ao responder — Aliás, se você tivesse dormido quando eu disse para você o fazer, não estaria assim tão acabada.

— Mas eu… Espera. Como você—

— Não importa! Sabe o que importa?

— Não. O que?

— Que você saia viva de uma guerra. De novo.

Clare tentou fazer uma esfera de plasma com as mãos novamente. Falhou.

— Mentalize antes de fazer. Não apenas faça — disse cuspindo esta última palavra.

Clare tentou novamente. Mentalizou a esfera crescendo entre seus dedos, e então pôs em prática. Uma esfera de cores branca, azul e verde se formou em suas mãos. Ela sorriu. Estava satisfeita com seu desesmpenho, e isso trouxe uma felicidade imensa. De repente, a esfera ficou verde, e um cheiro de hortelã preencheu o ar. De repente a esfera se expandiu e explodiu no rosto de Clare, fazendo com que ela caisse para trás.

Estava com a visao turva e um tanato surda. Ela pôde ver um borrão se aproximando, uma voz chamando ao fundo, e uma risada.

— Clare, você está bem? — Perguntou Alex em meio aos risos.

— Você ri, mas não é nada engraçado.

— Desculpe, mas você tem que ver a sua cara.

O rosto de Clare estava de fato “engraçado”. Estava chamuscado e sem as sombrancelhas.

— Sabe onde você errou e o motivo de tudo isso? — Disse Alez estendendo a mão para Clare, que fez um não com a cabeça enquanto e levantava — Você deixou as emoções tomarem conta de você.

— Não deixei nada! — Retrucou ela.

— Sim, deixou. Do contrario isso não teria acontecido. Me diz, o que você acha que é melhor, uma aura pura ou uma aura… como posso dizer… multicolorida?

— Pura.

— Correto. E por quê?

Ela pensou em uma resposta, mas nenhuma parecia boa o bastante. Então resolveu aceitar os fatos logo de uma vez.

— Não sei.

— Bom, cada cor representa uma emoção, se sua aura tem mais de uma cor, significa que você tem mais de uma emoção comandando você. E isso inconsientemente deixa sua mente confusa, e mente confusa em um duelo é a mesma coisa que—

— Morte.

A voz veio por trás das duas. As duas se viraram e se depararam com uma jovem de mais ou menos quinze anos, de cabelos longos, negros e ondulados. Seus olhos, apesar da aparência jovem, transmitia grande sabedoria, Assim como os de Alex. Clare nunca havia reparado naquilo antes, mas o olhar de Alex transmitia a mesma força, confiança e sabedoria que a daquela garota.

— Bom dia Hécate! — Disse Alex.

Clare se sentiu a pessoa mais confusa com esse “Bom dia Hécate”. A razão dizia “fique calma, tudo vai se explicar”, mas a curiosidade falou mais alto.

— Pára tudo. Hécate? Como? Ontem você tinha tipo uns sessenta anos, e agora você tem quinze, e… Ah! Não estou entendendo mais nada!

— Jura? Você não conhece sua própria mãe Clare? Você não sabe que ela é a Deusa dos Três Rostos?

— Desculpe, acho que não entendi. Três rostos?

— Sim. Ela é uma deusa da nova geração. Quase todos os deuses e divindades da nova geração possuem três identidades ou são uma mistura de raças. Não me pergunte o por quê.

— Eu cresço e envelheço ao curso de um dia, começando jovem manhã e envelhecendo ao longo do dia, só para ser renovado novamente na manhã seguinte. — Complementou Hécate — Assiti a mim presidir os três grandes mistérios: o nascimento, a vida e a morte.

Clare estava estática. Sem palavras. Não sabia de tudo aquilo sobre sua mãe, e sentia que não sabia de tudo. Na verdade, tinha certeza de que não sabia de nada.

— Clare — disse Alex — treine um pouco, mas dessa vez, não deixe suas emoções interferir. Sua aura é branca, verde e azul, portanto deixe que a cor branca a guie, é mais neutra. Preciso conversar com sua mãe sobre alguns assuntos.

Notas finais
Gostaram?? Review! Não gostou? Review! Resumindo! Deixem review com a opinião de vocês, só assim poderei melhorar!