A Family Affair
25 Capítulo 25
Notas iniciais
⌘Zoey⌘
Um dia eu tinha um chefe babaca e egocêntrico, no outro tinha um padrasto completamente de quatro pela minha mãe. Num dia eu fui ressentida do amor, e no outro estava sendo pedida em casamento. Um dia, eu achei que não daria conta de criar um pet, hoje tenho um bebê, um garotinho de 1 ano.
—Não acredito que a mamãe está te olhando com essa cara e mentalmente te comparando com um cachorrinho de novo.— Debs diz —Agora ela está sem graça porque a dinda a conhece tão bem a ponto de saber o que ela está pensando.— ela ri.
Faz uma semana que eu olho pro meu filho e choro, porque realmente não achava que seria capaz de criar um ser humano. Quando minha mãe me deixou na maternidade e ele começou a chorar entrei em pânico, mas estamos aqui. Um ano depois. Estou tão chorona que o Pequeno achou que eu estivesse grávida de novo, me fez fazer xixi em meia dúzia de testes, todos deram negativo. Acho que só uma mãe entenderia a sensação de sobreviver ao primeiro ano do bebê. É um misto de “Venci” com “Ainda temos muito a percorrer”. Por falar em correr, Noah ainda não deu seus primeiros passos sem apoio, mas é o maior tagarela, é uma delícia ouvir os seus Mamã, Papá, Bobó, bobô… e um vasto vocabulário de duas sílabas ininteligíveis.
—Só estou pensando que estamos perdendo a festa, porque a dinda é péssima em trocar fralda.— provoco —Não é, amor da mamãe?
—Mamã.— ele me chama esticando os bracinhos.
—Vem, meu astronauta, a mamãe vai te salvar, vamos aproveitar o seu dia.— eu o pego dos braços da Debs.
—Ah, estava quase me esquecendo do seu presente.— ela enfia a mão no bolso de sua jaqueta prateada e me entrega o broche com a frase Super Bitch —Achei na mudança, acho que depois de parir uma criança e mantê-la viva, ele tinha que voltar pra dona.— ela me abraça, fazemos um sanduíche de Noah e eu volto a chorar.
—Pequena, você estava chorando de novo?— Pequeno nos encontra no corredor, com certeza veio ver o porquê estávamos demorando.
—Sim, ela estava.— Debs passa por nós de volta pra festa.
—Confesso que chorei um pouco, sim.— respondi —Mas demoramos porque a madrinha do nosso filho é péssima em trocar a roupa dele.
—Mas ela é ótima com surpresas.— ele me beija —E graças a surpresa dela, olha o que a gente tem.
Tínhamos planejado uma festa no jardim, mas a chuva do dia anterior mudou nossos planos pra melhor. Nossa sala ficou linda com essa decoração espacial. Os docinhos eram inspirados no sistema solar e representavam todos os planetas, era tudo uma delícia. Noah saltava de um colo pro outro e foi paparicado demais. Nosso pequeno amou a farra que fizemos no momento de cantar parabéns pra ele, cerca de uma hora depois de cortarmos o bolo, o aniversariante apagou.
Depois da comemoração do aniversário do bebê, veio a temporada de premiações. Tony participou da cerimônia do Oscar apenas pra entregar um prêmio, mas foi no tapete vermelho que ele e mamãe anunciaram a um jornalista que se casariam em agosto, numa cerimônia íntima. Ainda assim, dezenas de estilistas queriam vesti-los.
Desde o anúncio do casamento, mamãe havia sido convidada para escrever contos voltados a este tema para a Vogue, numa de suas colunas ela revelou a experiência de viver o momento do casamento com sua filha e foi assim que fizemos um ensaio juntas pra Vogue Noivas. Eu nem estava pensando em vestido, ainda, mas tantos me foram apresentados naquela tarde, que foi impossível não ficar empolgada. Nem o Pequeno, nem o Tony leram a revista, pois “Dá azar ver a noiva antes do casamento, mesmo que ela não esteja com o vestido do casamento”.
Num dia eu fui ressentida do amor, e no outro estava pensando no vestido de noiva pra me casar com o meu primeiro namorado.
⌘Pepper⌘
Quando sugeri ao meu noivo que nos casássemos em Nova York, brinquei que eu era como Carrie Bradshaw, mas não imaginava que, literalmente, minha vida se tornaria um episódio de Sex And The City. Escrevendo colunas, indo a desfiles, com uma temática muito específica, e tomando champanhe no meio da tarde, foram meses assim. Chegou um momento em que eu havia visto tantos vestidos de noiva que, simplesmente, não conseguia escolher um. Até o dia em que o vestido perfeito surgiu.
—Acho que vou fazer como aquelas mulheres que se casam com si mesmas apenas para usar um desses.— ouvi a Debs dizendo.
—Eu, facilmente, realizaria várias cerimônias pra poder usar vários.— Zoey comentou —E eu nunca havia pensado em casar com um vestido de alta costura.
Eu estava no provador, enquanto escutava minhas filhas falando sobre o único tema possível dentro daquele ateliê.
—E então?— questiono ao surgir diante delas.
—Mamãe!— Zoey exclamou.
—Mamãe, você está uma deusa!— Debs disse me fazendo sorrir.
Ironicamente, o destino fez com que eu, uma escritora, me encantasse por um vestido intitulado Conto de Fadas, de Galia Lahav. Ele é um verdadeiro sonho, como um poema lindo que eu jamais conseguiria escrever. Possui um top espartilho drapeado cruzado e saia plissada de duas camadas, um vestido encantador, adornado com pétalas de flores de organza delicadas em uma alça de ombro, criando uma silhueta caprichosa e romântica, ele é divino.
—Aposto que o Tony vai chorar quando vir você, mãe.— Zoey diz.
Não posso apostar que ele vai chorar, mas chorei quando me vi no espelho, o detalhe das flores na alça única me remeteu ao vestido que eu usava no dia em que a epifania do matrimônio pairou sobre mim e eu lhe disse sim.
—Estou quase chorando e você nem está de véu.— Debs diz —Ele tem um véu, né?
—Claro.— Gretel, a consultora que está nos atendendo afirma.
Depois que me troquei, eu, as meninas e Gretel conversamos um pouco mais sobre a cerimônia, local, horário e todas as outras coisas, recebemos uma consultoria completa sobre calçados, acessórios e joias.
De manhã, quando saí, queria que o tempo passasse bem devagar, pois não tinha escolhido uma das coisas mais importantes da nossa celebração, que aconteceria, em pouco mais de um mês. Agora, voltando pra casa no final do dia, com tudo definido, espero que esses 45 dias passem muito rápido.
Fui direto ao quarto, me livrei das roupas, tomei uma ducha e não houve qualquer sinal do meu futuro marido. Cerca de 40 minutos depois, o encontro na cozinha, preparando o jantar. Anthony já se aventurava antes, mas depois de fazer um workshop pra um personagem ele jura que é o maior e melhor chef de cozinha do mundo. Pro meu deleite, seus pratos estão cada vez melhores e vê-lo cozinhar é extremamente afrodisíaco.
—Estou cansado de saber que cozinhar me deixa ainda mais gostoso, mas fecha a boca, meu amor.— Anthony ironiza, nem posso dizer que ele é um convencido, porque eu criei o monstro.
—E o que o meu gostoso está fazendo de gostoso?
—Risoto de camarão e aspargos.— ele responde. Dou a volta no balcão e me aproximo, o abraço por trás e beijo seu pescoço —Babe, preciso me concentrar.
—Oui mon amour, mas podemos fazer isso a quatro mãos, não? Precisa de um pouco de caldo de legumes?— pego o recipiente sobre a bancada.
—Só um pouquinho.— ele responde, pingo um pouco do líquido na panela enquanto ele não para de mexer o arroz com aspargos, os camarões já estão pré-cozidos e reservados, meu noivo é ótimo com mise en place.
Coloquei a mesa enquanto ele terminou seu risotto e trouxe para a sala de jantar, nos servi uma dose de Chardonnay, nos sentamos e comemos.
—O jantar estava muito bom, futuro marido.
—Por isso esse sorriso, minha futura esposa?— ele pergunta —Sabe que eu só penso em uma coisa quando você fica me olhando com essa cara, né?
—Sei.— dou um gole no meu vinho —Mas antes quero te contar uma coisa…
—Vem cá.— ele afastou sua cadeira da mesa abrindo espaço suficiente pra que eu me acomodasse em seu colo —O que está te deixando tão feliz?
—Além da sorte de ter você. Encontrei o vestido perfeito.— digo sorrindo um pouco mais.
—A sorte é toda minha e vou achar todo vestido perfeito com você dentro.— ele me beija —Casaria com você até mesmo usando aquela camiseta surrada do Blondie.
—Mas ela fica melhor em você do que em mim.— replico. Ele não diz nada, apenas fica me encarando com um sorrisinho no canto da boca —O que foi?— dou um tapinha em seu ombro.
—Estou apenas pensando na quantidade de camadas que tive que remover.— ele diz —Meses até assumir que me amava, anos até aceitar meu pedido de casamento e agora está toda encantada com preparativos e com o vestido perfeito.
—Certa vez você disse que a minha complexidade te atraía, agora tá insinuando que me descascou como se eu fosse uma cebola, Anthony?— fiz bico.
—Cebola, não. Mas uma alcachofra…— ele responde —Fui tirando as pétalas, experimentando aos pouquinhos, degustando com paciência, até chegar na melhor parte, o coração, suculento e adocicado.— ele explicou.
Nunca achei que fosse querer beijar alguém por me comparar com uma planta comestível, mas ele é irresistível. Dei risada, inclinando-me sobre ele e o beijando com toda a minha paixão.
Depois permaneci em silêncio, olhando em seus olhos cor de avelã que são a minha perdição, tracejando o contorno de seu rosto com a ponta dos dedos: o queixo, a mandíbula, a boca que eu amo. De repente, passou pela minha cabeça que o que começou com o sexo insensato com o astro de Hollywood, hoje me permite ficar sentada aqui, sentir seu cheiro, observar o subir e descer do seu peito, sentir-me plena para desfrutar da felicidade. Eu quero estar apaixonada por ele pelo resto da minha vida.
⌘Tony⌘
25 de agosto, hoje faz quatro anos que Pepper aceitou meu convite pra jantar. Nesse dia combinamos de sermos apenas amigos, continuamos sendo, mas com muito mais benefícios. Depois que ela propôs o lugar para realizarmos nossa cerimônia e não aceitei, entramos em consenso quanto ao único lugar possível, Laguna Beach.
Há dois dias fechamos o Montage Resort, para o jantar de ensaio. Teremos poucos convidados, nossa família, os pais de Kyle, nossos assessores Stewart e Joanna, e George Clooney e sua esposa Amal. Jackie apenas me concedeu a mão de sua nora quando prometi que George iria ao nosso casamento, claro que era uma brincadeira, mas quando ela o viu chegar ao hotel achei que fosse ter um treco. Depois do susto, e do surto, soltou a frase “Brad Pitt poderia ter vindo também”, rimos um bocado. O hotel dá acesso à praia de Treasure Island, uma das mais lindas da cidade, nossa cerimônia foi montada diante do arco natural formado numa rocha, no meio da tarde, a paisagem é belíssima.
Uma celebração ao ar livre, numa praia, mesmo no fim do verão, exigia boa vontade dos deuses das condições climáticas, e eles foram espetaculares com a gente. O dia estava lindo, e ainda assim eu não estava preparado para o que vi quando a violinista começou a tocar One way or another. Como se eu estivesse preparado pro que vi quatro anos atrás, quando invadi aquela mansão seguindo a voz cantarolante daquela ruiva encantadora.
Pepper caminha em minha direção de braços dados com Jackie. A minha noiva é tão deslumbrante que parece uma miragem. Seu vestido é realmente perfeito, ela vem descalça, à vontade, como quando estamos juntos em casa, como se estivesse pisando em nuvens, como eu não poderia imaginar nem nos meus melhores sonhos. Antes de entregá-la pra mim, Jackie beija a testa de Pepper, que por sua vez, beija a única flor de seu “buquê”, uma tulipa vermelha e a entrega para Zoey. Então minha noiva vira pra mim.
—Oi, meu amor.— ela sorri e enxuga o meu rosto, nem havia me dado conta que estava chorando —Chorando de saudade?
—Sim, babe, senti sua falta.— digo, e beijo sua testa, não nos víamos desde o jantar de ensaio.
—Estamos aqui para celebrar o amor…— o juiz de paz começa —…Então, Anthony e Virginia, podem trocar as alianças e se declarar um para o outro.
—Pep…— seguro as suas mãos —Eu não esperava por você, e você, com certeza não esperava que eu entrasse na sua vida naquele dia, talvez por isso o meu encantamento imediato. Tentei me concentrar em todos os pequenos momentos que não quero esquecer, mas o que está gravado na minha mente e no meu coração é a primeira vez que te vi. A coisa mais extraordinária que já fiz na vida foi me apaixonar por você, sou a melhor versão de mim quando estamos juntos. Seu coração é diferente de tudo que já conheci, você é meu lugar seguro e quero pra sempre ser o homem que você merece. Prometo passar o resto da minha vida conquistando seu amor, porque você é a única coisa, a única coisa sem a qual eu não posso viver.
—Me desfiz do meu nome, hoje podes chamar-me de tua.— ela diz com a voz embargada, e eu imediatamente me lembro do dia do meu aniversário em Amsterdam quando ela me disse “Sou sua, me autodeclaro sua” —Você não é só a minha maior história de amor, mas também é a pessoa que escolhi pra viver a minha nova e melhor chance. Me apaixono um pouco mais por você a cada dia. Em você encontrei minha alma gêmea, meu melhor amigo, meu amante, meu parceiro, meu lugar seguro onde todo dia é ensolarado. Você é a minha grande história de amor, Anthony Edward Stark. Nunca fui tão completamente amada e com tanta paixão, protegida com tanta ferocidade. Quando olho nos seus olhos, vejo meu lar. Vejo a eternidade, de tantas chances que tem meu futuro, nenhuma tem um mundo onde você não esteja. A minha maior alegria é poder compartilhar meus dias e sonhos com você. Então hoje, na frente de todos aqui, me dedico a você até o último dia da minha vida.
Finalmente o juiz concluiu os trabalhos permitindo o nosso beijo. Quando afastei meus lábios dos dela e abri os olhos, o sol estava se pondo, inundando a praia com sua luz rósea. Era como estar dentro de uma concha, de uma aquarela. Eu queria me agarrar àquele momento, eternizá-lo em uma pintura, espero, no mínimo, que ela escreva um poema.
(...)
—Quer dizer então que a sua canção favorita deixou de ser Believe e passou a ser One way or another?— Zoey me provoca após brindar conosco em nossa festa.
—Eu acredito ainda mais na vida após encontrar o amor, Zoey.— respondi —De um jeito ou de outro eu a acharia, a pegaria…
—E não vai me perder.— Pepper diz.
—Não vou te perder, Sra Stark.— digo e ela me beija.
—Acho que daqui pra frente só vou querer ser chamada assim, Sra Stark.— ela sorri.
—Vovó Gi.— Noah chama correndo em nossa direção.
—Oi, amor da vovó.— ela se abaixa e o pega —Você está tão lindo, um príncipe.
—Vovô Tony também.— ele diz, Pepper concorda, nossas roupas estão mesmo parecidas, o mesmo tom de azul e camisa branca, a diferença é que estou de calça e ele de bermuda.
—O que houve com a sua nova forma de ser chamada?— Zoey alfineta.
—Ele pode me chamar do que quiser.— ela amassa Noah em seus braços —Vamos dançar com a vovó?
—Vamos!— nosso pequeno diz e eu a perco pra ele e para a pista de dança, como sempre.
—Ela está radiante, nunca a vi tão feliz.— Zoey comenta e dá um gole em seu champanhe, eu só posso concordar enquanto babo na mulher que tive a sorte de conquistar, enquanto ela cantarola Ain't no mountain high enough e dança com o nosso neto —Bem, acho que não preciso pedir pra você cuidar dela e todo aquele papo chato de mãe de noiva, né? Vou aproveitar minha folga e dançar com meu futuro marido.— ela diz —Arrume um par, sua esposa está ocupada com o outro homem da vida dela.
Ele também é o homem da minha vida. Eu nunca achei que um dia amaria um cara, um carinha, que é a cara dela, o Cupido do vovô Tony.
—Ei, não beba demais.— Happy diz ao se aproximar —O carro está lá fora, não quer mesmo que eu leve vocês?
—Não, Happy, pode ficar tranquilo, a noite está só começando, curta com a sua garota, como é mesmo o nome dela?
—May.— ele me responde.
—Aproveite com a May, deixei o pessoal do hotel avisado que você fica na suíte principal.
—Achei que George Clooney ficaria na suíte…
—Clooney tem créditos comigo, mas não me conseguiu uma casa incrível onde eu quisesse envelhecer com a mulher da minha vida.— digo e ele ri.
Jackie me tirou pra dançar. Eu, que sempre saí da vida das pessoas sem manter qualquer laço, estava dançando, na festa do meu casamento, com a mãe do primeiro marido da minha esposa.
—Sabe que eu fui a primeira pessoa a shippar Pepperony e esse nome ainda nem existia, não é?—assenti. Após saberem da história do spray de pimenta, foi inevitável, então nossos fãs “criaram” o nome de shipper perfeito pra nós, sem saber que Pepper já havia pensado nele dois anos atrás —Nunca contei pra ela que Tony Stark ligou na editora querendo o seu número de telefone com a desculpa de contratar alguém para escrever sua própria biografia…
—Não tinha ideia que sabia disso.— digo um pouco constrangido, não me lembro de ter ouvido o sobrenome Ford quando liguei, não me lembro de muita coisa, só que precisava vê-la outra vez —Eu precisava vê-la de novo, sabia que a Zoey jamais me daria o número.
—Se quer poderia supor o que tinha rolado entre vocês, mas mesmo que ela não fosse uma biógrafa pensei “Que mal há nisso?”— Jackie revelou. Eu a beijei no rosto e sussurrei um “Muito obrigado”. Jackeline Ford sempre será a fã número 1, sempre será a nossa sogra.
A alguns passos de nós, Pepper agora dançava com seu irmão, Carl, ambos sorriam. Como pode uma festa com tão poucas pessoas e eu não conseguir dançar com a minha mulher? Nosso olhos se encontraram, então ela disse algo ao seu par que assentiu e a deixou livre pra vir na minha direção.
—Posso?
—Meu amor, você é a que mais pode.— Jackie disse e me entregou pra ela.
—Finalmente você voltou.— apertei sua cintura quando ela enlaçou seus braços no meu pescoço. Pepper me beijou como se não estivéssemos em um salão com todos os nossos familiares reunidos —Você…— sussurro contra seus lábios.
—Eu…?— ela questiona dando suaves beijinhos no canto da minha boca.
—Você não pode me beijar assim na frente das pessoas, porque fico com vontade de tirar a roupa.— digo e ela ri.
—Você é tão o amor da minha vida, adivinha todas as minhas von… Ahhh, eu amo essa música.— ela diz entusiasmada ao ouvir os primeiros acordes de I say a little prayer for you. Entre canções clássicas e outras mais atuais, do rock à soul music, dançamos por mais de duas horas. Eu não via a hora de ficarmos sozinhos.
—Podemos ir pra casa, Sra Stark?
—Sim, por favor.— ela concordou e, no caminho até a nossa saída, torci pra que o dj não tocasse mais nada que ela amasse tanto —Ah, é perfeito!— Pepper exclamou ao ver meu carro, o mesmo no qual viajamos pra cá pela primeira vez, parado na entrada do hotel. Happy havia pendurado as latinhas no paralamas do jeito que ela disse que queria.
Abri a porta pra ela e a acomodei no banco do carona, depois me sentei ao volante. Pepper fez questão de apertar a buzina, nossos convidados arremessaram alguns punhadinhos de grãos de arroz e pétalas de rosas, quando ela me beijou. Deixamos o hotel a caminho da nossa casa, cerca de 3 km dali, ao chegar, a peguei nos meus braços e entrei com o pé direito, como manda a tradição.
—Enfim, sós.— declarei.
—Te amo tanto, amo tanto esta casa.— ela disse olhando em volta, os olhos brilhando de emoção. Mudamos muito a casa desde que a comprei, mas continua sendo nosso lugar favorito , nosso refúgio. Quando começamos a planejar o casamento a intenção era fazermos a celebração no nosso “quintal”, mas ela foi tirando alguns sonhos da gaveta e fiz questão de realizar todos.
—A primeira vez que estivemos aqui viemos escondidos e agora fizemos um escarcéu.— observei.
—A gente não se esconde mais.— me beija —A gente não foge mais.— ainda nos meus braços, ela começou a abrir a minha camisa.
—Minha Pepper, te amo tanto, é bom demais ser seu marido.— a beijei enquanto a colocava sobre a cama.
—Foram só as primeiras horas, vai ficar ainda melhor.— declarou a Sra Stark.
Fale com o autor