A Family Affair
16 Capítulo 16
Notas iniciais
⌘ Tony ⌘
Pelo fato de Pepper já conhecer todos os nossos destinos, tentamos ser o mais original possível em algumas coisas, por isso, viajamos de Amsterdam para Paris de trem. A paisagem é lindíssima, mas a minha namorada dormiu no meu ombro durante três das quatro horas da viagem. Não que isso seja uma reclamação.
Estamos na França há quatro dias, fizemos quase todos os roteiros turísticos, vimos a Monalisa, fomos à Torre Eiffel, passamos pela Pont des Arts, pelo Champs Elysées e Arco do Triunfo, fomos às vinícolas nos arredores de Paris… Eu não estava preparado pra ouvi-la falar francês, mas agora não quero ouvir outra coisa. É muito sexy.
Fizemos nossas refeições em restaurantes muito bons e todas as tardes tomamos café num local que Pepper adora, com vista para a Torre Eiffel, ela é quem sempre faz os pedidos, mas decidiu que hoje eu vou pedir.
—Ok.— concordo —Nos sentaremos na sua mesinha favorita e eu direi “Dois cafés, por favor”— conversamos enquanto caminhamos sem pressa, de mãos dadas, em direção ao café. Faz calor, ela veste um vestido azul um pouco acima dos joelhos e sandália rasteiras, eu estou de bermuda cáqui, camiseta branca e tênis.
—Não.— ela se põe na minha frente —Você vai dizer “Je voudrais deux cafés aux noisettes, s’il vous plaît” e não esqueça do biquinho.— ela corrige e aperta as minhas bochechas.
Chegamos ao café, sentamos na mesa que ela gosta, com vista pra Torre Eiffel, o entardecer de primavera já deixou o céu alaranjado, o cenário é lindo. O garçom se aproxima, e ela olha pra mim.
—Bonjour, aujourd'hui nous avons croque-monsieur.— o garçom nos dá boa tarde e sugere degustarmos Croque-monsieur, um sanduíche tipicamente francês.
—Bonjour un café noisette pour ma copine, pour moi un café noir et un croque-monsieur s'il vous plait— eu aceito a sugestão do lanche e peço dois cafés, só que o meu é puro, diferente do dela que sempre é com avelã.
—Café noir?— o garçom questiona, pois todos esses dias tomamos o mesmo café.
—Oui, le café noir, s'il te plaît, c'est elle qui adore celui-là, mais je ne l'aime pas autant.— respondo e o garçom nos deixa —O que foi?— pergunto porque ela está me olhando meio embasbacada.
—Eu podia ficar brava por você estar tomando o mesmo que eu só pra não me contrariar, porém ouvir você dizer que eu adoro, mas você não gosta tanto, com essa boca linda, me fez querer muitas coisas.— ela diz.
—Oui, voulez-vous coucher avec moi, ce soir?— eu a provoco.
—Quero dormir com você todas as noites.— Pepper responde —Tu es ma personne préférée au monde. Je t'aime.
—E se a sua pessoa favorita propor esquecer esse café e voltar agora pr’aquele quarto de hotel?— ela não responde nada, apenas se levanta.
Deixamos o café quando o garçom voltava com os nossos pedidos. Talvez ele nos odiasse, mas eu deixei alguns euros sobre a mesa pra que ele nos trate bem se voltarmos amanhã.
(...)
Na nossa última noite em Paris eu precisei vestir terno, não me lembrava da última vez que me vesti tão formal nos últimos meses, mas um jantar no Moulin Rouge exigia o dress code. Me arrumei no quarto, ela no banheiro, porque havia todo um ritual de maquiagem além da roupa, mas se não se apressar perderemos a reserva, então decidi ir até ela. Porém, simplesmente esqueço o que vim fazer, ela usa uma saia lápis preta longa e rendada e um sutiã também preto. Não sei se é o ar parisiense, mas Pepper está radiante. Sorrio, observando todo o seu processo diante do espelho.
—Olá.— ela diz segurando a escovinha do rímel ao ver meu reflexo atrás de si —Bom você aparecer preciso de ajuda com a minha roupa.
—Estou achando perfeita.— eu digo.
—Então posso sair de saia e lingerie?— ela indaga, com certeza, fingindo pedir permissão apenas para me testar.
—Renda com renda, não está combinando?— ela ri da minha pergunta, pega a última peça do seu figurino um cropped também preto, tomara que caia que eu fecho em suas costas.
—Anthony…?
—Oi, babe?
—A gente precisa sair, mas você está me ajudando a me vestir com essa cara de quem quer que eu tire a roupa.— ela observa.
—É essa pele.— beijo a curva entre seu ombro e pescoço —Gosto dela.
—Minha pele gosta de você também.— ela responde —Mas precisamos ir.
Já tínhamos visitado Montmartre durante o dia, mas à noite a atmosfera boêmia era muito mais evidente e envolvente. O Moulin Rouge, o jantar, as apresentações, foi tudo muito incrível, uma noite mágica.
(...)
A última parada da nossa Eurotrip foi em Londres, e já no caminho as coisas estavam ficando mais familiares, inclusive a língua. Fui reconhecido no trem, na vitrine de uma livraria da estação havia um livro da Pepper, era quase como estar em casa.
Por falar em casa, foi andando por Portobello Market que descobri que se um dia mudássemos para Londres teríamos que morar em Notting Hill, o bairro é realmente encantador, não questionei. Eu nunca questionava quando ela falava sobre o nosso futuro, e eu moraria em qualquer lugar com ela.
—Acha que a Zoey vai gostar?— pergunto ao mostrar um relógio claquete que encontrei numa barraca. Essa feira é gigante, tem itens de decoração e presentes, frutas, muitos tipos de comidas típicas de vários lugares do mundo.
—Ela vai amar.— Pepper sorri, coincidência ou não, ela tinha acabado de encerrar uma ligação com a filha.
—Não é muito coisa de adolescente que gosta de cinema?— questiono.
Zoey está muito mais madura do que quando a conheci ou mesmo há um ano. Talvez por Pepper ter passado um bom tempo longe enquanto estava lecionando, ou por ela realmente estar realizada com o trabalho, ainda teve a volta de Kyle. Ela deixou de ser a garotinha mimada e agora é uma mulher.
—Não, achei muito legal, ela vai gostar.— Pepper me tranquiliza —Inclusive, Zoey falou pra te levar ao Sherlock Holmes Pub, disse que você seria um ótimo Sherlock.
—Ela já deve estar com uma pilha de roteiros só esperando eu voltar pra me empurrar um novo projeto, certeza.— comento.
—Ela é mandona, né?
—Quem será que ela puxou?— provoco. Ela não diz nada, apenas me beija castamente.
—Oi, você é o Tony Stark, não é?— duas garotas se aproximam de nós, aceno positivamente —Não disse que era ele?— uma diz pra outra, elas parecem ser irmãs, uma mais velha que a outra, mas aposto que nenhuma delas tem mais de 20 anos —Você pode tirar uma foto com a gente?
—Claro.— concordo e elas fazem uma selfie.
—Pode vir também.— a mais tímida, e mais nova, diz para Pepper —Minha mãe ama os seus livros. Eu li todos.
—Você não perde por esperar pelo próximo.— eu digo.
—Vocês são muito fofos juntos, mas o nome do shipper é péssimo.— a mais falante, e mais velha comenta.
—Como é o nome?— Pepper parece curiosa.
—Vitony.— ela responde —Alguém também sugeriu Pottstark, mas não pegou. Na real, nenhum deles pegou, mas vocês são lindos, tá?
—Obrigada.— Pepper responde —Vocês é que são lindas e muito simpáticas, mandem um beijo meu pra mãe de vocês.
Depois das fotos e da breve conversa elas nos deixam, mas aquela pequena aproximação foi suficiente pra chamar atenção de outras pessoas, então decidimos ir embora.
—Vitony é muito ruim, né?— eu questiono.
—Mandar beijo pra mãe é muito coisa de outra mãe.— Pepper gargalha, estamos andando pela feira, saindo do bairro em direção ao nosso hotel.
Quando chegamos ao nosso quarto estamos exaustos da caminhada. A nossa perfeita sintonia faz com que ao mesmo tempo a gente sugira um banho de banheira. Guardamos as compras, nos livramos das roupas e imergimos na água morna.
—Meu social media não me falou nada sobre termos um shipper, nem Stewart, meu empresário.— comento —Como a gente não sabia disso?
—Preferia continuar sem saber.— ela responde —Aliás, eu já tinha esquecido, porque você me lembrou?— ela perguntou me olhando sobre seu ombro. Pepper está sentada entre as minhas pernas, encostada em meu peito.
—Vou mandar uma mensagem pra Nicole, pra Zoey, pra alguém da minha equipe, sei lá, precisamos de um nome melhor.
—Amor, você mal usa redes sociais. É uma diva, como a Beyoncé, que segue uma pessoa e as fotos são todas de lançamentos de trabalhos.— ela comenta, não sei se é uma crítica ou elogio, mas eu amei ser comparado com uma diva.
À noite fomos para Camden Town, numa casa noturna chamada Koko. A arquitetura do lugar era linda, tinha um ar burlesco, ali tinha sido um teatro no início do século XX. O local estava lotado, mas ser reconhecido nos garantiu um camarote, mesmo sem o nosso nome na lista.
O DJ era bom, desde que chegamos havia tocado rock, Clash, U2, Beatles, Police, The Strokes, Kings Of Leon, Queen e outros na mesma vibe. Fomos para a pista, Pepper queria dançar, estava solta, relaxada, feliz, gostava de vê-la assim.
Estávamos dançando quando um cara se aproximou e pediu pra dançar com ela. Ele estava um pouco alto, mas sua aproximação não foi desrespeitosa, embora ele tivesse ignorado que estávamos juntos. Eu ia intervir, mas Pepper fez sinal pra eu deixar, a música, Start me up dos Stones, já estava no fim e, na minha cabeça, eles dançariam até que terminasse, foi o que aconteceu.
—Você é muito gata.— o atrevido disse a ela. Ela estava mesmo muito linda, numa calça de couro preta muito justa, blusa da mesma cor e saltos altíssimos.
—Obrigada, mas eu estou com ele.— ela apontou pra mim. O cara se afastou, mas antes fez um sinal pra mim, como quem pedia desculpas e nos deixou.
Tentei agir normalmente depois da aproximação daquele estranho, mas a situação havia me deixado muito enciumado. Ainda sim ficamos até tarde. Na volta ao hotel, ao notar meu mau humor, Pepper me explicou o porquê de ter dançado com o cara na boate. Ela estava certa, sou uma pessoa pública e um desentendimento com alguém visivelmente alcoolizado poderia acabar muito mal.
Na noite seguinte, fomos ao pub indicado pela Zoey. Era um lugar interessante, dividido em dois andares. Na parte de baixo fica o bar e no piso superior uma exposição de artigos relacionados ao detetive mais famoso da Inglaterra.
—Quer mesmo ficar?— questionei, embora estivesse com fome o lugar parecia lotado.
—Só um pouquinho.— ela respondeu. Ficamos, conseguimos uma mesa, fizemos nossos pedidos, a música não era tão alta então podíamos conversar. —Preciso ir ao toalete.— ela avisou em certo momento.
—Quer que eu vá junto?
—Será que eles têm um banheiro misto aqui?— ela caçoa —Claro que você não precisa ir junto.— ela me beija castamente —Já volto.— ela avisou e sumiu entre as pessoas.
Sei que as filas em banheiros femininos são sempre mais longas, mas ela estava demorando demais. Quando estava pronto pra me levantar e ir atrás de Pepper, mãos femininas taparam os meus olhos.
—Demorou, babe, já ia ver se alguém não tinha te tirado pra dançar de novo.— brinquei.
—Babe? Que fofinho.— nesse momento eu soube que não era quem eu imaginava —Quando namorávamos você não me tratava assim tão bem.— quem estava atrás de mim era Ashley, minha ex.
—Não era você quem eu estava esperando.— falei quando, sem que eu a convidasse, ela sentou à mesa diante de mim.
—Claro que não.— ela observa —Mas você está bastante longe de casa, alguém aqui vai ganhar um presente?
—Quem vai ganhar o quê?— Pepper perguntou ao voltar, eu nem a vi chegando.
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