A Família Olimpiano e suas nações - Parte 3

21 Segunda Guerra: O choque com a verdade.


Notas iniciais
Olá! Mais um capítulo difícil de escrever. É um capítulo importante, porém, eu não entrei em muitos detalhes ( acho que eu nem precisaria). Boa leitura!!!

Hera já sentia as lágrimas chegando a seus olhos, Delayoh acalmou a mãe e confrontou o irmão.

— Descobriu como, Ares? — Perguntou Delayoh.

— Eu não sei como o Stanley achou Buchenwald. Eu só escutei o barulho do portão se abrindo, tiros e vozes alteradas. Quando eu fui olhar, vi os soldados americanos e com eles estava o Stanley. Prenderam os guardas, libertaram os prisioneiros, cuidaram deles e registraram toda a ação. E melhor se preparar, pois Stanley também tem conhecimento dos outros campos, aqueles que são mais do que um campo de concentração. — Respondeu Ares.

— E onde VOCÊ estava quando tudo isso aconteceu?

— Eu... estava no escritório... conversando com a Silvik. — Disse Ares com receio da reação da irmã.

Delayoh colocou a mão no rosto e o esfregou repetidas vezes, passou a mão em seus cabelos, olhou para Ares com olhar mortal e disse:

— Estava tudo certo. Eu consegui uma prova contra os Aliados, sairia ilesa dessa guerra, nem a julgamento eu iria. Mas agora, tudo foi perdido, por sua causa, Ares. Se tivesse feito O QUE EU PEDI, ficado com os guardas vigiando os prisioneiros, ou ficasse mais atento, teria visto os americanos chegando e daria tempo de esvaziar Buchenwald, pois eles chegariam lá, poderiam até encontrar uma evidencia ou outra, mas não encontrariam nenhum prisioneiro e isso poderia ser usado no julgamento. Porém, isso não vai acontecer, não é, ARES? Stanley viu os corpos, viu os prisioneiros, TUDO PORQUE AO INVÉS DE ESTAR FAZENDO O SEU TRABALHO, VOCÊ ESTAVA NAMORANDO!

Enquanto falava, Delayoh batia em Ares, a deusa alemã, além de ser bem mais alta que o irmão, tinha mais força do que ele e cada tapa seu, deixava marcas bem visíveis. Ares gritava e pedia para Delayoh parar de lhe bater, porém, ela não lhe deu ouvidos e continuou a bater.

— Delayoh Alexandra Venandre, pare com isso imediatamente! – Ordenou Hera, agora, recomposta. Delayoh parou no mesmo momento, mas ainda estava com raiva de Ares. — O que irá fazer agora, Delayoh? O Stanley tem registros, viu os prisioneiros, viu corpos, não só ele, os soldados americanos também viram. Se ele sabe dos outros campos, com certeza deve ter contado para Elisabeth, Sarah e Francine e eles devem invadir esses campos. Não vai adiantar sumirmos com os registros de Buchenwald, até porque, nem teria como, os registros dos outros campos iriam aparecer. Não podemos impedi-los, caso contrário seria considerado ocultação e aí, aumentaria ainda mais a pena. Qual a sua ideia para reverter isso, totcher?

— Eles devem estar achando que eu vou me entregar, só por causa da revelação do meu segredo. Mas não vou mesmo. Posso até admitir o que fiz, mas me entregar, jamais. Se não fiz isso quando resgataram os deuses que prendi, não será agora que irei me entregar. — Disse Delayoh com a voz firme.

...

Enquanto vestia seu sobretudo azul claro e se preparava para a invasão aos campos de concentração, Francine não segurava as lágrimas chorava de tristeza por Delayoh, ela não poderia imaginar que a meia-irmã seria capaz de um ato tão cruel. Sempre quis chegar perto dela, oferecer o seu amor, mas Delayoh sempre a afastou. Mesmo assim, Francine sente carinho por ela e quer protege-la a qualquer custo, mesmo que ela não queira, só que a agora, a deusa alemã fez algo indefensável e isso enche o coração de Francine de tristeza, só de pensar que seus franceses podem estar entre os prisioneiros ou entre as vítimas ela sente seu mundo desabar. Hebe entrou no quarto para avisar que Stanley estava na sala, ela notou que Fran limpou as lágrimas de seu rosto.

— Fran, você está bem? — Perguntou Hebe.

— Na medida do possível, sim. — Respondeu Francine, enquanto ajeitava o seu rabo de cavalo. — Ah! Hebe, ainda estou sem acreditar, eu estou indo para um campo de concentração, construído pela Delayoh, para salvar os prisioneiros de lá, não só de um, mas de vários. Não fazia ideia de que Delayoh tinha tanto ódio no coração para fazer algo assim.

— Pelo relato de ontem do Stanley, sim, ela teve coragem. Para você deve estar sendo difícil, sempre a tratou como uma irmã.

— Para mim, a Delayoh sempre foi a minha irmã, mesmo que ela quisesse se manter afastada de mim, eu sempre quis dar o meu carinho para ela, protege-la de tudo, me aproximar dela, defender a todo custo. Mas minha mãe está certa, sou ingênua demais, sempre quero enxergar a bondade no outro, mesmo que esse outro não demostre. — Francine secou mais uma lagrima. — Vamos descer, Hebe, Stanley está nos esperando e essa operação é muito importante.

Na sala, Sarah e Elisabeth chegaram e assim como Stanley, aguardavam Francine. A deusa francesa apareceu, respirou fundo e perguntou:

— Hoje será um dia difícil. Estão prontos?

— Não quero nem imaginar o que vamos encontrar. Mas estou pronta para ver o pior cenário. — Disse Elisabeth. — Falei com os soldados ingleses e eles já estão a postos.

— Eu também falei com os soldados franceses, eles vão estar a nossa espera no primeiro campo.

— Os soldados americanos estão a caminho do primeiro campo. Eu estou pronto para o que vier. Se o que eu vi em Buchenwald era terrível, nem quero imaginar o que podemos encontrar em outros campos de concentração. Pelo que vi nas listas, têm campos que são de extermínio. — Disse Stanley com pesar.

— Então é melhor irmos logo, cada minuto conta para salvar a vida de inocentes. — Disse Sarah. — Voltaremos assim que conseguirmos libertar o último campo, nos desejem sorte, força e principalmente, coragem.

— Fran... — Hebe colocou sua mão no ombro de Francine, que tentava segurar o choro.

— Estou bem. Sarah tem razão, vamos logo, vidas esperam para serem salvas. — Disse Francine. Em seguida, fez um pedido à Métis. — Chame as nossas mães, sinto que precisaremos de colo depois da missão.

— Sim filha, farei isso. Boa sorte e se cuide. Eu estarei aqui, pronta para te dar um abraço, se quiser. — Disse Métis, fazendo um carinho no rosto da filha. — O mesmo vale para você Stanley.

— Com certeza, mãe, eu aceitarei esse abraço. — Falou Stanley, com um sorriso. — Já está na hora, vamos?

Francine, Sarah e Elisabeth concordaram. E lá se foram os quatro aliados, para a mais importante e difícil missão que já enfrentaram.

...

Campo após campo, a situação só piorava, Elisabeth e Francine, estavam horrorizadas com o que viam, os judeus prisioneiros estavam famintos, doentes, esqueléticos, machucados, muitos haviam morrido, de fome ou de doença ou até pior, tiveram suas vidas tiradas em enforcamentos ou execuções. Quando chegaram em um campo de extermínio, aquele que é considerado o favorito de Delayoh, aí sim, precisaram ter forças. Sarah entrou em choque quando viu uma câmara de gás, o crematório e as cinzas dos corpos. Francine viu a quantidade de uniformes listrados usados por prisioneiros, ficou pensando em quantos daqueles prisioneiros poderiam ser franceses. E logo teve a resposta. Entrou em um escritório e encontrou uma pasta com os nomes e a nacionalidade de quem havia morrido, Francine chorou e soltou um grito, Stanley imediatamente socorreu a irmã que estava prestes a cair, ainda em choque, ela não conseguia soltar a pasta.

— Meus judeus franceses morreram aqui, os meus franceses, os meus franceses estão mortos... — Francine chorava copiosamente.

— Calma, Francine, temos um último campo para ir. — Stanley quase chorava junto com ela e tirou a pasta das mãos dela. — Eu sei que está abalada, mas...

— Por favor Stanley, não me diga que há mais franceses mortos, por favor, eu não vou suportar.

— Temos um último campo para ir. Mantenha a esperança, Francine, neste campo podem haver sobreviventes e entre eles podem ter franceses.

Elisabeth entrou no escritório em choque, tentava assimilar tudo que havia visto, não só naquele campo, mas também, o que viu nos outros campos.

— Disse que estava pronta para o pior, mas o que vi hoje é aterrorizante, muito pior do que podia imaginar. Felizmente, consegui impedir Delayoh de invadir Londres e mandar os judeus ingleses para um lugar como este, consegui salvá-los. — Disse Elisabeth.

— Eu não consegui salvar os meus judeus franceses, morreram aqui. E eu nem pude salvá-los. — Lamentou Francine, tornando a chorar novamente.

Elisabeth abraçou a prima e percebeu o quão infeliz foi o seu comentário.

— Não devia ter falado isso, Francine, sinto muito. Mas não se culpe. Você estava presa em uma bolha de sono, não havia como salvá-los e nem impedir que os alemães tomassem conta do seu país.

— Eu disse a ela para manter a esperança, podem haver sobreviventes franceses no último campo que iremos. Mas depois, teremos mais uma missão difícil, dar a notícia da morte dos judeus para os deuses que ficaram presos, inclusive para a Neverly, muitos judeus holandeses morreram. — Disse Stanley.

— Pobre Neverly, ela havia pedido tanto para não fazer mal aos judeus dela, vai sofrer muito com essa notícia. — Lamentou Elisabeth. — Vim aqui avisar que os soldados soviéticos já terminaram o serviço, prenderam os guardas, libertaram os sobreviventes e agora Auschwitz está sob comando do exército vermelho. Só quero ver a cara da Delayoh ao saber que o campo preferido dela, é a agora domínio soviético, sim, porque um dos guardas soltou que ela adorava vir aqui e dizer que aqui era seu campo preferido. Delayoh vai ficar espumando de raiva.

— Esqueça a Delayoh, por enquanto, Elisabeth. Temos mais um campo de concentração para resgatar, Bergen-Belsen. — Disse Stanley com firmeza. — Está pronta, Francine?

— Estou. Vamos logo, como diz a Sarah, cada minuto conta para salvar vidas. — Disse Francine, recomposta.

Os três deuses se juntaram a Sarah e partiram para Bergen-Belsen. Ao chegarem no campo, encontraram a mesma situação dos campos anteriores, Elisabeth ordenou que seus soldados prendessem os guardas e libertassem os prisioneiros. Um judeu chegou perto de Francine, dizendo seu nome repetida vezes, mesmo muito magro, a deusa francesa conseguiu reconhece-lo e sorriu emocionada por ver um sobrevivente francês. Elisabeth não teve a mesma sorte, em um alojamento um dos seus soldados encontrou uma garota que havia acabado de morrer, ele falou para a deusa que pela temperatura do corpo, ela morreu pouco antes de chegarem por lá. Elisabeth segurou o choro ao máximo e pediu para o soldado se retirar do lugar.

Os quatro partiram, eles tinham que dar a notícia para os outros deuses, porém, estavam tão cansados e tão tristes, que preferiram fazer isso quando estiverem em condições de falar, agora, só queriam ir para casa. Quando chegaram na casa de Francine, as mães de cada um os esperavam, antes, eles jogaram as fotos dos campos de concentração sobre a mesa e começaram a chorar. Francine e Stanley foram consolados por Métis, Elisabeth chorava no colo de Anfitrite e até Sarah, que se faz de durona, chorou nos braços de Raicca. Eles jamais vão esquecer o horror com que se depararam.

Notas finais
Aqui mostra bem o que eu falei nas notas iniciais da história, contém fatos históricos, porém, não são descritos como aconteceram realmente. Falo isso, devido ao último campo de concentração libertado, na vida real, não foi o campo de Bergen-Belsen o último campo a ser libertado, foi o de Dachau.Mas nesta saga, eu preferi mudar algumas informações, para ficar de acordo com que eu havia planejado. Afinal, trata-se de uma fantasia. Neste capítulo e no anterior, coloquei alguns nomes de lugares, apenas dos lugares, nomes de pessoas, não.