A Família Olimpiano e suas nações - Parte 3

15 Segunda Guerra: "Não te reconheço mais."


Notas iniciais
Olá! Ivana e Delayoh sempre foram amigas e tinham uma amizade forte. Tiveram problemas na primeira guerra, mas que foram resolvidos. Mas será que essa amizade resiste a mais uma guerra? Boa leitura!!!

Demeter e Hera são muito amigas e com suas filhas, não seria diferente. Desde crianças, Ivana e Delayoh são inseparáveis, amigas que mais pareciam irmãs. Sempre juntas até nos momentos mais difíceis, tiveram uma briga durante a primeira guerra, mas com o tempo as duas superaram os problemas e voltaram a ser amigas, entretanto, em 1943, aconteceu algo fez com que essa amizade acabasse de vez.

Ivana sempre desconfiou do que Delayoh fazia em segredo, porém, por mais que fossem amigas, a deusa alemã nunca contou para a prima o que fazia quando não estava batalhando. Ivana nunca se importou, não queria se intrometer na vida da prima, mas uma desconfiança de Delayoh, ligou o sinal de alerta na deusa italiana.

— Como assim? Eu, envolvida em uma aliança com Elisabeth? Que argumento mais descabido, Delayoh. Me diga, se eu fosse fazer uma aliança com Elisabeth, eu teria entrado nessa guerra contra ela? —Perguntou Ivana.

— Até que isso faz sentindo, me perdoe Ivana, é que um francês me contou que você tem uma aliança com Elisabeth e que esconde isso de mim. — Disse Delayoh.

— Um francês? Esteve na França? — Ivana arqueou uma sobrancelha.

— Não, ele me contou isso em...

Delayoh se calou assim que percebeu que iria entregar um de seus planos. Entretanto, essa pausa deixou Ivana curiosa.

— Em... onde Delayoh?

— Em...Paris. — Disfarçou Delayoh. — Esse francês me disso no dia em que a Alemanha invadiu a França, em 1940, foi uma tentativa de me desestabilizar com você, mas não funcionou.

— Ah sim, e por que só me falou isso agora?

— Porque não era importante no momento, porque não queria criar uma crise entre nós em pleno início de guerra, ai Ivana, não sei o motivo dessa desconfiança. — Delayoh demonstrou incomodo com o assunto e andava com passos pesados.

— É apenas curiosidade, afinal, sou sua amiga e aliada de guerra, mas se esse assunto estar a lhe incomodar, não falemos mais nisso. — Disse Ivana dando de ombros. — Eu vim aqui para falar sobre outro assunto, a Grécia.

Delayoh revirou os olhos ao ouvir a palavra Grécia, ao contrário dela, Ivana não prendeu em bolhas as deusas das nações que invadiu, as deixou apenas presas em casas afastadas, incomunicáveis, Helena foi uma delas.

— Qual é a choradeira da Helena dessa vez? — Disse Delayoh se jogando na poltrona de couro marrom, com uma expressão tediosa.

— Não é choradeira, ela só quer que amenizemos a dominação sobre a Grécia e que os mais pobres sejam poupados. — Disse Ivana. — Ah! E ela reclamou também da truculência dos soldados alemães com os gregos.

— Não tenho controle sobre a ação de meus soldados, os deixo livres para fazer o que quiserem. Helena também chora demais, ela queria o quê? Que os meus soldados chegassem, fizessem bolo, chamassem os gregos para cantar junto com eles e os soldados italianos em volta de uma fogueira? — A deusa alemã bateu as mãos nos braços da poltrona. — Lhe disse para a prender em uma bolha do sono, mas você quis deixa-la apenas presa em casa e incomunicável.

— Ora Delayoh, tu sabes que não sou tão radical quanto você, sempre achei que bolhas do sono era uma atitude muito extrema e pode lhe trazer sérios problemas, pois, essas bolhas enfraquecem um deus. E tem mais, eu não prendi a Helena na casa dela, eu a prendi em uma casa bem afastada no interior de Atenas, ninguém sabe da existência dessa casa.

Delayoh se levantou da poltrona, andou até Ivana e disse:

— Mas deixou Helena bem acordada, é o que dá ser boazinha demais, acaba ouvindo até o que não quer. Quero só ver o que vai fazer quando Helena começar a gritar por socorro e alguém ouvir.

...

Ivana passou uns dias na Grécia com o objetivo de ficar de olho em Helena, mas acabou vigiando o trabalho de seu exército. Por mais independentes que sejam, os italianos deviam obediência aos alemães e também por temerem Delayoh, por isso, acatam as ordens mais absurdas e violentas, por mais que não queiram. E a deusa italiana vivenciou isso de perto e não gostou do que viu, por isso, Ivana pediu para os seus soldados que ajudassem os gregos assim que os alemães fossem embora ou no dia em que eles não fossem para lá. A ordem foi cumprida, Ivana ficou satisfeita com o que viu, mas também ficou apreensiva, pois, desobedeceu às ordens de Delayoh e teme ser punida por isso. Um dia, um soldado alemão apareceu de surpresa e viu um grego agradecendo a um soldado italiano, ele se aproximou e prestou atenção na conversa dos dois, imediatamente, o soldado contou o que viu para Delayoh. A deusa alemã ouviu tudo com muita calma, mas já planejando algo em sua mente, quando já tinha o plano pronto, ela se reuniu com os seus soldados e contou o que planejou.

Em uma manhã, os soldados italianos fizeram uma caminhada por uma região da Grécia, quando foram surpreendidos pelos soldados alemães e atingidos por diversos tiros, poucos conseguiram sobreviver, destes sobreviventes, um conseguiu falar com Ivana, que imediatamente foi para o local e ficou em choque com que viu, ficou mais em choque ainda quando ele disse que foram os soldados alemães que fizeram o ataque. Como um foguete, Ivana saiu para encontrar Delayoh, quando a encontrou encostada em uma mesa de mogno escuro, entrou na sala abrindo a porta com tamanha força, que a mesma bateu fortemente na parede.

— O que houve, Ivana? — Perguntou Delayoh.

— Nosso avô Chronos deu presente perfeito para você. O que combinaria mais com uma deusa da morte do que uma foice? — Disse Ivana, com um olhar furioso.

— Do que você está falando, Ivana? — Perguntou Delayoh receosa. Será que Ivana havia descoberto o seu segredo?

— Não se faça de desentendida, tu sabes muito bem do que estou falando. Do ataque covarde contra os meus soldados, realizado pelos teus soldados. Vidas foram perdidas, eles nem estavam em serviço e foram atacados, nem tiveram tempo de se defender. Podes me dizer o motivo disso?

Delayoh respirou aliviada e respondeu a prima com frieza.

— Lamento o ataque, mas tinha que ser feito, os seus soldados descumpriram as minhas ordens, não tinham nada que terem ajudado os gregos, pois assim, eles poderiam se voltar contra nós e fazer uma rebelião, até se aliarem com nossos inimigos. Mortais são assim, traiçoeiros, quando menos se esperam, atacam pelas costas. Mereciam ser punidos.

— MAS NÃO ERA MOTIVO PARA TIRAR A VIDA DELES! — Gritou Ivana, seus olhos verdes estavam marejados. — Se queria punir alguém que punisse a mim, fui eu quem pediu para eles ajudarem os gregos. — Ivana batia no peito. — Essa guerra mexeu muito com você, não te reconheço mais, a Delayoh que conheço desde a infância, deixou de existir. Só pensa em vingança, punir severamente, não se importa com o outro, com a vida do outro, para você não faz diferença, se não está de acordo com o que você quer, não serve e é descartado, sem nenhuma piedade.

— Eu sabia que a presença da Helena iria amolecer você. Ivana, tu ainda não entendeste, quase acontece uma rebelião, quem te garante que esses gregos não iriam se rebelar contra os italianos e os atacar? Eu evitei que um ataque grego fosse feito.

— Mas evitou da forma errada, Delayoh. — Disse Ivana, em lágrimas. — Não precisava ter feito isso, bastava chamar a atenção deles, mas como eu disse, você não se importa com a vida de ninguém. Meu coração dói de tristeza, meus italianos foram mortos. Para mim acabou, não tem como continuar lutando ao seu lado. Estou me retirando do eixo e da guerra, a nossa amizade também terminou, nunca mais quero te ver. Apenas lhe digo, além de deusa da Alemanha, você ganhou mais um título, o de deusa da morte.

— Ótimo, então, vá embora, você é boa em me abandonar nas horas mais difíceis em guerra, pode ir, eu não me importo com uma traidora como você. Agora sou eu quem digo, não quero ser amiga de uma chorona e traíra, pode ir, não me fará falta e sua amizade não é nada para mim. – Esbravejou Delayoh.

Ivana saiu pisando fundo e chorando, assim que a prima saiu, Delayoh se mostrou indiferente, é muito fria. Consegue esconder bem as suas emoções, porém, algo dentro dela gerou um desconforto, uma pequena tristeza, acabou de romper com sua amiga de infância, mais do que isso, Ivana era praticamente uma irmã para Delayoh. Quando foi embora, voltou para casa, contou para Hera o que houve com Ivana, e que, na Europa, a partir de agora, ela lutava sozinha.

...

Em 1943, quem estava na fazenda, foi surpreendido pela atitude de Ivana, principalmente, Demeter e Príamo.

— Isso é um truque, Ivana? — Perguntou Stanley.

— Não é um truque, eu estou me rendendo, não luto mais ao lado de Delayoh. Aliás, não quero nem mais saber dela. — Ivana disse a última frase com certa irritação. — Estou saindo da guerra, mas não quero ficar impune, cometi muitos erros, tenho e quero pagar por eles. Devo avisar também que libertei quem eu prendi, nesse momento, devem estar com suas famílias.

— Ivana, isso não é extremo demais? Não se sabe quanto tempo ficará presa, tem certeza de que quer fazer isso? — Perguntou Priamo.

— Tenho pai, por mais extremo que seja, é o certo a se fazer.

Ivana foi levada por Stanley, Elisabeth e Sarah até o hospital de Apolo para ser internada, Priamo e Demeter seguiram os quatro, ela estava inconsolável, a todo momento tentava segurar as lágrimas, mas não adiantou, Priamo lhe deu um abraço e um beijo e disse que tudo iria ficar bem, mesmo que Ivana fique longe deles, ela estava fazendo o certo. No hospital, depois do registro, a deusa italiana foi levada para interrogatório. A sala era toda branca, Ivana sentou-se inclinada e com as mãos dadas entre as pernas na cadeira e foi rodeada pelos primos e por Sarah.

— Muito bem, Ivana, diga porque rompeu com Delayoh, por acaso descobriu o que ela anda fazendo fora do campo de batalha? — Perguntou Elisabeth.

— Não direi nada a você, Elisabeth, por sua causa tive que entrar nessa guerra. — Disse Ivana com um rosto sério para a prima. — Mas para o Stanley e para a Sarah... posso contar o que sei.

— Tudo bem Ivana, somente eu e Sarah seguiremos com o seu interrogatório. — Disse Stanley passando a mão na testa, demonstrando estar um pouco impaciente.

— Mas isso é um absurdo... eu também quero saber. — Disse Elisabeth indignada.

— Elisabeth, se quiser saber de algo, pode ficar aqui, mas fique quieta, não diga nada ou eu lhe tirarei arrastada daqui. — Disse Sarah.

Elisabeth concordou com Sarah e ficou quieta. Ivana começou a falar, disse os motivos que a fizeram entrar na guerra, dos planos que elaborou, que ela e Nihon eram subordinados a Delayoh e do motivo de sua briga com ela.

— Está bem Ivana, mas queremos saber mais, por exemplo, o que a Delayoh faz quando não está no campo de batalha. — Disse Sarah de forma direta.

— Não sei, ela não me contava nada do que fazia. — Disse Ivana.

— Mas vocês são amigas, tem certeza de que ela não lhe contou nada?

— Apenas uma correção, Sarah, éramos amigas, não sou mais amiga de Delayoh. Mas antes de nossa briga, por maior que fosse a nossa amizade, ela nunca me contou o que fazia fora do campo de batalha, eu até tentava a fazer falar, mas não funcionou, Delayoh se fechou em copas.

— Ivana, você entende que isso é muito importante? Não adianta esconder, fale o que sabe...

— Sarah, a Ivana não sabe de nada. — Interrompeu Stanley. — Eu já namorei a Delayoh e sei muito bem como ela é, não revela seus segredos a ninguém, principalmente para sua melhor amiga. Ivana está falando a verdade, não vamos insistir.

— Mas e se ela estiver mentindo? E se essa briga com a Delayoh for fingimento, ela sabe e não quer nos contar? Stanley, pode ser alguma artimanha dela. — Disse Sarah em tom baixo para Stanley, entretanto, Ivana conseguiu ouvir.

— Não é artimanha. Eu realmente briguei com a Delayoh. Ela mandou os soldados alemães atirarem nos soldados italianos, só por causa de uma ordem não cumprida. — Se manifestou Ivana. — E é a mais pura verdade quando eu digo que não sei quais são os outros planos de Delayoh. Não faço ideia do que seja, mas pelas expressões dela, pelo sorriso maldoso, eu diria que é algo bem grave e torço para que vocês descubram rápido o que é. Só quero deixar claro, estou me rendendo, ajudarei no que for preciso, mas não me tornarei parte dos aliados, não estou lutando ao lado de vocês.

— Por que não, Ivana? — Perguntou Elisabeth.

— Preciso dizer, Elisabeth? — Ivana a olhou de forma intimidadora, que fez a inglesa se calar.

Os três concordaram com a italiana. Sarah e Stanley encerraram o interrogatório, Elisabeth chamou Priamo e Demeter, os dois imediatamente correram para abraçar a filha. Os três estavam visivelmente emocionados.

— Pai, mãe, me perdoem por todo mal que causei. — Disse Ivana aos prantos.

— Tudo bem, Ivana, nós te perdoamos. O importante, é que você fez o que era certo. — Disse Priamo acariciando a cabeça da filha.