Notas iniciais
Olá! Chegou o momento de salvar Francine e Zeus. Stanley, Elisabeth e Sarah contaram com uma ajuda especial, Ivana. Boa leitura!!!

6 de julho de 1944. Finalmente chegou o dia da invasão, Stanley mal se segurava de tanta ansiedade, mentalmente ele dizia “ Pai e Francine, fiquem calmos, estou indo buscar vocês”.

Antes, Stanley visitou Ivana, ele queria pegar mais informações com a prima, saber se ela tinha conhecimento do local onde Francine e Zeus estavam presos.

— Sei sim, Delayoh fez questão de me contar, porém, não vou dizer onde é. — Disse Ivana.

— Está brincando comigo, Ivana? Primeiro você diz que quer se render e que quer nos ajudar, depois não quer falar onde a Francine está? — Perguntou Stanley, indignado e pasmo com a atitude dela.

— Calma, Stanley, eu vou ajudar vocês, só que se eu falar de primeira onde a Francine está presa, a Delayoh com certeza estará lá, fará uma armadilha e, então, adeus resgate. — Ivana andava pela sala enquanto falava. — Vocês têm que racionar e dar tempo para que Delayoh e os alemães saiam de perto do local. Por isso vou lhe fazer uma pergunta para você pensar: Qual foi o principal local de disputa entre França e Alemanha em 1871 e que até hoje é motivo de disputa entre as duas nações? Aqui vão duas dicas, a primeira: uma cidade fica na divisa dos dois países. A segunda: Não olhe superficialmente, aprofunde seu olhar.

— A França faz muitas fronteiras com a Alemanha, se for olhar em cada uma, Francine nunca será salva. E que história é essa de “aprofunde seu olhar”?

Ivana olhou para ele, sorriu e disse:

— Resolva a pergunta que lhe fiz e chegará na resposta, quanto ao “aprofunde o seu olhar”, quando chegar a hora, você vai saber. Era isso que eu tinha para falar. Boa sorte.

Stanley saiu do hospital com os enigmas de Ivana na cabeça, por mais que pensasse, não conseguia encontrar a resposta. Ele se reuniu com Elisabeth e Sarah para a invasão, a deusa inglesa logo lhe perguntou se ele conseguiu alguma informação com Ivana, Stanley respondeu que a deusa italiana apenas lhe deu enigmas para resolver, Sarah disse que queria estar lá pessoalmente e arrancar a informação dela, queria ver se Ivana teria coragem de fazer essa gracinha de enigmas com ela. Stanley explicou que esses enigmas eram uma estratégia, enquanto eles pensavam nas respostas, Delayoh e os alemães saíam do local. Elisabeth e Sarah entenderam o plano e partiram com Stanley para a Normandia.

Durante à madrugada, os três exércitos se dividiram entre as cinco praias da Normandia, em uma delas desceram Stanley, Elisabeth e Sarah.

— Chegamos! — Exclamou Stanley.

— Espero que Francine não fique brava comigo com o que vou fazer. Vou renomear esta praia. — Disse Elisabeth.

— Que nome pensa em dar para ela?

— Juno.

— Juno? Mas esse não é o nome romano da tia Hera?

— Sim, exatamente, quis fazer uma homenagem para Delayoh. — Brincou Elisabeth. — Dar o nome romano da mãe dela, que por sinal a tia Hera detesta esse nome, para a praia em que se inicia a nossa vitória.

— Vocês dois já terminaram de conversar? Temos um resgate a fazer, um não, dois resgastes. — Disse Sarah com um olhar sério para os outros dois deuses. — Stanley, quais foram os enigmas da Ivana?

— Foi uma pergunta: Qual foi o principal local de disputa entre França e Alemanha em 1871 e que até hoje é motivo de disputa entre as duas nações? E depois ela deu duas dicas, ou seja, mais enigmas. A primeira: uma cidade fica na divisa dos dois países. A segunda: Não olhe superficialmente, aprofunde seu olhar. — Respondeu Stanley.

— Está bem difícil de se resolver e as dicas não ajudaram em nada. Não duvido que Ivana esteja planejando algo contra nós.

— O Stanley já explicou, Sarah. As dicas e pergunta são difíceis para dar tempo de o local ser desocupado, faz parte da estratégia. — Disse Elisabeth. — Mas tenho que concordar com você, está bem difícil de resolver.

Stanley pensava, mas não resolvia, a resposta não vinha. Elisabeth falou no quanto Métis devia estar ansiosa com esse resgate, foi então que ele teve um estalo. Stanley se lembrou de uma conversa com a mãe, ela falou de uma batalha perdida da França para a Prússia e que o território ficou com os prussianos, dando origem a Alemanha.

— Alsácia e Lorena. — Sussurrou Stanley.

— O que disse, Stanley? — Perguntou Elisabeth.

— Alsácia e Lorena. Há 73 anos, o território que citei pertencia a França, mas os alemães reivindicavam ao território, pois pertenciam ao antigo povo deles. Minha mãe sempre via uma luz vermelha contornando o local. Houve uma batalha, a França perdeu, o território foi anexado aos alemães e a Alemanha foi formada. Na primeira guerra, os franceses recuperaram a Alsácia e Lorena com parte da punição à Alemanha. Nessa guerra atual, os alemães tomaram posse de novo e os franceses tentam reaver. É isso! Uma parte do enigma já foi, Alsácia e Lorena. Agora precisamos descobrir a cidade.

— E eu sei qual é a cidade. — Disse Elisabeth. — A Ivana não disse que era uma cidade que fica na fronteira entre França e Alemanha? Você falou em Alsácia e Lorena e só há uma cidade, na Alsácia, que faz fronteira com a Alemanha, Estrasburgo. É lá que a Francine está.

— Boa, Elisabeth. — Stanley deu um beijo no rosto da inglesa, que a deixou corada. — Vamos imediatamente para lá.

Os três aliados partiram para Estrasburgo. Chegaram ao amanhecer. Delayoh não estava, mas parte do seu exército sim, então, tiveram que esperar eles irem embora. Os soldados alemães partiram, os três aliados olharam em todos os lugares, mas não encontraram nada, não havia sinal de que alguém estava preso ali, nenhum rastro.

— Eu já falei, a Ivana está nos enrolando, não confio naquela italiana. Não há nada aqui, fomos enganados. — Disse Sarah batendo os pés impacientemente. — Ah! Mas se ela pensa que isso vai ficar assim, ela está muito enganada.

— Você é muito estressada, Sarah, qualquer motivo já está brigando, batendo o pé. Respire fundo e vamos pensar em uma outra forma de achar Francine. — Disse Elisabeth.

Mais uma vez, Elisabeth iluminou Stanley. Ao dizer para Sarah respirar fundo, Stanley se lembrou da última dica que Ivana lhe deu.

— Elisabeth, você é esplendida. — Disse Stanley a abraçando.

— Obrigada pelo elogio. — Elisabeth agradeceu, um pouco tímida. — Mas por qual motivo sou esplêndida?

— Hoje você desvendou os dois enigmas um sobre Estrasburgo e o outro ao falar em respirar fundo, isso me fez lembrar do que Ivana me disse, para não olhar na superfície e sim no mais profundo, meu pai e Francine estão presos embaixo da terra.

— Tudo bem, pode até ser isso, mas e se profundo quer dizer mar ou oceano? Pois, profundo, para mim, remete a estes dois. — Questionou Sarah.

— Sarah, Delayoh não é assim, eu a conheço muito bem. Ela sabe que o meu pai controla os mares e poderia encontrar a Francine e o tio Zeus facilmente, não é o estilo daquela louca facilitar. — Disse Elisabeth com um largo sorriso. — Tia Demeter controla a terra e como a Ivana estava lutando ao lado de Delayoh, não iria se intrometer e Francine ficaria presa, sem ajuda e sem regaste, apesar de não concordar com a decisão de Ivana em participar da guerra. Delayoh pensou em tudo.

Sarah se espantou, não fazia ideia que sua avó Demeter tinha tanto poder, talvez porque as duas não eram tão próximas, mal se viam e não se conhecem tão bem. A semideusa da União Soviética lançou um jato de lava sobre o solo até fura-lo, foi trabalhoso, mas Sarah conseguiu abrir um enorme buraco, que possibilitou a passagem dela, de Stanley e de Elisabeth para debaixo da terra. Seguiram caminhando até se depararem com duas bolhas, Stanley sentiu as presenças do pai e da irmã por ali, pediu para Elisabeth e Sarah resgatarem Zeus, enquanto ele resgata Francine. As bolhas eram maleáveis, bastava atravessar as mãos na bolha para estoura-la, Sarah e Elisabeth fizeram isso e libertaram Zeus, que quase caiu no chão, as duas fizeram um esforço para segura-lo.

— Me perdoe... — Disse Zeus, antes de desmaiar.

— Está tudo bem, tio Zeus, você está salvo agora. Stanley, salvamos o seu pai. — Avisou Elisabeth.

Enquanto isso, Stanley salvava Francine, ele estourou a bolha e segurou a irmã nos braços.

— Eu...não...queria... — Sussurrou Francine.

Hello sister! Estou tão feliz em ti ver, nós vamos para casa. — Disse Stanley, emocionado.

Entretanto, Francine não ficou muito tempo acordada, em pouco tempo desmaiou. Stanley, Sarah e Elisabeth levaram os dois para o hospital de Apolo, onde foram internados para se recuperarem, enquanto aguardava por notícias, Stanley mandou uma mensagem austral para Métis contando a boa notícia, ela mal terminou de falar com o filho e foi correndo para o hospital. Métis chegou em uma fumaça azul clara e abraçou Stanley, não conseguindo conter a alegria que estava sentindo.

— Stanley, como a Francine está? Posso vê-la? Estou com tanta vontade de abraçar a minha filha. — Disse Métis, quase em lágrimas.

— Calma mãe, a Francine foi internada porque estava muito fraca, ela vai ficar por um tempo aqui para se recuperar e ficar forte. — Disse Stanley. — Por enquanto, Fran não pode receber visitas, pois, o estado dela é bem delicado e ela ainda não acordou do desmaio.

— E o seu pai?

— Ele acabou de acordar, mas está bem fraco ainda. Não sei dizer se ele pode receber visitas, pois, não se sabe por quanto tempo ele ficará acordado.

— Entendi. Filho, onde eles estavam?

— Mãe, você não acreditar. Eles estavam na França.

— Como assim? — Perguntou Métis, espantada. — Eu não entendo, se eles estivessem na França, teríamos encontrado a mais tempo.

— A Francine estava o tempo todo perto da senhora. Foi uma jogada da Delayoh, ela sabia que assim que prendesse a Fran, todos iriam pensar que prenderia em um lugar bem longe e não no próprio país. No desespero, a senhora nem pensou nessa possibilidade, aliás, ninguém havia pensado nisso. Mesmo fazendo enigmas, Ivana conseguiu nos ajudar e salvamos Francine e meu pai.

— Ivana?

— Sim, ela rompeu com Delayoh e se entregou, está presa em outra ala do hospital aguardando julgamento. Sarah e Elisabeth estão com ela agora.

— Ivana mostrou que não é ruim, me enganei sobre ela. Me lembre de agradece-la depois.

A conversa entre mãe e filho foi interrompida por Apolo, ele trazia notícias sobre Zeus e Francine. Métis imediatamente foi até ele para saber da filha, Stanley encheu o irmão de perguntas.

— Estamos observando a Francine, ela acordou do desmaio e vai ser medicada, mas por enquanto não pode receber visitas, precisamos que ela não faça muito esforço, para não se cansar mais e desmaiar de novo. — Explicou Apolo. — Já o nosso pai, Stanley, acordou do desmaio, foi medicado e está em repouso, mas pode receber visitas, só tomem cuidado para não o cansar demais.

— Apolo, antes de irmos visitar o Zeus, me diga, o que mantinha ele e a Francine presos e que causou esse estado neles? — Perguntou Métis.

Apolo colocou as mãos nos bolsos de seu jaleco branco e disse:

— Bolhas do sono. Essas bolhas são artefatos asgardianos e muito perigosos, eles prendem um deus em uma bolha, que ficam em sono profundo, o perigo é que essas bolhas enfraquecem, chegando a colocar em inércia. Por isso Zeus e Francine estão tão fracos.

— Como é? Não, isso não pode ser verdade.

— Mas é, mãe. Eu estourei a bolha da Francine. Elisabeth e Sarah estouraram a do meu pai. Assim que libertamos os dois, ficaram pouco tempo acordados e depois desmaiaram. — Disse Stanley. — Pode parecer loucura, mas é verdade.

— Então se você não tivesse resgatado a Francine, a minha filha teria entrado em inércia, por causa da loucura de Delayoh? Eu não gostava da Hera, vou gostar muito menos quando essa guerra acabar, mas agora, sinto mais raiva da Delayoh, por culpa dela, eu quase perco a Francine.

...

Zeus estava fraco, quem o conhecia da época do Olimpo não o reconheceria, o deus forte e onipotente estava prostrado em cima de uma cama, dependendo dos outros para se fortalecer. Apolo levou Métis e Stanley até ele, assim que entrou no quarto, o deus americano teve o impulso de abraçar o pai, porém, Apolo o parou, disse que qualquer movimento mais brusco, seria prejudicial para Zeus.

— Pai, está se sentindo sendo melhor? — Perguntou Apolo.

— Estou um pouco. Filho, nunca mais peça para me dar aquela porção, é horrível. — Brincou Zeus.

— Eu sei que é horrível, mas o senhor vai precisar continuar tomando para ficar mais forte, não quer sair logo daqui?

— Quero.

— Então, tem que continuar tomando a porção. Eu trouxe visitas para você.

— Métis, Stanley. — Zeus sorriu. — Que bom ver vocês, principalmente você, Métis, achei que depois da nossa discussão, não quisesse mais me ver.

— Oi Zeus, você se enganou, por mais tenhamos discussões ou brigas, você é pai dos meus filhos e me preocupo contigo. — Disse Métis.

— E a Francine? Veio com vocês?

— A Francine está internada aqui também. — Disse Stanley. — Ela também foi presa em uma bolha do sono, mas já está se recuperando.

— E foi a Delayoh quem a prendeu, digo apenas para o seu conhecimento. — Emendou Métis.

— Métis, vá com calma. Lembre-se de que meu pai ainda está fraco e não pode se estressar. — Alertou Apolo.

— Não é culpa da Delayoh, é minha culpa, ela só está fazendo isso por causa de um erro. Não a culpem. — Disse Zeus com a voz fraca.

— Não acredito no que acabei de ouvir. Não culpar a Delayoh? Deixa eu lhe dizer, Zeus. A Francine quase entrou em inércia por causa da Delayoh, foi ela quem a prendeu naquela bolha, nós quase perdemos a nossa filha, tem noção disso? Ou será que o favoritismo por Delayoh está o cegando para o que ela faz? — Métis falou de um jeito alterado, como se estivesse brigando com Zeus, ao invés de estar apenas conversando. — Mas tem razão, a culpa não é da Delayoh, a culpa é da Hera, que criou a filha com esse jeito torpe.

— Não... é... culpa... das duas, é... minha culpa, se eu tivesse dado mais atenção a Hera, Delayoh não seria assim. — Zeus falou com dificuldade, sentiu-se bem cansado e reclinou a cabeça sobre o travesseiro, o que deixou Apolo bem preocupado. Ele rapidamente administrou algumas porções e Zeus logo se estabilizou.

— Eu falei para ir com calma, Métis. Meu pai ainda está muito fraco, precisa de repouso. Se eu soubesse que iria brigar com ele, nunca teria a deixado entrar. — Esbravejou Apolo.

— Perdoe-me, Apolo, eu não queria causar isso, não soube me controlar. – Disse Métis, envergonhada.

Pouco tempo depois, Stanley e Métis foram embora, ela foi com coração apertado, pois não conseguiu ver Francine, mas foi tranquilizada por uma enfermeira, que falou que a deusa francesa será muito bem tratada e logo as duas poderão se reencontrar, Métis sorriu aliviada.

Stanley foi se reunir com Elisabeth e Sarah, além de dar notícias sobre Francine, ele foi se preparar para resgatar os deuses que ainda estavam presos e para uma possível batalha com Delayoh. Ele não queria isso, mas o rumo para o qual a situação ia, o confronto era inevitável. Stanley temia não conseguir enfrentar Delayoh, ainda a ama e não quer machuca-la, por isso relutou tanto em entrar na guerra. Mas ele está vendo que será difícil e que precisará de toda a coragem para entrar em combate com o amor de sua vida.