A Família Olimpiano e suas nações - Parte 3
27 Pós Segunda Guerra - O Julgamento.
Notas iniciais
Depois de um longo tempo, chegou o momento mais tenso, dar a notícia das mortes dos judeus para os deuses que foram feitos prisioneiros de Delayoh. Cada deus chorou, pois, perderam cidadãos de seu país e lamentaram por não terem feito nada para os salvar. Francine os acalmou, disse que também perdeu judeus franceses e que sofreu muito por não conseguir ajuda-los, pois, estava presa. Mas em memória deles, iria seguir, fazer o seu país prosperar e novos habitantes iriam florescer em seu país.
Norah se mostrou indiferente, pois, iria entregar os judeus para Delayoh, mesmo que não tivesse sido presa. Mas na frente de Elisabeth, fingiu sentir tristeza e chorou um pouco.
Elisabeth e Francine foram visitar a deusa polonesa e aproveitaram para contar sobre a morte dos judeus poloneses. Por causa da briga entre os Olimpianos, as duas estavam um pouco receosas em reencontrar a tia.
Polyana está quase saindo do hospital, ainda tem algumas sequelas da bolha de sono, mas já pode se recuperar em casa. Amparada por Héstia, chorou, se culpou por não ter conseguido salvar os judeus poloneses, Francine usou o mesmo discurso, que fez para os outros deuses, para confortar a prima.
— Tu não tens culpa de nada, minha pequena. Foste presa antes deles serem capturados, e ainda está se recuperando dos efeitos da bolha de sono. — Disse Héstia, abraçando a filha.
— Delayoh foi bem esperta, em prender os deuses protetores primeiro. Assim, não teria como eles protegerem os seus cidadãos, principalmente, os judeus. Ainda bem, que eu não permiti que ela fizesse isso comigo, e com os meus judeus. — Elisabeth percebeu a falha que cometeu, e colocou as mãos sobre a boca, as tirando em seguida. — Oh, não! Fiz outra vez. Me perdoem por essa falha. Tenho que saber como me controlar.
— Não precisa se desculpar, Beth. — Disse Francine.
— Se eu tivesse desconfiado do que Delayoh estava planejando para os meus judeus, teria evitado. Esconde-los, não sei, protege-los. Me sinto tão incapaz. — Polyana secou uma lágrima com as costas da mão.
— Oh, Poly...não se culpe. — Héstia, ainda abraçando Polyana, afagou seus cachos de tom marrom escuro.
— Como dissemos, Polyana, não teria como você os salvar. Por mais que você os escondesse, Delayoh iria os encontrar e os matar da mesma forma. — Disse Francine, com pesar. — Polonês, francês, holandês, alemão, ou de qualquer outra nacionalidade, se fosse judeu, estava nos planos de morte dela.
Elisabeth e Francine se despediram e desejaram melhoras para a prima. Antes de saírem, Héstia quis falar com elas.
— Elisabeth. Francine. — Disse Héstia, se levantando da cama. — Percebi que estavam com certo receio em falar comigo. Quero dizer que não tenho nenhum problema com vocês, podem vir me visitar e visitar a Polyana quando quiserem. Serão bem-vindas. O meu problema é com os pais e tios de vocês, não quero os receber.
...
A família Olimpiano se encontrou novamente, mas o clima não era de confraternização, não se olhavam. O dia do julgamento chegou. Elisabeth, Francine, Stanley e Sarah vieram acompanhados dos pais. Ivana e Delayoh chegaram com enfermeiros, pois, estavam presas. Hera chorou ao ver a filha.
— Quanta hipocrisia por parte da Hera. — Disse Demeter, enquanto balançava a cabeça em desaprovação. — Ela deixou a filha dela fazer o que fez e agora, chora de tristeza. Eu pelo menos não escondo, estou sofrendo por Ivana, mas quero que ela pague pelo que fez.
— Eu também, Demeter. Stanley cometeu erros graves, tem que pagar por eles, por mais que isso vá doer em mim. — Disse Métis, sem olhar para a outra deusa.
Sentado na cadeira, Stanley viu a marca de queimadura, causada por raio, no braço de Delayoh, se sentiu triste, pois, ele fez aquela marca em sua amada. Por falar em Delayoh, ela estava quase que irreconhecível. Usava um vestido branco simples, seus longos cabelos negros estavam presos por uma fita branca, fazendo um laço, além de não estar usando sua tradicional maquiagem escura.
O juiz chegou, o julgamento iria começar. A primeira a ser julgada foi Francine.
— Francine La vouir Olimpiano, deusa da França. — Começou o juiz. — Está sendo acusada de compactuar com o ataque sobre a cidade de Dresden, na Alemanha. Apresente sua defesa e como se considera, culpada ou inocente.
— Quando fui libertada de uma bolha de sono, eu fiz parte dos aliados para acabar com a guerra. Nós planejamos um ataque para fazer os alemães se renderem, mas houve muitas mortes. Eu não participei diretamente, mas eu planejei e tenho culpa nas mortes. Então, eu me considero culpada. — Francine falou com sinceridade.
— Hm, quer ver que ela vai ser considerada uma santa, só porque não participou do ataque? — Resmungou Delayoh.
— Delayoh, queira se comportar, por favor? Poderá falar quando for solicitada. — O juiz falou rispidamente, fazendo Delayoh revirar os olhos. — Voltando a Francine. Você não participou ativamente do ataque a Dresden, mas o planejou, é isso?
— Sim. Meu irmão Stanley e minha prima Elisabeth que participaram do ataque. — Respondeu Francine.
— Se planejou, tem culpa nas mortes causadas. Por tanto, Francine La vouir Olimpiano, está condenada a cumprir a sentença de cinco anos de reclusão.
Francine aceitou sua pena, Métis e Zeus ficaram tristes, mas também aliviados, sua filha não ficará presa por muito tempo. Próxima a ser julgada, Elisabeth.
— Elisabeth Angélica Silverstone Olimpiano, deusa Inglaterra. Pesa sobre você a acusação de usar armamento pesado e liderado um ataque, que ocasionou mortes...
— Perdão por interrompe-lo, juiz, mas eu posso dar a minha explicação. — Disse Elisabeth.
— Ih! Começou a enrolação. — Delayoh falou com uma expressão de tédio.
Elisabeth respirou fundo e continuou:
— Como eu ia dizendo, o ataque foi planejado para que os alemães se rendessem e a guerra terminar. Por isso, eu e Stanley, nos esforçamos ao máximo nesse ataque. Só não esperávamos que desse tão errado.
A fala de Elisabeth fez Delayoh se levantar, de forma repentina.
— Ah! Você esperava o que, Elisabeth? Que jogando toneladas de mísseis em cima de Dresden, tudo iria se resolver? Que ninguém iria morrer ou se ferir? Se estava pensando isso, errou. — Delayoh mostrou as fotos de Dresden em ruínas e de corpos das vítimas. — Essas fotos aqui, são a prova de um ataque, que era para ser benéfico, se transformou em algo mortal para os meus alemães.
— Não tente virar o jogo, Delayoh. Nós sabemos bem que você provocou mais mortes, do que esse ataque, por isso está sendo julgada.
— Não ouse falar assim comigo, Elisabeth...
— ORDEM! — Dizia o juiz enquanto batia o martelo. — Vamos prosseguir o julgamento sem turbulências. Delayoh, retorne ao seu lugar. Elisabeth, você participou ativamente do ataque a Dresden, sua pena será ficar reclusa por dez anos.
Elisabeth se assustou, Anfitrite chorou apoiada no ombro de Poseidon, que a consolava. Próximo julgamento, Sarah.
— Sarah Wronskiano, semideusa da União Soviética. Seu caso é bem curioso. No início da guerra, você se absteve do conflito, de repente, luta ao lado dos aliados. Queira explicar?
— Antes da guerra se iniciar, firmei um acordo com Delayoh, um pacto de não agressão, nesse acordo também estava previsto a divisão da Polônia, entre a Alemanha e a União Soviética. Quando a guerra se iniciou, respeitei o acordo e fiquei neutra. — Repentinamente, Sarah mudou a expressão e virou-se para Delayoh. — Mas a deusa da Alemanha, Delayoh Alexandra, quebrou esse acordo, mandando o exército alemão invadir o meu país. Graças a competência do meu exército e do inverno rigoroso, não fomos dominados.
— Já disse que não pedi para o exército alemão invadir a União Soviética, eles fizeram isso sem o meu consentimento. — Disse Delayoh.
— Eu não acredito em você, está dizendo isso porque o seu exército foi derrotado. Falaria isso se eles tivessem conseguido conquistar a União Soviética? Não precisa responder, eu digo. Você iria falar que era necessário, pois, temos o socialismo como sistema de governo e os alemães invadiram para acabar com o governo soviético. Além de termos cidadãos judeus. És uma fingida, Delayoh Alexandra. Fizeste campos de concentração para “abrigar” prisioneiros judeus em péssimas condições de vida, para no final, os eliminar. Fiquei chocada com o que vi.
— Ficou chocada? Você? Ora Sarah, deixe de ser hipócrita. — Delayoh deu uma risada, se levantou e andava pelo tribunal. — Ninguém aqui sabe, mas a semideusa chocada mantém campos de concentração na Sibéria. Campos de trabalhos forçados para aqueles que não concordavam com o governo soviético.
— Isso não é verdade, você está tentando me incriminar, Delayoh. — Disse Sarah com nervosismo.
— Não é verdade? Então o que significa isso? Aposto que ainda estão funcionando.
Delayoh mostrou as fotos dos campos de concentração na Sibéria. Todos ficaram pasmos com as fotos, principalmente Raicca, que não sabia de nada.
— Como pôde fazer isso com os nossos russos, Sarah? — Perguntou Raicca.
— Eles não queriam obedecer às regras do governo, eram contrários, poderiam arranjar problemas. — Sarah tentou se explicar, mas Raicca não aceitou, ficou profundamente chateada com a filha.
Sarah se virou para Delayoh e perguntou com todo o seu nervosismo:
— Você tirou aquelas fotos?
— Tirei. — Respondeu Delayoh com todo o cinismo e um pequeno sorriso nos lábios.
Sarah queria estrangular a deusa alemã, mas o juiz a impediu quando anunciou a sua sentença.
— Sarah Wronskiano, já sabendo de sua participação indireta ao ataque a Dresden e por manter em segredo campos de concentração, eu te sentencio a ficar quinze anos reclusa.
— A Delayoh também manteve campos em segredo, não é justo eu ser condenada só por isso. — Protestou Sarah.
— Sarah, fique quieta! — Raicca falou com rigidez. — Quinze anos está de bom tamanho para o que você fez. Então, aceite sua pena e fique quieta.
Sarah obedeceu à mãe, aceitou a sentença e se sentou no seu lugar. Próximo julgamento seria o de Nihon, mas como duas cidades suas foram atacadas e destruídas, não consideraram como necessário ele ser julgado, o que deixou Héstia aliviada. Então, sendo assim, o próximo julgamento foi de Ivana.
— Ivana Cecília Olimpiano Agnelli, deusa da Itália. A invasão de países do mediterrâneo, o cárcere de deuses e o aumento de seu exército, são os seus crimes a serem julgados. Apresente a sua defesa. — Disse o juiz.
— Depois da primeira guerra eu não queria saber de guerras, porém, a Itália estava em crise econômica e sem as terras que a deusa da Inglaterra, Elisabeth Angélica, havia prometido. Quando outra guerra começou e seria contra os ingleses, eu quis entrar para me vingar da deusa inglesa. — Ivana respirou fundo e continuou. — Mas um evento me fez mudar de ideia. A deusa da Alemanha, Delayoh Alexandra, pediu para os soldados alemães para atacar os meus soldados italianos, que acabaram mortos. Estava triste e cansada, por isso, quando Stanley, Sarah e Elisabeth chegaram na Itália, eu me entreguei. Eu queria pedir desculpas para a Têmis, por ter prendido a filha dela, Helena e para os outros deuses que foram os meus reféns.
— Ah! Que meigo. Está pedindo desculpas. Mas quando invadiu, você bem que gostou, não é, Ivana? — Perguntou Delayoh, ironicamente.
Ivana olhou para a prima e disse:
— Eu estava sendo movida pela raiva, não tinha noção do que estava fazendo. Mas eu pelo menos, me arrependi do que fiz. Já você, Delayoh, não se arrependeu do fez.
— Pelo menos não fui traíra como você, porque é isso que você é Ivana, uma traíra. Me deixou na primeira guerra e fez o mesmo na segunda. — Delayoh ficou de pé e se apoiou na mesa. — Traíra!
— Não fale assim com a minha filha, Delayoh. Pelo menos, ela não é uma assassina como você. — Esbravejou Demeter.
— Não ouse chamar a Delayoh de assassina, Demeter. — Disse Hera.
— Você é cega ou não quer enxergar a realidade, Hera?
Hera preparava um revide, mas o juiz interrompeu para dar a sentença de Ivana.
— Ivana Cecília Olimpiano Agnelli, por seus crimes, eu a sentencio a cumprir vinte anos de reclusão.
Ivana respirou fundo e aceitou a sua sentença. Demeter ficou triste, mas sua filha cometeu erros e tinha que pagar por eles. Próximo a ser julgado, Stanley.
— Stanley La Vouir Olimpiano, deus dos Estados Unidos. Para um deus que não queria se envolver com a guerra, você se envolveu bastante. Mas irei falar os motivos pelos quais está sendo julgado. Participou ativamente do ataque à Dresden e ordenou que duas bombas atômicas atingissem as cidades de Hiroshima e Nagasaki, ambas no Japão, matando várias pessoas inocentes e destruindo cidades. — Disse o juiz.
— Eu não queria me envolver na guerra, por um simples motivo. Até o hoje, sou apaixonado pela deusa da Alemanha, Delayoh Alexandra e não queria entrar em conflito com ela, muito menos machuca-la. Mas o deus do Japão, Nihon Lansou, atacou um dos portos de meu país, inutilizando os navios e matando os meus americanos. Depois disso, eu entrei na guerra, para que o terror não se espalhasse. — Stanley respirou fundo. — Eu não queria entrar em conflito com a Delayoh, mas foi necessário, ela ia invadir o meu país e fazer o mesmo que fez na Europa. Por isso tive que a certar com o raio. Não queria, mas tinha que ser feito.
— Não queria? Não queria? Me ama? O que é isso aqui, Stanley? — Delayoh mostrou a marca de raio. — Não queria, mas me acertou com o raio, diz que me ama, mas me machuca. Não acredito no seu amor, toda vez que essa queimadura arde ou dói, eu me lembro que foi você que fez isso comigo.
— Você não sabe o quanto doeu para o meu coração, te acertar com aquele raio, Delayoh. Eu chorei, sofri por você, mas eu não podia arriscar ver você invadindo o meu país, implantando o terror e tirando a liberdade do meu povo. Eu te amei, e continuo te amando, mesmo depois de descobrir a deusa má, cruel e perversa que você se tornou.
— Stanley, vai com calma. — Disse Zeus.
— Não, Zeus, deixa ele colocar tudo para fora. Delayoh merece ouvir umas boas verdades. — Disse Métis.
— Não sabe como meu coração ficou dilacerado ao ver aquele campo de concentração, Delayoh. Estava vendo ali que, a Alexandra que eu tanto amei, não existia mais. Por sua causa, eu fiz o que não era certo.
— Não sabes o que passei, não tens o direito de me julgar. — Disse Delayoh. — Aliás, não tenho culpa se você ficou depressivo por ter me atingido com o raio e muito menos te fiz jogar as bombas em cima do Japão. Então, não coloque a culpa em mim.
— Bem lembrado, este é o outro motivo para estar sendo julgado, Stanley. — Disse o juiz.
— Antes de se optar por jogar as bombas em Hiroshima e Nagasaki, havia uma ideia de jogar essa bomba em Berlim, para que a guerra fosse encerrada. — Stanley respirou fundo. — Eu era contra e por sorte, a bomba demorou para ficar pronta e quando ficou pronta, a Alemanha havia se rendido.
— Was? — Delayoh se levantou, espantada. Ela andou na direção e parou, quando alguns fios negros, caíram sobre os olhos. — Você vive dizendo que ama, mas estou descobrindo que isso é uma grande mentira. Além de me acertar com o raio, você ia pedir aos teus soldados, para jogar uma bomba atômica em Berlim. Iria ferir os meus alemães, destruiria a capital de meu país.
Stanley se aproximou de Delayoh e tentou segurar na mão dela, mas a deusa alemã a afastou.
— Não ouviu, Delayoh? Eu fui contra e acabou que não aconteceu. Fui contra, por amor a você. Jamais faria algo contra você, sua nação e seus alemães. Pois, eu te...
— PARE DE DIZER ESSA FRASE! — Gritou Delayoh. — Apenas pare de dizer, pois, eu não acredito mais nela. Se havia uma ideia, ela seria executada. Então, Stanley, termine de fazer sua defesa, se é que existe uma, e me esqueça.
Stanley ficou sentido com as palavras de Delayoh, se voltou para o juiz e continuou:
— Quando pedi para os americanos jogarem as bombas em cima de Hiroshima e Nagasaki, eu estava fazendo de tudo para que Nihon se rendesse, mesmo que fosse a força, pensava que estava certo. Mas ao visitar as duas cidades, percebi que errei. As bombas mataram inocentes, seja pela radiação ou vaporizadas. Outras afetadas por doenças, pude perceber que ao fazer esses ataques, eu acabei matando inocentes, que não tinham nada a ver com a guerra. Minha tia Héstia, me falou que se eu e os americanos comemorássemos o fim da guerra, estaríamos comemorando uma tragédia e agora, percebo que o ela disse era verdade. Por tanto, senhor juiz, pode anunciar a minha sentença e eu aceitarei, para pagar pelos meus erros.
Zeus e Métis estavam orgulhosos do filho, mesmo que ele seja preso, teve a coragem de assumir os seus erros. Héstia se emocionou um pouco com fala de Stanley e começava a pensar em perdoar o sobrinho.
— Muito bem, se é assim que deseja. Stanley La Vouir Olimpiano, te condeno a trinta anos de reclusão. — Anunciou o juiz.
Stanley aceitou a sua sentença, ele se virou e viu os pais com os olhos em lágrimas e com um sorriso de orgulho. Finalmente, chegou o julgamento mais esperado, o de Delayoh.
— Delayoh Alexandra Venandre, deusa da Alemanha, nos encontramos outra vez. Vou começar a listar os seus crimes. — Começou o juiz. — Quebra do tratado de Versalhes, aumento não autorizado do exército, invasão de países, cárcere de deuses e para fechar, algo que nunca imaginei anunciar, perseguição e morte de seis milhões de judeus, além das mortes de outros grupos. A sua situação é bem complicada, Delayoh, mais até do que da primeira. Você se arrepende dos seus crimes?
— Nossa, seis milhões? — Delayoh se espantou e riu. — Minha estratégia quase deu certo. Não quero ser indelicada com senhor, mas fizeste uma pergunta nada inteligente, na qual a resposta é simples: Não.
— Como assim, não?
— Eu sou uma deusa da morte, senhor juiz, esperava o que de mim?
— Que se arrependesse dos seus crimes, afinal, você tirou a vida de inocentes.
— Me arrepender? Há! Nunca! Os guetos, os campos de concentração, as câmaras de gás, crematórios e execuções em ravinas, foram ideias minhas, planejei tudo durante o tempo em que fiquei presa. Nem o Apolo desconfiou. — Delayoh ajeitou os fios soltos e deu um sorrisinho. — Ah! Antes que alguém grite que fui induzida pelo tal führer alemão, quero deixar bem claro que tudo foi idealizado, criado e executado exclusivamente e somente por mim. Jamais fui manipulada por um mortal. Tudo que fiz foi para me vingar dos judeus, eles tentaram me colocar em inércia nos meus quinze anos, por isso eu quis acabar com qualquer judeu na Europa. Já os do gueto de Varsóvia, tentaram me desafiar, me colocar em inércia e acabaram perdendo as suas vidas. Acredite em mim, estou sendo sincera.
Hera estava desesperada, sua filha acabou de se condenar, ela chorava no ombro de Frizioh. Zeus também chorava de tristeza por sua Lilica. Delayoh continuou com seu discurso.
— Tudo que fiz foi planejado, com objetivo certo e executado com precisão. Já o ataque à Dresden foi um desastre completo. Sei que a intenção dos aliados era fazer os alemães se renderem, mas acabaram matando inocentes. Além de destruir uma cidade, uma cidade cultural. Duvido que as mortes e a destruição estavam no planejamento. — Delayoh segurava uma foto e a balançava, enquanto falava. — Ah! Faltou falar das bombas atômicas, que foram jogadas com o consentimento do deus americano. Stanley, havia necessidade de jogar aquelas bombas, em um país cujo o exército estava esgotado, sem ajuda e quase se rendendo? — A pergunta de Delayoh fez Stanley ficar sem reação. — Pelo silêncio, já sei a resposta. Então, senhor juiz, aqueles quatro ali não são bonzinhos como todos pensam, são tão ruins quanto eu.
Jogar a culpa em cima dos aliados. Essa era a última cartada de Delayoh para escapar de uma condenação. Mas o juiz não se deixou enrolar pela deusa alemã e anunciou a sua sentença.
— Estou ciente de tudo que disse e os quatro deuses já foram devidamente condenados. Só falta você. Delayoh Alexandra Venandre, por seus crimes e não arrependimento dos seus atos, eu lhe condeno a tempo indeterminado de reclusão, além de uma punição extra. E não pense que será por pouco tempo, vais demorar para sair da prisão. Além de você e sua mãe, Hera Lili Venandre, aceitarem qualquer condição imposta pelos aliados, como punição à sua nação.
Hera desabou. Elisabeth e Sarah vibraram com a condenação. Francine, Stanley e Zeus se entristeceram. Delayoh se revoltou.
— Isso não é justo. Os judeus tentaram me colocar em inércia duas vezes, e eu sou quem vou presa? Vão me afastar, para que aqueles quatro tomem conta, indevidamente, da minha Alemanha? Podem comemorar, mas dou um aviso. Se vocês fizerem algo contra a minha Alemanha, se preparem, pois, eu irei atrás de vocês. — Disse Delayoh, em tom ameaçador.
— Huuu... que medo! Acorda, Delayoh! Você vai estar presa, como irá atrás de nós? — Disse Elisabeth, enquanto ria.
...
Com o julgamento encerrado, cada pai e mãe, se despediram dos filhos. Elisabeth tentava acalmar Anfritite.
— Mãe, não precisa ficar assim, logo estarei de volta. Dez anos passam rápido. — Elisabeth abraçou a mãe e fez um pedido para Poseidon. — Pai, sei o que senhor está se acertando com a Amimone, mas será que poderia cuidar da mamãe, enquanto eu estou fora? Ah! O Gálio pode tomar conta da Inglaterra. Stela e Iris, não.
— Pode deixar, Beth, farei tudo que me pediu. — Poseidon riu e deu um abraço na filha.
Francine, Stanley, Métis e Zeus estavam abraçados e bem emocionados.
— Bom, é isso. Daqui a trinta anos eu estarei de volta, uma pena que estarei sozinho. — Disse Stanley. — Eu queria falar com a tia Héstia, percebi que ela estava emocionada quando fui julgado.
— A Héstia foi embora, tinha que buscar a Polyana no Hospital. Mas pelo o que pude ver, ela estava disposta a te perdoar. — Disse Zeus.
— Estamos muito orgulhosos de você, filho. Teve a coragem de assumir o seu erro e se dispor para pagar por ele. — Métis disse com os olhos cheios de lágrimas.
— Eu também fiquei orgulhosa. Reconheceu que estava errado. Posso até voltar a falar com você. — Brincou Francine.
Do outro lado do corredor, Demeter e Raicca se despediam de Ivana e Sarah. A deusa italiana lamentou e a mãe lhe consolou. Já a semideusa soviética, recebeu uma reprimenda da deusa russa, mas no final, Raicca esqueceu a raiva que sentia da filha e a abraçou.
O que Hera mais temia aconteceu, Delayoh foi presa novamente. Ela chorava e abraçava a filha, não queria a soltar. Mas teve que soltar. Era hora de os deuses condenados irem para a prisão. Com a imagem dos filhos sendo levados, os pais não conseguiram segurar as lágrimas, mas não se juntaram para chorarem, a raiva ainda dominava a família Olimpiano.
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