A Exterminadora De Youkais
4 Capítulo 4 - Explicações.
Notas iniciais
E um novo dia havia começado. Rin estava entusiasmada. Ela se sentia uma verdadeira guerreira. Sango-chan sempre a elogiava, dizendo que era hábil, que era uma ótima exterminadora. Mas, para Rin, isso nunca havia se concretizado, até agora. Primeiro: Derrotou um youkai na frente de Sesshoumaru-sama sem nem precisar da ajuda dele. Segundo: Um estranho depositara sua confiança nela para vencer uma suposta batalha. A jovem pegou-se imaginando lutando ao lado do dai-youkai Sesshoumaru. Desde pequena tinha esse desejo. Precisava agradecer a ele por ter salvo sua vida. E, finalmente, ela poderia mostrar toda a sua graditão lutando ao lado dele.
“Fantástico!” pensava ela. Sentiu o rosto ficar quente e supôs que as maçãs do seu rosto estavam vermelhas. Aliás, isso estava acontecendo com certa frequência ultimamente. Toda vez que pensava nele, ou que se perdia naqueles olhos dourados, ou que observava a beleza sobrenatural dele ficava vermelha como um tomate.
“ O que está acontecendo comigo?” pensava.
Estava distraída pensando em todas essa coisas, olhando para o horizonte. A exterminadora estava tão perdida em seus pensamentos que não viu quando Noboru se aproximou:
- Quer uma maçã, Rin-chan? — o homem segurava duas maçãs nas mãos e exibia um sorriso simpático.
Rin se assustou por ter sido pega de surpresa:
- Oh, Noboru-sama, que susto! — falou sorridente como quando era criança.
- Você estava distraída... — comentou Noboru.
- É... Mas, preciso de algumas explicações suas. — falou a garota olhando para o fraco youkai.
- Ah, ontem estava tão cansado que não te contei tudo o que sei. Perdoe-me. Deixe-me explicar: Eu morava em um vilarejo um tanto longe daqui. Bem no final do vilarejo havia o castelo de um terrível youkai. Era um lugar sinistro. Youkais fracos como eu não poderiam pensar em se aproximar dos arredores daquele lugar. Isso tudo por causa do forte youki que emanava daquele lugar, tão forte que nos mataria na hora. — ele fez uma pausa, respirou fundo e continuou. — Mesmo sendo tão terrível o dai-youkai nunca fez nada de mal com os humanos da pequena vila. Um dia nós, moradores, sentimos que a forte energia maligna em volta do castelo estava diminuindo. Não demorou muito para uma legião de youkais começarem a entrar no castelo. Nós ficamos amedrontados e começamos a arrumar as coisas para partir o mais rápido possível, mas não deu tempo. Os muitos youkais que haviam entrado no castelo saíram e estavam prontos para nos matar. Eles gritavam: Nosso chefe mandou, vamos obedecer! Vamos acabar com vocês! Então eu corri, corri e acabei chegando aqui e encontrando você. E depois que vi a senhorita lutando com aquele youkai enorme percebi que você poderia derrotar o cretino que começou essa história.
- Ah, então precisamos ir até o vilarejo e acabar com a festa desse youkai.
- Isso mesmo! E precisamos fazer isso antes que... — Noboru não terminou. Dois grandes youkais se puseram na frente de Rin e de Noboru. A garota lembrou que o homem ao seu lado não poderia lutar, pois tinha perdido parte de seus poderes numa batalha e ainda por cima estava ferido.
Ela, então, para proteger Noboru colocou-se na frente dele em uma pose heroica. Certificou-se de que estava com sua espada na bainha e que tinha uma corda em seu bolso. Eram as únicas armas que tinha na hora. Suas porções, sua máscara de proteção para youki e sua pequena foice haviam ficado um pouco afastado, no lugar onde estava dormindo. Os youkais fediam a podre e de suas bocas saiam vespas venenosas. Eles eram muito parecidos, Rin concluiu que eram irmãos. A diferença estava na tonalidade de pele dos dois: um era azul escuro enquanto o outro era azul claro.
-Olha, irmão, uma humana fraca e desprezível acha que pode nos vencer. — falou o azul escuro enquanto o azul claro ria como um mentecapto.
- Vamos acabar com ela em dois tempos... — falou o azul mais claro.
Aquilo fez o sangue de Rin fervilhar. Foi o impulso que ela estava precisando para lutar bem, mesmo sem todas as suas armas. Ela apenas pronunciou três palavras com absurda convicção:
- Não me subestimem! — e partiu para o ataque.
Rin podia não ser uma youkai, mas tinha habilidades tão boas quanto as de alguns. Isso era o que Noboru pensava, porque a garota estava bem mais confiante do que na primeira vez que ele a vira lutar. A jovem golpeava e se defendia numa velocidade incrível. Isso os youkais de cor azul não esperavam. “Preciso de um plano de ataque e rápido. Preciso me livrar desses dois logo! Antes que minha energia acabe.” Pensava Rin. O problema é que ela não podia simplesmente dar as costa para um e ir lutar com outro. Isso era suicídio. Ela tentou algo arriscado. Lembrou da noite anterior quando tinha prendido as pernas do youkai. Faria isso agora e ao mesmo tempo lançaria a espada no outro youkai. Isso poderia imobilizar os dois ao mesmo tempo. Tudo dependeria da sua agilidade e da sua pontaria. Apesar de tudo isso, Rin tinha vantagem, pois os youkais eram grandes e pesados e consequentemente muito vagarosos. Ela correu para trás do azul claro, seria nesse que acertaria a espada. Escondida atrás do demônio o outro youkai, desprovido de qualquer inteligência, ficou procurando a humana. Isso foi a deixa. Rin correu e deu um nó nas pernas do youkai. Puxou com força, muito mais força que precisou usar com o youkai da noite anterior, pois esse era muito mais pesado. Mesmo assim, conseguiu derrubar a besta. Com uma mão segurando a corda, a outra lançou a espada que apesar de não ter atingido o coração do youkai azul claro atingiu uma das pernas dele deixando-o imóvel. Não podia soltar a corda, pois o outro youkai poderia se livrar dela facilmente. Porém, precisava terminar o serviço e matar o youkai cuja a perna sangrava. Nesse meio intervalo de tempo, o youkai amarrado se levantou e abriu sua boca lançando suas vespas venenosas. Rin percebeu tarde demais. Se abaixou, mas duas vespas ainda pegaram no seu braço. E o pior: era o seu braço machucado. Sentiu o braço arder, quis gritar, mas não o fez. Quem gritou foi Noboru:
- Rin-chan! — falou ele se levantando para ajudá-la.
-Noboru-sama, fique aí! Não quero que se machuque.
Noboru não se mexeu. Teve medo da expressão estampada no rosto da garota. Os cabelos caiam na rosto e seus olhos eram firmes. Seu braço sangrava, mas ela não demonstrava sentir dor. Ele correu floresta adentro deixando a exterminadora sozinha.
Um pouco mais afastado dali o dai-youkai, Sesshoumaru, aguentava seu servo Jakén tagarelar:
- Sesshoumaru-sama! O senhor vai permitir que aquele sem-teto fique conosco? Ou pior, vai ajudar ele e aquela pirralha com o essa história absurda? Não, Sesshoumaru-sama não é digno de...
-Jakén, cale-se! — falou o mestre do youkai verde com a mesma frieza de sempre.
Sesshoumaru parou de repente e sentiu o cheiro que pairava no ar. Com certeza, aquele era o único cheiro humano que lhe era agradável. Era o cheiro de Rin... E não só o cheiro dela. Havia sangue e youkais. Sesshomaru voou na direção do cheiro. “Rin, aguente firme, estou chegando.” Pensava.
Rin não teve escolha. Puxou novamente a corda e o youkai caiu. Correu imediatamente ao local onde estava o outro. Puxou a espada e se aproximou do peito da fera. Estava começando a colocar a espada para seu golpe mortal quando viu a enorme sombra no chão se erguendo sobre ela. “Droga!” Pensou. Por mais de uma vez desejou que ELE estivesse ali e a salvasse. Fechou os olhos pronta para morrer mais uma vez. Foi aí que uma luz verde encheu o local. “Bakusaiga... Sesshoumaru-sama!” Pensou a jovem. Terminou seu serviço matando o segundo youkai. “Ele me salvou mais uma vez.” A garota estava alegre e frustrada ao mesmo tempo, pois não conseguiu dá conta de dois youkais. Se não conseguiu cuidar desses imagina do líder? Mas, não era isso que preocupava mais a jovem: seu braço ardia. Se aquelas vespas fossem as mesmas que picaram o Jakén-sama uma vez ( as terríveis vespas do Naraku) Rin poderia não resistir.
- Rin, tudo bem? — aquela voz grossa a trouxe de volta a realidade.
Ele correu para perto da moça e se ajoelhou ao lado dela.
- Sesshoumaru-sama, meu braço... — a exterminadora não conseguiu terminar. Desmaiou logo em seguida.
Sesshoumaru a tomou em seus braços. Carregou a jovem Rin e colocou ela perto de uma árvore onde havia sombra. Olhou para o braço ferido de Rin. Uma onda de preocupação invadiu sua mente. Ele não tinha mais a Tenseiga. Se aquelas vespas fossem tão poderosas quanto as do Naraku a menina não teria muitas horas. Estava pronto para ir atrás de uma erva que ajudasse a menina. Deixaria Jakén observando-a. Antes que pudesse sair ouviu:
- Sesshoumaru, espere! Eu tenho algo que pode anular o veneno. — era Noboru.
O poderoso youkai olhou com frieza para o fraco youkai ao seu lado. Segurava um pote com uma bebida dentro. Também havia umas ervas em suas mãos. Mas, como Noboru sabia que Rin estava ferida? Sesshoumaru não havia visto o youkai quando chegou para salvá-la.
- Quando vi que Rin-chan estava ferida corri para buscar essas ervas. No vilarejo em que eu morava era comum as pessoas se machurem por causa dessas vespas. Não se preocupe, ela não morrerá. — falou Noboru esclarecendo a dúvida de Sesshoumaru. — Em algumas horas ela estará acordada.
Noboru abriu delicadamente a boca de Rin e colocou a bebida. Depois enfaixou o braço de Rin com um pedaço de pano que ele arrancou de sua camisa. Dentro desse “torniquete” havia as mesmas ervas que ele colocou na bebida. Depois disso ele pediu licença a Sesshoumaru e se retirou. O majestoso príncipe olhava para a pálida menina. Desejou que ela abrisse os olhos agora, sem mais demora. Ele odiava ver sua garota assim. Mas, não aconteceu nada disso. Passaram-se longas horas e Sesshoumaru continuava imóvel, ao lado dela. Já era tarde quando a menina decidiu abrir os olhos. A primeira coisa que ela disse foi:
- Sesshoumaru-sama?
Ele pôs a mão em seu rosto, igual quando ela morreu no inferno e sua mãe a trouxe de volta a vida. A garota se sentou com difculdade, falou:
-Sesshoumaru-sama, obrigada por me proteger! — ele não respondeu, mas passou o braço pelo ombro da garota e a abraçou com força.
- Rin, por favor, tente não morrer! — falou em um sussurro, mas o tom de sua voz era de súplica.
Rin ficou perdida em meio aquele abraço. Em meio aquele “por favor”. O que estava acontecendo? Por que seu coração batia tão rápido? Ele soltou o abraço e olhou fixamente para ela. Mais uma vez, Rin se sentiu perdida em meio aqueles olhos dourados. Eles estavam próximos, um sentia a respiração do outro. O lord Sesshoumaru não pensava em nada, só como aquela humana era especial para ele. A magia daquele momento não durou por muito tempo.
- Rin-chan, que bom que acordou! Trouxe comida para você! — era Noboru – Hum, eu estou interrompendo?
Rin saiu de perto do príncipe com um salto.
-Ah, N-N-Noboru-sama, imagina! Obrigada pelos alimentos.
- Ah, tudo que eu fizer será pouco pelo que a senhorita fez por mim hoje. Você foi fantástica Rin-chan!
- Obrigada, Noboru-sama! Mas, não precisa ficar me agradecendo. Fiz o que pude. Aliás, nós precisamos ir rápido até aquele vilarejo.
- Prevejo que muitos youkais procurarão a senhorita.
- Nós iremos ao vilarejo, mas não hoje. Rin, descanse por enquanto. — a voz de Sesshoumaru soou forte e imponente. — Amanhã irei até a caverna de Toutosai, ele precisa afiar a lâmina da Bakusaiga e da sua espada.
- Obrigada, Sesshoumaru-sama!
O dai-youkai nada disse e o silêncio reinou naquele fim de tarde. Não por muito tempo, já que o pequeno youkai verde chegou esbaforido no lugar onde todos estavam.
- Sesshoumaru-sama, finalmente te encontrei! O senhor saiu tão rápido de lá que... — a inconfundível voz sibilante do youkai estava cansada e sua respiração estava ofegante.
- Jakén, cale-se! — foi a ordem proferida por seu lord.
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