A Exterminadora De Vampiros
12 Para-raio problema
Notas iniciais
PS: A PERSONAGEM VICTORIA É UMA DAS LEITORAS QUE RECOMENDARAM A FIC *----* OBG DE NOVO.
ENFIM, BOA LEITURA. ESPERO QUE GOSTEM
Agora é oficial, tenho doenças mentais. Estou discutindo e as vezes até dando broncas em mim mesma, e isso com certeza é coisa de gente louca. Esse segredo está me matando! Já imaginei tudo que é coisa! Algumas não tão agradáveis, outras piores ainda. Mas acho que se tem a ver comigo, tenho todo o direito de saber. Uma parte de mim quer dar um tempo a Edward até que esteja pronto para contar, mas outra, admito que a maior parte, quer torcer, torcer e torcer seu pescoço com toda a força, até me confessar o que aconteceu.
Caramba, Edward está me enlouquecendo por completo! Ele já mexia comigo antes, admito, mas agora tudo simplesmente explodiu. E claro, o grande culpado foi o beijo. Aquele maldito beijo. Se ele acha que ficou surpreso quando o empurrei, é porque não reparou direito em mim quando me agarrou daquele jeito. Nunca havia imaginado que ele faria aquilo. E para ser sincera, foi incrível. Me sinto besta dizendo isso, mas foi. E o mais estranho é que eu quero mais. Mesmo ele me tirando do sério, eu ainda quero mais. Não acho que seja só desejo, bom, talvez seja, ainda não sei, mas...no fundo, sinto que tem algo a mais sabe? Algo forte. Mas ainda estou confusa. E se for só atração? Ah senhor, e se realmente for algo a mais?! O que eu faço?! Merda, nunca me senti tão...na merda. Bufei. É muita coisa para pensar em uma noite só. Beijos, Edward,assassino,Edward,morte,Edward,exterminio,Edward,segredo,Edward,irmã,marca,Edward,força sobrenatural, olhos azuis...Que mais? Ah! Edward. É, eu preciso de uma bebida.
A lancha finalmente se encostou ao píer e em poucos minutos poderíamos desembarcar. Meus pensamentos doentios foram completamente ofuscados pela beleza do local. Por mais que estivesse sendo usado para uma festa, me lembrava o estilo de construções antigas e posses da família real britânica. Quer dizer...Quem dá uma festa em um lugar desses? Os Cullens são ricos mesmo. Até que minha irmã se deu bem, aposto que agora ela tem uma mansão para cada par de sapatos.
-Bella?- ouvi. Eu sabia muito bem a quem essa voz pertencia, e não, eu não queria responder — Ótimo, você está me ignorando — suspirou — Já vamos descer, só preciso arrumar isso aqui e...droga! — falou soltando um grunhido estranho logo em seguida.
Virei-me e o encontrei lutando contra a gravata. Não é possível. Estava tão concentrado que parecia prestes a desarmar uma bomba, até que a paciência dele resolveu dar uma volta, fazendo-o encarar o tecido como se quisesse desintegrá-lo com a força do pensamento. Rolei os olhos. Porque homens são tão tapados quando o assunto é nó de gravata?
- Deixe que eu faço. — falei indo até ele. Edward me olhou um pouco surpreso, com uma cara de "Vai mesmo me ajudar ou arrancar meu pescoço com isso aqui?". Rapidamente desfiz o ninho que ele estava fazendo, começando a ajeitar do jeito certo.
-Pensei que estivesse furiosa comigo. — podia sentir o peso de seu olhar sobre mim, mas mantive meu foco na gravata.
- Ainda estou. — falei tentando evitar qualquer deslize. Para todos os efeitos, eu ainda estava brava.
O silêncio chegava a doer. Ele estava tão desconfortável quanto eu, o clima que ficou entre nós não era lá um dos melhores.
- Você é boa nisso. — comentou. Finalmente ele disse algo! O clima estava tão estranho que estava quase começando a gritar.
- Costumava ajudar meu pai. — expliquei casualmente — Parece que todo homem tem problemas com isso. Até mesmo os imortais. — falei terminando e dando um tapinha em seu peito.
- Hei...- falou me segurando. Minha vontade era de sair andando, mas Edward me chamou com tanta necessidade que permaneci parada. — Eu sei que deve estar se sentido confusa, mas...esse clima estranho está me dando vontade de arrancar os cabelos. — Edward suspirou com força — Eu sei que isso está corroendo tanto a mim quanto a você. E não é de hoje, e sim desde o momento em que comentei. Então por favor Bella, esqueça esse segredo. Pelo menos por enquanto. — implorou. O encarei.
- Você está brincando não é? — a ideia não parecia tão absurda em minha cabeça, mas ao ouvir em voz alta, pareceu a coisa mais ridícula que já pensei.
- Eu só...- tentou, mas o cortei rapidamente.
- A ultima coisa que vou conseguir fazer é esquecer esse maldito segredo Edward. — falei irritada — Até quando vamos continuar com isso? Parece que faz só para me provocar. Se não pretendia me contar desde o inicio, porque tocou no assunto?
-É complicado Isabella! Eu só queria começar as coisas do jeito certo! Não queria ser um cafajeste! — falou exasperado.
- Estranho, porque tudo que fez até agora foi fugir do assunto, se fazer de vitima e mudar de humor a cada cinco segundos. Porque não para com isso, corre atrás do que quer e assume as consequências? Aja como um adulto Edward! E não como uma vadia mimada! — falei bem mais do que pretendia, mas mal pude controlar minha boca nervosa. A expressão de Edward era ilegível. Ele permaneceu em silencio por vários minutos, parecia estar ponderando minhas palavras, tentando ver se elas possuíam algum nexo. Seu semblante estava pensativo, parecia estar em uma reunião consigo mesmo.
- Tudo bem — disse por fim — Quer saber? Eu já cansei. Se é isso que quer, vou assumir as consequências. Só esqueça a parte da vadia mimada ok? — falou dando um sorriso casto — Mas ainda assim preciso de tempo. — completou.
- E porque ainda preciso te dar algum tempo? — perguntei.
- Porque as consequências vão nos atingir feito um caminhão desgovernado. — falou como se fosse óbvio. Só faltou acrescentar um " sua burra" no final da frase — E ainda não me acostumei com essa ideia. Aceitei mas ainda não me acostumei totalmente.
- Espera...Eu e você? Nos atingir? — ele concordou — E porque?
- Porque você tem razão. Preciso parar de agir como uma vad...uma criança. — corrigiu — Continuar do jeito que está não vai levar a nada. A partir de agora, vou correr atrás do que quero. — falou, e mais uma vez senti seu olhar chegar até minha alma. Porque ele estava me olhando assim?
- E...o que isso tem a ver conosco? — perguntei já sentindo minha voz falhar pela aproximação.
- Você. Você é o que eu quero Isabella. — falou agarrando meu rosto entre as mãos. Eu simplesmente parei de respirar. Ta aí outra coisa que eu não esperava. — É tão difícil assim de perceber? — perguntou ao provavelmente notar como eu continuava petrificada.
Estava tão chocada que até meus pensamentos se calaram. Não havia nem mesmo barulhos de grilos.
- O...o que? — gaguejei assim que consegui encontrar minha voz. Jura? Esse é o máximo que consegue fazer?
- Não menti quando disse que estava me deixando louco. Deus, mal consigo me controlar agora. Há dias estou tentando evitar, mas não consigo mais prolongar. Eu quero que seja minha. — meu coração disparou loucamente em meu peito. Ele franziu a testa, parecendo se lembrar de algo ruim — Eu morri mil mortes aquela noite Bella. Quando te vi sangrando...foi como se houvessem me dado um soco. Só ali percebi o quanto precisava de você. — seu rosto tomou um ar agoniado — Quando me disse que ainda pensa em ir embora...Já estava tão acostumado em ter você por perto, que nem pensei nessa hipótese. Ali eu vi que precisava fazer algo. Então...beijei você. — sorriu torto, e por um momento pensei que fosse derreter — Bom...queria fazer isso há muito tempo, desde a noite em que dormiu aninhada a mim. Aquele parecia ser o seu lugar sabe? Eu queria que fosse — falou roçando os dedos em minha bochecha — Eu sei que tudo isso parece loucura, mas define bem a gente não é? — ele me olhava com expectativa, esperando que eu dissesse algo, mas as palavras simplesmente sufocaram em minha garganta! — Diz que também sente isso. Diz que está disposta a tentar. — continuei quieta. A cada segundo que eu passava imitando uma estátua, seu olhar esperançoso perdia o brilho. Porra Isabella! Se mexe!
Eu estava travada. Não fazia ideia do que responder. Eu não tinha uma resposta concreta, só um emaranhado de pensamentos. O que antes era um olhar repleto de expectativa, se encheu com decepção. Aquilo me deixou incomodada, eu não queria que ele me olhasse assim. Suas mãos caíram ao lado de seu corpo, derrotado, ele baixou o rosto e saiu andando, e isso era tudo que eu precisava para meu corpo acordar. Quando percebi o que estava fazendo, já era tarde demais.
-Edward! — gritei.
O mesmo se virou a tempo de me segurar quando me joguei em seus braços. Não o deixei nem ao mesmo me perguntar o que eu estava fazendo, ele também não pareceu muito interessado em perguntar, só agarrei seus cabelos e o puxei para mim. Sua boca explorava a minha com avidez, transpondo para o beijo tudo aquilo que havia acabado de me dizer. Não sei a quem estou tentando enganar, eu também sinto algo por ele. Só não sei se esse "algo" é o suficiente para me fazer tomar uma escolha definitiva.
- O que foi isso? — perguntou sorrindo feito um besta assim que nos afastamos. É difícil não se juntar a sua alegria. Quase que involuntariamente, sorrio.
- Ahh...não sei. Acho que eu, te concedendo o tempo necessário. — expliquei meio sem jeito. Nunca havia agarrado alguém antes.
Seu sorriso se ampliou ainda mais, se é que era possível.
- Sabe...acho que vou precisar de um pouco mais de tempo Bella. — falou travesso, voltando a colar os lábios nos meus. Caramba, parecemos dois viciados. Agora que começamos, não vamos mais parar? Não que eu esteja reclamando... — Isso é um sim? Para as duas coisas? — perguntou esperançoso.
Eu não queria negar, porque não era totalmente verdade. Mas também não sei se quero dizer sim.
-Me entenderia se eu também pedisse um tempo? — perguntei.
- Não sente nada por mim não é? — seu olhar se tornou tristonho.
- Edward...- suspirei. Porque ele sempre pensa o pior?
-Só peço que me responda com sinceridade. Olhe para mim e diz que não sente nada.
Fitei seus olhos topázio e me perdi em sua imensidão. É fácil esquecer de tudo e ficar só olhando para ele. Pela primeira vez eu estava perdida e não queria me encontrar.
- Não posso dizer isso Edward. — revelei. É melhor eu falar logo antes que eu me arrependa de ter ficado calada - Eu só...eu ainda não sei o que quero para ir atrás e assumir as consequências. — expliquei — Isso tudo é incrivelmente novo para mim. E isso com certeza é loucura. Eu e você. Não sei se estou disposta a esquecer quem eu era e começar a viver de um jeito diferente, ou até mesmo a tentar. Eu também preciso de um tempo. — ele pareceu entender. Se me dissessem há três semanas atrás que eu estaria me abrindo emocionalmente para um vampiro, acho que teria um ataque de risos.
Edward respirou fundo, mas por fim concordou.
- Ok, eu te dou o tempo que precisar.
- Ótimo, porq... — seus lábios me calaram novamente. Acho que nunca vou me cansar — O que foi isso? — perguntei rindo.
-Eu. Te concedendo o tempo necessário. — sorriu me lançando uma piscadela. Edward olhou por cima de meus ombros — Já podemos descer. Pronta? Eu com certeza estou — falou exibindo sua gravata bem arrumada.
Revirei os olhos. Enlacei meu braço no de Edward como resposta e caminhamos até a porta tentando evitar os fotógrafos, que mais pareciam um bando de abutres, lutando entre si para conseguir um pedaço de Edward, enquanto eu podia ter todos os pedaços que quisesse e ainda estava indecisa. Acho que no fundo é medo. Ou insegurança. Quer dizer, vale mesmo a pena desperdiçar o resto da minha vida com essa vingança? Tudo que eu sempre fiz foi matar, talvez eu deva começar a viver. Sentir isso por Edward me faz questionar todas as decisões que já tomei.
Assim que entramos, um senhor bem vestido e muito simpático parou para conversar com Edward enquanto eu olhava para os quadros, lindos por sinal, que emolduravam as paredes.
- Se posicionem ali ok? — pediu o homem apontando para um banner branco — Me deem um tempinho para arrumar os equipamentos. — assentimos e caminhamos para o local.
- Ele te pediu um tempo Edward. Está esperando o que para beijá-lo? — perguntei mexendo as sobrancelhas sugestivamente.
Edward fez uma careta tão engraçada que precisei conter o riso para que não resultasse em uma gargalhada. Hoje eu realmente não quero chamar atenção.
- Acho que só vou querer a foto mesmo. — garantiu ainda atordoado com a ideia.
Foto? Voltei meus olhos ao senhor e ele estava, pacientemente, arrumando a lente de sua câmera. Não sei como não reparei nisso, a maquina parecia um transformer.
- Achei que estávamos fugindo dos fotógrafos. — sussurrei em seu ouvido. Edward se virou tão rápido para me encarar que quase nos beijamos novamente. Meus lábios instantaneamente se entreabriram, implorando por contato. Se o homem não tivesse tirado uma foto nossa, me assustando com o flash, eu não teria me segurado. Os sintomas da doença Cullen só pioram.
- Se você parar de me distrair senhorita Swan, talvez eu te responda. — falou mordendo o lábio. Engasguei. Mordendo o lábio! Puta que pariu! Ele fica tão...tão sexy mordendo o lábio! Deus, pare de ser uma tarada Isabella!
- Bella, ouviu algo do que eu disse? — perguntou abanando as mãos em frente a meus olhos. Pisquei atônita.
- Ahh...não, me desculpa, eu me distrai com sua boca...roupa! Roupa, eu disse roupa — concertei corando. Mas que merda! Ele me olhou desconfiado. — Pode repetir? — pedi. Por favor, antes que eu morra de vergonha.
-Eu só disse que esse fotógrafo foi contratado. Todos os convidados tiram uma foto aqui para o álbum da festa. — ele deu de ombros — Esme gosta de recordações. E só uma dica, sorria se não ela te mata.
Deus me livre sentir a fúria de Esme. Dei meu melhor sorriso para a câmera. Mais um flash disparou, tampando momentaneamente minha visão com um circulo preto.
- Perfeito! — exclamou o homem olhando a foto, claramente satisfeito com o resultado — Aproveitem a festa meus jovens.
- Obrigado. — dissemos em uníssono.
Entramos no salão de onde vinha a musica alta e o falatório incessante de milhares de pessoas. A decoração estava espetacular, tive de me concentrar para não ficar olhando para todos os lados com cara de tonta. O lugar estava cheio. Todas as mesas espalhadas pelo salão estavam lotadas, e ainda assim, haviam varias pessoas circulando e conversando uma com as outras. E a maioria era humana. Não notei mais do que vinte vampiros. De olhos dourados é claro.
- Você veio! — gritou Alice me agarrando em um abraço, estava tão distraída que quase a golpeei achando que era um ataque surpresa. Para a minha sorte, ela não percebeu — Não acredito que conseguiu trazê-la — falou olhando embasbacada para Edward.
- Eu disse que conseguiria. — falou a Alice enquanto dava um sorriso convencido para mim.
- Nem adianta fazer essa cara — falei o empurrando de leve — Só vim porque havia prometido ao...
Os braços gigantes de um urso me agarraram sem a menor delicadeza, me fazendo rodopiar em um abraço que só o Emmett consegue dar. E isso não é um elogio.
- Bellinha! — cantarolou me colocando no chão, mais uma voltinha e eu teria vomitado. Cambaleei para o lado de Edward, me agarrando em seu braço para não cair. Ninguém economizou na risada, me deixando vermelha. — Eu sabia que viria. — falou acanhado e sorriu mostrando suas covinhas — Como está o braço?
Eu havia arrancado todos aqueles band-aids no banho. Ninguém vai a uma festa com o bob esponja colado no braço. O rosto de Emmett estava cheio de expectativa. Eu não poderia dizer o que realmente achava daqueles band-aids, é o mesmo que dizer a uma criança que o Papai Noel não existe.
- Está bem melhor. Se não fosse o Bob Esponja, eu com certeza teria morrido. — falei com seriedade — Obrigado por ter se preocupado. — já essa parte tinha um fundo de verdade. De um jeito ou de outro, ele cuidou de mim.
Emmett sorriu satisfeito e Alice me fez um discreto "joinha".
- Fico feliz que esteja melhor Bella — ele chegou perto e me deu um beijo no rosto. Já disse que adoro o Emm? - Eu te disse que ela viria Alice, eu e Bella somos assim. — falou cruzando os dedos em um gesto de união.
Não acredito que esses dois vão discutir por minha causa.
- Ela é minha irmã seu gigante abestalhado. Somos assim — disse cruzando os dedos — desde que estávamos na barriga de minha mãe Renné. Portanto, não venha tentar fazer inveja que não vai funcionar. E é claro que ela gosta mais de mim do que de você.
Todos estavam rindo da discussão, mas eu estava alheia a isso tudo. Assim que ela citou o nome de minha mãe, senti Edward enrijecer ao meu lado. E também percebi que estávamos abraçados como se fossemos um casal. Somos tão estranhos. O encarei confusa, ele tentou disfarçar o desconforto me dando um sorriso casto, mas já era tarde demais para esconder algo que eu já havia percebido. Então o maldito segredo tem a ver com minha mãe? Mas não faz sentido nenhum. O que Edward teria a ver com ela? Maldita hora em que eu fui conceder um tempo a ele.
- Porque não sentamos? — disse Alice dando um riso histérico, desviando constantemente o olhar do meu.
Seu risinho me atingiu como um tapa na cara, eu sabia exatamente o que ela estava fazendo.
-Você sabe. — sussurrei. Alice engoliu em seco.
Eu não acredito que ela não me contou nada! Ela sabe o maldito segredo e não me disse! Esse projeto de hobbit não me escapa. Prometi um tempo ao Edward, mas não falei nada sobre Alice.
- Vou te apresentar o resto da família. — falou Edward mudando estrategicamente de assunto antes que eu fosse até ela. Ok, deixe isso para depois. - Essa é Esme, minha mãe. — apontou para uma morena com os cabelos levemente ondulados.
-Eu sorri na foto! — levantei as mãos em rendição. As palavras saindo antes mesmo de meu cérebro registrá-las. Edward engasgou com uma risada. Filho da mãe.
- Tenho certeza que sim. — falou me dando um sorriso doce e lançando um olhar de reprovação a Edward. Toma! Parece que não sou eu quem vai sentir a fúria de Esme. — É um prazer te conhecer formalmente querida. — disse me surpreendendo com um abraço. Ela olhou sorridente para a mão de Edward que ainda repousava em minha cintura. — Vocês formam um belo casal, se me permitem dizer.
Como eu gostaria de não ter corado com esse comentário... Senti meu rosto pegando fogo, ainda mais com todos os olhares da família sobre nós. Esme sorriu ainda mais ao perceber meu embaraço. E eu podia jurar que se Edward não fosse um vampiro, estaria tão vermelho quanto eu. Pois é, imortal ou não, as mães sempre vão dar um jeito de envergonhar seus filhos.
- Mãe, está deixando a Bella roxa. — disse Emmett gargalhando.
- Só estou dizendo que ficaria feliz em tê-la como nora. Nada demais. — sorriu.
Nada demais uma ova! Nora?! Eu e Edward casados?! Meu Deus...E eu achando que era impossível ficar ainda mais envergonhada.
- Acho melhor irmos para o próximo, antes que você entre em combustão. — falou Edward apontando para o acompanhante de Alice — Esse é meu irmão Jasper.
Aaah, esse eu conheço. o loiro sofredor,pegador de irmãs, controlador de emoções...
-Olá Bella. — falou apreensivo.
Eu devia ter uma bela de uma conversa com ele, mas lá estava Alice com aquela carinha de cachorro que caiu da mudança. E sabe o que mais me irritou? Descobrir que mesmo depois de tantos anos, eu ainda caía nessa. Revirei os olhos. Arrgh, odeio quando ela faz isso!
- Oi Jasper, como vai? — me rendi.
- Olha Bella...Desculpe-me por ter usado meu dom para...
- Esquece isso. – falei, ele assentiu — Olha, sei o que fez por minha irmã quando ela precisou de ajuda. E agradeço por isso. Não sou fã de ver minha irmãzinha dissimulada namorando, mas quem sou eu para proibir? Só espero que a trate bem e do jeito que ela merece, porque se não nem seus truques com as emoções vão me impedir de ir atrás de você.
Jasper me parece uma boa pessoa, não é que eu não goste dele, acho que só não assimilei o fato de que Alice já é uma adulta, e que o tempo que perdemos não vai mais voltar. Quer dizer, ela é a mais velha, porque estou dando ataques como se ela ainda tivesse doze anos? Pois é, acho que ela nunca cresceria para mim. Alice sempre seria minha irmãzinha.
- Eu amo sua irmã Bella. Nunca a magoaria. — seu olhar me demonstrava tanta certeza que não pude fazer outra coisa. Só preciso de alguém que cuide e a ame acima de tudo e todos, e tenho quase certeza de que esse alguém é ele.
- Seja bem vindo à família Swan, Jasper.
Alice deu um gritinho histérico e pulou nos braços do loiro, que sorria aliviado. Pra que implicar com alguém que já tem que aturar uma peste em miniatura? Nem me lembro da ultima vez em que fui legal com alguém.
- Espero que eu seja o próximo a entrar para a família Swan. — Edward sussurrou sedutoramente em meu ouvido. Puta merda. Engoli em seco. Se ele tivesse falado isso em italiano...Respira Bella,respira...
Agora só restava um integrante a ir apresentado. Foco.
- Olá, sou Rosalie, namorada do Emmett. — falou uma loira estonteante me dando um sorriso simpático.
- Muito prazer Rosalie. — apertei gentilmente sua mão – E obrigado por concertar meu carro. Aquela piranha realmente acabou com ele.
Pela cara de felicidade que ela fez, ficou obvio que Rosalie também não morria de amores por Tânia. Quase pude vê-la sussurrando um "obrigada por ter acabado com aquela vaca.", mas em vez disso ela falou:
- Me dou bem com carros, me encantei com o seu assim que o vi. É um clássico.
- Era do meu pai. — disse com orgulho.
- Vejo que vamos nos dar muito bem Bella. Foi um prazer falar com você, mas agora preciso ir. Alguém precisa cumprir o papel do Emmett e fazer uma média com os convidados. — Rosalie me abraçou e a senti cheirando levemente meu pescoço. A soltei no mesmo segundo. Mas o que?!
-Ah...Me desculpe Bella – falou envergonhada – É que eu pensei ter sentido... — Rose deixou a fala morrer ao olhar para o vampiro ao meu lado.
- Rose, não diga nada. — sibilou Edward.
Emmett se aproximou com aquele sorriso zombeteiro e a abraçou. O que está acontecendo? Eu estou fedendo por acaso? Eu tomei banho!
- Pode falar ursinha, esse magrelo não vai... — ele parou de tagarelar e se aproximou de mim, cheirando minha boca. Mas que porra?! — Eu não acredito!! — exclamou pasmo. Senti meu sangue congelar.
-Emmett, não grita. — pediu Rose.
- Você traçou a Bella! — gritou todo orgulhoso bem no momento em que a musica havia parado de tocar. Sua frase reverberando por todo o salão. Não acredito que ele sentiu o cheiro do Edward na minha boca!
Todas os convidados , inclusive uns velhinhos que eu jurava que já estavam surdos, olharam para a gente. Senti o sangue em minhas veias se concentrando em meu rosto. Edward balançou a cabeça em desgosto, passando os dedos na testa. Desejei que um buraco se abrisse para que eu pudesse enfiar minha cabeça.
- Mas que merda Emmett. — grunhiu Rosalie – Concerte isso.
Ele assentiu de bom grado dando um sorriso ainda maior.
- Não,não,não... — implorou Edward tentando impedi-lo.
Emmett foi até a mesa e pegou uma taça de champanhe. Mas que palhaçada ele inventou agora? Ele disse que ia concertar...não é? Não é?!
- Hoje era para ser uma comemoração quase que exclusivamente minha. Mas, como eu sou um irmão de bom coração, queria propor um brinde ao meu maninho Edward e a sua noiva, recentemente fisgada, Isabella Swan. — arregalei os olhos e quase engasguei com a própria saliva – Seja bem vinda à família Cullen, Bella. — levantando a taça ele berrou — Viva os noivos!
Ele não estava fazendo isso! Rosalie deu um tapa em sua própria testa, indignada com a palhaçada do namorado. Alice e Jasper estavam sentados tentando não rir da situação. Enquanto eu e Edward o encarávamos rezando para que aquilo fosse uma miragem.
Os convidados aplaudiram gritando um "Viva!" logo após Emmett.
- Quem aí gostaria de ouvir um discurso da noiva? — perguntou piscando para mim. Bastardo!
-Você só pode estar de brincadeira Emmett!!- grunhi trincando os dentes. Zoar a minha cara entre nós, não tem problema. Mas na frente de mais de 500 pessoas, a coisa fica feia.
-Ahhh – lamentou — já que não vai ter discurso, merecemos ver pelo menos um beijo do casal não é gente? — perguntou para os convidados.
De um segundo para o outro, todos estavam gritando "Beija, beija,beija..." Olhei furiosa para Emmett e aquele besta ainda teve a audácia de me mandar um beijo estalado. Peguei uma taça de champanhe e já estava pronta para arremessá-la na cara dele, mas Alice me impediu.
-Jura? Uma taça?
-Estava pensando em um tijolo, mas como você pode ver, os garçons não passam oferecendo um nas bandejas. — falei irônica.
Ela revirou os olhos, feito a perfeita anã irritante que é.
-Acho melhor vocês dois sorrirem e acabarem logo com isso. Acreditem, ele pode fazer pior. E depois precisamos conversar garanhão. – falou lançando um olhar serio a Edward.
Alice pegou a taça de minha mão e voltou para o lado de Jasper. Olhei ao redor planejando uma rota de fuga, mas uma rodinha de curiosos se fechou a nossa volta, tornando a passagem impossível.
-Bella?
Virei para encarar Edward, talvez ele soubesse o que fazer, e assim que o olhei, ele segurou meu rosto e me beijou de leve. Ahh, ele sabe mesmo o que fazer. Suspirei em seus lábios. Abri os olhos com surpresa e Edward me deu aquele maldito sorriso torto. Todo o salão explodiu em uma salva de palmas. .
- Agora vamos curtir essa festa pessoal! – gritou Alice, conseguindo que, aos poucos, as atenções fossem se voltando para outro lugar.
Edward pegou minha mão e nos levou em direção ao bar, enquanto todos que passavam por nós nos felicitavam pela união.
- Duas tequilas por favor. — pedi ao barman assim que me sentei.
-Saindo senhora, e parabéns pelo noivado.
Estava pronta para mandá-lo para o inferno, mas Edward pegou minha mão e a beijou.
-Obrigado, estamos muito felizes. Não é amor? — perguntou sorrindo docemente para mim.
O encarei com as sobrancelhas arqueadas.
- Não é? — repetiu com mais intensidade.
Revirei os olhos. Não, não e não.
- Claro querido. — lhe dei um sorriso cínico e apontei para os copos na prateleira – Tequila. Agora. — o homem assentiu e foi preparar meu pedido.
Nunca fui de encher a cara, mas se não bebesse agora acabaria surtando de vez. Pelo menos aquela força sobrenatural não voltou, se não teria torcido o pescoço de Emmett ali mesmo.
-Era só o que me faltava. Estamos noivos! — falei abismada.
Edward riu correndo as mãos pelos cabelos.
- Não sei como ainda consigo ficar surpreso com Emmett. É incrível, ele sempre consegue se superar.
- Você poderia ter impedido com essa sua velocidade de papa-léguas. — rebati.
- Parece que você foi mais rápida que eu. Seja bem vinda a família Cullen, Bella. — disse me dando uma piscadela junto a um sorriso de mil watts.
Ele fica tão adorável quando sorri desse jeito, que é quase impossível não sorrir também.
- Muito obrigado. Se meu pai estivesse vivo, você com certeza teria que pedir permissão a ele.
- Já que você entrou para a minha família, acho que você deveria falar com Carlisle.
- Ahh, então eu sou o homem da relação. — afirmei — Eu já desconfiava.
- Isabella, Isabella...Eu já te provei uma vez que não sou gay. Posso muito bem mostrar de novo. Na verdade, estou doido pra isso.
Ok, vamos fingir que essa frase não me afetou nadinha.
- Hei,hei, pode guardar essa sua empolgação. — mandei.
- Alguém esta ansiosa pela lua de mel? — falou mexendo sugestivamente as sobrancelhas.
Ah Meu Deus! Cérebro idiota! Porque ele imagina as coisas, não importa o que seja, no exato momento em que você as ouve? Eu não acredito que quase nos imaginei...Arrrrgh!!! Devia ter pedido a garrafa inteira de tequila!
- Segure sua calcinha querida, ainda não pedi permissão ao seu pai. — pisquei.
Edward gargalhou assim como eu. O barman colocou as bebidas rapidamente na minha frente e saiu apressado. Estranho. Não perdi tempo e virei uma dose atrás da outra.
-Uooou, vai com calma Bella. — pediu me olhando torto.
- Calma? Sinto muito, mas hoje realmente não vai dar. — chamei o garçom e pedi outra dose.
- Ficar bêbada não vai te ajudar em nada. E além disso, ainda temos que conversar com Sam sobre aquela noite. Ele deve saber o que aconteceu.
- Tudo bem, conversamos com ele depois, mas admita, você não consegue deixar esse seu lado "chato controlador" afastado por muito tempo.
A carranca dele amoleceu.
- Chato controlador? É isso que pensa? — perguntou tombando a cabeça com um sorriso brincalhão no rosto.
Sorri e concordei freneticamente. Acho que a bebida começou a fazer efeito, devia ter levado em consideração o fato de que nunca tomei nada mais forte do que cerveja. É, a super-exterminadora prefere refrigerante. Já estou começando a me sentir meio estranha. Parece até que estou flutuando.
- A coisa mais empolgante que deve ter feito foi brincar com as maquiagens de Esme sem ela saber. — falei soltando um riso mudo, sentindo meu corpo amolecer.
- Pequena! — disse arrastando a voz de um jeito mais-gay-impossível, batendo a mão na própria coxa – Não faz ideia de como eu A.R.R.A.S.O com delineador. – falou remexendo feito uma diva.
Mesmo tentando não imaginar, só conseguia pensar em Edward usando um salto agulha, com um vestido vermelho provocante e uma maquiagem pesada na cara. Comecei a rir tão alto que ele teve que tapar minha boca, mas não deixou de exibir aquele sorrisinho torto de que eu tanto gosto. Eu adoro esse Edward divertido, ele tem uma mistura dos melhores lados dele. O indeciso só me dava nos nervos. Humpf, olha quem fala. Como se eu não fosse nada indecisa, ainda mais agora.
- Virar drag queen não está valendo. — sorri dando um leve empurrão em seu braço.
- Bom, acabei de ficar noivo de uma exterminadora. Acho que isso serve de alguma coisa.
-Ual, estou impressionada. — falei com falsa surpresa.
- Espera apressadinha, eu ainda não acabei. Posso ser mais corajoso e tirar essa exterminadora para dançar. — falou me dando uma piscadela.
A luz do salão diminuiu no exato momento em que ele propôs o pedido, e uma musica lenta e suave deu lugar ao falatório de antes.
- Nem pense nisso. – falei quando ele tentou me levar para a pista de dança.
- Porque não? Só uma musica, eu prometo.
- Eu...eu não sei dançar Edward. – revelei. Ele me olhou desconfiado – É serio, eu pareço um vegetal.
- Todos gostam de legumes. Vem, você não vai escapar. – chamou me estendendo a mão.
- Edward... – gemi frustrada.
- Confie em mim.
Me deixei ser conduzida por ele. Edward me puxou para perto de seu corpo, segurando minha cintura. Apoiei minhas mãos em seus ombros, me deixando levar, pouco a pouco, pelo ritmo da musica. Até que eu não estava tão mal, até agora ninguém se acidentou.
- Acho que poucas pessoas tiveram coragem de te tirar para dançar. – comentou.
- Como se eu passasse muito tempo em bares e baladas. Acho que essa é a primeira vez que danço com alguém. — disse admirando seus olhos topázio. A cor estava tão viva que parecia estar se movendo. Na verdade, tudo ao meu redor parecia estar se movendo. Que droga é essa?
- Devia fazer isso mais vezes. – sugeriu.
- Talvez eu sinta gosto pela coisa e comece a praticar – falei entrando na brincadeira.
- Sou um ótimo professor. E para exterminadoras bonitas não estou cobrando nada.
- Terei que concordar. Para uma primeira vez, até que estou me saindo bem.
- Talvez eu possa tornar essa primeira vez ainda melhor, o que acha? — sussurrou em meus lábios enquanto colava sua testa na minha. Não consigo me afastar dele, e também não quero. E lá vamos nós...
- Já estamos noivos mesmo. — falei roçando meus lábios nos seus enquanto subia minhas mãos por seus ombros até chegar à base de sua nuca.
Estávamos quase nos beijando quando alguém puxou Edward pelo ombro. Por pouco não dou um beijo de cinema no vento. Mas que droga! Espero que seja a rainha! Porque se não...
- E ai cara! Há quanto tempo! — falou um japonês baixinho com cara de hacker — E essa gata hein? Quem diria... — falou me despindo com os olhos. Só pode ser brincadeira...
Edward trincou o maxilar e o olhou a ponto de cometer um assassinato. Só não sabia quem o mataria primeiro, ele ou eu. Não é possível que esse mini biscoito chinês não tenha reparado que estávamos no meio de uma coisa.
-Erick. – cumprimentou de má vontade — Não é uma boa hora. E tenho certeza que não é cego para não ter reparado. – disse seco.
Ele mal prestou atenção em uma palavra que Edward disse, seus olhos e toda sua atenção continuavam em mim. E eu não estava gostando nada disso.
- Se olhar minha noiva assim de novo, vou arrancar esses olhos puxados da sua cara. — segurei o riso enquanto Erick se encolhia sob o olhar furioso de Edward. Ual, o Cullen pode ser ameaçador.
Erick pareceu entender o recado e não voltou a me encarar, agora ele só tinha olhos para o azulejo.
- Foi mau cara, eu só queria bater um papo. — falou constrangido.
Eu sabia que Edward não o despacharia, por mais que ele quisesse. Ele é muito certinho para isso. Ta aí mais uma das coisas que eu gosto nele. Ele não se comporta como um idiota exibido, feito a maioria dos caras, ele é só...o Edward.
- Já falo com você Erick – o garoto assentiu e se afastou — Eu vou conversar com ele – disse a mim – Me espere no bar. E...se algum maldito olhar para você, ou te encher, finja que é um vampiro de olhos vermelhos ok? – esperei pela risada, mas ele estava mesmo falando serio.
- Estou sentindo cheiro de ciúme Edward Cullen? — perguntei me fazendo de cínica.
- Claro que não, é só...precaução. — disse desconversando.
- Precaução? Acho que não é bem esse nome.
- Isabella, só faça o que eu disse. — respondeu irritado. Eu estou adorando isso.
- Admita. — pedi segurando o riso.
- Bella... — bufou passando as mãos pelos cabelos.
-Admita – repeti. Ele cruzou os braços reforçando o olhar teimoso. Ahh, eu faria ele admitir - Até que ele é bonitinho. – acenei para Erick, que me respondeu com um sorriso — Porque você não vai ao bar? Acho que ele prefere conversar comigo. — brinquei. Edward pareceu a ponto de espumar pela boca.
- Ok! Ok! É ciúme sim, satisfeita?!
Espero que nenhuma puta chegue perto dele, porque eu com certeza não vou ficar só na conversa. Meu Deus, essa doença não para de evoluir! Já estou ficando possessiva!
- Na verdade sim. — sorri. Ele soltou um muxoxo mas sorriu também.
- Eu já volto. Me espere no bar. — relembrou.
- Mal casamos e já está querendo me dar ordens. — resmunguei.
Ele riu e beijou minha testa.
- Já volto.
Estava andando até o bar quando senti minhas pernas fraquejarem, parecia que eu estava andando sobre ovos. Me sentei o mais rápido que pude. Minha respiração saindo pesada, minha cabeça girando, girando,girando... Deixei meu rosto descansar entre minhas mãos, minha cabeça continuava pulsando e um calor estranho começou a circular pelo meu corpo. O que está acontecendo?
- O que deseja? — perguntou o barman jogando um pano sobre o ombro.
- Poderia me trazer uma água? — pedi tentando me concentrar em um ponto fixo.
- Claro, e me desculpe pela tequila. Procurei no outro bar também, mas está em falta, chegará daqui a meia hora. Já vou buscar sua água. – disse saindo.
- Hei, espera! — ele voltou – Mas...já me trouxeram a bebida. Tomei duas tequilas há poucos minutos.
Ele me olhou confuso.
- Não sei o que bebeu moça, mas com certeza não era tequila.
Será que estou ficando louca? Olhei para o lado e vi dois copos vazios com a marca do meu batom na borda. Eu sabia. Ele deve ter feito tantos drinks que acabou se confundindo.
- Esqueci de te entregar isso. — falou alguém atrás de mim, colocando um guardanapo dobrado sobre o balcão. Senti um arrepio subindo por minha coluna, e não era um arrepio bom.
Me virei rapidamente e não vi ninguém suspeito, só vários convidados dançando e conversando, alheios a tudo. Peguei o guardanapo e o abri. Meu estomago se revirou ao ver quem havia me mandado aquilo.
Gostou da bebida? Bons sonhos Bella.
J.B
Senti os pelos de minha nuca se eriçarem. Jacob Black está aqui! Levantei do banco em um rompante, e tudo ao meu redor rodou. Ele me drogou! Filho de uma rampeira! A ardência em minha nuca voltou com força total, precisei morder o lábio para não gritar. Sai cambaleando pela multidão e entrei no banheiro. Por sorte não havia ninguém. Sem hesitar, abri a torneira e enfiei meu pescoço embaixo. O barulho que a água fez ao tocar minha pele foi o mesmo som de um hambúrguer entrando em contato com uma chapa quente. Eu estava pegando fogo. A ardência chegou até meus olhos, que lacrimejavam sem parar, me fazendo ver tudo embaçado. Me encarei no espelho, e não sei o que me assustou mais, meus olhos brilhando em um tom de azul ou uma enorme silhueta ao meu lado. Ta, eu admito, foi a silhueta. Arfei me virando rápido demais. Tudo girou novamente me fazendo ir de cara para o chão, mas a sombra me segurou firme. Tudo ao meu redor girava,rodava,queimava, e eu só queria que meu noivo viesse até mim e fizesse isso passar.
- Edward... — chamei.
- Não precisa se preocupar, eu vou cuidar dele depois. De todos eles. — disse me carregando para fora do banheiro.
A musica estava alta, e mesmo se eu conseguisse gritar, ninguém escutaria. Ele não me escutaria. Todas as pessoas que reparavam, perguntavam se eu estava bem, e quando ele dizia que eu havia bebido demais, simplesmente davam de ombros e iam embora. Será que ninguém percebe o que há de errado comigo? Ou com esse cara? Ou comigo no colo desse cara?
Passamos rapidamente por um corredor vazio e entramos em uma sala. Senti meu corpo sendo colocado sobre algo, provavelmente uma maca.
- Eu vou acabar com você...se encostar...um dedo...neles. — sussurrei em um fio de voz. A quem eu estava querendo enganar? Teria sorte se conseguisse ficar viva.
- Mais tarde nós veremos quem vai acabar com quem. — desafiou — Você não me assusta sua vadiazinha de quinta. — cuspiu as palavras — Não vejo a hora de colocar a cabeça de cada um desses vampiros dourados no espeto. Não vejo a hora. – seu olhar era doentio, e sua voz ansiosa para a realização de suas ameaças — E com sorte, arrumo um espaço para você. Acha que tudo vai ficar bem para você quando descobrirem que está deixando aquele sanguessuga enfiar a língua em sua garganta? Espere pra ver Isabella, espere para ver.
Ele aplicou algo em meu pescoço. Meu sangue ferveu, e senti aquela força sobrenatural se espalhar de uma maneira furiosa, como uma corrente elétrica. Ao longe fui ouvindo uma voz rouca e sombria me chamando.
Bella...Bella...Você é minha...Você serve somente a mim. Ele não pode estragar tudo...Eu não vou permitir...Ele precisa saber...Eu vou dizer a ele que você é minha...Seu mestre está ordenando...Deixe-me entrar...Eu ordeno que me deixe entrar...Diga sim meu anjo...
Aquela voz foi inebriando ainda mais meus sentidos, e esse som me parecia tão familiar. Juro já ter ouvido essa voz antes. Eu não estava no controle de nada, e antes que pudesse me impedir, já havia sussurrado:
- Sim mestre.
POV EDWARD
Fui em direção ao bar, depois de finalmente ter acabado a maldita conversa com Erick, e encontrei o banco vazio. É claro que ela não me obedeceria, ela nunca obedece. Bella merece uns belos tapas.
- Hei, você viu para onde minha noiva foi? — perguntei a um dos barmans.
- Ela estava sentada bem ai, agora a pouco – apontou com o queixo para a cadeira ao meu lado – Deve ter ido ao banheiro ou alguma coisa assim. Garotas vivem retocando a maquiagem, sabe como é.
Mesmo Bella não fazendo o tipo que vive retocando a maquiagem, talvez ele estivesse certo. Estava caminhando até o banheiro quando ouvi uma conversa um tanto quanto estranha.
- Aquela garota sabe como aproveitar uma festa. Ela estava meeesmo bêbada. Precisou até ser carregada!
- Se eu fosse aquela garota, não perdia tempo com bebida e aproveitava meu noivo. Aquele tal de Edward é um gato!
Elas estavam falando da Bella. Espera...elas disseram que ela precisou ser carregada? Carregada por quem?
- Essa tal de Isabella não é nada boba. Entra na festa com o noivo e sai carregada por um moreno alto e musculoso. Meu Deus, aquele homem era incrível!
- Só carregada? Não sei se você reparou amiga, mas eles saíram juntos do banheiro. E aposto que consegue imaginar o que fizeram lá – as duas riram e continuaram dançando.
Vasculhei seus pensamentos. Podia ver a imagem de um homem carregando alguém para o outro lado do salão, sumindo em meio às pessoas. Era como se fosse um filme, e antes dele sumir, pude ver um vislumbre do rosto dela. Ela estava sentindo dor. Eu sabia. Posso conhecê-la há poucos dias, mas sinto que a conheço a vida inteira. Seus olhos estavam sem foco, sua boca vermelha como sangue e seus olhos completamente azuis. Antes de o pensamento mudar, vi seus lábios se moverem em um pedido mudo, chamando meu nome. Preciso encontrá-la.
Fui abrindo espaço entre a multidão até o banheiro feminino. Era minha única chance de ser rápido, já que eu não posso farejá-la. Entrei e, felizmente, não havia nenhuma mulher para me bater, só uma torneira aberta e um papel jogado no chão. Dei mais alguns passos e senti um cheiro estranho no ar. O cheiro que eu rezava para que ainda estivesse ali. Era o cheiro daquele desgraçado. Se chegasse até ele, chegaria até ela. Desliguei a torneira e peguei o papel, estava quase o jogando no lixo quando vi a primeira letra. Era um bilhete.
Gostou da bebida? Bons sonhos Bella.
J.B
J.B? Quem diabos é...Foi então que a realidade me atingiu como um caminhão.
- Merda!Merda!Merda!
Corri feito um lunático para fora do banheiro e circulei o mais rápido que pude por todo o salão, em uma velocidade humana, se não acabaria derrubando metade dos convidados feito pinos de boliche. Bella deveria estar inconsciente, e ainda pior, nas mãos de Jacob Black. Se ele encostasse algum dedo nela...Já consigo me imaginar quebrando seu pescoço ao meio.
Chegando perto de um corredor vazio, senti aquele cheiro estranho me atingindo novamente, ainda mais forte. Ele havia passado por aqui há pouco tempo. Andei rapidamente até o final do corredor e encontrei duas portas, Bella com certeza estaria em uma delas. Olhei para a da direita e vi sangue na maçaneta. Não! Não! Por favor...Abri em um rompante, mas quem encontrei foi Sam Ulley, o homem que iria nos ajudar a descobrir o que aconteceu com Bella na noite em que o vampiro invadiu nossa casa. Corri para seu lado, ele estava beirando a inconsciência. Seu rosto estava repleto de arranhados e escoriações, e seus pés completamente ensanguentados.
- Sam...Sam! Fala comigo! — gritei. Ele mal se moveu -Vou chamar alguém – estava pronto para sair, mas sua mão tremula se fechou em meu pulso.
- Menino Edward...A garota...a garota corre perigo...- sussurrou ofegante.
- Sam...Me solte. — avaliei seus ferimentos, ele não sobreviveria se eu não buscasse ajuda agora.
- Ele sabia o que estava fazendo garoto – riu sem humor – Buscando ajuda ou não, vou morrer aqui.
Pelo cheiro de seu sangue, pude perceber que Jacob havia aplicado alguma droga na corrente sanguínea de Sam. Esse cara já esta indo longe demais para alguém que só queria enfiar uma bala em minha cabeça.
- Bella...Eu preciso encontrá-la Sam. — falei sentindo o desespero se espalhar por minhas entranhas. Se ele havia feito isso com Sam, não gosto nem de pensar no que pode ter feito a ela.
- Me escute garoto...Ela é poderosa. Aquela marca é um símbolo de poder ambíguo.
- Poder ambíguo? — perguntei confuso.
Sam fechou os olhos , e por um momento pensei que estivesse morto. Jacob sabia que ele poderia me alertar sobre algo.
- Sam? — o chacoalhei, ele abriu os olhos lutando para deixá-los abertos e se forçou a me responder.
- Quer dizer que ela pode servir ao bem ou ao mal. E acredite filho, o mal vai tentar essa garota até o ultimo minuto. Não desista dela Edward. Essa pode ser a pior escolha que tomará em sua vida, tanto para você quanto para todos nós. Bella Swan pode ser nossa destruição.
- Como eu posso impedir isso?
- Os três guardiões...eles possuem as chaves para as etapas de transformação.
- Que chaves? Guardiões? — isso está ficando cada vez mais confuso.
- Ninguém sabe. Pode ser qualquer coisa, qualquer um e de qualquer jeito. Não deixe os guardiões se aproximarem. De jeito nenhum. — Sam tossiu violentamente, jorrando sangue em minha camisa – Ache o colar...o colar ajudará a detectar os guardiões. Ache...ache...- a voz de Sam foi ficando longe, assim como seus olhos. Senti seu corpo amolecer, e já era tarde, ele havia partido.
Uma raiva sem tamanho se apossou de meu corpo. Jacob pode atirar em mim quantas vezes quiser, mas não pode mexer com meus amigos, com ela e nem com minha família. Eu farei ele pagar por tudo que fez. Peguei o corpo de Sam com cuidado e coloquei em um dos divãs que mobiliavam o cômodo. Eu voltaria para buscá-lo. Nunca presenciei uma noite tão turbulenta como essa.
Teria que dar um jeito de mais ninguém entrar aqui. Empurrei uma enorme prateleira de livros, que possuía quase três metros de altura, até a porta, e com o peso seria impossível entrarem aqui. Abri a janela e pulei, aterrissando perfeitamente na grama. Corri para dentro do salão até chegar ao mesmo corredor. Dessa vez, seria a outra porta. Abri lentamente a maçaneta e me esgueirei para dentro. O cheiro que havia sentido antes não estava mais em lugar algum. Jacob Black, além de covarde, é um homem morto. Mas ele não precisa se preocupar em fugir, porque eu vou achá-lo. Senti o alivio inundar meu copo assim que a vi parada na janela, banhada pela luz da lua. Ela parecia perfeitamente bem, como se estivesse só me esperando.
-Bella... Eu fiquei preocupado. — falei e nada – Bella? Está me ouvindo?
Ela continuou parada, nem parecia ter me notado ali. Tem algo errado. Bella normalmente teria dito que eu não precisava me preocupar, ou ate mesmo me xingado. Me aproximei e toquei seu ombro, senti um tremor atravessar meu corpo. Não...não é ela.
- Bella, está tudo bem? — perguntei aflito. Todo o alivio que estava sentindo já havia evaporado.
Uma risada sombria escapou de seus lábios quando me olhou por rabo-de-olho, sorrindo de um jeito maníaco. Me afastei imediatamente.
- Bella? — falou testando a palavra – Sinto muito, acho que ela não esta aqui.
A voz que vinha dela estava rouca, podia ouvir dois timbres, o seu e um masculino. Seus olhos estavam completamente azuis, os cortes em seus braços haviam sumido e sua marca estava envolvida por uma cintilante chama azul.
- O que fez com ela?! Quem é você?! — esbravejei. Era só o que me faltava, ela estar aqui na minha frente e eu não ter ideia de como ajudá-la. Nem ao menos sei o que está acontecendo.
Bella, ou sei lá quem, me encarou com ódio.
- Acho melhor controlar essa boca imunda se ainda quiser sair vivo desta sala. — sibilou em minha direção. Podia sentir o poder em sua voz.
Meus instintos rapidamente ficaram em alerta. Era estranho olhar para a pessoa que eu estava apaixonado e só conseguir sentir raiva. Bella começou a circular pela sala, seus olhos me analisavam a todos os segundos.
- Vim lhe dar um aviso Edward Cullen. — meu nome saiu de sua boca como um palavrão.
- Porque eu deveria ouvir alguém que nem se da o trabalho de aparecer?
Bella fechou os olhos e respirou fundo, parecendo em duvida entre rasgar minha garganta ou não. Pude ver a chama em seu pescoço aumentar e ir diminuindo conforme se acalmava, quando já estava melhor, me encarou com o mesmo olhar debochado de antes.
-Faz tudo parte do plano garoto. E não estou disposto a colocá-lo em risco só para ter o prazer de ver seu crânio espalhado por essa sala.
Seus planos obviamente tinham Bella como foco principal, e eu claramente não estava incluído neles.
- Não havia planejado isso até alguns dias atrás. Mas ai, de repente... — ela parou estalando os dedos — você se apaixonou pela garotinha órfã. — falou fingindo estar comovida. Mal pisquei e as mãos de Bella já estavam em meu pescoço. Seus olhos faiscavam ódio – Isabella Swan é minha! — rosnou.
- Fique longe dela! — levantei a mão involuntariamente para atacar, mas o que eu iria fazer? Bella ainda estava ali.
- Vai me bater? — perguntou assustada, seus olhos voltando ao chocolate — Teria coragem de me machucar Edward? Eu...eu pensei que gostasse de mim. – falou se afastando. Eu não queria assustá-la.
- Bella eu...
Ela explodiu em uma gargalhada sombria antes que eu pudesse terminar a frase, seus olhos e sua voz voltando a ser os mesmos de antes. Esse cara está brincando comigo.
- Essa garota foi destinada a mim desde o dia em que nasceu. E nem mesmo você e seu amor estúpido vão impedi-la de se transformar.
- Está fazendo esse showzinho porque ela irá se transformar em vampira?
- Vampira? — ele riu – A alma dessa menina vai ser corroída dia após dia, até sobrar um imenso buraco negro. Vampira não chega nem perto do que ela será.
- Isso é o que pensa. Não vou abandoná-la. Bella com certeza não irá querer se transformar em algo como você. E eu estarei ao lado dela para ajudá-la no que for preciso. Não vou permitir que esses guardiões cheguem perto.
- Vejo que conseguiu falar com aquele velho antes que ele se afogasse no próprio sangue. Mas...pense bem, ainda acha que ela irá querer você ao lado dela? Mesmo quando descobrir o que fez a pobre família Swan? — pisquei atônito, ela sorriu vitoriosa – Fique tranquilo Edward, não direi nada – falou cruzando os dedos sobre a boca – Pelo menos não diretamente. Posso fornecer algumas dicas. Acho que vai ser bem melhor que ela ouça isso da sua boca. Bella vai ficar arrasada.
Um nó se formou em minha garganta só de imaginar seus olhos repletos de nojo e desprezo.
- Acha mesmo que um dia ela vai ser capaz de te amar?! Chegou a ser estupido a esse ponto?! — falou me puxando pelas lapelas do smoking.
Eu estava me sentindo um merda. Tinha esperanças de um dia poder tê-la ao meu lado. Caramba, eu queria Bella ao meu lado nesse segundo. Mas como ela poderia me amar? Como ela poderia me querer do jeito que eu a quero? Eu não mereço que ela me ame.
- Sabe que não, não é? E quando isso acontecer, vou fazer questão de que ela mesmo te mate. Não que eu vá precisar insistir muito. – se aproximando perigosamente de mim, ela sussurrou – Antes de ir, preciso te dizer mais uma coisa. – se aproximou de meu ouvido – O guardião já está por perto.
Depois de sussurrar isso em meu ouvido, seus olhos retornaram ao normal e seu corpo tombou em minha direção, a segurei antes que pudesse cair. Embora seus olhos estivessem na coloração normal, se encontravam longe e sem foco. Peguei Bella no colo e sentei em um dos sofás, enquanto a aconchegava em meus braços. Não demorou muito para ela voltar a si.
-Edward...- sussurrou atordoada.
-Hei, eu estou aqui. Está tudo bem. – falei alisando seus cabelos. Pelo menos eu esperava que estivesse.
- O que aconteceu? Onde estamos? – perguntou ao perceber que não estávamos no salão.
Não diria a ela "Jacob Black te drogou, te trouxe para esse quarto depois de ter matado um amigo da família, algo poderoso possuiu sua mente fazendo você mesma me ameaçar, você talvez se transformará em algo maligno se eu não impedir e o guardião está a caminho. Já te falei que matei seus pais?" Bella definitivamente surtaria.
- Você bebeu demais. Estava se sentindo meio tonta, então viemos para cá e você dormiu por alguns minutos. — Bella semicerrou os olhos, desconfiada, mas decidiu acreditar em minha palavra.
-Todos devem estar se perguntando onde estamos. Caramba – exclamou com as mãos na cabeça – Devia ter pedido um suco de laranja. Como as pessoas conseguem encher a cara o tempo todo? – falou se levantando e sentando ao meu lado.
- Está se sentindo bem? Quer dizer...se sente você mesma? – ela me olhou confusa.
- Eu só bebi Edward, não troquei de corpo.
Isso é o que você pensa.
- Se sente bem para voltar? – perguntei.
-Não muito – Bella olhou em volta com uma expressão estranha em seu rosto – Mas não gostaria de ficar nem mais um minuto aqui. Não sei porque, mas esse lugar me dá arrepios.
-Não só em você, vamos.
Chegamos ao salão, estávamos a caminho da mesa quando a senti se apoiar em meu ombro. Bella estava extremamente corada e esbanjava exaustão.
- Edward...- disse ofegante – Eu estou com muito calor.
- Vamos para a mesa, eu pego algo para você beber. — Bella negou passando a mão tremula em sua testa.
- Edward...minha pele está queimando. — disse com a voz chorosa.
Assim que a trouxe para meus braços, pude sentir o quão quente e suada estava sua pele. Seu corpo dando leves tremidas. Bella estava queimando de dentro para fora. Ela não estava nada bem.
- Você é tão frio. — disse aliviada enquanto enlaçava minha cintura com as mãos tremulas.
- O que acha de irmos para casa? – sugeri.
- Por favor. — pediu.
- Precisamos avisar os outros
- Ok – me respondeu.
Andamos até a mesa que havia sido reservada somente para minha família.
- Que cara é essa Bella? Edward, o que houve? – Alice logo se levantou e veio até nós, cheia de preocupação. A ouvi sussurrando algumas coisas a Bella como "O que aconteceu?" ou "Você está bem?" , mas não prestei muita atenção.
- Acho que eu sei o que eles fizeram – falou Emmett com seu típico sorrisinho malicioso. Meu irmão é um panaca.
- Depois eu explico Alice, mas estamos indo para casa. Ela...não está muito bem. – falei o óbvio. Agora realmente não era hora de dizer tudo o que aconteceu.
- Vou aproveitar que estão de saída e vou indo também. Essa festa já deu o que tinha que dar. — disse Rosalie.
- Então vamos todos. — falou minha mãe, já se levantando e recolhendo seus pertences, assim como os outros.
- Ótimo, porque tenho muito o que falar com todos vocês. E o mais rápido possível.
- Parece ser grave filho. – falou meu pai, ficando preocupado.
- E é. — admiti.
Pouco tempo depois, já havíamos desembarcado da lancha e estávamos no carro, o que me fazia pensar que Pietro estava indo devagar de propósito. Ele realmente queria aquela bala em minha cabeça. Jasper se ofereceu para dirigir meu Volvo, enquanto eu e Alice cuidávamos de Bella no banco de trás. Ela parecia estar um pouco melhor, mas é bom ter cuidado. Cinco minutos depois de sairmos, ela já estava dormindo em meu ombro, e seus braços novamente rodeando minha cintura.
- Eu falei para tomar cuidado não foi? – sussurrou Alice. Eu sabia que ela falaria algo do tipo. Mas ela estava possuída, o que eu iria fazer? Rezar o terço?
- Eu tentei ajudar, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Explicarei tudo depois.
- Sabe que não é disso que estou falando. Eu posso ver no seu rosto Edward. Está apaixonado por ela.
Eu poderia tentar negar, mas sabia que isso não funcionaria. Bella era a única que não percebia o que sempre esteve estampado em minha cara.
- Eu não consegui controlar Alice, simplesmente aconteceu.
- E o que acha que vai resultar de tudo isso? – tentei falar, mas ela levantou a mão — Olha, sei que ela também deve sentir algo. O jeito que ela age perto de você...o modo como sorri...Ela mudou Edward. Quando a reencontrei aquela noite, parecia uma pedra de gelo. E agora ela é só...a Bella que eu sempre conheci. Minha irmã.
- E como isso pode ser ruim? – perguntei.
- Não se faça de cínico. Como vai ser quando ela descobrir o que fez a nossa família? Eu quase te matei Edward, você lembra. E Bella é bem pior.
Por mais de anos Alice tentou me matar, a todo o momento, durante todos os dias. Demorou muito ate que ela me perdoasse.
- Eu penso nisso todos os dias Allie. Mas...o que eu posso fazer? Não posso mais ficar longe dela. Eu tentei. – falei trazendo Bella para ainda mais perto de mim, como se alguém estivesse prestes a arrancá-la de meus braços. E era exatamente isso que eu sentia todos os dias.
- Eu entendo, mas não queria que nenhum dos dois se machucasse. E é isso que vai acontecer. Eu sei que ela não vai te entender do modo como fiz. Eu já a magoei uma vez Edward, não sei se ela pode suportar ser magoada de novo. – falou enquanto olhava com pesar para a irmã — Ela dedicou a própria vida para encontrar você. E não vai desistir. Ela sabe que eu sei o segredo. Agora, como vai ser quando ela descobrir que o homem que ela ama é aquele que a magoou? Não me leve a mal Edward, eu realmente quero que vocês sejam felizes, mas...é difícil para mim deixar que isso continue.
- Bella não me ama Alice, não seja ridícula. – ela revirou os olhos — Eu entendo as consequências. A partir do momento em que falei a ela tudo o que sentia, no fundo eu sabia no que estava me metendo. Mas você tem que me prometer que não vai falar nada a ela. – Alice me olhou com reprovação – Querendo ou não, já está feito. Não vou mais me afastar. Eu amo sua irmã Alice. Parece um maldito carma, mas eu amo. E se um dia ela descobrir, eu a deixarei decidir.
- Decidir o que? – perguntou confusa.
- Entre ficar ao meu lado ou me matar. E eu acatarei qualquer decisão.
Alice não falou mais nada. Minha cabeça estava fritando com tudo que está acontecendo, a única coisa que me acalmava era a fraca respiração dela em meu pescoço. Ela me fazia ter vontade de seguir até o fim. E é isso que eu vou fazer.
POV BELLA
- Bella, acorda. Já chegamos. – ouvi alguém me chamar ao longe, mas decidi ignorar – Bella...Acorda – me chacoalhou de leve.
Resmunguei e me aconcheguei ainda mais em Edward. Eu não queria abrir os olhos, aqui estava tão bom. O ouvi dar uma risadinha, e logo em seguida beijou o topo de minha cabeça.
- Prefere que eu te carregue pequena?
-Não posso dormir aqui? Por favor... – implorei.
- Levanta logo, sua preguiçosa. — falou me fazendo cócegas.
Mesmo com sono, explodi em uma gargalhada. Cócegas eram meu ponto fraco. Minha barriga logo começou a doer, de tanto rir.
- Edward, para! Por favor! — gritei em meio ao riso.
- Vai levantar?
- Vou! Vou!
Ele logo parou com a tortura.
- Se sente melhor? — perguntou.
- Milagrosamente sim. Obrigado.
- Ótimo. — falou me dando um beijo casto — Vem, vamos entrar.
Assim que Edward abriu a porta do carro, senti um cheiro forte me atingindo em cheio. Esse cheiro é muito familiar...Um barulho ensurdecedor veio de dentro da casa, seguido de um grito estridente. Meus ossos congelaram. Alice...
- Bella, fique aqui. – alertou Edward pulando para fora do carro.
- O que?! Eu não vou... – tentei argumentar, mas ele ouviu? Óbvio que não. Asno do jeito que é...
- Eu mandei você ficar Isabella! – esbravejou.
- É a minha irmã! Eu não vou ficar aqui! – teimei.
- É o que vamos ver. – falou irredutível.
Assim que fui sair, Edward bateu a porta, trancando o carro logo em seguida. Ele não fez isso...
- O que está fazendo?! Edward, me deixe sair daqui!! – gritei. — Edward!! – bati contra o vidro mas e ele simplesmente me ignorou.
Como um estalo, associei o cheiro a esse sentimento familiar. Ah meu deus, eu sei o que é! Eu sei o que é!
- Edward, não entra aí!!! – gritei, ele mal olhou para trás. – Edward não!!
Vi sua silhueta sumir ao adentrar a casa. Senti meu sangue congelar. Merda! É verbena! Esse cheiro é verbena! Tentei destravar as maçanetas de todas as maneiras, mas nenhuma delas cedia, e todos os vidros eram elétricos. Eu preciso sair daqui! Deitei no banco e chutei o vidro com toda a força, precisei de quatro chutes para que quebrasse. Alguns pedaços pontiagudos insistiram em continuarem firmes à porta, e mesmo minha pele sendo furiosamente arranhada, me esgueirei para o lado de fora. Fui até o porta-malas de meu carro e peguei a primeira arma que vi pela frente. Que bom, está carregada. Estava no terceiro degrau quando ouvi três tiros. Não! Não! Não! Corri escada acima, e quando cheguei à sala, senti meu espírito se descolar do corpo. Estava tendo uma morte súbita. Um infarto. Uma sincope. Um derrame...
Era para ter somente sete pessoas na sala, mas haviam quinze. Metade terrivelmente armada, com a mira sempre apontando para os Cullens. Eles estavam com ferimentos espalhados por todos os cantos, com as mãos presas e ajoelhados lado a lado, mas Edward estava caído, diria até desmaiado, enquanto um exterminador apoiava o pé em suas costas como se ele fosse um degrau, apontando uma arma para sua cabeça. Ele não se mexia. Senti minhas veias respiratórias se fechando. Ele não pode estar morto...Não,por favor... Minhas pernas tremiam, eu não sabia o que fazer. Um passo em falso e teria todos mortos.
-Bells! – olhei assustada para o lado – Finalmente te encontrei menina! Que saudade! – falou Max vindo até mim com os braços abertos.
Eu não posso travar. Não posso agir como se me importasse com os Cullens. Me forcei a retribuir seu sorriso.
- É bom te ver Max. – o abracei rapidamente – Mas o que todos eles estão fazendo aqui? Esse caso é meu, e não preciso da ajuda de ninguém. – ralhei.
- Você me ligou pedindo ajuda, não se lembra? – pisquei atônita. Ahhhh...Não – Eu iria vir sozinho, assim como me pediu, mas me disseram que precisava de muita ajuda e... – falou mas o cortei.
- Te disseram? E quem te disse essa porcaria?!
- Eu disse. – olhei para a escada e encontrei o dono da voz. Pude sentir a bile subindo a minha garganta. – Sou Jacob Black, é um prazer finalmente conhecê-la Bella. E desculpe começar a festa sem você.– falou apontando para Edward. Cínico filho da puta! Eu me lembro do bilhete e da maca. Mas...não faço ideia do que aconteceu depois.
Meu dedo tremulou ao redor do gatilho. Precisei respirar fundo cinco vezes para não deixar que a raiva tomasse o controle da situação. Ele tentou matar Edward, o machucou e ainda me drogou. Não vou deixar isso barato.
- Igualmente Jacob. – sorri apertando sua mão com toda força. Ele se aproximou de meu ouvido.
- Eu sabia que viriam mais cedo. Seu vampirinho é bem protetor não é? Não deixaria sua pequena passando mal em uma festa. – trinquei os dentes – Vai ser tão bom acabar com eles. – sussurrou – Primeiro seu namoradinho, depois a vadia da sua irmã. Talvez eu me divirta um pouco com ela antes. – como ele sabia sobre Alice?!
Me afastei bruscamente. Estava a ponto de estourar. Mais uma palavrinha que fosse, e eu arrancaria a cabeça dele. Jacob sorriu como uma cobra, me dando vontade de vomitar. Eu daria tudo para ter um sorriso de Edward agora. Meu deus, isso não poderia estar acontecendo. Até Esme está machucada! E Alice...Deus...Eu não vou perdê-la de novo. Meu olhar cruzou com o dela, e tive vontade de chorar.
- Então Bella, como pretende fazer isso? – falou Max gesticulando para os Cullens. De um jeito amigável? Quem sabe tomar um chá?
- Como sempre fazemos. – Jacob riu – Rápido e com estrago. Aproveite que todos já estão presos. É só atirar Isabella. Siga em frente. – Jacob me segurou pelos ombros e me guiou até que eu ficasse frente a frente com Jasper. Ele me olhou aterrorizado.
O exterminador que estava ao lado dele, se afastou. Destravei minha arma e apontei para sua testa. Confie em mim Jasper...Não faça nada estúpido...
- Não! Não faça isso! – Alice gritou e se debateu, tentando se soltar. Não sei porque desconfiei que o mais calmo iria fazer escândalo. Vi o exterminador ao seu lado tirar uma faca do bolso. Se esse cara a machucar, mando toda essa farsa pro inferno e grudo os miolos dele na parede. Apontei minha arma para ele.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!- Se mexer essa mão, não vai continuar tendo-a por muito tempo. Eu mando por aqui. E que eu saiba, não pedi que se mexesse. – o garoto sabiamente a abaixou. Alice me olhava com desespero e indignação. Só tenha paciência Allie. Voltei minha arma para a testa de Jasper – Sabe porque não somos iguais Jacob? – perguntei casualmente. Sem nem ao mesmo esperar sua resposta, segurei a arma como se fosse um taco de beisebol e acertei o rosto de Jacob em cheio. Bem que eu queria ter atirado...
Ele caiu sangrando no mesmo segundo. E ficou visivelmente furioso, o que deixava tudo ainda melhor. E isso não era nem a metade do que eu queria fazer com ele. Assim que Jacob levantou para contra atacar, fechou o punho, e teria me atingido em cheio se eu não tivesse desviado. Senti meu pescoço começar a arder e aquele poder estranho se espalhar. Dei-lhe um soco, com vontade, nas costelas, e pude ouvir o barulho dos ossos se quebrando. Ual. Essa força...Nunca havia sentido de uma maneira tão intensa. Não perdi tempo e o derrubei, apontando prontamente minha arma em sua testa.
- Porque não aceito ordens nem sugestões de outras pessoas. Ainda mais de sujeitinhos como você. As coisas funcionam do meu jeito. E não permito que seja diferente. – me aproximei de seu ouvido – Não faça nada de estúpido contra eles. E se tocar um dedo em minha irmã, se considere a nova decoração da sala de jantar.
Jacob e eu poderíamos nos matar somente com o olhar. Mas sabiamente nos afastamos. Todos nos olhavam desconfiados, mais um pouco nos perguntariam como pessoas que acabaram de se conhecer podem se odiar tanto. E não iriam gostar da resposta.
- E então Bella? – perguntou Max querendo uma resposta – Não podemos deixá-los vivos. – E porque não puta merda?! Todos continuaram me encarando, esperando que eu dissesse algo.
Pensar como exterminadora, pensar como exterminadora...
- Atirar é algo muito simples. Morrer sem dor é fácil. – fingi pensar — Não tem o porque não me divertir um pouco antes. Vou torturar cada um deles. – falei como se esperasse por isso há séculos.
- Queremos participar Bella. Não seja egoísta. Tem vampiros de sobra ai. – falou um dos exterminadores.
- É! A loira gostosa é minha.
- O ruivo desmaiado é meu.
- A fadinha fica por minha conta. Mal posso esperar para arrancar suas asas docinho.
Ninguém vai tocar em ninguém aqui! É tudo meu! Merda, era isso que eu temia! Caramba, não acredito que eu era assim. Até pior. Estou começando a sentir repulsa de mim mesma. Aqueles que eu julgava serem monstros são tão melhores que eu. Agora, como vou poder ficar de olho em todos eles para que ninguém saia morto? Pensa, pensa, pensa...
- Ok, vocês podem participar. – eles sorriram, engoli em seco — Precisamos de novas armas para matar esse tipo de vampiro. – Jacob estreitou os olhos, assim como a maioria. — Olhem bem para eles! Seus olhos não são vermelhos! – falei, e pude ver o espanto no rosto de cada um – Verbena não os mata! Só os paralisa! Sem termos os instrumentos corretos, é só uma questão de tempo para que se soltem! E quando se soltarem... – deixei a frase no ar.
Muitos se aproximaram para comprovar a cor dos olhos. Quando um deles tocou em Edward, quase gritei de alivio por ele ter se mexido. Meu hom...Quer dizer, ele está vivo!
- Do que precisa? – perguntou um homem de estatura mediana, loiro, com um boné dos Lackers – A propósito, sou Mike.
Do que eu preciso? Do que eu preciso?! De um tapa para acalmar os nervos talvez?! Foi então que senti aquela calma anormal me invadindo. Ahh, obrigado Jasper. Parece que você é o único confiando em mim nesse momento. Sem estar pirando era bem mais fácil pensar.
- Primeiro precisamos de material para produzir bombas. Um litro de Verbena e fósforo.
- O palito? – Max.
- Não, idiota. O elemento químico. – falei. Já tinha uma ideia em minha cabeça.
Assim poderia ganhar algum tempo, e talvez meu plano funcionasse. Preciso ligar para uma pessoa, urgente. Ela tem que nos ajudar.
- Mas onde vamos achar isso em Forks? – perguntou Max.
É ai que a coisa fica boa haha, não vão.
- Preciso da cooperação de vocês. Quero que achem essas coisas, custe o que custar, e voltem pra cá assim que conseguirem. Não importa se tiverem que sair da cidade. – de preferência - Somos nós ou eles. Enquanto isso, eu fico para vigiar.
- Não vamos te deixar sozinha Bells. – Max.
PORQUE NÃO?!
- E quem disse que ficarei sozinha? Você – apontei para a única menina no bando. Era morena, um pouco baixinha, mas parecia tão destemida quanto todos os outros – Qual seu nome?
- Sou Victoria Lopes. – respondeu.
- Você fica. Você também Mike. – os dois assentiram – Os outros podem ir agora.
- Eu também vou ficar – Jacob – Pode deixar Max, não vou tirar meus olhos dela.
Tentei argumentar contra, mas Jacob acabou ganhando. Agora eram eu, ele, Mike e Victoria. A casa ficou em silencio assim que os outros se foram.
- Vou ver se eles têm algo na cozinha. To doido por uma cerveja. Vem comigo Mike? Eu não demoro Bella. – falou com aquele sorriso de naja. Juro, mais um desses e eu vomito.
Os dois desapareceram enquanto brincavam de se socar. E Jacob parecia estar em perfeito estado. Eu não quebrei a costela dele? Isso é...impossível. Com uma fratura dessa, você fica quase um mês sem se mexer. Estranho. Fiquei sozinha com Victoria. Eu preciso arrumar um jeito de tirar eles daqui. Edward começou a resmungar e a se mexer. Victoria logo se levantou. Ela está louca se acha que vou deixar que toque nele.
- Onde pensa que vai? – perguntei.
- Vou fazer ele dormir de novo. – sorriu, mas seus olhos continuavam assustados. Ela segurava a arma como se fosse um aliem. E não tinha a menor ideia do que estava fazendo. Parece que sua determinação não está focada na caça.
- Fica longe deles – alertei
- Mas...
- Se encostar um dedo nele, você já era! – ameacei. Victoria se afastou imediatamente de Edward. – Vamos conversar lá fora.
- Mas eu já me afastei e...
- Agora! – ele me olhou assustada, mas não quis contrariar.
Caminhamos até a entrada da garagem. Não estávamos tão longe, só não queria correr o risco de que Jacob nos ouvisse. Se eu estiver certa, essa menina não tem nada que estar aqui segurando essa arma.
- Primeiro de tudo, porque está aqui? – ela me olhou confusa – Porque está caçando? – continuou calada – É obvio que não faz ideia do que está fazendo. Não sabe nem como segurar uma arma. Então me diga, o que faz aqui?! – perguntei mais alto.
Os olhos de Victoria escureceram com um sentimento genuíno que eu reconhecia de longe. Raiva, ódio, rancor... Ela estava atrás de vingança.
- Foi um deles? – perguntei me referindo aos Cullens. E duvido muito que a resposta seja sim.
- Não – garantiu. Seu olhar fulminou a janela acima de mim, e ela nem precisou responder, eu sabia quem era.
- O que ele fez? – ela engoliu em seco – O que Jacob fez a você?
- Jacob Black... – ela fechou os olhos tentando conter a ira – Ele... – as palavras engasgaram em sua garganta.
- Não precis... – não queria pressioná-la, mas ela logo me cortou.
- Jacob abusou de minha irmã e matou meu marido. – falou de uma vez. Pisquei atônita. Seu rosto se encheu de dor. Quase pude ver o meu rosto ao entrar em minha casa e encontrar minha família morta. — Ela só tinha três anos... – lamentou, não conseguindo mais conter o choro.
- Eu sinto muito. – falei sentindo uma lagrima escorrer por meu rosto.
- Ele quase a espancou Bella. Foi por pouco, meu marido a protegeu e....
- Victoria...
- E o amava Bella. Mais do que tudo. Daria minha vida para ter ido em seu lugar. – soluçou – Minha irmã ainda está viva, mas ela não fala. Nenhuma palavra. E não tenho mais para onde ir, sem que Jacob nos siga! — desabafou em desespero.
A segurei pelos ombros.
- Eu vou te ajudar.
- Você não pode me ajudar! Não estamos do mesmo lado! – gritou.
- Fique quieta! – falei tampando sua boca — Eu com certeza não estou do lado de Jacob. Então sim, eu posso te ajudar.
- Mas você quer matá-los! Os vampiros! – apontou para dentro da casa.
- O que isso tem a ver? — perguntei.
- Meu marido era um vampiro Isabella. Pessoas como você, o mataram.
Senti nojo de mim mesma ao ouvir isso. Eu era uma assassina fria e cruel. Caramba, o que eu fiz com minha vida? Quantos vampiros inocentes eu não matei? Quantos vampiros poderiam ter uma família? Eu destruí famílias, sendo que estava me vingando por terem tirado a minha. Eu fui uma estúpida irracional esse tempo todo. O ódio realmente nos deixa cegos.
- Eu não quero que eles morram. Estou tentando protegê-los – revelei.
- O que? – falou chocada — A grande exterminadora está...
- Morta – completei – Ela está morta. Demorei para perceber, mas essa exterminadora não existe mais. E não existe desde que os encontrei.
- Eu não...Como...
- Eles são incríveis. E ainda caçam somente animais. Aquele urso gigante? É a criança mais engraçada que já conheci, nos tornamos amigos no momento em que o encontrei dançando bob esponja na sala. A baixinha...é minha irmã. Minha irmã de sangue. — Victória arregalou os olhos — Achei que ela havia morrido há alguns anos, assim como meus pais, mas a encontrei há pouco tempo. A transformaram na noite em que meus pais foram assassinados. Ela está viva e bem. – respirei fundo — Olha... o que eu estou tentando dizer é que esses vampiros me acolheram e cuidaram de mim. Eu faria qualquer coisa para que eles estivessem seguros e longe daqui agora. Eles são...como uma família. – expliquei.
Victoria me olhou meio desconfiada. Eu também não acreditaria facilmente em alguém que passou a vida inteira fazendo algo e que de uma hora para outra se arrepende. Ela me ajudaria muito se ficasse do meu lado. Acabar com o planinho de Jacob seria bem mais fácil.
- E como pretende me ajudar? – perguntou sem botar muita fé no que eu estava dizendo.
- Só me ajude a mantê-los seguros e eu te tido do ramo do extermínio. Chega de armas e verbena. Eu já tenho um plano em minha cabeça. Só não deixe que Mike ou Jacob os machuque.
- E o que eu ganho me arriscando assim?
Ela iria me ajudar. O que estou prestes a oferecer é irrecusável.
- Eu te dou Jacob Black em uma bandeja. E também vou tentar arrumar um jeito de ajudar você e sua irmã. Estou te oferecendo um recomeço.
- Faria isso por alguém que nem conhece?
- Só quero que siga sua vida e largue a porcaria dessa arma. Eu queria ter tido essa possibilidade. Você ainda está no inicio, mais alguns meses e não tem como largar. Já vai ser muito conhecida no mundo dos vampiros. Sua irmã precisa de você. Precisa ser forte por ela. Precisa lutar por ela. E aproveite cada segundo, pois isso faz falta.
Victoria desviou o olhar, e essa foi a prova de que ela havia me entendido e que também estava se sentindo ausente e fraca em relação a irmã. Por fim ela disse:
- Temos um acordo Isabella. – estendeu a mão que eu prontamente aceitei – Vamos acabar com Jacob Black.
Cinco horas haviam se passado. Estávamos rezando para que os meninos ficassem com sede e saíssem para comprar algo. Edward parecia cada vez mais fraco, assim como os outros. Enquanto estava conversando com Victoria, Jacob e Mike aplicaram uma boa dose de verbena em cada um dos Cullens, e continuavam a aplicar. Eles precisavam de sangue o mais rápido possível. Eu sei que eles não morreriam, mas não aguento vê-los assim, sofrendo, gritando...Victoria já sabia do plano, e esvaziamos toda a geladeira, agora vinha a parte mais difícil, esperar para dar continuidade ao resto. Depois de mais meia hora de tortura, tendo que olhá-los agonizando e não poder fazer nada, Jacob e Mike se levantaram e pegaram seus casacos. Mas antes de ir, Jacob pegou a ultima seringa. Onde ele está indo?
- Vou só dar adeus ao meu amiguinho.
Jacob puxou Edward pelos cabelos e enfiou a seringa em seu pescoço. Quando Edward começou a gritar, não consegui me conter. Larguei a arma e me lancei contra ele. Estava quase atingindo seu rosto, quando Mike puxou pela cintura. Podia sentir meu sangue fervilhar, eu queria chorar e ao mesmo tempo arrancar os olhos dele com os dentes. Jacob sorriu me lançando uma piscadela. Ele se levantou e ainda chutou Edward como se fosse um animal. Tentei me soltar de Mike a todo o custo, mas Victória me segurou. Não podia cair no planinho dele e mandar tudo por água a baixo. Livrei meus braços das mãos de Mike e permaneci parada.
- Enfim, estamos indo comprar algumas bebidas. Quer me acompanhar Victoria? – Jacob se aproximou e a segurou pela cintura.
Victoria se debateu, e ele só se divertia mais, beijando seu pescoço. Mike não estava gostando nada de vê-la nos braços dele, mas aparentemente se sentia ameaçado por Jacob. Maricas. Você não tem nada a perder, bate nele! Ok, já que você não vai fazer nada...
- Mostre a esse filho da puta quem manda aqui Victoria! – gritei.
Ela sabiamente lhe deu um chute nas partes baixas. Jacob urrando de dor foi a melhor coisa que vi até hoje. E até vi um sorriso imenso no rosto de Mike. Se pudesse teria feito pipoca e ficado só o olhando gemer de dor.
- Eu vou acabar com você sua vaca... – Jacob caiu, e podia jurar que estava chorando.
Vi os olhos de Victoria faiscarem, e seus dedos procurarem freneticamente o trinco que destravava a arma.
- Agora não. – falei segurando seus dedos – Se fizer isso, estamos ferradas.
Ela parecia a ponto de explodir, mas assentiu de má vontade e foi marchando para a cozinha.
- Vamos logo Jacob. – Mike o ajudou a levantar – Ou quer apanhar de mais alguma garota? — falou indo para a porta.
Engasguei com uma risada, Jacob me fuzilou com os olhos e seguiu Mike.
- Hei Jacob! — chamei.
Assim que ele se virou, lhe dei um baita soco no rosto, seguido de um chute, jogando-o de uma vez para o lado de fora.
- Só queria te mostrar onde é a saída. — retribui fechando a porta logo em seguida.
Achei que ele voltaria, mas assim que ouvi o motor do carro ficando longe, corri até os Cullens. Eu estava em desespero. Meu plano imbecil tinha o mínimo de chances de dar certo. Eu não quero perdê-los. Nenhum deles. A resposta que eu tanto busquei ficou clara como água agora. Se pudesse jogaria minha antiga vida no bueiro, só para que todos saíssem ilesos.
- Victoria me ajude aqui! – chamei – Ele já foi!
Ela rapidamente veio com uma tesoura corta correntes, liberando um por um. Meu Deus, eles precisavam de sangue. Não conseguiam nem sustentar o próprio corpo, só caiam feito sacos de batatas.
- Você tem algum problema em doar sangue para o hospital? – perguntei a Victoria.
- Não. – respondeu confusa.
- E para vampiros? – perguntei sorrindo amarelo. Ela revirou os olhos.
- Não vamos dar conta de todos eles.
- Eles caçam animais, o sangue humano vai ser como uma descarga de adrenalina. Eles não precisam de muito. Damos conta disso. Ok? — esperei e nada — Victoria?
Quando a encarei, não estava preparada para a cena que vi. Edward estava sentado com Vic em seu colo, enquanto ele agarrava sua cintura e tomava o sangue dela diretamente de seu pescoço. E ela parecia estar gostando. Muito. Tanto que até puxava o cabelo dele com intensidade. O que ela pensa que está fazendo?! Esse...esse vampiro é meu! Senti meu sangue fervilhar. Eu não estou acostumada a sentir ciúme. É normal querer puxá-lo pelos cabelos por ter mordido ela e não a mim? E eu não estou confiando muito em mim com essa arma na mão. Caramba, eu estou com saudades dele! Do toque, do sorriso, do beijo...E ele vai direto para ela?! Se eu olhar isso por mais alguns segundos, mato alguém ou começo a chorar. E eu não quero fazer nenhum dos dois
- Se me dão licença, vou vomitar na cozinha. – falei – Me avisem quando ele terminar com a caixa de todinho.
Quando estava saindo, ouvi algo como "Edward, você está ferrado cara. E ela está armada". Fiz um corte em meu braço e comecei a colocar pequenas quantidades em alguns copos, Jacob e Mike poderiam voltar a qualquer segundo. Assim seria bem mais fácil alimentá-los do que um de cada vez. Quando já estava me sentindo tonta, decidi parar.
- Bella, tudo bem? – Victoria perguntou entrando na cozinha.
- Tudo ótimo. Já acabaram de se comer na sala? Assim eu posso voltar.
- Bella...você me pediu para ajudar. Eu achei que ele ia mordeu meu pulso, mas ele me agarrou daquele jeito e...
Ele.A.Agarrou. Sem ao menos perceber, esmaguei o copo plástico que estava segurando. Haviam sete vampiros, porque ela tinha que ir no ruivo? Porque ela não escolheu o Jasper? Eu não gostei nada do que vi, mas a culpa não era dela, e a situação era séria. Agora eu estou sendo a vadia mimada. Devia estar feliz por ele estar em pé.
- Tudo bem – respirei fundo – Esquece isso. Só me ajude a levar esses copos aqui para eles, preciso fechar esse corte antes que eu sangre até a morte.
- Você não disse a ele não é? – perguntou pegando os copos em cima do balcão.
- O que? – perguntei.
- Eu conheço esse olhar. Você o ama. – declarou.
- O que?! – falei, minha voz subindo duas oitavas — Eu...eu não...Eu não o amo. Ficou louca? Bebeu? Fumou? Porque só pode ter acontecido alguma coisa assim para você achar que...
- Bella! – parei de tagarelar. Victoria riu – Você vai chegar lá. – garantiu com um sorriso – Espero que cheguem.
Victoria saiu me deixando parada com cara de tonta. Estava tão na cara que eu sentia algo? Um dia chegarei a amá-lo? Ou esse dia já chegou e eu nem percebi? Arggh, não tenho tempo para isso! Coloquei uma atadura em volta do corte e voltei para a sala. Mal coloquei os pés no cômodo, e senti dois braços gelados ao meu redor.
- Por um minuto, achei que tinha me trocado e decidido me torturar. – falou Alice em uma voz manhosa.
- Nunca nanica. – ela sorriu – Vou sempre estar aqui para você. Eles vão ter que passar por cima de mim se te quiserem.– beijei seu cabelo espinhudo — Não vou te perder de novo. – falei.
Alice assentiu tentando conter o soluço. Esse plano precisa dar certo. Muito certo. Todos já estavam alimentados e aparentavam estar bem melhor. Victória deu uma carga a mais a todos eles. É, só o meu sangue não bastaria.
- Bella... – ouvi Edward me chamar. Mas adivinha de quem é a vez de ignorar? Minha!
- Não temos muito tempo até que eles voltem. Me desculpem por terem que passar por isso. É tudo culpa minha. – falei envergonhada – Não quero que nenhum de vocês morra. Caramba, eu gosto de vocês. – revelei como se fosse um segredo de estado — Precisam confiar em mim. Eu tenho um plano.
- Isso não é culpa sua Bella – Esme me abraçou
- Ahh Esme, me desculpa. — falei retribuindo o abraço.
- Tudo bem. O que temos que fazer querida? – mesmo com toda essa situação, ela ainda conseguia ser doce. – E...pedimos desculpas por termos desconfiado de você. – todos concordaram.
- Eu entendo.
- Então nos conte o plano Bellinha, vamos botar para quebrar! – Emmett falou animado. Só ele consegue sorrir numa situação dessas — Esse viado não pode machucar minha família e a minha Rose e continuar andando. Afinal, belo soco viu? Foi lindo.
Ahh Emmett! Pulei em seu colo e lhe dei um beijo estalado no rosto. Ele gargalhou, rodopiando comigo em seus braços. Não adianta, ele é feliz o tempo todo.
- Primeiro de tudo, preciso de um celular.
Edward prontamente me estendeu o dele. Assim que peguei o celular e o liguei, vi que o plano de fundo era a foto que tiramos na festa, a que o fotografo nos pegou de surpresa. Sorri. Esme tinha razão, formávamos um belo casal. Concentra Bella! Procurei o nome na lista de contatos e disquei o numero, logo depois ela atendeu.
- Edward! – cumprimentou – Como vai?
- Os Cullens precisam de sua ajuda.
- Bella? – falou surpresa — O que está...
- Exterminadores invadiram a casa. Preciso que você e sua irmã cheguem aqui o mais rápido possível.
- Você planejou isso?! – rosnou.
- Se eu houvesse planejado, não estaria ligando e pedindo ajuda para salvá-los. Não seja burra.
- Bella, se estiver mentindo...
- Pense o que quiser, só esteja aqui.
- Bel...
Desliguei o celular e entreguei a ele. Ele me encarou por um bom tempo, mas depois me puxou para seus braços. Ahh, esse é o meu lugar. Sentindo seu cheiro, sua pele, parecia até que não tínhamos problemas. Edward beijou minha testa.
- Vamos sair dessa – sussurrou.
- Você está bem? O pescoço...- falei tocando o ponto em que Jacob havia aplicado a verbena.
- Estou bem. — falou. Tinha certeza de que ele queria o mesmo que eu, mas ambos permanecemos parados.
Era difícil acreditar que sairíamos ilesos dessa. Se eu errasse na construção das bombas, não teria fumaça. Se não tivesse fumaça, eles atirariam em Kate e Irina, e ainda veriam que eu estava contra eles. Resultado final: todos levariam um tiro no traseiro.
- Não acredito que pediu ajuda as pessoas que quase te espancaram até a morte. – reprovou Alice.
- Olha, isso não é mais sobre mim. É sobre a segurança de vocês. Todos aqueles exterminadores vão voltar com fósforo. Esse elemento químico produz muita fumaça. Todos ficarão perdidos. Nenhum deles terá como fugir. E aí, Kate entra e frita cada um deles. E todos nós saímos felizes dançando "walking on the sunshine".
- Parece um bom plano, principalmente a parte da dança, exceto por uma coisa. – Jasper falou – Essa bomba vai ter verbena não vai? – concordei – Kate vai ficar sem velocidade. Ela não vai conseguir apagar todos eles sem levar um tiro.
Puta merda, não tinha pensado nisso. Mas bem que Kate merece levar um tiro, pra aprender a se comportar.
- Então parece que eu também vou ter que ficar. – falei.
- Nem pensar! – Edward e Alice disseram ao mesmo tempo.
- Olha, eu até podia ficar discutindo, mas é assim que vai ser. Não estamos conversando sobre quem vai jogar o lixo fora. Entendem que se algo der errado vocês morrem?! E eu não vou deixar isso acontecer.
- Bella, você não vai fazer isso. – Edward.
- Você me trancou no carro seu filho da mãe! Vai me trancar onde agora para que eu não fique?
- No quarto. – Emmett falou soltando uma gargalhada.
Eu poderia ter ficado brava, mas esse som realmente me animou um pouquinho.
- Não é uma má ideia – Edward falou piscando para mim.
- Eles voltaram!! – Victoria gritou assustando a todos – Bella nós quebramos as correntes! E agora?!
Puta merda, não pensei nisso também! Droga! Droga! Droga!
- Vocês têm fio de náilon? – perguntei. Teria que funcionar.
- Sim, na cozinha. Terceira gaveta. – Carlisle.
Assenti e corri para pegar. Abri a gaveta correndo e peguei, e quando me virei para sair, dei de cara com Edward. Ele não me deixou nem gritar por ter me assustado, só me beijou. Larguei o fio e guiei minhas mãos até seus cabelos. Meu peito se apertava cada vez mais, sentia que era um beijo de despedida. Ele me beijava com tanto cuidado e carinho que me comoveram. Não posso ficar sem ele.
- Só espero que esse não seja o ultimo. – falou me abraçando. O apertei junto a mim. – Bella, precisamos correr, eles estão quase aqui.
- Eu não quero te soltar – revelei – Estou com a sensação de que se te deixar ir, talvez você nunca mais volte. E eu não quero isso Edward.
- Vai dar tudo certo. Eu confio em você.
- Eu queria que hoje fosse diferente. Eu achei que seria. Mas parece que nunca vamos ter um dia normal não é? – sorri sem vontade.
- Isso que dá sair com um vampiro. — sorriu — E quando sair daquele monte de fumaça, vou estar te esperando. Depois de um banho é claro.
- Hei! — o empurrei sorrindo. O farol do carro iluminou a janela — Vamos! Vai! Vai! Vai! — falei empurrando Edward.
Depois de amarrar as correntes para que parecessem que nunca foram cortadas, eu e Victoria voltamos a nossos lugares no sofá. Dois segundos depois a porta se abriu, e não só Jacob e Mike passaram por ela, mas todos os exterminadores, cheios de sacolas.
- Trouxemos tudo Bella. E agora? – Max.
- E agora colocamos o plano em ação.
Demoramos bem mais para terminar do que pensamos, mas tudo está pronto. Já era noite do segundo dia. Felizmente, consegui manter o pessoal concentrado na produção e não na tortura. Supervisionei cada parte da produção, me certificando de colocar muito mais fósforo do que verbena, para que eles sentissem o cheiro e não me culpassem por não ter colocado. Todos estavam ansiosos para iniciar as explosões, mas dei uma desculpa esfarrapada falando que era melhor jantarmos primeiro, porque com o estômago vazio...Ah, nem lembro o que eu disse. Só sei que foi muito idiota, mas eles acreditaram. O motivo real por estarmos atrasando o plano, é porque as Denalli ainda não estavam aqui! Kate e as mãos mágicas ainda não tinham chegado! Deixei Victoria no comando e sai para tomar um pouco de ar puro e ver se elas não chegavam feito o papa-léguas. Tentei ligar, mas ninguém atendeu.
- Droga Kate, onde você está??!! – gritei para o celular.
- Então é por isso que não iniciamos a matança, você está esperando alguém. – Jacob falou se aproximando. Meu coração bateu a mil por hora, não esperava ele aqui. Porque você não morre hein?
- Isso não é da sua maldita conta Jacob. – falei tentando me controlar.
- Vejo que agora está amiguinha da Victoria. Ela te contou o que eu fiz não foi? – falou com aquele sorriso de réptil.
- Porque se importa com isso? – perguntei.
- Porque estava pensando em iniciar as coisas com você. No fundo você sabe que eu sou bem melhor do que aquela pedra de gelo que você vem pegando. – falou me puxando pela cintura.
- Você não passa de um merda Jacob. Você é patético. – falei cuspindo em seu rosto.
Jacob me empurrou, limpando o rosto freneticamente. Ele estava furioso, eu sabia disso, mas eu não vou abaixar a cabeça pra alguém feito ele. Não tenho medo de imbecis.
- Sabe de uma coisa Bells? Vou te contar uma historinha. – Jacob começou a me rodear. Um movimento em falso e eu arranco os olhos dele — Há muitos anos atrás, encontrei uma vampirinha vagando por essas florestas. Parecia uma fada que havia acabado de sair de alguma historia da Disney. Ela parecia perdida e bem inexperiente. Um alvo fácil. Não pensei duas vezes, joguei verbena e parti pra cima. A vampira gritava, urrava de dor, mas eu continuava esfaqueando, esfolando, socando... Não tive dó alguma, queria mais que ela morresse gritando. E estava quase chegando lá, quando um loiro sofredor me impediu.
Porque ainda estou perdendo o meu tempo e o escutando? Não tenho a mínima ideia do que...Espera...ele disse loiro sofredor? Como se eu houvesse apertado play, minha conversa com Alice retornou a minha cabeça.
- Como se conheceram?- perguntei.
-Ele me salvou. – Ótimo. O herói. -Eu era uma vampira muito inexperiente na época, e havia acabado de ganhar os olhos dourados. Ou seja, eu não tinha mais sangue humano em minhas veias. Estava fraca e tentando me acostumar com a dieta. Sai pra caçar sozinha, e um exterminador me encontrou. Aquela fumaça me deixou perdida. Eu só via o punho dele quando já estava a centímetros de meu rosto. Depois ele cansou de usar a mão, decidiu usar uma faca.
– Como assim ele usou uma faca?! Qual o nome desse desgraçado?!
– Enfim, eu estava quase morta. Já havia desistido de tentar sair das garras dele. Ai Jasper apareceu – assim que pronunciou o nome dele, seus olhos se iluminaram. Que nojo. – Ele me trouxe para o Carlisle e...nunca mais foi embora.
Agora eu sabia qual era o nome do desgraçado! Jacob Black!
- Eu vou matar você!!! – gritei em plenos pulmões partindo pra cima dele com toda a raiva acumulada.
Derrubei Jacob no chão como se fosse uma pena. Eu sentia aquele poder tremulando dentro de mim. Crescendo, crescendo e crescendo. Eu permiti que crescesse. Agarrei a camiseta de Jacob e soquei seu rosto com toda força. E soquei, e soquei...Minha mão já estava coberta com seu sangue, e mesmo assim, ele continuava rindo. Ele sorria como se estivesse ganhando um prêmio.
- Do que você está rindo seu desgraçado?! – gritei usando ainda mais força para puni-lo. Estava descontando toda minhas frustrações nele – Vamos ver se você ainda vai estar rindo quando não tiver mais dentes nessa boca!
O bati inúmeras vezes, mas o efeito risadinha não tinha passado. Eu vou acabar com esse cara!
- É uma pena que seu vampirinho continue mentindo para você. – falou antes que eu pudesse voltar a batê-lo – Ele não te disse o que aconteceu na festa não foi? É uma pena, porque, de um modo ou de outro, ele sabia que eu viria.
- Isso é ridículo! Ele não viria aqui se soubesse!
- Bom...Ele não sabe que sou eu, não exatamente. Ele foi avisado que poderia ser qualquer um ou qualquer coisa. Foi avisado de que eu já estava a caminho.
- Do que está falando?
- É uma outra surpresinha. Continua me socando e eu te mostro.
Que tipo de idiota pede algo assim? Não que ele tivesse escolha.
- Com prazer. – sorri com escárnio.
Iria recomeçar a espancá-lo, mas de um segundo a outro, Jacob foi para o chão como uma amoeba. Me surpreendi ao ver duas loiras me encarando. Já estava na hora.
- Finalmente – falei — Pararam para ir no banheiro em cada cidade que passaram?
- Tivemos um problema de ultima hora. Nunca pensei que veria isso. Exterminadores, com uma casa lotada de vampiros, decidindo se matar entre si. – falou Kate apontando para Jacob.
- Esse mereceu cada soco. E obrigado por ter pifado o cérebro dele. Provavelmente iria matá-lo mesmo.
- Você? Agradecendo? Perdemos muita coisa por aqui. – Irina disse abismada.
- Como se você não soubesse o que aconteceu. O cheiro de Edward está impregnado em você. – falou sorrindo por ter me descoberto.
- Podemos deixar isso para depois? Não temos muito tempo. – falei corando. Kate e Irina trocaram olhares cúmplices. – Já sabem o que fazer, não sabem? – perguntei séria. As duas assentiram.
- Sim. – Kate.
- Recebemos sua mensagem. – Irina.
- Então vamos lá. Primeiro de tudo, preciso que o acorrente e o tranque no porão. – apontei para Jacob – Em segundo, sejam cuidadosas. Cada detalhe é de extrema importância. Um erro... – engoli em seco.
- Não vamos errar. – garantiu — Não queremos mais membros da família sendo mortos. – Kate falou com rancor.
Irina concordou e sumiu entre as árvores. Kate estava pronta para subir ao telhado quando a chamei.
– Eu sinto muito. Se soubesse o que sei agora, nunca teria feito o que fiz. – falei me referindo ao resto de seu clã. Eu estava sendo sincera, eu sentia muito mesmo. Por Tânia, nem tanto.
Ela me deu as costas e foi para o telhado. Eu entendo, não é algo fácil de se perdoar. Agora era minha vez de me posicionar. Vai dar tudo certo, vai dar.... Abri a porta da sala e encontrei somente Victoria tomando conta deles.
- Bella! Sua mão! – falou alarmada.
Merda! Esfreguei a mão freneticamente com pano que ela me estendeu. Senti o olhar de Edward em mim no mesmo segundo.
- Está tudo bem. – falei para Victoria, mas mesmo assim, me dirigindo a ele – O sangue não é meu.
- Então... — indagou.
- Depois. – finalizei – Chame os outros – respirei fundo – Está na hora.
Estávamos em posição. Todos os exterminadores reunidos na sala de estar, esperando meu sinal para jogarem a bomba.
- Todos prontos? – perguntei.
- Sim! – responderam.
Assenti discretamente para os Cullens. Era agora. Meu coração estava palpitando feito louco. E a cada numero da contagem regressiva, seu ritmo aumentava mais.
- 5,4,3,2,1...
A bomba explodiu. A fumaça tomou conta de tudo em segundos, mal podia enxergar um palmo a minha frente. Tudo estava um caos. Todos gritando uns com os outros, totalmente perdidos. Ninguém estava esperando por isso. Quando ouvi o primeiro grito, soube que Kate estava no recinto. Só podia enxergar o brilho de suas mãos quando usava seu dom para apagar alguém. Senti algo passar zunindo perto de meu ouvido. Eram os tiros. Já haviam percebido que havia algo errado. Que havia um intruso. Assim que esbarrava em alguém, era uma luta para ver quem sobreviveria, eu ou o dono da arma.
Mais um tiro escapou, e eu ouvi o som que não queria. O som de cristais se quebrando. Merda...
- Kate! – gritei.
A ouvi gemer há poucos centímetros à minha esquerda, mas o autor do tiro também estava ali, em algum lugar em meio a fumaça. Só não faço ideia de onde.
- Bella, na sua diagonal! – gritou Victoria.
Corri e me choquei contra quem estava prestes a exterminar Kate. O homem não perdeu tempo e me acertou um soco em cheio. Cai desnorteada, eu já não estava enxergando, e agora estava com a visão ainda mais embaçada. Ouvi o trinco da arma ser destravado. Levantei correndo e chutei sua parte mais sensível. As vezes os golpes mais simples são os mais eficazes. Assim que o ouvi cair de joelhos, golpeei seu rosto, duas vezes para ter certeza de que estava mesmo desacordado. Ajudei Kate a se levantar e apoiei seu braço ao redor de meu pescoço.
- Victoria! Quantos faltam? — gritei
- Dois! Eu dou conta! – falou ofegante.
Quase cinco segundos depois, ouvi mais dois baques contra o chão. Caramba...Victoria nocauteando alguém era algo que eu realmente não esperava. Logo depois, ela estava ao meu lado.
- Vamos Bella. – falou me puxando em direção a porta. A deixei com os óculos de visão noturna. A visibilidade ainda era ruim, mas dava para pelo menos ver algo.
- Onde pensam que vão?! Eu vou matar vocês!! – gritou alguém. O homem começou a atirar para todos os cantos. Puta Merda!!
- Saiam daqui. – sussurrei – Não façam nenhum barulho.
- Bella...- repreendeu Victoria em um sussurro.
- Vai!
Assim que ouvi o ranger das dobradiças, sabia que estava sozinha. Me agachei em um canto e esperei ouvir algo. E quando ouvi, o som veio bem da minha frente, o som de sua arma sendo carregada. Ele está bem aqui! A centímetros de mim!
- Quer se esconder não é gracinha? – riu – Pronta ou não, lá vou eu.
Notas finais
COMENTEM POR FAVOOOOOOR. SE GOSTARAM, SE NÃO GOSTARAM...QUERO MUITOS REVIEWS HEIN? HAHA É SERIO U.U
NESSE LINK ESTÁ A FOTO DO LOCAL DA FESTA
http://download.ultradownloads.com.br/wallpaper/45438_Papel-de-Parede-Arquitetura--45438_800x600.jpg (local da festa)
PS: SE ALGUÉM SOUBER COMO EU FAÇO PRA CRIAR UMA CAPA PRA FIC, ME MANDE POR MENSAGEM. PQ ESSA AÍ NAO TEM NADA A VER COM A HISTORIA NÉ HAHAHA
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