A Explosão De Um Universo.
1 O quintal no meio do nada.
Estava frio e eu estava em um lugar desconhecido, o céu era negro, com pequenos pontos brancos brilhantes, apesar de que eu não deveria enxergar nada no meio de todo aquele preto, eu via uma mesa, duas cadeiras, duas árvores com uma rede estendida entre elas. Tudo isso rodeado por uma cerca de madeira e colocado em cima de um gramado verde e bem aparado.
Eu cruzei o local que parecia o quintal de uma casa e me deitei na rede, fechando meus olhos.
— Acorde.
Ao ouvir uma voz grave fui despertado do mais profundo sono, de uma maneira que assustaria qualquer um, mas não á mim, era como se eu já estivesse esperando por aquela voz.
— O seu universo vai acabar. – A voz informou. Olhei em volta e vi apenas um gato branco com os pelos ralos andando pela cerca, tranquilamente.
– O seu universo vai acabar. – Repetiu a voz, e foi então que eu percebi que a voz vinha do pequeno felino.
- É você que está falando? – Perguntei, sentando-me na rede e apontando para o gato.
O animal me olhou com um olhar de puro desdém, abriu a boca e com uma voz humana, grave e profunda, disse: — Só estamos eu e você aqui. – Se não é você quem está falando, é claro que sou eu.
Então percebi que ele não havia aberto a boca para falar, sim para dar um preguiçoso miado enquanto falava.
— Como é que você está falando? – Perguntei.
— Eu acabou de lhe contar o maior acontecimento da história da sua raça, e você quer saber como eu falo?. – Os olhos do gato eram impossivelmente vermelhos, mas eram, e tinham a expressão de desdém que eu sempre achei que todos os gatos tinham, mas esse era um desdém pessoal, era somente para mim.
— Tudo bem, então, porquê você diz que meu universo vai acabar?
— Por quê vai. – Respondeu o gato, como se fosse a maior burrice da minha parte não acreditar nele.
Suspirei profundamente, decidindo ignorar o gato, voltei a me deitar.
O animal soltou um longo e cansado miado, então voltou a falar: — Olhe em volta.
— Sim?
— O que vê?
— Um lindo céu estrelado. – Respondi, deixando um sorriso surgir em meu rosto.
— Eu disse “em volta”, não para cima. – Disse o gato, revirando os olhos.
Me levantei da rede e olhei em volta. Não havia nada a minha volta, sem prédios, sem casas, o céu negro e estrelado estava por todo canto.
Caminhei até a cerca, olhei para além dela, não havia rua, pior, não havia chão. Eu estava em um quintal no meio do nada.
— O que vê? – Voltou a perguntar o gato.
— Nada. – Respondi percebendo que eu não estava no meio do nada, e sim talvez no meio da galáxia.
— Exatamente. O seu universo é relativo ao meu. Praticamente, nada.
— Se isso é verdade, então porquê está me dizendo isso?. Quero dizer, se o meu universo é relativo para o seu, porquê você está me avisando?
— Por diversão. – Respondeu o gato se deitando na cerca. – Ver você tentar salvar o seu universo em vão.
— E porquê o meu universo vai acabar?
— Por nada. Simplesmente vai explodir. Daqui um mês. Acontecerão mudanças climáticas, esse tipo de coisa clássica, que se vê nos filmes de apocalipse da sua raça.
— De onde você é? – Questionei de supetão.
— De outra dimensão. De outro universo... – O gato emitiu um barulho que pareceu uma risada presunçosa, e voltou a falar: — Uma outra dimensão e um outro universo que são beeeeem maiores que o seu.
— Como você chegou aqui? – Agora, eu voltava a olhar para além da cerca, vendo o não-chão escuro e com gotas brancas.
— Chegando... Sabe quando você tem a sensação que não está sozinho? – Apenas confirmei com a cabeça, mas o gato nem olhou para mim, apenas continuou falando. – Pois bem, é alguém ou algo da minha dimensão ou das outras dimensões, quando a sua dimensão entra em conflito com outra dimensão. E sabe... Comprovado pelos cientistas do meu universo, a dimensão quatro, a sua dimensão, é a que mais entra em conflito, não é a toa, que ela vai explodir. Atrito com as outras, talvez...
— Nossa, eu preciso fazer alguma coisa... – Falei sentindo uma ponta de desespero, passando as mãos pelos cabelos nervosamente.
— Sim, precisa, precisa! – Falou o gato agora com a voz grave animada. – Mas antes, você tem que acordar.
— Hã?
— Acorde.
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