A Excluída
23 PARTE 3 Teste
Lana ficou muito preocupada ao nos ver.
—Estavam correndo de valentões de novo, não é? – perguntou minha irmã enquanto nos trouxe água.
—É, você está certa Lana – David deu um sorriso sem graça – obrigado.
—Será que isso nunca vai acabar? – eu disse com indignação, entre raiva e tristeza – eu... não quero... ficar a vida inteira assim... ou espera a escola acabar pra ver o fim dessa perseguição.
Eu não consegui mais me conter e comecei a chorar compulsoriamente. Lana pôs uma mão no meu ombro, e David me ofereceu um abraço. Me afundei no abraço, achando conforto no meu amigo, por um momento tive a sensação de não ter mais nenhum problema, que aquele abraço era o suficiente para me proteger de qualquer perigo. David então desfez o abraço.
—Talvez nunca vão deixar de nos perseguir – ele olhou pra mim cheio de compreensão – mas eu te garanto que um dia não vamos ter que fugir mais.
—É isso – minha mente confusa teve um estalo – se quisermos parar de fugir, temos que fugir de uma vez por todas, pela última e definitiva vez.
David me olhou sem entender nada enquanto eu reunia nossas anotações e cálculos, colando os papéis na parede.
—Quer refazer os cálculos da máquina do tempo – ele entendeu.
—Mais que isso – completei – quero construí-la e testá-la.
—Mas Lilian – Lana ainda estava preocupada – se der certo, você vai embora.
—Não, não pra sempre minha irmãzinha – me abaixei na altura dela – eu prometo que volto pra te ver quando a saudade apertar.
Ela sorriu pra mim, mas ainda assim parecia triste e saiu.
Por mais que não demonstrasse tanto quanto eu, eu notei que David também estava amargurado. Juntos passamos o resto da tarde revendo cálculos e algoritmos que já estávamos estudando há um tempo. Unimos uma calculadora a um dos meus condutores de ondas eletromagnéticas numa estrutura parecida com um portal. Programamos a calculadora para calcular todos os algoritmos. Uma onda de energia passou pelo portal. Era a nossa deixa.
—Parece que está tudo certo – David disse com certo receio.
Sem hesitar, ele pegou o celular e ligou para o pai.
—Sou eu – eu ouvi David falando – pai, eu amo você, talvez... bom diz pra mamãe e a Lúcia que eu também as amo. Estou prestes a fazer uma viagem, mas eu prometo que eu volto. Confia em mim.
Meu amigo desligou sentindo uma mistura de tristeza e saudade com determinação e coragem.
Eu procurei Lana e segui o exemplo de David.
—A máquina do tempo está pronta – eu contei – e nós vamos pra Vila Nerd. Se tudo correr bem, você nem vai sentir a minha falta. Todo o tempo que passarmos lá vai equivaler a um segundo aqui. E conte comigo, com a minha promessa de voltar. Você confiou sempre em mim, confie em mim mais essa vez.
—Eu te amo Lilian – Lana me abraçou – você é a melhor irmã mais velha do mundo.
—Eu também te amo minha irmãzinha – respondi, chorando – e você é a melhor irmãzinha do mundo.
Eu a abracei com força. Tomei a mão que David me ofereceu com determinação. Dei uma última olhada para Lana. Ela assentiu, concordando com nossa jornada. Então atravessamos o portal deixando a modernidade e a perseguição para trás.
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