A Excluída

18 PARTE 2 A revanche


Entramos na minha casa ainda cansados, sentamos com um baque à mesa da cozinha.

—Quem chegou? – minha mãe saiu dos fundos da casa,

—Eu – respondi, cansada.

—Mas por que você tá com essa moleza? – ela olhou pra mim de maneira acusadora.

—Nós viemos correndo porque – David tentou explicar e ele se calou quando o olhei.

—Pra que vir correndo da escola?! – minha mãe reclamou – meu Deus! Não precisa ter pressa, a casa não vai sair do lugar.

Ela voltou para os fundos da casa.

—Essa é minha mãe David – expliquei a ele depois de respirar profundamente – eu paralisei aqueles brigões com uma invenção minha. Há um tempo atrás eu criei uma antena que produzia ondas eletromagnéticas que mudavam o pensamento das pessoas. Entravam nos cérebros dela pra fazê-las gostarem de mim. No começo deu certo, mas todos ficaram obcecados por mim. Vieram até minha casa me chamando feito zumbis. Dei um jeito de consertar tudo, mas fiz algumas alterações na antena. Só pra usar em emergências eu terminei de falar e David me olhou com olhos arregalados.

—Isso é incrível! – exclamou ele — eu nunca pus nenhum dos meus inventos em prática, quer dizer, meus projetos só estão no papel mas nunca tentei construir nada e você já! E ainda por cima deu certo!

—Mas foi só por um tempo – disse.

—Mas mesmo assim – ele riu – você é brilhante!

—Você também é – eu disse com vergonha – quer dizer, tirou dez na prova.

—É mas – ele desanimou um pouco – é melhor nós não lembrarmos dessa prova agora.

Eu percebi que essas provas eram o motivo de sermos emboscados na saída.

—Nós poderíamos tentar construir algum do seus projetos – sugeri tentando animá-lo.

—É – ele me olhou – ou podíamos construir algo novo, juntos. Algo pra assustar aqueles brigões.

—Ah eu não sei não – balancei a cabeça – lembra da antena?

—Você é brilhante Lilian! – David olhou bem nos meus olhos – não deixe ninguém te fazer acreditar que não é.

—Mas parece que ninguém no mundo sabe disso – ri baixinho sarcasticamente.

—Mas esse é o papel do mundo – ele disse sério – ofuscar qualquer um que brilhe mais que o normal.

—E eu sou tudo isso? – perguntei duvidando.

—Sim você é tudo isso – David disse com toda a certeza.

Eu só suspirei e sorri.

—Bom, vamos criar alguma coisa nova então – acabei concordando com meu amigo.

**

Trabalhamos a tarde toda, falando somente sobre o novo projeto para dar uma lição merecida aos brigões da escoa. Usaríamos pequenos botões metálicos para ativar um campo magnético que impediria os valentões de se mexerem, ficariam grudados na parede mais próxima.

Antes que David saísse, agradeci pelos elogios que ele me deu, me chamando de brilhante.

—Não tem de que – ele sorriu – e amanhã nossa vingança estará completa! Ha há há!

Balancei a cabeça por ele fazer aquela imitação de vilão.

—Isso foi exagerado mas vamos ver o que acontece amanhã – me despedi e David saiu.

Talvez a nossa ideia maluca de tentar vencer pelo menos uma vez desse certo.