A Excluída

9 PARTE 1 Resolução


— Acho que está pronto – disse finalmente depois de um bom tempo.

Apertei o botão e saí de casa. Ao chegar ao quintal, pude perceber que minha tentativa de resolver havia dado errado.

De repente, vi dezenas de adolescentes saírem de suas barracas, todos repetindo “Lilian Longsly” como se fossem zumbis. Eles começaram a me perseguir e corri tentando fugir deles. Depois de algumas quadras percorridas, consegui despistá-los. Respirei fundo tomando fôlego. Minha invenção tinha dado errado. O que parecia ser a solução para os meus problemas só piorou as coisas. Consegui voltar para casa. Meus pais me cercaram com seus olhares furiosos.

—É melhor você nos explicar o que está acontecendo agora – minha mãe ordenou.

Respirava com dificuldade. Minhas emoções pareciam explodir a qualquer momento. Então reuni forças para colocar para fora tudo o que estava dentro de mim:

—Eu cansei de ser uma excluída... invisível. Vocês podem não perceber, mas eu também tenho problemas. Principalmente na escola, ninguém gosta de mim lá. No dia em que eu cheguei fedendo, atiraram ovos em mim. Eu cansei de nunca ser ouvida ou vista por vocês. Foi por isso que eu criei essa antena. Ela devia transmitir uma mensagem para eles me deixarem em paz, mas acabou dando errado. Agora eles estão me perseguindo. Eu só queria um pouco de atenção. Ser vista por alguém. Mas ninguém se importa.

Minha mãe se aproximou com um olhar assustado e fez uma coisa que não fazia há anos. Ela me abraçou.

—Ah Lilian – ela disse – perdão minha filha. Eu pensei que você estava bem, mesmo sem conversar com ninguém. Nunca pensei que passasse por tudo isso, mas eu prometo minha filha – ela falou limpando minhas lágrimas – nós vamos viver como uma verdadeira família, não é mesmo Marcos?

—É... claro Vitória – meu pai disse transtornado.

—Mas primeiro – continuou minha mãe – você tem que resolver essa confusão.

—Claro – eu disse – eu... já sei o que fazer.

Mais uma vez, respirei fundo. Apertei o botão para desligar a antena. As emoções dentro de mim se acalmavam. Finalmente entendi que não podia fazer as pessoas me verem, elas tinham que me ver por quem eu realmente era.