A Exceção
5 Um mundo de falsidade
- E agora você virou cupido? — perguntou um Albus risonho ao escutar a historia do melhor amigo. Despercebido e descuidado, colocou ambrosia na poção. O caldeirão começou a borbulhar.
- Bem, não exatamente. — explicou o loiro sem notar ou se importar com a poção. — Não acredito que os dois vão dar certo.
Albus revirou os olhos enquanto com uma colher em forma de concha mexia lentamente o líquido negro. (que na realidade deveria estar prateado).
- Você é muito cínico, sabia? — comentou com sinceridade. — Além do mais, para que ajudar Rose a ficar com alguém que você sequer acredita que funcionará?
- Prefiro que ela tente estar com alguém que haja uma chance realista de retornar seus sentimentos do que com caras que agem como...
- Você? — perguntou rindo.
- Eu ia dizer idiotas... Mas é, acho que você tem razão. — replicou sorrindo. — O caso é que esse garoto, vou ser sincero, é um romantico, sabe? Ele acredite em toda essa bobagem de almas gêmeas e blá blá blá. Então...Comentei sorrateiramente que conheço alguém que comparte sua visão sonhadora e irrealista. Agora é só cruzar os dedos.
- É só isso? — Albus perguntou indignado. — Você não marcou um encontro com os dois? — Potter retirou a concha do caldeirão. Malfoy olhou por um segundo para a suposta colher que agora havia derretido completamente.
- Óbvio que não! — continuou. Albus bufou desacreditado, mas sua irritação passou rapidamente ao notar o estado da colher. — A iniciativa deve vir dele, se ele realmente quiser conhecer Rose, ele conseguirá. Mesmo que eu nem tenha revelado o nome dela. — Albus arregalou os olhos, quando aproximou seu rosto cerca da poção e por pouco quase foi atingindo pelo liquido espesso e perigosamente borbulhante. — Oh, você pergunta por que eu não disse o nome de Rose? — ele não havia questionado. Albus estava ocupada demais colocando pétalas de girassol para consertar seu erro. A poção adquirou um tom cinza. Potter pareceu satisfeito. — Porque se ele realmente quiser conhecê-la, não importa o quê ou como, ele irá ir atrás de Rose, mesmo que seja a última coisa que faça.
- Isso não era supostamente para acontecer ou sim? — Albus perguntou agudamente quando ao usar um pedaço de pau para mexer o líquido, o objeto ficara curvado e cheio de pontos brancos que mais pareciam musgos.
- Mano, eu nem sei que poção nós supostamente deveriamos fazer. — Potter mandou um olhar irritado ao amigo, mas no fim suspirou e se jogou na cadeira. — Por que escolhemos essa matéria mesmo?
- Era isso ou Trato das Criaturas Mágicas. Poções era menos perigoso, lembra? — comentou. Albus esquecera de diminuir a intensidade do fogo. Uma gota do líquido espesso saltou para fora do caldeirão e caiu em cima do pote de tinta de Scorpius. De repente, o vidro explodiu e se partiu em centenas de pedaços sujando toda a mesa de tinta preta.
- Hum... Não tenho mais tanta certeza disso. — ironizou antes do professor se aproximar e dar um grande sermão. No fim do discurso altamente monótono, os dois receberam lição de casa extra.
- E você acha que ele irá atrás da Rose? — questionou Albus enquanto limpava a sujeira feita. Scorpius se sentou na cadeira com as mãos atrás da cabeça.
- Eu sei que irá. — respondeu como se fosse óbvio. — Ele é muito meloso, mais meloso do que você!
- EI! — exclamou o outro indignado, apontando o pano sujo de tinta em direção ao amigo. — Eu não sou meloso.
Scorpius levantou uma sobrancelha, sorriu brincalhosamente, mas não disse uma palavra sequer.
- Ok, só por causa desse comentário, eu não vou mais limpar. O trabalho é seu. — Albus jogou o pano para o amigo. Scorpius revirou os olhos.
- Não fui eu que fiz essa besteira aqui. — apontou o fato enquanto levantava-se para arrumar a sujeira.
- Isso é porque você não fez nada. — atacou o moreno observando satisfeito o loiro.
O loiro sorriu e concordou com a cabeça.
- Mas você não pode evitar de admitir que é meloso, Albus. — Potter cruzou os braços e olhou para o chão. — Até parece a Rose às vezes. É embaraçoso meu amigo.
- Oh! — exclamou na defensiva. — Eu não sou como a Rose!
Scorpius saltou para atrás quando a tinta negra por um momento se mexeu. Arregalou os olhos observando cuidadosamente uma bolha pequena de tinta se mexer.
- Bem, você é sim. — continuou sua conversa, enquanto tocava cuidadosamente aquela coisa com a varinha. — Só que você é ainda mais fixado em uma pessoa do que Rose, quando ela percebe que a coisa realmente está fora do seu alcance, ela salta para um novo relacionamento. Você por outro lado, ficou obcecado com uma garota só e ponto. — depois de dar uma cutucada forte demais na bolha, ela estorou, jogando o líquido preto para todos os lados, incluindo o rosto de Scorpius. Albus olhava aquilo com muita satisfação. — Cale a boca- advertiu ao perceber que o amigo estava prestes a rir em alta voz.
O grifinório, porém, manteve a compostura. Scorpius pegou um pano novo e limpou o rosto.
- Mas falando sério, Scorpius. — voltou ao assunto, suas bochechas corando rapidamente. — Charlotte é... única. — O loiro encarou o amigo e deu um suspiro cansado.
- Não, ela não é. — contrariou zangando-se. — Gostosa? Oh, yeah! Sem dúvidas! Única? Não!
- O que é que você entende sobre isso de qualquer forma? Você parte de uma garota para outra! Não é como se entendesse a individualidade delas ou sequer se importasse.
- Albus... — disse seriamente voltando ao trabalho de limpar a mesa e o caldeirão. — Admito de que não sou do tipo que se sossega. Saio com diferentes meninas? Sim, mas fala sério, você acha mesmo que se eu não as entendesse, pelo menos um pouquinho, eu estaria saindo com elas?
Albus levantou as mãos em um gesto de trégua. Admitia, que o amigo tinha razão.
- Ainda assim, Scorp, você não entende como é... bem, se apaixonar por alguém.
O sonserino não conseguiu se segurar. Soltou uma risada tão alta que o professor lhe mandou uma advertencia. Depois de levar a bronca, o garoto se virou para o amigo.
- Apaixonar? Albus, eu juro pela minha vida, de que você não está apaixonado! Você está agarrado em uma garota por um motivo superficial.
- Ah, agora EU sou o superficial? Olha só quem fala!
- Não. — corrigiu — Seu motivo é superficial.
- Não, não é! Charlotte é uma garota bonita, inteligente, agradá- — Scorpius levantou a mão em um sentido de "pare". Não estava afim de receber a lista toda.
- Você gosta dela porque ela te ignora. Esse é o motivo e ponto. Não procure fingir na minha cara que existe algo mais profundo do que isso.
Albus balançou a cabeça negativamente. Pensava que seu melhor amigo não compreendia. Como poderia? Nunca havia se agarrado em uma garota tão profundamente como ela está. Nunca estivera louco por alguém. Scorpius não entendia.
- Olha, meu amigo. — continuou apoiando uma de suas mãos no ombro de seu amigo. O loiro encarou uma certa garota da lufa-lufa. Acenou com a cabeça para ela. — Se você abrisse seus olhos, perceberia que existe outras garotas além de Charlotte. — Albus estava pronto para contraria afirmando que Charlotte era a única que queria. Mas Scorpius, já predizendo o que o outro faria, continuou rapidamente — E que podem retribuir o que você sente. Pare de se iludir, Charlotte não quer você e nunca irá querer e sinceramente, acredito que não te mereça. — Ele mandou um olhar significativo para a estudante da casa amarela e preta. Albus não notou a troca de olhares do amigo. — Mas nunca se sabe! — comentou se afastando do grifinório e voltando a arrumar as coisas. — Quem sabe você talvez finalmente entre no relacionamento sério que tanto deseja? Só que dúvido, que seja com Charlotte.
Albus se silenciou. Ignorou o assunto, não tinha caso comentar esse tipo de situação com o sonserino. Ele não compreendia, nunca compreenderia. Afinal, ele era Scorpius Malfoy. O garoto mais mulherengo que conhecia. Ele não poderia entender seu amor profundo por Charlotte.
O que ele não sabia, é que Scorpius entendia mais do que pensara.
A poucos metros de distância, uma pena escrevia delicadamente em um pergaminho:
"Por que pensas nela dia e noite?
Por que a todo o momento?
Pare com isso imediatamente
Pare com esse tormento."
x-x-x-x-x-x-x
- Pss... — sussurrou Hugo.
Lily o ignorou. O lufo franziu o cenho observando as costas da prima. A garota se recusara a sentar na mesma mesa que ele. Estava agindo de maneira peculiar e dessa vez, não sabia dizer o motivo. Geralmente conseguia ler a ruiva como um livro decorado página por página, mas agora, é como se alguém tivesse pegado uma caneta permanente e rabiscado essas páginas tão conhecidas e inserido coisas novas.
- Lily... — voltou a sussurrar.
Lily voltou a ignorar. Ela virou-se para uma amiga que Hugo pessoalmente nunca havia visto com sua prima antes, mas que aparentemente se conheciam bem, pois conversavam alegramente. O garoto rasgou um pequeno pedaço de pergaminho e fez uma bolinha, mirou e atingiu a prima. ( o que não podia-se chamar de desafio, pois a garota estava somente a um metro e meio de distância.) A ruiva encarou o lufo com um olhar irritado.
- Finalmente consegui chamar sua atenção. — disse aliviado fingindo não perceber o olhar massacrante da outra.
- Parabéns! — comentou entredentes levantando a mão no ar.
- Sim, senhora Potter?
Lily fez um bencinho e olhou tristemente para o ruivo. Hugo se apavorou, sabia o que estava por vir. A garota daria uma de atriz, vira-a fazer seu showzinho muitas vezes para seus tios Potter quando esta queria que os pais punissem James.
- Senhor, Hugo não para de me distrair! Ele está jogando coisas em mim e procurando manter conversa, sendo que sabe muito bem de que preciso estudar essa matéria para passar meus NOM'S! Ele parece não compreender a importância de sua aula. — "Ótimo" pensou o outro. Estava indo para o lado da bajulação. — Afinal, sua matéria é provavelmente uma das mais importantes do exame!
O professor ficou mais ereto perante a classe.
- Oras, — comentou constrangido — Não diria que é uma das mais importantes — disse dando uma risada desconfortável. Hugo encarou Lily desacreditado. Sabia que Lily era capaz de fazer as pessoas derreterem em seus dedos. Não saberia dizer exatamente o que fazia as pessoas cairem em suas brincadeiras... Nunca acreditara que fosse as coisas ditas, mas sim o modo que as falava. A mímica da ruiva também sempre fora muito convincente, o modo que olhava os outros com um brilho irresistível. O que quer que fosse que fazia os outros se encantarem, jamais acreditara que usaria essa tática contra ele. Algo realmente estava incomodando a garota para fazê-la chegar a esse ponto. — Ainda assim, é uma matéria significativa. — admitiu pomposo. — Senhor Weasey, acho melhor o senhor prestar mais atenção e deixe a senhorita Potter em paz, talvez deve-se tomá-la como exemplo e procurar se empenhar para seus NOM's, senhor Weasley! Se eu pegar o senhor incomodando outro aluno, terei que dá-le uma detenção por intervenir minha aula, estamos entendidos?
- Sim senhor. Desculpe, senhor. — as orelhas do garota ficaram escarlates. Lily sorria. — Isso foi golpe baixo. — sussurrou.
Lily voltou a levantar a mão.
- Não. — arregalou os olhos. — Ok, Lily, te deixo em paz por agora, mas por favor...
A garota sorriu alargamente quando o professor viu seu braço erguido.
- Senhorita Potter?
Lily olhou para Hugo com maldade. O ruivo se enterrou na cadeira com os olhos fechados.
- Posso ir ao banheiro? — perguntou a ruiva inocentemente.
x-x-x-x
- E... — disse a garota sonhadora. — Finalmente vamos poder estar juntos uma vez por todas.
Heaven revirou os olhos. Será que ela nunca calaria sua boca sobre esse assunto.
- Charlotte, você sabe que eu te amo. — era verdade. As duas se conheciam desde infância, parecia coisa de destino. Charlotte era mestiça, sua mãe era bruxa enquanto seu pai um mero trouxa. Cresceu escondida da verdade da identidade de sua mãe, ela e seu pai souberam da verdade no dia que recebera a carta de Hogwarts. Heaven, por outro lado, era uma nascida-trouxa e crescera no mesmo bairro que sua amiga. A amizade delas é de muitos anos e mesmo a morena não concordando com muitas das atitudes de sua amiga, ela a amava, pois a considerava como uma irmã mais nova. — Mas não entendo porque insiste em me contar sobre essas coisas! Você sabe o que penso...
- Porque você é a única que eu posso dividir isso. — admitiu olhando amavelmente nos olhos da lufa. Heaven tentou mandar um olhar de desaprovação, mas falhou. Charlotte era muito convincente quando queria. — É a única que confio. É o nosso segredo.
Heaven suspirou contrariada.
- E que segredo! — jogou na cara — Você sabe que é errado, estou te dizendo a muito tempo!
- Você é muito certinha. — cismou. — Além do mais, é só errado por enquanto! Ele me prometeu que...
- Ele vive te prometendo coisas! — voltou a atacar — Principalmente isso, mas sejamos sincera, a quanto tempo ele diz que vai terminar seu relacionamento? A quanto tempo ele está jurando que vocês poderão finalmente virar um casal normal? Hã?
As bochechas da loira tornaram-se escarlate.
- B-bem, essas coisas levam tempo.
- Ah, Charlotte! Pare de procurar desculpas, você sabe muito bem o que significa!
- Pelo menos EU tenho a chance de estar com a pessoa que gosto. — defendeu-se — Pelo menos EU tenho a chance de amar alguém! — Heaven segurou o ar, não queria perder a paciencia. — Você é minha melhor amiga! Por que não é capaz de estar feliz por mim?
- Porque isso não é felicidade! Por que você não consegue enxergar? Nada de bom pode sair disso. Você não está fazendo nenhum favor a si mesma, ou a namorada dele com essa situação. Está destruindo corações, Charlotte! O seu e o dela! O único que está se saindo bem disso tudo é ele! E ele é quem menos merece essa felicidade.
A loira evitou o olhar da morena. Olhou para o relógio.
- Você tem razão.
Heaven sorriu aliviada. Será que finalmente ouviria o bom senso?
- Eu não deveria tocar esse assunto com você. — O sorriso de Heaven desmoronou.
- Charlotte...
- Estou atrasada. — comentou se levantando rigidamente. Seus olhos brilhavam de frieza, quase congelando o corpo de Heaven. — Diferente de algumas pessoas, eu tenho um encontro.
Heaven poderia cair em um abismo. Sentia-se mal, apesar de saber que suas palavras eram verdadeiras. Ela sentia cada verdade de cada palavra dita como uma facada. Principalmente ao encontrar com seus olhos uma Corvinal de cabelos negros parada no corredor. Pobre garota que não sabia ou ignorava o veredito. Heaven quase podia sentir sua infelicidade. A lufana suspirou. Triste como certas pessoas preferem atuar dentro de um mundo de falsidade, somente por medo de encarar a dura verdade. E apesar de não querer admitir, ela mesma estava jogando o mesmo jogo que Jamile e Charlotte. Melhor fazer de conta de não saber dos fatos, em vez de arruinar a vida dos outros. Infelizmente no fundo, sabia que isso era somente mais uma mentira que contava a si mesma. Mas assim é a vida, uma mentira atrás da outra.
Notas finais
Deus, ando muito lenta com as fics, eu sei. Mas eu disse que nao desisti e nem irei. Obrigada por todos que me apoiaram até aqui.
Sério *-*
Espero que tenham gostado desse cap. Sério, espero mesmo. Sei que nao foi grande coisa, mas pelo menos estao conhecendo mais os personagens secundários. A propósito, amo escrever Heaven, nao sei por quê. Hahahahaha
Beijos e queijos.
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