JULIETTE

Setor 45, dois anos antes

Elijah está me levando à loucura. Pra valer. Sem brincadeiras ou eu não sou louca eu não sou louca eu não sou louca.

Eu estou louca.

Estou pirando.

Ele não para de chorar em meu colo. Suas lágrimas escorrem quentes por suas bochechas rosadas mas gelam o meu coração. Relembro desta fase com as meninas. Leila, agora com sete anos, nunca me dera esse tipo de trabalho — ela nem mesmo chorava, o que assustava o inferno pra fora de mim. As gêmeas, Cleo e Chloe, agora com quatro aninhos, eram autossuficientes o bastante para, quando uma estivesse chorando, a outra apoiasse seu desconforto com uma proximidade linda. Elas choravam, mas desde bebês, a companhia uma da outra lhes supria mais que um colo de mãe.

Mas Eli... ele está me preocupando. Seu choro contínuo é apavorante. Apesar de Amaya, a mulher de Kenji e minha amiga íntima, dizer que o dom de Elijah é absorver emoções e transformá-las em energia, tenho quase certeza de que o poder real dele é ter super pulmões. Porque esse garoto tem fôlego. Ele pode chorar minutos a fio sem perder o ritmo.

Caminho pelas ruas do setor com ele em meus braços, rezando implorando e pedindo para que ele pare. Estou mais próxima das lágrimas à cada segundo que se passa sem mudanças.

Sara e Sonya já examinaram cada centímetro de seu pequenino corpo. Elas disseram que não há nada de errado com ele e que o meu menino não passava de uma criança chorona.

Não posso dizer nada quanto a isso. Sou chorona também. Ele provavelmente puxou demais para mim, enquanto as meninas puxaram para o pai. O pai, aliás, que pai. Aaron nunca saiu do meu lado por todos esses anos de companheirismo e loucura às avessas. Reavaliando hoje em retrospectiva com o dia em que eu o conhecera, percebo que não sei o que seria de mim se eu não o tivesse em minha vida. Honestamente. Você não sabe o quanto o amor fundiu você e seu amado até que você tente enxergar um horizonte sem que ele esteja presente e veja que é impossível. Como se a Terra tivesse perdido seu eixo. Como se o núcleo super aquecido de magma dela tivesse vazado e ela se tornara uma bola murcha de calor e incertezas.

Sem Aaron Warner Anderson, quem sou hoje nunca teria existido. A Juliette amiga, a Juliette amante, a Juliette mãe.

E, trazendo para o momento atual, uma Juliette desesperada. Embora agradecida. Embora feliz. Mas muito desesperada.

Nino Eli nos meus braços e cheiro os cabelos dele, buscando me acalmar. O que posso fazer o que posso fazer o que posso fazer?

Conversar com ele é inútil. Cantar também. Andar sem direção está parecendo não fazer grandes avanços.

Paro por um segundo e olho para os céus, em busca de inspiração divina.

Espero por um. Dois. Três quatro cinco seis sete oito nove dez segundos.

Deus deve estar ocupado.

Olho para o chão sob meus pés, querendo me enfiar em um buraco e de lá não sair tão cedo.

Procuro nas calçadas um lugar razoavelmente confortável para me sentar, mas algo atrai minha atenção antes.

Um livro.

Caminho até ele e seguro um Elijah soluçante firme em meu braço esquerdo enquanto pego o livro com a mão direita. A capa está desgastada o bastante para que me impeça de ver o nome da obra. Olho em volta, procurando o possível dono do livro em minhas mãos. Por seu estado acabado, posso dizer que ele fora lido muitas vezes. O dono deve estar sentindo falta do objeto.

Mas não há ninguém.

E, tecnicamente, o que é achado...

Abro-o e leio em voz alta o início. É como se fosse uma apresentação, mas a autora diz que mentira sobre o nome dela. Quem troca o nome assim, ainda mais por Mara?

Contenho uma risada e continuo a ler. Estou na página dez quando percebo o silêncio que se instalou. Olho para Eli e vejo seus olhos me encarando de volta com expectativa, como se esperando eu continuar a leitura.

Ele se acalma quando estou lendo para ele.

Eli parara de chorar para ouvir a história curiosa desta tal Mara.

Contenho um gritinho de vitória.

Sendo assim, retorno à leitura.

~~~

— Então, essa tal Mara tem dons, como nós? — Tenho vontade de socar a cara de Kenji por seu tom irônico.

— Sim. Ela pode matar as pessoas apenas com o pensamento.

— Não falemos nela, e sim sobre o fato do namorado dela — Amaya diz, sorrindo —, Noah, ser um completo partidão.

Kenji a olha como se não pudesse ter escutado direito o que ela dissera.

— Como é, Amaya?

— A questão — interrompo o casal, dando voz aos meus pensamentos — é que pode ser verdade. E se esta história for verídica?

— Certo. Assim como a história do Peter Pan, — Kenji começa — sempre soube que A Chapeuzinho Vermelho salvara de verdade a avó da barriga de um lobo. Claro. E a Barbie e o Lago dos Cisnes? Fatos verídicos visivelmente verdadeiros. Não queria contar para vocês, mas eu sou a Barbie.

— Cala a boca, Kenji — Eu e Amaya dizemos ao mesmo tempo.

Ele apenas sorri, irônico.

— Não nego que possa ser real, Juliette. — Amaya tenta ser a racional do trio — Mas como ficaríamos sabendo apenas por um livro, se fosse? E outra, os poderes dessas pessoas são memoráveis, fantásticos até. Eu não deixaria passar. Eu não deixaria Noah Shaw passar batido, como se eu pudesse tê-los visto e agora não relembrasse.

— Não deixaria, não é? — Kenny a olha de um jeito meio ameaçador.

— Claro que não. Por baixo da soldado foda e da superpoderosa Amaya, há uma mulher. Mulher esta que tem hormônios. Hormônios esses que fariam questão de me lembrar caso eu já tivesse visto o Noah.

Kenji bufa.

— Mas quer saber uma coisa boa? Esses hormônios estarão a flor da pele para você mais tarde.

— Que bom.

— Foco. Foco, vocês dois. A questão principal é saber se Mara Dyer e Noah Shaw são reais ou não. E eles parecem não ter controle pleno de seus poderes. Talvez... Talvez nossa ajuda seja bem vinda. Talvez juntos eles tenham descoberto alguma coisa ou —

— Juntos, — ela me interrompe, sorridente — tá aí. Mara Amitra Dyer e Noah Elliot Simon Shaw. MADNESS. Eu shippo.

Respiro fundo e conto até dez.

— Você shippa todo mundo, Amaya. Parece uma tiete.

— Eu sou uma tiete, meu amor.

— Não sei como você ainda tem uma vida, já que parece viver pelos seus livros e séries.

Ela faz uma careta para ele como resposta.

— Deixa eu ver se entendi direito: vocês acham que eles não são reais?

Amaya e Kenji respondem ao mesmo tempo, embora ela diga não e ele sim.

Ambos se encaram por alguns segundos até que Kenji desabafa.

— Por que eles seriam reais?

— Por que nós somos — Amaya responde, soando tanto uma afirmação quanto uma pergunta em meus ouvidos.

— Mas eles estão num livro.

— Quem garante que nós não estejamos em um também? — argumento com ele.

— Por favor — ele bufa —, se estivéssemos em um livro, você nunca acabaria com o Warner. Você acabaria com o personagem mais bonito e carismático de toda a história.

— Se não é o Warner, só pode ser o Brendan — Amaya completa, piscando para Juliette.

— Winston — sugiro — Ou Ian...

— O Ian não — Amaya e Kenji dizem juntos novamente, contudo, apenas ele continua — e é claro que seria eu o personagem mais fantástico da trama.

— Certo. É claro.

— Sabe o que achei curioso? — Amaya diz, sem esperar respostas — Ela não disse de que setor era. Não usara nomes de líderes que possamos conhecer. Se ela for mesmo real, da onde ela é?

Storybook? — Kenji cita a cidadezinha em que personagens são pessoas reais em Once Upon A Time.

Amaya bufa.

— Se eu pudesse voltar no tempo e evitar te mostrar todos os livros, séries, filmes e quadrinhos que te apresentei, eu voltaria.

Kenji mostra a língua para ela.

— É como se ela não fosse do nosso mundo — digo a mim mesma.

— Ela eu não sei, só sei que o namorado dela não é. — Sua voz transborda segundas intenções.

— E os poderes deles... Fora a capacidade de cura que o Shaw mostrou, alguns deles são novidade — digo, ignorando a cara feia de Kenji.

— Se encontrássemos quem perdeu o livro, poderíamos desvendar esse mistério. — Ele observa, perscrutando-me com o olhar.

— Não tinha ninguém por lá. Eu procurei.

Amaya bufa, impaciente.

— Não há nenhuma dedicatória? Nada de "erga seu quadril para mim, amor" ou outra frase marcante?

Pisco ao reconhecer a referência dela e a fuzilo com o olhar.

— Por que alguém colocaria uma dedicatória dessa em qualquer coisa? — Kenji, alheio aos fatos, pergunta.

— Sei lá, oras — ela pisca os olhos, inocentes, concentrada nas unhas —, talvez para reacender velhas memórias...

Interrompendo-a antes que algo embaraçoso fosse revelado, digo apenas que nós não sabemos quem é o dono.

— Bem, e o que faremos então? — Amaya verbalizou a pergunta que passara por minha cabeça.

— Nada — O nada de Kenji soa com um óbvio em seguida.

— Como assim, nada? Este, pelo que parece, é só o começo de tudo, o início da vida de MADNESS. Você quer que eu fique sem saber o que aconteceu a eles? — Ela soa desesperada até para mim. Alheia à sua aparência obcecada, ela continua — Você quer quer eu fique sem eles? Depois de tudo o que eu, Noah, Mara e todos os personagens — mas principalmente Noah — passamos?

Escondo meu sorriso em minha mão.

— Eles são só personagens, Amaya...

— Não há como vocês saberem se é só isso — os olhos dela capturam a mim e a Kenji —, ninguém pode afirmar com certeza.

Não impeço minha expressão de transparecer tão desacreditada quanto eu estou. Kenji reflete o meu desânimo.

— Chatos — Amaya tosse —, vou ficar com as crianças, pois elas são infinitamente mais legais que vocês.

Verdade e verdade. Meus filhos são muito legais, enquanto eu e Kenji ficamos encarando um ao outro no sofá, disputando silenciosamente para ver quem pisca por último.

— É claro que você vai ficar com eles. Todos ainda acreditam que o Harry Potter existe.

O meu ovo que ele não existe. Trouxa. — Apesar de tentar parecer brava, o tom debochado de Amaya faz desabrochar os nossos sorrisos.

Aaron topa com ela na porta, que não disfarça o olhar emburrado e os passos duros no chão.

— O que aconteceu? — Ouço-o perguntar a ela.

— Pergunte para o cara que queria terminar com a sua mulher se estivéssemos em um livro.

Seguro uma risada e lanço um olhar esbugalhado a Kenji.

A risada

a deliciosa e arrepiante e fantástica

risada de Aaron é audível daqui.

— E você pode culpá-lo?

— Não, — Amaya confessa, sem hesitar — só não sei o que o faz pensar que ela ficaria com ele. Eu sou a alma gêmea da Juliette Ferrars, ela apenas não sabe disso ainda.

— Pensei que eu fosse sua alma gêmea — Kenji grita, sem se mexer do sofá.

— E a alma gêmea do Snape era a mãe do Harry, e veja só com quem ela ficou! — Ela responde, saindo da sala e indo em direção às escadas.

Aaron vem até nós com um sorriso no rosto. Olhos verdes cabelos loiros sorriso branco e um corpo perfeito já seria a fórmula para me apaixonar por ele; com o acréscimo de seu belo e grande coração, não houvera escapatória, não havia incógnitas.

Eu o amo.

Amo quando ele chega em casa, assim como acabara de fazer, e me beija avidamente no sofá, assim como está fazendo agora.

Kenji limpa a garganta e sorrio ainda nos lábios de Aaron.

— Oi, comandante. Tchau, comandante. Vou encontrar a minha mulher e fazer as pazes com ela.

— Rápido assim?

— Sou um bom homem, J — ele pisca pra mim — e qualquer coisa é melhor do que ver a agarração de vocês.

Em meio a uma risada, Aaron diz — E o que vai dizer para ela? Amaya parecia brava.

— Quem falou algo sobre dizer? Não conversarei com ela. Há um jeito melhor de resolver as coisas.

— Você vai levá-la para cama — Aaron e eu dizemos em uníssono.

— Exatamente. Em dois minutos ela nem lembrará quem é Noah Shaw.

— Boa sorte com isso. — Observo-o levantar e caminhar até Amaya quando lembro que as crianças estão lá em cima — E façam tudo o que tiverem de fazer bem longe dos meus filhos!

Ele dá uma resposta abafada que é indecifrável a meus ouvidos. Aaron senta na almofada vizinha à minha e nossos joelhos coxas e mãos se tocam.

— Quem é Noah Shaw? — ele pergunta e suspiro, pegando o livro e entregando a ele. Explico tudo o que descobrimos nestas páginas e ele escuta a tudo, atento.

— O que faremos agora? — Repito a pergunta ao terminar de contar a história de amor e de loucura e de ação deste casal.

— Não há nada que podemos fazer, amor. Podemos apenas esperar — Sua mão esquerda está na curva de meu queixo, seu polegar em minha bochecha e seu cheiro em todos os lugares. — O dono do livro pode aparecer para reclamar de volta sua posse; ele pode nos fornecer respostas.

— E se ele não aparecer?

— Se ele não aparecer, temos de presumir que o autor desta história tem uma ótima imaginação.

Suspiro, não muito contente com esta conclusão.

Aaron me puxa para seu colo e me abriga em seu conforto e certeza e calor e segurança.

— Não fique assim, amor. Algo me diz que isso está longe de ser o término de sua descoberta.

Este é Aaron Warner Anderson — pai, amante, apaixonado por moda e o magnífico homem que chega em casa após o trabalho e ainda tem tempo de cuidar das necessidades da família.

— Eu estava aqui pensando — começo a dizer, cada palavra acompanhando um toque; quatro palavras, toco seu ombro, seu pescoço, seu peito e abdômen — em como seu coração é grande e belo.

As mãos dele acariciam minhas coxas, para cima e para baixo, seus movimentos ascendentes e descentes misturados levando-me cada vez mais acima, mais alta, mais leve.

— Isso é bom. — O sorriso novamente.

— Muito bom. Melhor ainda porque não é apenas ele que é grande e belo. Seus lábios o são. Seu peitoral. Braços. Seu... — Não termino a frase, deixando-o significá-la sozinho.

— Senhora Warner, é impressão minha ou você está dizendo sacanagens para mim?

Beijo a ponta de seu nariz.

— Eu nunca faria isso.

Mamãe! Mamãe, você tem que ver isso!

Ouço os passinhos rápidos de Leila chegarem até mim. Quando ela vê o pai, ela se joga de braços abertos em cima dele.

— Papai! — ela diz, após soltá-lo, seus pulinhos frenéticos fazendo os cabelos loiros dançarem em seus ombros — Como você está? Foi legal no trabalho? Quem você treinou hoje? — Leila não dá tempo para ele respondê-la antes de continuar — Mamãe, papai, vocês precisam ver isso.

Rio de sua agitação. Ela bate palmas, animada.

— O que você aprontou desta vez, Le? — Aaron, colocando uma mecha de cabelo rebelde atrás da orelha de nossa pequena, pergunta.

Ela gargalha, feliz. Pelo que parece, a travessura dela é uma das boas.

— Titia Amaya estava brincando comigo e com as gêmeas antes de titio Kenji aparecer. Ele disse algo para ela, para que ela o seguisse, mas, antes de sair do quarto — Leila recupera o fôlego, sorrindo de orelha à orelha — ela piscou para gente. Depois de um tempo, ela voltou ao nosso quarto e nos chamou. Vocês precisam ver o que fizemos.

Pegando minha mão direita e a mão esquerda do pai, ela nos leva, saltitante, até o quarto de hóspedes. Pelo menos Kenji obedeceu a minha ordem de ficar longe das crianças.

Passando pelo batente, primeiro vejo Chloe e Cleo com os dedinhos sujos do que parecia maquiagem. Até Elijah, no colo de Amaya, estava sujinho, suas gargalhadas babadas ajudando no processo. Por último, olho para Kenji. Um Kenji amarrado na cama pelos braços e pelas pernas — e, graças a Deus, vestido.

Contudo, não era essa a graça. Suas pálpebras têm, no mínimo, cinco cores diferentes de sombra. Grandes e coloridos cílios postiços enfeitam seus olhos. O blush está tão rosa pink em suas maçãs do rosto que fico surpresa em como ele ainda consegue nos olhar com dignidade.

Aaron ri tanto quanto Leila a meu lado. Eu mesma não posso conter um sorriso.

— Amaya, acho que para o look ficar completo você deveria passar um batom vermelho nele.

Ela ergue as sobrancelhas, gostando da sugestão. Minha amiga procura um batom daquela cor na minha maleta de maquiagem, que está tão bagunçada a esta altura que mal a reconheci. Quando ela encontra, caminha até Kenji com o batom em mãos como se fosse uma arma.

— Você não vai passar isso em mim — Kenji resmunga.

— Ah, vou sim.

Amaya guia o tubinho até seus lábios mas Kenji balança a cabeça, fazendo-a borrar suas bochechas e queixo com a cor vermelha.

— Fica quieto.

— Não — ele fecha a boca, colocando os lábios para dentro — essa cor não combina comigo.

As meninas riem dele e Amaya me entrega Elijah, preparando-se para lutar, se necessário fosse. Ela passa o batom na própria boca com capricho e, ao terminar, volta a guardá-lo. Percebo o que ela vai fazer antes dos demais.

— Como fiquei? — Ela pergunta a Kenji.

— Linda, mais do que o normal.

Ela sorri levemente antes de se jogar em cima dele, beijando-o e marcando-o com o batom.

— Ah! Amaya! — Ele resmunga quando percebe o que ela fez. As meninas riem ainda mais, e todos a acompanham quando suas risadas ficam mais histéricas.

— Tira isso de mim — Kenji murmura, lambendo os lábios e fazendo careta ao sentir o gosto da maquiagem — sei que fiquei bonito, mas tenho uma reputação a zelar.

— Peguem aqueles paninhos demaquilantes que estão no banheiro para o titio — digo às meninas. Leila fica de mãos dadas com as irmãs e juntas elas saem do quarto.

— E então, a pergunta que não quer calar: você sabe quem é Noah Shaw agora, Amaya?— Aaron pergunta, abraçando a mim e ao Eli.

— Noah Shaw? Não faço ideia de quem é — ela pisca, brincalhona— e se um dia eu soube, apaguei completamente por causa deste aqui. — Amaya aponta para Kenji.

— O que posso fazer? Sou demais.

— Sei. Meus filhos não viram nada indecente, não é? — Olho-os, desconfiada.

— Não, eu prometo. Fizemos tudo bem rapidinho. — Amaya responde.

— Bem gostosinho— Kenji completa.

— Bem escondidinho — Amaya, rindo, continua.

— Bem baixinho.

— Chega, vocês dois. Cruzes. — Abafo a risada com a mão — Desamarre ele e vamos descer. Vou preparar um café.

— Desamarrá-lo? Quem disse que vou desamarrá-lo?

Amaya sai da cama, limpa o vestígio de maquiagem em suas mãos e caminha até a porta, olhando-nos.

— Aquele café não vai se fazer sozinho.

— Amaya... — Kenji começa.

— Até mais tarde. Considere isso um castigo.

— Por ter falado que eu ficaria com a Juliette?— Ele questiona, indignado.

— Quê? Não. Por ter sugerido que o Harry não existe. Assim como Mara e Noah. Eles existem, eu sei que existem.

— Bem,— Aaron sorri para Kenji, debochado— vamos tomar nosso café?

Amaya bate palmas e dá pulinhos, lembrando o comportamento de Leila anteriormente.

— Não vejo a hora.

E saímos, deixando Kenji resmungando sozinho no quarto.

Mal sabíamos, na época, que Amaya estava certa. Não sabemos sobre o Harry, mas quanto ao casal que conhecemos no livro... eles eram reais. Eles são reais.

E para cá vieram.