A Estrangeira

11 Capítulo 10. 3 meses de amor


Notas iniciais
Olá pessoas :D Vamos a mais um capítulo, espero que gostem ;)

Capítulo 10. 3 meses de amor

POV Edward

Quando cheguei ao colégio meu coração batia acelerado, não só pela lembrança das visões de minha pequena irmã, mas também por avistar minha estrangeira reunida com nossos amigos em uma das mesas de piquenique em frente ao prédio principal.

Ao notar minha presença eu prazerosamente pude observar suas bochechas ganhando cor e Ângie rindo discretamente dela. Os garotos falavam alto sobre o próximo final de semana que era quando seria o segundo jogo da competição. Teríamos que viajar para uma cidade do outro lado do estado, então sexta feira após as aulas estaríamos dentro do ônibus de viagem da escola.

Já as garotas tagarelavam sobre o final de semana e sobre atores bonitos.

Comecei a cumprimentar a todos deixando Isabella, propositalmente, por último. Ainda tínhamos algum tempo antes da aula e eu queria saber se ela estava disposta a fugir de toda essa baderna para "conversarmos" um pouco. Entretanto quando fui beijá-la ela virou o rosto. Afastei-me confuso, ela tinha suas bochechas pintadas de vermelho e seu coração batia tão rápido que eu podia ouvi-lo sem nenhum esforço.

Sua rejeição foi como uma facada em meu peito. Eu pensei que estávamos bem depois que conversamos na madrugada. Será que ela ainda estava chateada por eu ter esquecido de avisá-la como eu havia prometido. Senti a ponta de seus dedos pousando delicadamente em minha testa, tentando desmanchar minhas rugas de preocupação.

- Não pense besteira, no almoço nós conversamos sobre isso. — sussurrou com um pequeno sorriso nos lábios.

Porém eu notei a culpa e a vergonha em seus olhos. A questão era, do que exatamente ela sentia culpa e vergonha? Culpa de ter que me dispensar? Vergonha de ter me dado uma chance?

- Ok. — sussurrei chateado.

Bella suspirou pesadamente e surpreendeu-me ao pegar minha mão e puxar-me para fora da roda de adolescentes.

- Eu disse para não pensar besteira. — revirou seus olhos. — E você está pensando besteira. — afirmou.

- Você... Você não quer mais estar comigo? — perguntei baixinho me sentindo a garota da relação.

- Ângie descobriu quem armou para eu ir até a floresta encontrar o tal garoto bonito.

Apesar de ainda chateado eu franzi o cenho para a sua alegação.

- Ao que parece o tal garoto bonito era o Mike. — disse entediada. — E tudo não passava de uma armação de Jéssica para me afastar de você. Dá para acreditar?! Isso é tão ridiculamente infantil! Quantos anos ela tem 12? Ela realmente achou que eu iria para o meio do mato só porque um garoto queria falar comigo? Ela me achou tão carente e idiota a esse ponto?

A indignação deixava seu sotaque extremamente acentuado e apesar de concordar que a atitude tinha sido infantil e estar muito bravo por Jéssica ter quase colocado minha estrangeira no caminho de um vampiro nômade, eu ainda não compreendia o porquê dela ter se afastado quando eu fui beijá-la.

- Eu realmente pensei que essas coisas eram besteiras de filmes e que isso nunca acontecia na vida real. Mas pelo amor de Deus! — bufou.

- Bella... Eu entendo sua indignação e estou tão indignado quanto você, apesar de não tão surpreso, mas o que isso tem a ver com o que acabou de acontecer? — expus meus pensamentos.

- Aparentemente você é o garoto mais desejado pela ala feminina desta escola e eu cheguei a pouco mais de uma semana e já...

- Você está com medo? É disso que se trata? Está com medo de que Jéssica e suas amiguinhas tentem alguma coisa? É isso? — passei a mão nervosamente pelos meus cabelos.

- Edward... — ela suspirou. — Eu estou com medo sim, mas não de Jéssica ou qualquer uma dessas crianças. — enfatizou crianças. — Estou com medo da minha reação. Porque eu não escuto calada qualquer merda que me falem. Se ela fizer algo eu vou revidar e revidar de uma maneira que ela não está acostumada. Revidar do jeito que se revida no mundo real e não do jeito que acontece na mente de uma patricinha mimada como ela. E se isso acontecer terei que enfrentar consequências.

- Do que tem medo?

- De ser deportada. De nossa relação virar uma merda de filme adolescente onde tenho que enfrentar historinhas irritantes nas quais eu sou traída pelo bonitão à armações ridículas em que comidas do almoço caem sobre a minha roupa.

Apertei meus lábios um contra o outro. Eu já havia estudado anos suficientes no ensino médio para saber que ela estava completamente certa em achar que essas coisas aconteceriam.

- Você não vai ser deportada. — garanti.

- Se eu quebrar a cara de Jéssica pode ter certeza que eu irei.

- Não chegará a tanto.

- Você pode garantir isso?

- Droga Bella! Eu não quero manter minhas mãos longe de você. Não com o idiota do Newton fazendo essas gracinhas e o resto do ala masculina com pensamentos sórdidos envolvendo a minha garota. — bufei.

Um sorriso tímido apareceu em seus lábios.

- Então eu sou a sua garota? — sorri torto.

- Você sabe que sim.

Suas bochechas voltaram a corar e eu nunca tive tanta vontade de puxá-la para mim.

- E você acha que eu também não tenho vontade de marcar território? Estou louca para mostrar para essas vadias que você está comigo agora. Mas o que eu sinto por você é tão puro e tão forte que eu não quero expor aos olhos invejosos. Não estou dizendo que nunca, apenas para irmos com calma em relação a olhares públicos. — pediu.

Suspirei. Eu ainda não concordava. Eu estava pouco fodendo para os olhares invejosos, tudo o que eu queria era Bella em meus braços. Meus sentimentos por ela não iriam diminuir ou mudar por conta de olhares sobre nós.

- Como quiser. — dei de ombros.

- Você está bravo. — olhou-me culpada.

Eu queria negar, mas eu não confiava em minha voz.

- A gente se fala no almoço. — bufei e me dirigi para a minha primeira aula.

Para mim, tudo o que ela falou foi um grande punhado de besteira sem sentido.

[...]

- Caramba Edward! Pare de olhar desse jeito para o Newton, daqui a pouco as pessoas vão começar a escorregar na poça de suor que ele está liberando. — murmurou Ben em alerta.

Bufei desviando meu olhar do loiro apavorado que estava do outro lado da mesa ocupado com seu hambúrguer. Eu não tinha gostado nada da história dele estar atrás de minha Bella.

- Bella te contou não é? — perguntou Ângela discretamente se esticando sobre a mesa para me olhar.

Ela estava sentada ao lado de Ben que mal conseguia disfarçar o nervosismo por estar tão próximo de sua paixão secreta.

- Sim. — bufei. — Estou com vontade de torcer o pescoço do idiota. — grunhi.

- Eu quero é torcer o pescoço da Jéssica. Já imaginou se Bella caísse em sua história e em vez de encontrar o perturbado do Mike encontrasse um maníaco perigoso?

- Do que vocês estão falando? O que aconteceu? — Ben perguntou assustado ao perceber que minha tensão não se devia a qualquer merda.

Ângela então começou a contar o que tinha acontecido logo após o jogo. Já eu me concentrei na porta de entrada do refeitório. Minha última aula tinha acabado um pouco mais cedo, então aproveitei para esquentar o almoço e voltar para a mesa antes de Bella chegar. Guardei um lugar na ponta da mesa, bem ao meu lado.

Finalmente ela apareceu na porta e me mandou um sorriso um pouco nervoso. Sorri querendo que ela entendesse que eu não estava mais chateado. Notei seus ombros relaxarem e ela suspirou caminhando até a nossa mesa. Quando ela estava a poucos metros de distância percebi Jéssica caminhando com sua bandeja no sentido contrário a Bella, mas com o mesmo objetivo de chegar a nossa mesa dos jogadores e líderes de torcida.

E como se Bella tivesse o dom de Alice aconteceu exatamente o que ela havia me dito mais cedo. Jéssica fingiu tropeçar e "acidentalmente" jogou seu prato de comida na roupa de Bella.

A estrangeira sequer olhou para Jéssica, seu olhar irônico estava grudado em mim como se quisesse que eu lesse em sua expressão "O que foi que eu tinha dito mesmo?". Então a raiva foi direcionada a líder de torcida que escondia o sorriso em uma falsa expressão de culpa.

- Oh! Me perdoe Isabella por transformá-la em uma lata de lixo! Mas sabe que até combina com você? — soltou risinhos assim como o refeitório que prestava atenção no pequeno show.

Bella voltou seu olhar novamente para mim. Minha culpa por ter ficado bravo com ela cresceu em meu peito. As coisas estavam acontecendo exatamente como ela havia dito e nós nem tínhamos assumido nada em público.

- Isso queridinha... Fique longe daquilo que é meu. — Jéssica sussurrou para que somente a morena escutasse.

Minha garota voltou seu olhar para a líder de torcida e simplesmente tirou seu casaco.

Meu Deus! Ela vai meter a mão na cara de Jéssica!

Segurei minha respiração. Contudo ela não partiu para cima da garota como eu tinha imaginado, ela levou as mãos à barra da sua própria camisa suja e a puxou para cima ficando apenas com uma regata branca colada em seu corpo escultural levando toda a ala masculina ao delírio. Eu estava ocupado demais com meus olhos fixos em seu sutiã vermelho que transparecia pela regata para qualquer demonstração de ciúme.

- Talvez quando você começar a agir como uma mulher e não como uma menininha fútil de 12 anos a qual a mamãe recusou comprar o vestido da moda, você consiga conquistar um homem de verdade.

Dito isso Bella caminhou até mim, sentou-se em meu colo e atacou minha boca. Puta que o pariu! Seus lábios estalaram com os meus ao se afastar da minha boca. Minha estrangeira virou o rosto para uma Jéssica chocada e mandou-lhe uma piscadela seguida de um beijo.

- Desculpe queridinha, mas você perdeu aquilo que você nunca teve. — as risadas no refeitório agora eram direcionadas a Jéssica que humilhada correu para fora do prédio.

- Oh! Meu! Deus! — Ângela exclamou entre risadas.

Observei as bochechas de Bella ficarem quase tão vermelhas quanto o seu sutiã. Então grudou sua boca em minha orelha.

- Será que você pode me emprestar seu casaco? Não quero ficar expondo meu sutiã pela escola.

- Não precisa pedir duas vezes. — bufei finalmente deixando minha baba de lado e lançando olhares irritados para os marmanjos de olho na minha garota.

Tirei meu casaco e passei por suas costas. Sorri ao vê-la com uma roupa minha, eu podia me acostumar com algo assim.

- O que aconteceu com a história de ir com calma em relação a olhares públicos?

Bella suspirou.

- Eu queria evitar esse tipo de merda que acabou de acontecer, mas se mesmo sem exposição aconteceu eu não vou ficar me privando de demonstrar meu carinho por alguém.

Sorri torto e beijei sua boca em um estalinho rápido.

- Fico feliz por isso.

[...]

Quanto mais feliz você está, mais rápido o tempo passa. Acredite em mim. Já fazia três meses que Bella deu seu espetáculo no refeitório. Três meses que nos assumimos em público, três meses e um dia que estávamos juntos. E a cada dia tudo ficava melhor e pior ao mesmo tempo. Minha sintonia com Bella estava cada vez melhor, eu a conhecia cada vez mais, tanto seus gostos quanto desgostos. Aprendi que minha estrangeira é uma mulher extremamente madura, porém sem a preocupação excessiva que muitas tinham, ela é leve e não faz tempestades em copos d'água. Isabella se mostrou extremamente carinhosa e quente como o inferno, me levava à loucura com seus beijos. Ela me fazia rir em muitos momentos e sorrir em quase todos. Tivemos alguns desentendimentos ao longo desses meses, porém nenhuma briga que possa se caracterizar como tal.

Ela conquistou facilmente minha família e nos visitava todos os finais de semana. Na maior parte do tempo ela brincava com Alice ou ajudava minha mãe na cozinha, o que me deixava um pouco rabugento e ciumento, eu não escondia que a queria só para mim. Tio Emm e tia Rose também estavam encantados pela estrangeira e fizeram amizade com ela rapidamente. Tia Rose às vezes a roubava de mim para conversa de garotas e tio Emm adorava passar seu tempo livre a fazendo corar. Papai também não deixou de abraçá-la para a família, porém ele a via muito menos que os outros por causa do trabalho no hospital. O tempo que ele passava com ela era interessante, os dois trocavam palavras muito inteligentes sobre diversos livros dos quais Isabella era viciada.

Bem... Por mais difícil que seja eu admitir em voz alta que desde o começo minha família estava certa, eu realmente estava apaixonado pela estrangeira. Não podia negar isso para mim mesmo e nem para Bella. Foi por isso que ontem, quando completamos 3 meses juntos eu a chamei para jantar.

Fomos para um restaurante italiano em Portland. Lá eu tinha certeza que existiria algo que agradasse ao paladar da brasileira. E meus extintos estavam completamente certos. O jantar foi divertido. A comida estava maravilhosa e a conversa melhor ainda. Contamos histórias de infância e planos para o futuro, e mesmo que em nossas palavras não existisse o nós, algo implícito em nossos olhares dizia claramente que não importava o que estávamos planejando para o futuro, queríamos fazer juntos.

Quando finalmente nos sentimos satisfeitos fomos passear de mãos dadas no centro da cidade. A noite estava fria e resolvemos sentar em um banco de praça. Abraçando seus ombros e esquentando seu braço com um leve vai e vem da minha mão eu decidi que aquele era o momento certo para declarar os meus sentimentos e pedi-la oficialmente em namoro.

Ela ficou extremamente emocionada por eu ter pesquisado sobre alguns hábitos entre namorados no Brasil e ter encontrado sobre as tais alianças de compromisso. Aqui nos EUA geralmente dávamos um anel para a garota simbolizando o compromisso ou então um noivado. Mas na cultura de Bella se trocavam alianças de prata com direito a nomes escritos por dentro e tudo mais.

Confesso que nosso namoro era caracterizado pela doçura extrema. Não que ficássemos trocando carinhos publicamente e jogando na cara dos outros o quanto nos gostávamos. Mas quando estávamos sozinhos simplesmente não nos importávamos com quaisquer restrições de demonstrações de afeto.

E é nesse ponto que as coisas ficam ruins, pois a cada dia maravilhoso ao lado de Bella é um dia a menos ao lado de Bella.

Durante todo o dia eu passava com o maior sorriso em meu rosto, mas quando eu deitava em minha cama e começava a pensar o meu coração apertava em uma saudade antecipada.

Notas finais
Agora a história entrará em um novo rumo, um pouco menos de romance meloso para mais drama, suspense e alguns momentos sangrentos. Para quem quer saber sobre quando acontecerá o prólogo a resposta é: Capítulo 15.

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