A Essência do Amor
8 Fragrâncias de Guerra e Convites Perigosos
O salão do hotel de luxo brilhava sob lustres de cristal, mas para Elara, o ambiente parecia um campo de batalha minado. Ela usava um vestido preto simples, porém elegante, que realçava suas curvas e destacava a determinação em seu olhar. Richard, ao seu lado, parecia uma estátua de gelo esculpida em um smoking impecável. Ele não havia dirigido a palavra a ela desde que entraram no carro, exceto para criticar a altura dos seus saltos.
— Mantenha a coluna ereta, Jones. Você parece uma camponesa perdida em um baile real — sibilou Richard, mal movendo os lábios enquanto sorria falsamente para um fotógrafo.
— E o senhor parece um boneco de cera que esqueceu como se respira — rebateu Elara, mantendo um sorriso radiante para as câmeras enquanto falava entre dentes. — Relaxe, Richard. O gelo pode rachar se o senhor forçar demais essa pose de imperador.
Richard apertou o copo de uísque com força. Antes que pudesse retrucar, um homem alto, de cabelos grisalhos e um sorriso carismático, aproximou-se deles. Era Julian Sterling, o magnata da indústria química americana e o maior concorrente da Lâfrer Essences no mercado internacional.
— Richard! Que prazer rever meu rival favorito — disse Julian, em um português quase perfeito, mas com um sotaque carregado. — Ouvi dizer que você teve um milagre químico no lote de verão. Estava pronto para comprar suas ações na baixa, mas você se superou.
Richard apertou a mão de Julian com uma força desnecessária.
— Não foi um milagre, Sterling. Foi competência. Permita-me apresentar minha assistente técnica pessoal, Elara Jones. Ela foi a mente por trás da estabilização orgânica.
Julian voltou sua atenção para Elara, e seus olhos brilharam com um interesse que fez Richard tencionar os ombros instantaneamente.
— Então você é a mente brilhante? — Julian pegou a mão de Elara e a beijou cavalheirescamente. — Impressionante. Richard sempre teve bom gosto para perfumes, mas parece que finalmente aprendeu a escolher talentos à altura do império dele.
Elara sentiu o olhar de Richard queimar em suas costas, como se ele estivesse ordenando que ela ficasse calada. Naturalmente, ela fez o oposto.
— Obrigada, Sr. Sterling. Foi um desafio interessante equilibrar a acidez da bergamota sem usar sintéticos pesados. Gosto de resolver problemas que os "especialistas" consideram impossíveis.
Julian soltou uma gargalhada genuína, ignorando a expressão cada vez mais sombria de Richard.
— Gosto da sua confiança, Srta. Jones. É raro encontrar alguém com essa coragem técnica e... essa língua afiada. Richard é um homem difícil, eu sei. Ele trata as pessoas como se fossem componentes químicos sem alma.
— O senhor não faz ideia — comentou Elara, lançando um olhar sarcástico para Richard. — Às vezes acho que ele foi destilado em um laboratório criogênico.
Richard deu um passo à frente, tentando cortar a interação.
— Sterling, tenho certeza de que você tem outros acionistas para entediar. A Srta. Jones e eu temos assuntos técnicos a discutir.
Julian ignorou a grosseria de Richard e entregou um cartão elegante, de metal escovado, diretamente para Elara.
— Srta. Jones, se algum dia você se cansar do clima frio do Brasil — e não estou falando da temperatura, mas sim da companhia — saiba que nos Estados Unidos, no meu laboratório principal em Nova York, haverá sempre uma vaga de diretora de pesquisa esperando por você. Lá, valorizamos não só o intelecto, mas também a humanidade de nossos gênios.
O silêncio que se seguiu foi carregado de eletricidade. Richard parecia prestes a explodir.
— Ela não está à venda, Sterling — rosnou Richard, a voz baixa e vibrante de fúria.
— Todo mundo tem um preço, Richard. Mas alguns preferem ser valorizados em vez de apenas comprados — respondeu Julian com um aceno elegante, retirando-se para o meio da multidão.
Elara olhou para o cartão em sua mão e depois para Richard. O rosto dele estava pálido de raiva, os olhos cinzentos faiscando como uma tempestade.
— Devolva esse cartão agora — ordenou ele, a voz trêmula de ódio contido.
Elara guardou o cartão calmamente em sua pequena bolsa de mão.
— O senhor não manda em mim fora do laboratório, Richard. E, sinceramente? O café em Nova York deve ser muito bom.
Ela deu as costas a ele e caminhou em direção ao buffet, deixando Richard Lâfrer sozinho no meio do salão, sentindo algo que ele nunca experimentara antes: o medo absoluto de perder a única pessoa que, em vez de temê-lo, o desafiava a ser real.
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