A Essência do Amor 2 Eloise & Derick
21 Perfumes
O renascimento do jardim de Marianne trouxe de volta o verde e os insetos polinizadores, mas o silêncio entre Eloise e Derick permanecia como uma névoa espessa. Ele a observava da sacada, via como o pequeno James corria entre os canteiros rindo — algo que o menino nunca fizera antes — e sentia o gelo em seu peito rachar, embora se recusasse a deixar o frio sair por completo.
Naquela noite, Elara organizou uma ceia especial. A mesa de jantar da mansão, geralmente palco de discussões de lucros e perdas, estava decorada com ramos frescos de alecrim e velas de cera de abelha.
Após o jantar, Eloise levantou-se. Ela trouxe uma caixa de veludo azul-marinho.
— Eu passei meus dois anos em Nova York tentando entender o que nos torna uma família — disse ela, a voz firme, mas suave. — E percebi que cada um de nós é uma nota diferente em uma composição que ainda não terminou. Eu criei algo para cada um de vocês.
O Presente de Richard: "Fundação"
Eloise entregou ao pai um frasco de cristal negro.
— Pai, para você, eu criei o cheiro do carvalho antigo e do couro, mas com uma nota oculta de sândalo. É a fragrância da estrutura que você construiu para nos proteger, mas com a suavidade que você finalmente permitiu que a vovó Marianne trouxesse para o seu coração. É a prova de que a rigidez pode ter alma.
O Presente de Elara: "Equilíbrio"
Para a mãe, o frasco era de um vidro rosado, translúcido.
— Mãe, o seu é feito de orquídeas raras e chá branco. É o cheiro da paz que você mantém nesta casa. Você é a única que nunca nos deixou desmoronar, a nota que liga todas as outras. É a leveza que sobrevive a qualquer tempestade.
O Presente de James: "Descoberta"
Ela se abaixou e entregou um pequeno frasco roll-on, inquebrável, para o menino.
— Para o meu pequeno James... o cheiro de grama cortada e camomila. É o perfume da segurança e da curiosidade. Quero que você cresça sabendo que a terra é o seu lugar mais seguro, e que você nunca precisará ser de vidro para ser forte.
O Presente de Derick: "Memória Viva"
O silêncio na sala tornou-se absoluto quando Eloise caminhou até Derick. Ela entregou a ele um frasco rústico, com uma tampa feita de madeira de laranjeira.
— Para você, Derick... — ela hesitou, os olhos encontrando os dele, que pareciam lutar contra uma sombra de emoção. — Eu não usei notas sintéticas. Usei a destilação pura da terra molhada, da flor de laranjeira e do almíscar. É o cheiro do dia em que você me ensinou que uma planta tem mais a dizer do que um contrato. É o perfume de quem você era antes de se perder no gelo. Chama-se "Memória Viva", porque eu me recuso a acreditar que aquele homem desapareceu.
Derick pegou o frasco. Seus dedos roçaram os dela, e um choque elétrico percorreu o ar. Ele abriu a tampa e fechou os olhos ao sentir a fragrância. Era o cheiro da liberdade, do jardim de sua mãe e, acima de tudo, era o cheiro da esperança que ele tentara assassinar dentro de si.
— Obrigado, Eloise — ele disse, a voz subitamente rouca, perdendo toda a autoridade corporativa. — É... familiar.
Ele não sorriu abertamente, mas pela primeira vez em anos, o olhar que ele dirigiu a ela não era de um sócio ou de um tio distante. Era o olhar do homem que, através do perfume, lembrava exatamente onde deixara o próprio coração.
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