A Essência do Amor 2 Eloise & Derick
11 Frequências de Inverno
A mansão Lâfrer Jones parecia mais silenciosa desde que Eloise partira para a faculdade de Botânica. Ela trocara os laboratórios de luxo da família pelos anfiteatros de pedra e bibliotecas densas, decidida a trazer o rigor acadêmico para o império do pai.
Enquanto isso, na sede da empresa, Derick — agora oficialmente o diretor de Pesquisa Ancestral e o braço direito do irmão, Richard — passava noites em claro. Ele se sentia na obrigação de provar que a confiança de Richard e o legado de Marianne estavam em boas mãos. Sua missão atual era a ambiciosa "Linha Orvalho": colônias botânicas e uma linha de hidratantes que usavam o conhecimento de ervas da mãe para criar uma barreira de proteção real para a pele.
Eram quase meia-noite quando o celular de Eloise vibrou no alojamento da universidade. Ela estava cercada de livros de fisiologia vegetal.
— Ainda acordada, sobrinha? — a voz de Derick soou do outro lado, com o ruído familiar de béqueres ao fundo.
— Estudando as propriedades da Lippia alba para a prova de amanhã, Tio Derick — Eloise bocejou, recostando-se na cadeira com um sorriso. — E você? Deixa eu adivinhar... tentando estabilizar a emulsão do novo hidratante?
— Na mosca — Derick riu. — O laboratório parece enorme e vazio sem você me corrigindo ou dizendo que eu estou sendo "orgânico demais". Mas o protótipo número 42 ficou pronto. O cheiro... Eloise, você não faz ideia. É como se a gente tivesse engarrafado o abraço da nossa mãe, Marianne, no final da tarde.
Eloise sentiu uma pontada de saudade do jardim da mansão.
— Eu quero sentir esse abraço logo. Como está o meu pai? E a minha avó?
— Richard passa aqui todas as manhãs antes da diretoria. Ele finge que está conferindo os custos, mas eu sei que ele vem para ver se a mãe está bem e para sentir o cheiro das plantas dela. Ele está mudado, Eloise. Ontem ele me perguntou se o extrato de Camomila que a Marianne faz daria um bom sérum noturno. Ele está finalmente aceitando que a ciência dele precisava da alma da nossa família.
Eloise fechou os olhos, sentindo um calor no peito. A reconciliação entre o pai e o tio era o maior projeto que eles já haviam realizado.
— Ele está aprendendo que nem tudo se resolve com um gráfico, tio. E você? Tem dormido?
— Dormir é para quem não tem uma linha inteira de colônias para lançar na primavera — brincou Derick, mas o tom era de cansaço e satisfação. — Sinto falta das nossas discussões na estufa. A faculdade está sendo muito "teórica" para o seu gosto?
— Eles falam muito sobre a planta morta no papel, Derick. Eu sinto falta de enfiar a mão na terra com você e com a vovó Marianne. Mas estou aprendendo a parte técnica que vai nos proteger de qualquer erro no futuro. Quando eu voltar nas férias, quero que essa linha de hidratantes esteja perfeita para a gente testar.
— Estará. Eu não vou te decepcionar. Você foca nos livros aí, que eu foco nas fórmulas aqui.
Ao desligar, Eloise olhou para a pequena muda de jasmim que trouxera de casa. Ela sabia que, enquanto os telefones estivessem ligados e o laboratório funcionando, o legado dos Lâfrer Jones estava seguro entre irmãos e gerações que finalmente se encontraram.
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