A Presença Do Mal

Edel

Eu estava completamente fora de controle, não sabia o que fazer, o que falar, eu simplesmente havia perdido o chão novamente, parecia que toda vez que me afastava de casa tudo se desmoronava, todos sumiam e fugiam de mim, sinto-me a pior pessoa do mundo para as pessoas que realmente são importantes e possuem valor. Não consegui conter as lágrimas ao pensar em Adel, sozinho e perdido por lugares perigosos, sem minha ajuda, eu devia estar perto dele e de casa, devia proteger meus amigos, devia proteger aqueles que amo, mas eu fui embora e agora todos eles também haviam sumido.

Quando comecei a soluçar, Lin embalou-me em seus braços e afagou meus cabelos, ela não disse uma palavra, mas senti que havia dito o suficiente para confortar-me, pude me abrir verdadeiramente com ela sem precisar tentar ser a capitã forte que passa sempre por cima dos sentimentos, pude sentir as emoções de verdade, sem fingir nada, pude ser a verdadeira Edel Frost.

Segurei um pouco as lágrimas e limpei o rosto, afastei-me e olhei para Lin que sorria delicadamente em minha direção e tentei mais uma vez retribuir o seu belo gesto, estava muito feliz por tê-la comigo junto na missão, nunca imaginava que poderia criar esse tipo de vínculo com alguém, principalmente com ela que conhecia bem pouco até o momento dessa viagem. Ela passou a mão em meu rosto e então falou:

– Edel, talvez nós não devêssemos ficar aqui, estou começando a sentir uma energia estranha desse lugar e ainda há pouco me conectei com Agnecia e ela me alertou sobre um terrível mal que está próximo, devemos partir antes que sejamos emboscadas. – Disse Lin tentando parecer calma.

– Um mal que nos ronda... Talvez seja isso que tenha levado todos, talvez esse mesmo mal possa ser a resposta para nossos problemas aqui Lin, nós precisamos descobrir o que aconteceu com todos aqui, temos que ficar! – Disse sem pestanejar.

– Mas Edel, se ficarmos aqui nós iremos ser destruídas, como poderemos ajudar essas pessoas, como poderemos ajudar o mundo se esse mal nos destruir antes? – Disse desta vez preocupada. – Não quero passar por cima de sua dor, mas precisamos agir cautelosamente, não sabemos do que se trata, temos que ficarmos juntas para sairmos daqui, você precisa confiar em mim.

Parei por um instante para analisar a situação, ela realmente estava certa, não poderíamos fazer muito pelos desaparecidos sem saber o que iriamos enfrentar, mesmo podendo ser a chance de ajudá-los de alguma forma, teríamos que voltar e arranjar um plano, juntar toda a equipe e alertá-los do perigo, era hora de agir em conjunto e não de pensar em meus propósitos pessoais. Desviei o olhar rapidamente de seus olhos e assenti:

– Tudo bem, você está certa, precisamos voltar o mais rápido e contatar os outros, é a nossa melhor chance agora.

Ela pegou em minha mão e sorriu novamente, eu apenas enterneci o olhar e foquei seus lindos olhos esverdeados que entravam em contraste com sua pele morena, ela era uma moça muito bela de fato. Nos viramos para ir embora de casa quando de repente uma dor se alastrou pelo meu olho direito, ela pulsava forte o suficiente para eu ter que me ajoelhar e segurar minhas mãos ao chão, era a mesma dor que me perseguia a alguns dias, porém desta vez ainda mais latente e poderosa.

Lin ajoelhou-se ao meu lado e perguntou:

– O que aconteceu Edel? – Disse assustada.

– A dor insuportável em meu olho voltou, e parece que dessa vez ela veio pra ficar.

Sem saber o que fazer para diminuir a dor eu simplesmente permaneci ali enquanto Lin tentava me acalmar, a dor pulsava cada vez mais intensa e rápida, e eu não sabia como controlar e sair daquela sensação de desespero. Até que uma ventania forte invadiu o jardim, trovões e raios preencheram o céu e uma figura apareceu de um portal maligno, vestia uma armadura e possuía uma espada em sua bainha, seus cabelos longos e claros cintilavam favorecendo a cor de seus olhos, porém um deles estava coberto com uma venda.

Quando reconheci a figura não pude acreditar, ignorei a dor por alguns segundos e me permiti encarar incrédula o jovem que estava em minha frente, sem conseguir questionar a tempo, ele se apresentou sorrindo:

– Olá irmãzinha, há quanto tempo!