Doces Memórias

Edel

A viagem havia sido bem cansativa, o leme do barco emperrava muitas vezes enquanto tentava manejá-lo, então tive que fazer muita força para não perder o controle da embarcação, tudo que pensava no momento era descansar um pouco e rever os amigos da mansão. Também estava bem ansiosa para encontrar pistas sobre meu irmão, mas sentia que precisaria estar com todas as minhas forças renovadas se quisesse encontrar algo, por isso decidi ir sem muita sede ao pote e esperar a hora certa para agir.

Lin sem dúvidas estava gostando da viagem, podia ver em sua face a expressão de quem acabara de descobrir um mundo novo, uma criança feliz e pronta para experimentar coisas novas, ela estava flutuando enquanto admirava o lugar. Fiquei feliz, pois sempre gostei muito do meu lar, e sempre tive muitas saudades por não poder estar perto da minha família e do meu irmão Adel, que agora possivelmente está sozinho e debilitado pela sua doença.

Caminhamos pelo labirinto de arbustos para chegar até a entrada da mansão, não havia nada de diferente a principio, tudo estava limpo, o piso, os móveis, os lustres, as janelas, até mesmo as maçanetas estavam brilhando, pude sentir o mesmo aroma que a casa possuía em minha infância, o cheiro da casa misturado com o ar da natureza, era tão delicado e suave que por um momento sorri timidamente, estava de volta em casa. Sai de meus devaneios e puxei Lin para subimos as escadarias até o andar dos quartos, um vasto corredor recheado de portas de madeira entalhada.

Conduzi-a até o meu antigo quarto, apesar de não ser muito grande era aconchegante e delicado, pensei que poderia ser uma boa alternativa para que ela se sentisse confortável com a situação de estar viajando comigo, talvez eu quisesse dar uma boa impressão também, não sei dizer ao certo, apenas imaginei que seria melhor assim. Entramos no quarto e logo a jovem sacerdotisa abriu a boca espantada, eu virei meus olhos para a cama, grande, coberta com uma manta azul e detalhes floridos em dourado cintilante, a janela do quarto coberta com cortinas também azuis faiscavam pelo véu que cobria a volta da cama, minha penteadeira antiga onde costumava me arrumar pela manhã, meus perfumes e joias, toda minhas velhas memórias estavam bem ali em minha frente, e eu pela primeira vez em anos, me permitia aproveitar esse momento.

Voltei à realidade quando Lin se virou e falou comigo:

– Não acredito que passava seus dias nessa casa incrível, é tudo tão surreal e fantástico aqui que estou maravilhada, não deve ter sido fácil deixar tudo isso para trás não é?

– Não, não foi nem um pouco... – Disse com pesar.

– Quando tive que fugir da minha vila eu fiquei muito triste e desesperada, senti como se uma parte de mim tivesse sido arrancada e destruída, mas depois que conheci a Grand Chase, percebi que nunca poderiam tirar minhas origens de mim, meus amigos, minhas história, meu lar, sempre vou carregá-los comigo de uma forma ou de outra. – Disse ela sorrindo.

Sorri de volta para a jovem e assenti com a cabeça, apesar de não nos falarmos muito desde que nos conhecemos eu conhecia a história de Lin, e admirava muito sua coragem e sua força de vontade, era uma menina corajosa. Desviei rapidamente o olhar e disse por fim:

– Bem, este aqui é o quarto em que você vai ficar até terminarmos a missão, espero que seja do seu agrado... Eu vou deixá-la só por alguns minutos, vou checar a casa para ver se consigo encontrar alguém e te encontro mais tarde aqui, se quiser pode ficar a vontade para explorar a casa, mas por favor, não vá muito longe, o lugar é grande e tenho medo de que você se perca, está bem?

– Tudo bem, sem problemas capitã! – Disse alegre e brincalhona.

– Então está certo, até mais tarde! – Me despedi por fim.

Sai do quarto e fechei a porta, fiquei um pouco intrigada com a gentileza de Lin ao notar minhas alucinações com o passado, entendi que ela assim como eu compreendia o que era ter de sacrificar suas emoções para um bem maior, e vi que podia confiar nela de verdade naquele momento.

Caminhei até o fim do corredor e desci as escadas correndo para encontrar alguém ou alguma pista de Adel, estava louca para rever todos, muito tempo fora de casa havia me rendido boas saudades de minha doce terra natal.

Notas finais