A Esposa do Século
39 Capítulo 38
Notas iniciais
Capítulo 38
Você é tão bonito
Mas não é por isso que eu te amo
Eu não tenho certeza que você sabe
Que a razão que eu te amo
É você, sendo você, só você
Sim, a razão de eu te amar
É por tudo que nós passamos
E é por isso que eu te amo
O carro parou em frente a residência Salvatore alguns minutos depois. Elena respirou fundo várias vezes. Era difícil encarar a verdade depois que ela era desvendada, era difícil admitir os erros cometidos, Elena sabia disso agora.
Damon deu a volta no carro, abrindo a porta para ele e estendendo a mão. Elena sorriu agradecida, colocando sua mão sobre a dele, e juntos entraram na casa. Em passos lentos eles atravessaram o jardim e finalmente entraram, não havia ninguém no primeiro cômodo da casa, o que de certa forma acalentou Elena.
– Você está bem? – Damon perguntou, encarando-a com o cenho franzido.
– Um pouco nervosa, mas estou bem – Ela respondeu. Damon assentiu, sem se convencer.
– Eu mandei uma mensagem para o meu pai há algum tempo, estão todos na sala de estar.
Geralmente, eles estariam no escritório de Giuseppe, onde ocorriam a maioria das reuniões e família, mas esse caso era especial e Damon pediu ao pai para que fizessem na sala, a fim de acalmar Elena e não a sobrecarregar. Vendo-a agora, ele sabia que havia feito o certo.
Eles abriram a porta da sala de estar e entraram. Elena prendeu a respiração sem perceber. Estavam todos ali. Giuseppe estava sentado em sua poltrona vermelha, Elizabeth estava elegante como sempre sobre o sofá, já Stefan – que surpreendeu Elena por estar ali, ela ainda achava que ele estava em turnê – estava quase deitado no sofá, sentado de forma desleixada. Elizabeth deu um tapinha em sua perna, dizendo para ele se ajeitar, Stefan revirou os olhos, mas acatou a ordem.
– Pai, mãe, Stefan – Damon saldou respeitoso, sem soltar a mão de Elena que soavam – Eu queria apresentar alguém a vocês – Ele sorriu feliz, por mais que tivesse medo da reação dos pais – Esta é Elena.
– Uau, vocês realmente são idênticas – Disse Stefan, batendo palmas divertido. Elena sorriu, sem saber o que fazer ou o que dizer.
– Vocês sabem que terão que tomar a responsabilidade por cada ato de vocês, não sabe? – Indagou Giuseppe, aliviado por finalmente ver um sorriso no rosto de seu primogênito.
– Sim, pai.
– Antes que Damon e eu fizéssemos qualquer coisa, eu queria ter certeza que temos a benção de vocês – Elena começou a falar depois de respirar fundo – Eu sou muito grata por todos os momentos no mês passado, eles foram muito importantes para mim. Mas vocês não sabiam quem eu era e me tratavam como se eu fosse Katherine, me perdoem por isso e por todas as mentiras.
– Elena – Elizabeth finalmente se fez presente – Eu aposto que você teve seus motivos – Ela sorriu – Apesar de ser errado o que você fez, você conquistou meu filho e fez dele um homem muito melhor, por isso eu só tenho a agradecer a você. Seja bem-vinda a família, querida.
Elizabeth se levantou e abriu os braços, caminhando até Elena, ela a abraçou gentilmente, verdadeiramente agradecida a jovem morena que estava mais que emocionada.
– Muito obrigada, Elizabeth – Disse Elena – Isso é muito importante para mim.
– E então, o que vocês planejam? – Perguntou Giuseppe quando Elizabeth tornou a se sentar e Damon e Elena tomaram dois lugares no sofá.
– Primeiro, eu tenho que anular meu casamento com Katherine – Damon respondeu ainda segurando a mão de Elena – Depois nos casamos.
– Damon... Não tão rápido assim – Elena corou, causando a risada de todos.
Depois de alguns minutos de conversa, Elena e Damon se retiraram da sala e foram até o quarto de Damon, que estava exatamente igual da última que ela esteve ali. Elena sorriu, seus dedos explorando cada canto.
– Esse quarto tem tanto de você – Disse Elena.
– Sério? – Damon se deitou na cama, colocando as mãos atrás da cabeça.
– Sim – Elena sorriu, se aproximando dele e se deitando ao seu lado na cama, com os cotovelos sobre o colchão – Me conte algo da sua infância.
– Já te contei.
– Não – Ela balançou a cabeça – Quero te ouvir como Elena.
Damon a olhou e sorriu, aquele sorriso que deixava à mostra sua covinha na bochecha e que lembrava uma criança de dez anos. Ele segurou o rosto de Elena, a puxando para um beijo apaixonado.
– Eu cresci nessa casa. Meu avô morava conosco aqui quando eu era pequeno, vivíamos brincando no jardim, ele era o melhor.
– Onde ele está? – Elena perguntou, temendo a resposta.
– Ah não – Damon riu – Ele não morreu não, aquele velho é osso duro de roer. Ele está viajando o mundo faz dois anos, parece demais para um idoso, mas ele não se deixa abalar, sabe?
– Isso é lindo – Elena respondeu. Damon abriu seu braço e ela se deitou sobre seu peito, abraçada a ele.
– Apesar da minha família ter sido sempre rica, meu avô gostava de fazer brinquedos de madeira. Acho que eu tive a melhor infância do mundo com ele. E você, conte-me mais sobre Elena Pierce.
– Elena Pierce não tem muito a contar – Elena sorriu – Mas quando eu era ignorante sobre minhas origens, quando eu era Elena Gilbert, eu tive uma vida comum de uma garota americana.
– O que você fazia quando era criança? – Ele perguntou, mexendo nos cabelos castanhos de Elena enquanto ela falava.
– Todos finais de semana eu ia para o campo com o meu pai, ele amava futebol – Ela riu, se lembrando – Todo domingo minha mãe fazia uma comida especial e a família se reunia, meu pai desmarcava todos os compromissos no hospital e ficava com a gente. Todo dia, minha mãe me levava e me buscava na escola. Quando tinha alguma festa, ela fazia questão de me levar. Ela nunca exigiu nada de mim, mas eu sempre dei o meu melhor para deixa-los orgulhosos.
– Você ainda se sente assim? Que eles são os pais que você deveria orgulha-los?
– Não sei. Eu tenho muitas lembranças boas, e durante toda minha vida eles foram os pais que eu conheci e considerei, eles foram tudo para mim. Quando eles faleceram, foi como se o mundo caísse sobre mim, eu sofri muito, achei que nunca superaria, depois minha avó ficou doente e tudo só piorou.
– Você os perdoou – Não foi uma pergunta.
– Por que acha isso? – Elena o olhou.
– Se você não tivesse perdoado, não falaria deles dessa forma, com compaixão e carinho, arrisco até amor – Ele sorriu – Você é grata pela vida que eles te deram, mas se sente injustiçada pela vida que eles te tiraram.
– Acho que você está certo – Elena suspirou, sorrindo em seguida.
– Claro que eu estou – Damon sorriu presunçoso, beijando a cabeça de Elena – Eu te amo.
– Eu devo ter minha sorte – Disse Elena de olhos fechados e sorrindo.
– Por que?
– Por ter encontrado você na minha vida – Ela abriu os olhos, encarando Damon apaixonadamente – Obrigada por não desistir de mim... de nós.
– Eu fui um cego por muito tempo, estava em tempo de abrir meus olhos – Ele respondeu – Nunca mais vou te deixar, e nem pense em sair do país sem mim.
Elena só fez rir, beijando Damon em seguida.
Pela primeira vez, ela se sentia feliz, realizada, o mundo poderia acabar agora que ela não se importaria. Tudo que ela queria e já desejou em sua vida, ela tinha, mesmo que suas conquistas tenham vindo tão dificilmente, depois de muitas lutas e degraus.
– Damon?
– Hum? – Damon resmungou, estava quase dormindo depois de noites sem conseguir dormir direito, tudo por causa de certa morena, percebendo isso, Elena deixou seus pensamentos de lado e deixou-o quieto para descansar. Com um sorriso, ela se aconchegou em seus braços e se preparou para dormir também.
Cuidaria de tudo amanhã... Hoje, na verdade, já que era madrugada.
Acordaram apenas duas da tarde, o sol batendo no rosto de Damon que resmungou, se ajeitando na cama de uma forma que ele não o incomodasse, só então notou o corpo próximo a ele que o abraçava. Ele observou a cabeleira castanha e logo depois o sorriso que Elena tinha mesmo dormindo. Foi impossível não sorrir junto e desejar estar para sempre ao seu lado.
– Bom dia! – Ele disse ao vê-la abrir os olhos.
– Bom dia – Ela saudou, escondendo o rosto no pescoço dele – Isso é um sonho?
– Felizmente, não – Damon riu, beijando sua testa – Vamos? Acho que temos muito a explicar para a sua família.
Elena assentiu, se levantando da cama. Ela escovou os dentes e esperou Damon tomar um banho e fazer sua higiene matinal para saírem juntos. Eles almoçaram, pulando o café da manhã já que era tarde, e foram para o carro.
– Antes de irmos... – Elena segurou no braço de Damon, impedindo que ele entrasse no carro e o encarou – Você me prometeu dizer quando foi que se apaixonou por mim... No dia do casamento... – Elena desviou o olhar, sentindo-se envergonhada.
– Ok – Damon sorriu, puxando Elena para um abraço. Seus olhos azuis se voltaram ao céu que estava em um dia lindo – Eu me apaixonei a primeira vista. Você, jogada no sofá daquele jeito desengonçada... Eu nunca vi mais linda.
Elena o encarou, sentindo-se a pessoa mais feliz e realizada do mundo. E sem esperar ou avisar, o puxou para um beijo que foi prontamente correspondida.
O caminho foi novamente feito em silencio, mas vez ou outra seus olhares se encontravam e eles sorriam, felizes. Quando o semáforo ficava vermelho, Damon segurava a mão de Elena e lhe sorria apaixonado, quando o semáforo tornava a ficar verde, ele ria e voltava a atenção a pista.
Eles deram as mãos e Elena tocou a campainha, respirando fundo. Quem apareceu no identificador de chamada foi Jeremy que arregalou os olhos e deu um largo sorriso, abrindo o portão. Quando os dois passaram pelo portão, viram Jeremy correndo até eles. Elena soltou a mão de Damon e abriu os braços, recebendo Jeremy em um abraço apertado.
– O que... O que você está fazendo aqui? Eu achei... – Jeremy estava afoito e respirava rapidamente.
– Damon impediu que eu fosse – Disse Elena, sem explicar a história toda, sabia que todo mundo iria querer saber o que aconteceu e ela preferia contar tudo de vez com todos para ouvir do que ter que contar a mesma coisa várias vezes.
– Pelo menos uma vez você tem que servir de algo, não é? – Jeremy sorriu de canto, batendo nas costas de Damon como um cumprimento formidável. Bom, pelo menos eles não estavam se atracando novamente.
– Você, por acaso, já viu minha ficha? – Damon sorriu autoritário, segurando Elena pela cintura que ria da ironia dos dois. Ela imaginava quando essa mini guerra acabaria entre eles.
Jeremy bufou, e os três começaram a caminhar até a casa.
A partir daí, Elena viu muitos sorrisos e risadas. Isobel a agarrou e lhe deu vários beijos, feliz por ter a filha de volta, e claro, agradeceu muito Damon por não deixa-la viajar. No fim, estavam todos no sofá, ouvindo a história sobre como Damon a impediu de embarcar.
– Rebekah? – Katherine riu alto, causando estranheza em todos, porque geralmente ela não era tão expressiva assim – Aquela vadia realmente fez algo de útil na vida dela.
– Se ela tivesse feito de graça, eu a elogiaria – Damon revirou os olhos, seus dedos fazendo carinho na mão de Elena que segurava.
– Pelo menos ela fez, agradeça, ou então você talvez nunca mais me veria – Elena disse, tirando de Damon uma carranca indignada.
– Tudo bem, tudo bem, obrigado Rebekah – Damon bufou, fazendo todos rirem. Elena o beijou na bochecha e quando ia se afastar, Damon a puxou, dando-lhe um beijo de verdade.
– Epa, epa, epa... – Jeremy interrompeu – Não na minha frente, brô.
– Estou achando que ele é o pacote que todo namorado carrega da namorada – Damon sussurrou no ouvido de Elena, fazendo-a rir e chamar a atenção de Jeremy que insistia em saber do que eles riam.
– Por falar nisso, onde está Bonnie? – Elena estranhou a ausência da amiga, franzindo o cenho.
– Você sabe, nessa época do ano ela sempre viaja para ver o pai – Jeremy deu de ombros – Ela me disse que te deixou algumas mensagens.
Elena assentiu, se lembrando disso.
Finalmente, a sua vida estava completa, se sentia feliz como nunca antes. Damon estava ao seu lado, caminharia com ela e a apoiaria, Elena não precisava de mais nada. O sorriso apaixonado que ele lhe deu foi a certeza da vida maravilhosa que teria ao seu lado.
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