A Esposa Perfeita
36 O legado de Charlie
Notas iniciais
💍 A ESPOSA PERFEITA
Capítulo 36 — O Legado de Charlie
Quatro meses haviam se passado desde que o chão de Forks engolira o corpo de Charlie Swan e a verdade estilhaçara o Cullen Group. Quatro meses em que o silêncio da floresta substituiu o ruído frenético de Wall Street. Para o mundo corporativo, Edward Cullen havia se tornado uma lenda de bastidores, o homem que operava pelas sombras do voto de sua esposa. Mas para Forks, ele era apenas o rapaz que passava as tardes na garagem de madeira nos fundos da casa de Charlie.
A barriga de Bella já estava proeminente, arredondada e pesada sob os seus sete meses de gestação. Ela caminhava devagar até os fundos da propriedade, segurando uma caneca de chá de camomila morno, quando parou à porta da antiga oficina de ferramentas do pai.
Lá dentro, Edward estava concentrado. O cheiro de verniz e serragem impregnava o ar. Com uma lixa fina, ele restaurava os braços de madeira de uma antiga cadeira de balanço que pertencera a Charlie. Ele queria que aquela fosse a cadeira onde Bella amamentaria. Suas mãos, que antes apenas assinavam cheques de milhões, agora tinham calos honestos.
Os passos que ecoaram no cascalho, no entanto, não eram de Bella. Edward ergueu os olhos e congelou ao ver a silhueta imponente de Carlisle parada sob o portal da oficina. O patriarca vestia um sobretudo escuro, com as mãos enterradas nos bolsos.
Houve um longo silêncio, preenchido apenas pelo som do vento nas copas dos pinheiros. Carlisle caminhou até a cadeira em processo de restauração, passando os dedos pela madeira perfeitamente lisa.
— Você aprendeu a lixar bem — Carlisle comentou, a voz baixa, sem a crueza do passado, mas ainda carregada de solenidade.
— O velho Black me deu algumas dicas semana passada — Edward respondeu, pousando a lixa sobre a bancada. Ele engoliu em seco, sustentando o olhar do pai. — O que traz o senhor aqui, pai?
Carlisle suspirou, o peito subindo devagar. Ele olhou para o filho, sem o relógio de ouro, com a camisa manchada de poeira de madeira, vivendo na simplicidade daquela casa.
— Eu passei os últimos meses observando você, Edward. No conselho, você não exigiu a cadeira de volta. Deixou que o Emmett assumisse a presidência e se limitou a proteger as ações da Bella e a reerguer a empresa do caos que o Jasper criou. E aqui... você se tornou o homem que cuida da Sue, que limpa essa calha, que protege a sua esposa. — Carlisle deu um passo à frente, e a rigidez em seus olhos finalmente quebrou, dando lugar a uma água brilhante. — Eu ainda estou profundamente decepcionado com o que você fez no passado. Com as mentiras. Com o contrato. Eu também estou decepcionado comigo mesmo por não ter visto o seu desespero.
— Eu também não me perdoo, pai — Edward confessou, a voz embargada. — Todos os dias eu olho para a foto do Charlie e...
— Mas pela primeira vez em muitos anos, Edward... — Carlisle o interrompeu, a voz trêmula de emoção — Eu tenho um orgulho imenso do homem que você está tentando ser. Da sua redenção.
Edward piscou, as lágrimas transbordando. Carlisle não esperou mais nenhuma palavra. Ele deu o passo final e envolveu o filho em um abraço apertado, esmagador, o tipo de abraço que Edward achou que nunca mais receberia na vida. Edward enterrou o rosto no ombro do pai, soluçando baixinho, sentindo o peso de meses de rejeição finalmente evaporar na oficina de Charlie Swan.
No dia seguinte, a atmosfera de reconciliação estendeu-se até a mansão principal dos Cullen em Seattle, mas por um motivo muito mais delicado. Alice havia pedido um encontro.
A família estava reunida na sala de estar: Carlisle, Esme, Emmett e Rosalie, cuja barriga de seis meses de uma menina que já tinha nome, Lily, se destacava no vestido claro. Bella e Edward sentaram-se no sofá adjacente. Quando Alice entrou, ela parecia menor. Seus passos eram hesitantes, e a habitual energia vibrante dera lugar a uma melancolia profunda.
Alice olhou para cada um ali. Viu a barriga de Rosalie, a barriga de Bella, o olhar sereno de Edward e o cansaço nos olhos de Esme. Ela caiu de joelhos no centro do tapete da sala, chorando antes mesmo de conseguir falar.
— Me perdoem... por favor, me perdoem — Alice implorou, cobrindo o rosto com as mãos. — A minha raiva... a minha obsessão por fazer o Edward pagar pelo que aconteceu em Milão me deixou cega. Eu me aliei a um monstro. Eu destruí a paz da nossa família. Quando eu vi o Charlie... quando eu vi o pai da Bella morrer por causa daquele escândalo... eu percebi que eu tinha me tornado exatamente o que eu mais odiava. Eu quase matei a nossa mãe de desgosto.
Esme não aguentou. Levantou-se do sofá e ajoelhou-se ao lado da filha, puxando-a para o peito.
Bella olhou para Edward, que apertou sua mão. Bella levantou-se devagar, caminhando até a cunhada. Ela se abaixou com dificuldade por causa da barriga e tocou o ombro de Alice.
— O Charlie partiu deixando o perdão para todos nós, Alice — Bella disse, a voz suave, mas firme. — Se ele foi capaz de perdoar o Edward e a mim no leito de morte, quem sou eu para guardar rancor de você? A vingança acabou naquele hospital. Nós somos uma família. Levanta daí.
Alice ergueu o rosto banhado de lágrimas, encontrando o olhar de Edward, que assentiu com a cabeça, estendendo a mão para ajudá-la a se levantar. A quebra de Alice era real, e ali, a última barreira de ódio dentro da família Cullen desmoronava.
Mais tarde, em Port Angeles, o clima pesado deu lugar a uma expectativa eletrizante. Era o dia do ultrassom morfológico completo.
Bella estava deitada, e Edward segurava sua mão com o habitual fervor. O monitor cardíaco do aparelho de ultrassom já emitia o som galopante do coração do bebê. A médica moveu o aparelho com cuidado, analisando a formação dos ossos, dos órgãos e, finalmente, centralizou a imagem na região pélvica do feto.
— Bem, papais... vocês tinham preferência? — a médica perguntou com um sorriso.
— Só queremos que venha com saúde — Bella respondeu, ansiosa.
— Com certeza está com muita saúde. E vocês já podem começar a comprar tudo rosa. É uma menina.
Edward soltou o ar de uma vez, um riso confuso e emocionado escapando por seus lábios enquanto as lágrimas voltavam a inundar seus olhos verdes. Ele se inclinou, beijando a testa de Bella repetidas vezes.
Uma menina. A filha de Bella. A neta de Charlie. O ciclo da vida se fechava com uma perfeição poética devastadora.
— Uma menina... — Bella sussurrou, acariciando o próprio ventre, sentindo um chute leve em resposta. Ela olhou para Edward. — Ela vai se chamar Charlotte, Edward. Charlotte Swan Cullen. A nossa pequena Charlie.
— É o nome mais lindo do mundo, meu amor — Edward declarou, com a voz embargada, sabendo que a pequena Charlie e a pequena Lily cresceriam juntas, curando o futuro daquela família.
Enquanto a luz entrava em Forks, as trevas se condensavam em um escritório de advocacia de elite no centro de Seattle.
Jasper Whitlock andava de um lado para o outro, a gravata frouxa, as mangas da camisa amassadas. Ele havia sido afastado da presidência, os processos por uso de informação privilegiada e manipulação de mercado estavam batendo à sua porta graças à auditoria que Carlisle e Emmett iniciaram, e ele descobriu que Alice o havia traído pelas costas com Renée.
O Dr. Banner, seu advogado pessoal, entrou na sala com uma pasta de capa preta e confidencial, colocando-a sobre a mesa jurídica.
— O conselho está blindado, Jasper. A posse da Isabella como acionista majoritária é inquestionável perante a CVM — o advogado alertou. — Mas... encontramos uma brecha jurídica no contrato original de casamento que o Edward e ela assinaram um ano atrás. Uma cláusula de sucessão e patrimônio cruzado não revogada antes da transferência das ações da Renée.
Jasper parou de andar. Um sorriso insano, predatório e desesperado cortou suas feições. Ele abriu a pasta, analisando as linhas miúdas do documento. Se ele conseguisse acionar aquela cláusula na justiça federal, poderia alegar fraude consensual do casal para ocultação de bens, pedir o congelamento das ações de Bella e, pior, abrir um processo de destituição de capacidade civil contra Edward, arrastando o nome do bebê que ia nascer para uma disputa de guarda patrimonial destrutiva.
— Eles acham que eu vou cair sozinho? — Jasper sibilou, os olhos injetados de puro ódio, fechando a pasta com força. — Se eles querem guerra... eu vou mostrar o que é guerra. Eu vou queimar o nome Cullen até não sobrar cinzas.
Naquela noite, alheios ao veneno que se preparava em Seattle, Edward e Bella estavam deitados na antiga cama de casal de Charlie, em Forks. A janela estava semiaberta, deixando o som da chuva e o cheiro da terra molhada entrarem no quarto. Não havia lençóis de algodão egípcio de mil fios ou o luxo gélido da cobertura de vidro. Havia apenas uma colcha de retalhos antiga e o calor de seus corpos.
Bella estava deitada de lado, e Edward estava aninhado atrás dela, com a mão espalmada sobre a sua barriga de sete meses. Entre os dois, estava um pequeno aparelho de ultrassom portátil que o obstetra havia emprestado para o fim de semana.
Edward ligou o monitor e posicionou o pequeno transdutor na pele de Bella. No silêncio do quarto de madeira, o som do coração de Charlotte ecoou.
Tchum-tchum, tchum-tchum, tchum-tchum.
Bella fechou os olhos, saboreando a paz daquele momento. Ela moveu a cabeça no travesseiro, olhando para o marido de soslaio.
— Edward? — ela chamou baixinho.
— Oi, meu amor.
— Você... você sente falta de tudo? Da presidência? Do império? Daquela vida onde todo mundo se curvava quando você entrava em uma sala?
Edward desviou o olhar por um segundo. Olhou para o quarto simples, para a cômoda de madeira escura onde a foto de Charlie sorrindo com sua farda de policial repousava sob a luz do abajur. Depois, voltou a olhar para os olhos castanhos de Bella e para a curva perfeita da barriga que guardava a filha deles.
Ele sorriu, o sorriso mais limpo e verdadeiro que já dera em toda a sua existência.
— Pela primeira vez na minha vida, Bella... não. Eu nunca fui tão rico quanto sou agora, nesta cama, com você.
Ele a beijou nos lábios, um beijo demorado, selando o pacto de amor real enquanto o coração de Charlotte continuava a galopar no alto-falante, alheio à última e mais perigosa tempestade que Jasper estava prestes a liberar sobre as suas vidas.
O plano de Jasper Whitlock foi executado com a precisão cirúrgica de um homem que não tinha mais nada a perder. Na manhã seguinte, os principais portais de notícias financeiras do país amanheceram com uma manchete bombástica: a justiça federal, acionada por uma liminar de urgência da defesa de Jasper, havia decretado o congelamento preventivo de todas as ações do Cullen Group em nome de Isabella Marie Swan Cullen.
A alegação era de fraude consensual e ocultação de bens patrimoniais cruzados. Para o mercado, foi um soco no estômago. As ações da empresa despencaram mais 15% na abertura do pregão. Jasper assistia a tudo da suíte de seu hotel de luxo, rindo abertamente enquanto tomava um gole de uísque. Ele havia conseguido. Havia travado as mãos de Bella e, por tabela, neutralizado o poder de voto de Edward no conselho.
Duas horas depois, uma reunião extraordinária de emergência foi convocada no Edifício Seattle. Jasper fez questão de comparecer, acompanhado pelo Dr. Banner e por dois oficiais de justiça encarregados de notificar formalmente a mesa sobre o congelamento dos ativos.
Quando a porta da sala do conselho se abriu, Jasper entrou com os ombros erguidos, a arrogância reacesa como uma chama em cima de uma poça de gasolina.
— Bom dia, senhores acionistas — Jasper desdenhou, caminhando até o centro da sala e jogando a cópia da liminar judicial sobre a mesa de jacarandá. — Eu avisei que o reinado de aparências de vocês duraria pouco. Bella, suas ações estão bloqueadas. Edward, seu poder de voto está cassado por ordem do juiz federal da 4ª Vara de Sucessões. Vocês não mandam em mais um centavo desta empresa.
Os acionistas minoritários entraram em burburinho, o pânico tomando conta do recinto. Emmett, sentado na cadeira da presidência, manteve-se calmo, trocando um olhar cúmplice com Carlisle, que permanecia na cabeceira.
Bella e Edward estavam sentados lado a lado. Bella, com seus sete meses de gravidez bem marcados sob um elegante blazer escuro, não vacilou. Ela não chorou, não se desesperou e não recuou um milímetro. Em vez disso, ela olhou para Jasper com uma serenidade fria que fez o sorriso do primo sumir aos poucos.
— Você realmente achou que nós não sabíamos daquela brecha no contrato original, Jasper? — Bella perguntou, a voz ecoando macia e pausada pelo salão.
Jasper franziu o cenho.
— Não tente blefar, Bella. O documento de congelamento é real. Vocês estão zerados. De novo.
Edward levantou-se devagar. Ele ajeitou as lapelas do paletó e caminhou até o imenso painel de vidro que dava para a linha do horizonte de Seattle, virando-se de frente para o conselho.
— O congelamento das ações da minha esposa é real, Jasper. Parabéns, os seus advogados são competentes — Edward começou, dando um meio sorriso que gelou a espinha de Jasper. — Mas há um detalhe que a sua ganância cega não permitiu que você investigasse. Nos últimos meses, enquanto eu passava os meus dias em Forks limpando o quintal e lixando o berço da minha filha, o meu pai e eu estávamos organizando a engenharia financeira mais complexa da história deste mercado.
Edward acenou para o Dr. Harrison, que acionou o projetor holográfico da sala de reuniões. Na tela gigante, o logotipo de uma corporação desconhecida surgiu em linhas azuis brilhantes: SWAN ATLANTIC.
— A Swan Atlantic — Bella assumiu a palavra, a voz firme de quem agora comandava o tabuleiro — era uma pequena subsidiária de logística de energia que meu pai, Charlie Swan, me deixou como herança legal após a sua morte. Uma empresa limpa, fora do radar de Wall Street, sem qualquer ligação com o sobrenome Cullen.
Jasper deu um passo atrás, o coração começando a acelerar.
— O que uma empresa de fundo de quintal em Forks tem a ver com o Cullen Group?
Carlisle Cullen levantou-se, apoiando as duas mãos na mesa, os olhos brilhando com a imponência do verdadeiro fundador.
— Tem tudo a ver, Jasper. Porque quando você usou a mídia para pulverizar o valor das ações do Cullen Group no dia do centenário, e novamente hoje cedo com a sua liminar, o preço dos papéis da nossa empresa caiu a níveis históricos — Carlisle explicou, a voz imponente como um trovão. — Enquanto você comemorava a queda do nosso nome, a Swan Atlantic, financiada por um fundo de investimento privado que eu mesmo estruturei no exterior com os meus bens pessoais e o dinheiro intacto que a Bella guardou do antigo contrato, começou uma operação de recompra agressiva no mercado aberto.
Edward deu três passos na direção de Jasper, retirando uma pasta dourada de dentro do paletó e abrindo-a diante dos olhos arregalados do primo.
— Nas últimas três semanas, a Swan Atlantic comprou, lote por lote, ação por ação, cada papel que os acionistas minoritários desesperados jogaram no mercado. E hoje, às nove horas da manhã, exatamente no minuto em que o seu juiz congelou as ações da Bella... a Swan Atlantic fechou a aquisição de 62% do capital votante total do Cullen Group.
O silêncio na sala tornou-se absoluto. Era um xeque-mate com requintes de crueldade.
— O que... o que isso significa? — Jasper gaguejou, o suor frio escorrendo por sua testa enquanto olhava para o Dr. Banner, que folheava os papéis da projeção com as mãos trêmulas de pavor.
— Significa, Jasper, que o Cullen Group não pertence mais legalmente à família Cullen, e muito menos a você ou aos acionistas desta mesa — Edward declarou, cada palavra saindo como uma lâmina afiada. — O Cullen Group agora é uma subsidiária integral da Swan Atlantic. Você congelou as ações antigas da Bella, mas a nova controladora majoritária do império é a empresa que carrega o sobrenome do homem que você ajudou a matar.
Jasper cambaleou para trás, as pernas falhando enquanto o Dr. Banner sussurrava em seu ouvido: "Acabou, Jasper... eles compraram a empresa inteira por fora. Nós não temos mais foro, não temos mais voto. Você está fora do tabuleiro".
Bella levantou-se lentamente da cadeira. Ela caminhou até Jasper, parando a centímetros dele. A fragilidade da filha de luto havia dado lugar à força indestrutível de uma mãe que havia protegido o legado de seu pai e o futuro de sua filha.
— Você tentou nos destruir usando a burocracia e a vingança, Jasper. Mas você esqueceu que o Edward conhece este mercado melhor do que qualquer um, e que eu aprendi com o Charlie Swan a nunca recuar diante de um criminoso — Bella disse, olhando-o de cima a baixo com um desprezo devastador. — A Swan Atlantic assume o controle total do prédio a partir deste segundo. E a primeira ordem da nova diretoria é encaminhar todas as provas de suas fraudes fiscais diretamente para a Procuradoria-Geral da República.
Edward aproximou-se, envolvendo a cintura de Bella com um dos braços, a mão espalmada sobre a barriga de sete meses onde Charlotte chutava, como se celebrasse a vitória. Ele olhou para os dois oficiais de justiça que assistiam à cena boquiabertos.
— Oficiais, vocês podem levar a liminar do senhor Whitlock de volta para o juiz. Digam a ele que as ações congeladas já não importam mais. Nós compramos o tabuleiro inteiro.
Jasper olhou ao redor, vendo Alice desviar o rosto, Carlisle assentir com orgulho e Emmett sorrir na presidência. Completamente destruído, desprovido de poder, de dinheiro e prestes a enfrentar uma pena de prisão federal, Jasper deixou a pasta cair no chão. Ele virou-se e caminhou em direção à saída, os passos arrastados de um homem que tentara roubar um império e acabou soterrado pelo sobrenome de um policial de Forks.
A cena, digna do ápice dos maiores clássicos do cinema, estava selada. O império Cullen havia caído de vez, mas das cinzas dele, o legado de Charlie Swan havia se tornado o teto que protegeria a reconstrução de Edward e Bella para sempre.
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