A Esposa Perfeita

4 Entre a necessidade e a escolha


Notas iniciais
Oi, meus amores! Esse capítulo… é o começo de tudo. Se até aqui a gente estava lidando com possibilidades, dúvidas e negações… agora a realidade bate de frente com a Bella , e não dá mais pra fugir. Aqui vocês vão ver o peso das escolhas, o limite entre o orgulho e a necessidade, e até onde alguém é capaz de ir por quem ama. Porque, às vezes… não é sobre querer, é sobre não ter outra opção. Leiam com calma, sintam cada momento… porque esse é um daqueles capítulos que muda completamente o rumo da história. Boa leitura ...

Bella voltou para o balcão como se o mundo ao seu redor não tivesse acabado de mudar, mas havia algo em sua postura que já não era o mesmo. Seus passos ainda eram firmes, seus movimentos ainda seguiam o ritmo mecânico que ela havia aprendido a dominar ao longo dos meses trabalhando ali, mas a concentração que antes a mantinha funcional parecia agora fragmentada, dispersa entre pensamentos que se repetiam como um eco impossível de silenciar. A música continuava alta, vibrando no chão, nas paredes, no ar, mas para ela parecia distante, como se estivesse sendo ouvida através de uma camada grossa de água. As luzes piscavam, colorindo os rostos ao redor em tons artificiais, mas nada daquilo conseguia distraí-la do que realmente importava.

Ela errou um pedido.

E Bella Swan não errava.

O cliente reclamou, impaciente, batendo os dedos no balcão com irritação crescente, e ela pediu desculpa automaticamente, sem sequer registrar o rosto dele, como se estivesse apenas repetindo um reflexo treinado. Suas mãos tremiam levemente enquanto refazia a bebida, o gelo tilintando mais alto do que o normal dentro do copo, denunciando uma instabilidade que ela não conseguia controlar. Seu corpo estava cansado, exausto, na verdade, mas aquilo não era apenas físico. Era mais profundo. Era o tipo de cansaço que vinha da pressão constante de precisar continuar, de não poder parar, de saber que qualquer falha poderia custar mais do que ela estava disposta a perder.

— Bella… — a voz de Rosalie surgiu ao seu lado, mais baixa do que o habitual, carregada de atenção — O que aconteceu?

Bella não respondeu imediatamente. Continuou limpando o mesmo ponto do balcão com movimentos repetitivos, quase obsessivos, como se pudesse apagar algo invisível que insistia em permanecer ali. Seu olhar estava perdido, fixo em um ponto qualquer que não correspondia ao que estava à sua frente, e foi apenas depois de alguns segundos que ela finalmente respirou fundo, como se estivesse tomando coragem para dizer algo que não queria dizer.

— Ele me pediu em casamento… — disse, a voz baixa, quase engolida pelo barulho ao redor, mas ainda assim firme o suficiente para que Rosalie entendesse.

O silêncio que se seguiu não foi imediato, mas quando veio, foi pesado.

Rosalie virou lentamente o rosto na direção dela, os olhos claros se estreitando levemente, tentando processar o que acabara de ouvir.

— …como é? — perguntou, incrédula, inclinando o corpo na direção da amiga.

Bella soltou um pequeno suspiro, apoiando as mãos no balcão, sentindo o peso da própria fala se instalar no ar entre elas.

— O cara de agora há pouco… — continuou, escolhendo as palavras com cuidado — Edward Cullen.

O nome caiu entre as duas como algo concreto, significativo.

Rosalie arregalou os olhos por um instante, reconhecendo.

— Cullen… — murmurou, quase para si mesma — Você tá falando sério?

Bella assentiu lentamente, passando a mão pelo rosto, como se aquilo pudesse organizar seus pensamentos.

— Ele quer um casamento de mentira… por causa de negócios, imagem… essas coisas — disse, com um leve traço de incredulidade ainda presente na própria voz — E ofereceu dinheiro.

Rosalie cruzou os braços, observando-a com mais atenção agora, analisando cada detalhe da expressão dela.

— E você disse não — afirmou, mais do que perguntou.

Bella virou o rosto na direção dela, sustentando o olhar por um segundo antes de responder.

— Claro que disse.

Mas houve uma pausa, pequena, sutil e suficiente.

Rosalie inclinou levemente a cabeça, captando aquilo com precisão.

— Mas você pensou… — disse, em tom mais baixo, mais cuidadoso.

Bella não respondeu e o silêncio dela disse tudo.

O turno terminou mais tarde do que deveria, ou talvez apenas tenha parecido mais longo porque Bella já não estava completamente presente nele. Quando finalmente saiu da boate, o ar frio da madrugada encontrou sua pele aquecida de forma abrupta, arrancando dela uma respiração mais profunda, como se estivesse saindo de um ambiente onde havia esquecido de respirar direito. A rua estava mais vazia, os sons mais espaçados, e por um momento ela apenas ficou parada ali, tentando decidir para onde ir.

Mas, no fundo, ela já sabia.

Seus passos a levaram automaticamente até o hospital.

O ambiente mudou assim que ela atravessou as portas automáticas. O cheiro de desinfetante tomou conta de seus sentidos, familiar e desconfortável ao mesmo tempo, trazendo consigo lembranças que ela não precisava revisitar para saber que estavam ali. As luzes eram fortes demais, brancas demais, tornando tudo claro demais, como se não houvesse espaço para esconder nada naquele lugar. Pessoas passavam pelos corredores com pressa contida, vozes baixas, expressões tensas. Era um lugar onde a vida e a perda coexistiam de forma silenciosa, constante.

Bella caminhou até o quarto do pai com passos conhecidos, cada curva do corredor já memorizada, cada porta já reconhecida. Quando entrou, a visão de Charlie Swan foi suficiente para apertar algo dentro dela de forma imediata e dolorosa. Ele parecia menor. Mais frágil. A pele pálida contrastava com os fios grisalhos, e os olhos, quando se abriram lentamente ao perceberem sua presença, carregavam um cansaço que não existia ali meses atrás.

— Bells… — murmurou ele, com um sorriso fraco, mas sincero.

E aquilo quase a fez desmoronar.

Ela se aproximou rapidamente, segurando a mão dele com cuidado, como se tivesse medo de quebrá-lo.

— Oi, pai… — disse, forçando leveza na voz — Eu vim te ver.

— Você devia estar descansando… — respondeu ele, a voz baixa, arrastada — Tá trabalhando demais, filha.

Bella sorriu, mas não havia humor ali.

— Eu tô bem, paizinho. — mentiu.—Não se preocupe...

A porta se abriu antes que a conversa pudesse continuar.

O médico entrou e Bella percebeu na hora, algo estava errado.

Ela se levantou imediatamente, o corpo tensionando.

— O que foi? — perguntou, direta, sem rodeios.

O médico respirou fundo, aproximando-se com uma expressão controlada, mas não tranquila.

— Nós precisamos ajustar o tratamento — disse, com cuidado.

O coração dela apertou.

— Ajustar como?

— O tratamento atual não está respondendo como esperávamos — continuou — Existe uma alternativa mais eficaz… mas…

Ele hesitou e aquilo foi o suficiente.

— Mas o quê? — insistiu Bella, sentindo a ansiedade crescer.

— É significativamente mais caro.

O silêncio que se seguiu foi absoluto.

Bella ficou parada por alguns segundos, absorvendo aquilo, tentando transformar números em realidade.

— Quanto? — perguntou, por fim.

E quando ele respondeu…não pareceu apenas um valor.

Pareceu uma sentença.


Na manhã seguinte, o mundo parecia desacelerado, como se tudo estivesse envolto em uma camada fina de cansaço que Bella não conseguia afastar. A cafeteria era silenciosa em comparação com a boate, o som suave de conversas baixas e xícaras sendo apoiadas sobre mesas criando uma atmosfera tranquila que contrastava brutalmente com o turbilhão interno dela. O cheiro de café fresco preenchia o ambiente, quente e constante, mas não era suficiente para despertar nela qualquer sensação de conforto.

Seus movimentos eram automáticos.

Atendia clientes.

Anotava pedidos, servia mesas, mas sua mente estava em outro lugar.

No hospital.

No valor.

Na proposta.

No nome...Edward Cullen.

Foi ao colocar a mão no bolso do avental que seus dedos tocaram algo diferente. Ela parou. Lentamente, puxou o objeto para fora.

O cartão.

Simples.

Elegante.

O nome dele gravado em letras discretas e o número.

Bella ficou olhando para aquilo por um tempo que não saberia medir. O barulho ao redor se dissolveu novamente, dando lugar ao som da própria respiração, um pouco mais acelerada do que deveria. Seus dedos apertaram levemente o cartão, como se pudessem sentir o peso da decisão através dele.

— Bella? — alguém chamou ao fundo.

Ela não respondeu, apenas pegou o celular.

Seus dedos hesitaram por um segundo.

Dois.

E então começaram a digitar.

Cada número pressionado parecia definitivo.

Irreversível.

O telefone chamou.

Uma vez.

Duas.

Três.

Até que a ligação foi atendida.

— Edward Cullen — disse ele, do outro lado, a voz calma, controlada, como se já estivesse esperando.

Bella fechou os olhos por um breve instante, sentindo o peso de tudo o que aquela decisão carregava.

E então falou.

— É a Bella... — disse, em voz baixa, mas firme, segurando o telefone com mais força do que o necessário — Eu aceito a sua proposta.

O silêncio que veio depois não foi vazio.

Foi cheio.

Cheio de consequências.E, naquele instante…Bella Swan atravessou uma linha da qual não havia mais volta.

Notas finais
E então… Ela disse sim, mas não foi um “sim” leve…foi um “sim” carregado de medo, desespero e amor pelo pai. E é aqui que a mentira realmente começa. Agora eu quero saber de vocês: 💭 Vocês fariam o mesmo no lugar da Bella? 💭 Foi uma escolha… ou falta de escolha? 💭 O Edward sabia que ela acabaria cedendo? Comentem MUITO, quero ver teorias, surtos, tudo! 😮‍🔥 Porque a partir de agora… 👉 nada mais vai ser simples 👉 e nenhuma decisão vai vir sem consequência Até o próximo capítulo ! (e lembrem: algumas promessas… custam mais do que parecem)