A Esposa Perfeita

14 Cavalo de Troia


Notas iniciais
Oieee meus amores ♡♡ Se existe algo mais perigoso do que uma mentira bem construída…é quando ela começa a se parecer demais com a verdade. Neste capítulo, tudo parece perfeito, bonito demais, organizado demais, convincente demais. Mas você já deve saber… perfeição em excesso quase sempre esconde rachaduras. E, às vezes, não é preciso gritar para destruir algo. Basta colocar a peça certa no lugar certo… e assistir. Preste atenção nos detalhes. Hoje, cada gesto importa. Porque o jogo mudou e alguém acabou de dar o primeiro movimento...

Capítulo 14

Os dias que antecederam o jantar de noivado passaram com uma rapidez quase traiçoeira, como se o tempo tivesse decidido acelerar apenas para testar até onde aquela mentira, ou verdade , conseguiria se sustentar. A mansão, que antes parecia apenas um espaço amplo e silencioso de arquitetura clássica, agora respirava movimento, vozes e expectativas, transformando-se em um verdadeiro palco onde cada detalhe precisava ser impecável para a elite de Washington. A luz natural que invadia os ambientes durante o dia, atravessando as imensas janelas de vidro, iluminava tecidos de seda espalhados, caixas de veludo com joias abertas que cintilavam sob o sol pálido e pranchetas com anotações minuciosas feitas por Alice. Ela caminhava de um lado para o outro com a energia de uma fada urbana, agindo como uma diretora de espetáculo prestes a estrear sua maior produção cinematográfica, movendo vasos de orquídeas brancas e ajustando a iluminação com uma precisão que beirava a obsessão.

Bella observava aquilo tudo sentada em uma poltrona de veludo próxima à janela da sala de estar, sentindo o peso do anel de diamante em seu dedo enquanto seus dedos deslizavam distraidamente sobre o tecido do vestido que ainda recebia os ajustes finais. Havia algo surreal naquela rotina, uma sensação de deslocamento que a fazia sentir como se estivesse habitando o corpo de outra pessoa, vivendo uma vida que não lhe pertencia por direito, mas que, ao mesmo tempo, começava a se encaixar de uma forma perigosa e profunda em sua alma. Alice falava sem parar sobre a disposição das luzes de fada nos jardins, Rosalie opinava com uma precisão estética cirúrgica sobre o tom da prataria, e Esme organizava tudo com uma calma acolhedora que tornava o caos elegante, quase familiar. E, no meio de tudo isso, Bella começava a perceber que não estava mais apenas participando de uma farsa — ela estava começando a sentir que aquele era o seu lugar.

— Esse arranjo de centro está completamente errado para a proposta do terraço — disse Alice, parando abruptamente no meio da sala e cruzando os braços delgados, analisando as flores como se fossem uma equação matemática mal resolvida que pudesse arruinar o prestígio da família. — Eu quero algo que represente vocês dois de forma absoluta. Algo que seja forte como o granito, mas delicado como a seda. Intenso como o olhar do Edward, mas… elegante como a simplicidade da Bella.

— Você acabou de descrever um paradoxo visual, Alice — comentou Rosalie, sentada no sofá de couro com as pernas longas cruzadas, folheando uma revista de alta-costura com um desdém charmoso. — Mas, considerando que estamos falando de um CEO implacável e de uma mulher que o desarmou em duas semanas, talvez essa confusão faça todo o sentido do mundo.

Bella soltou uma pequena risada, balançando a cabeça enquanto sentia o coração acelerar levemente com a menção à intensidade de Edward.

— Eu só não quero que pareça exagerado demais, Alice... — disse Bella, sussurrando e olhando para a cunhada com um misto de timidez e apreensão. — Não quero que as pessoas olhem para nós e vejam apenas o brilho do ouro; quero que vejam algo que consigam acreditar.

Alice virou-se imediatamente para ela, os olhos arregalados e brilhantes.

— Exagerado? Bella, querida, isso é um jantar de noivado dos Cullen. No nosso dicionário, não existe a palavra “demais”. Existe o memorável, o icônico e o eterno. E eu garanto que ninguém naquela festa vai duvidar de nada quando vir a forma como o Edward te olha.

O andar superior da mansão era mais silencioso, mergulhado em uma penumbra íntima e, por isso mesmo, muito mais perigosa para os sentimentos de Bella. Ela estava de pé diante do espelho de corpo inteiro em sua suíte, enquanto Esme ajustava delicadamente o tecido do vestido de noivado sobre seu corpo, os movimentos cuidadosos da sogra refletindo um carinho que ia muito além da estética ou da etiqueta. Havia uma atenção maternal na forma como Esme ajeitava as rendas, algo que Bella não estava acostumada a receber e que fazia sua garganta dar nós dolorosos de saudade de algo que ela nunca teve de verdade.

— Sua mãe deve estar muito orgulhosa de você, Bella... — comentou Esme de forma leve, mantendo o sorriso doce enquanto alinhava a costura da cintura. — Imagino o quanto deve ser difícil para ela estar longe em um momento como este, mas ela deve saber que você está em boas mãos.

Bella congelou. O reflexo no espelho mostrou seu rosto empalidecendo por um segundo, o impacto da menção a Renée atingindo-a como um golpe físico no estômago.

— Eu… não tenho contato com ela, Esme — respondeu Bella, a voz saindo baixa, quase neutra demais, enquanto seus olhos fugiam do reflexo da outra mulher. — Ela foi embora de Forks quando eu tinha sete anos. Decidiu que a vida com o meu pai era pequena demais para as ambições dela e nunca olhou para trás.

O silêncio que se seguiu não foi desconfortável, mas sim denso e acolhedor, preenchido apenas pelo som da chuva fina que começava a bater contra o vidro da janela. Esme parou o que estava fazendo, deixando as mãos repousarem sobre os ombros de Bella, e o olhar que elas trocaram através do espelho foi carregado de uma compreensão profunda.

— Sinto muito, querida. Eu não sabia que a ferida era tão profunda — disse Esme com a voz suave, mas firme. — Mas você precisa saber de uma coisa: algumas ausências nunca deixam de existir, mas elas podem ser preenchidas por novas presenças. Se você permitir, Isabella… eu gostaria de ser sua mãe daqui para frente. Não apenas para as fotos ou para o conselho, mas de verdade.

Bella sentiu o mundo parar por um segundo, as lágrimas inundando seus olhos antes que ela pudesse exercer qualquer controle sobre elas.

— Eu gostaria muito disso, Esme… — murmurou Bella, sentindo o calor do abraço de Esme envolvê-la, um abraço que cheirava a flores brancas e segurança, algo que ela nunca permitira a si mesma desejar até aquele momento.

O contraste era brutal e gélido quando a cena se deslocava para a Cullen Corporation. Ali, no centro nervoso do império, o ar era mais pesado, carregado pelo cheiro de café forte e o zumbido constante de computadores e ar-condicionado. Edward estava de pé diante da mesa de reunião em sua sala privativa, a postura impecável e o terno cinza-chumbo moldando seus ombros largos, enquanto observava os membros do conselho discutirem números e projeções de mercado. No entanto, sua mente estava a quilômetros dali, focada na imagem de Bella cuidando de Charlie. Ele sentia o olhar de Jasper sobre si — um olhar constante, avaliador e carregado de um veneno silencioso que parecia buscar qualquer rachadura em sua armadura.

— É realmente impressionante, não acham? — murmurou Jasper, quebrando a cadência da reunião ao se recostar na cadeira de couro com um sorriso de escárnio. — Como certas mudanças acontecem de forma tão rápida e conveniente. Edward sempre foi o mestre da lógica, mas agora parece ter se tornado o mestre do romantismo súbito.

Edward virou o rosto lentamente, seus olhos verdes tornando-se pedras de gelo enquanto encarava o primo.

— Do que você está falando exatamente, Jasper? Se tem algo a dizer sobre a eficiência da empresa, use os números. Se é sobre a minha vida, você está fora da sua jurisdição.

— Estou falando de autenticidade, Edward. — Jasper cruzou as mãos sobre a mesa, a voz carregada de uma malícia calculada. — Relacionamentos que surgem do absoluto nada e se tornam "o amor do século" em questão de semanas costumam ter pés de barro. O conselho está satisfeito com a sua estabilidade, mas eu… eu ainda busco a verdade por trás dessa máscara perfeita.

Edward deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles até que a tensão na sala se tornasse quase insuportável.

— Eu não sei se o seu problema é inveja da minha posição, Jasper… ou se você está obsessivamente apaixonado pela ideia de me ver cair. — Edward disse baixo, a voz vibrando com uma ameaça contida que fez os outros conselheiros desviarem o olhar. — Mas eu garanto que o que eu tenho com a Isabella é mais real do que qualquer esquema que você esteja tentando arquitetar.

Naquela mesma noite, em um escritório isolado na ala leste de seu próprio apartamento, Jasper estava mergulhado na penumbra, iluminado apenas pelo brilho azulado de três monitores. Seu rosto estava fixo, meticuloso, as mãos movendo-se pelo teclado com a precisão de um cirurgião. Ele não confiava na narrativa de Edward; ele sentia o cheiro da farsa e estava determinado a expô-la, custasse o que custasse.

Seu olhar se estreitou quando um arquivo criptografado finalmente se abriu, revelando registros de voos e documentos de identidade de anos atrás.

— Isabella Swan… — murmurou ele, clicando em um link que o levou a uma coluna social de Washington D.C. — Vamos ver quem realmente faz parte do seu passado.

E então, o nome apareceu, brilhando na tela como uma sentença: **Renée Dwyer**. As fotos mostravam a mulher ao lado do agora Senador Philip Stephens, ostentando joias e sorrisos políticos. A ligação foi confirmada em segundos através de registros de nascimento antigos de Forks. Jasper recostou-se na cadeira, um sorriso lento e perigoso curvando seus lábios.

— Então você não é apenas uma garota comum com um pai doente, Bella. Você é a filha renegada da esposa de um dos homens mais influentes do país. Você é uma bomba-reógio emocional que o Edward decidiu guardar no bolso. — Jasper sussurrou para o vazio, os olhos brilhando com a descoberta. — E eu vou adorar ver o momento da explosão.

O dia do jantar de noivado finalmente chegou, trazendo consigo uma atmosfera elétrica que parecia carregar a mansão. Bella estava diante do espelho, o vestido de seda marfim moldando seu corpo com uma perfeição escultural, enquanto o cabelo caía em ondas suaves sobre seus ombros. Alice e Rosalie davam os toques finais, transformando-a em uma visão de elegância e mistério que faria qualquer um esquecer suas origens humildes.

— Você está perfeita, Bella. — disse Alice, ajustando o colar de pérolas que pertencera à avó de Edward. — Você não é apenas a noiva; você é o sol desta noite.

— Você está perigosa, Bella — completou Rosalie, com um sorriso de aprovação que carregava um orgulho genuíno. — Use isso. Use essa beleza como uma armadura.

Bella respirou fundo, sentindo as mãos tremerem levemente.

— Eu estou apavorada, Rosie... — confessou ela, olhando para o próprio reflexo e mal reconhecendo a mulher imponente que a encarava de volta. — Sinto que, se eu der um passo em falso, o cristal todo vai se estilhaçar.

No andar de baixo, o som da orquestra de câmara e o murmúrio das vozes da alta sociedade já começavam a preencher o salão principal. Jasper estava lá, posicionado estrategicamente perto da escadaria, observando cada convidado, mas mantendo os olhos fixos no topo dos degraus. Ele sabia o que estava por vir. Ele tinha a munição e estava apenas esperando o momento certo para puxar o gatilho.

Quando Bella começou a descer as escadas, o mundo pareceu, de fato, parar. O tilintar dos copos silenciou e todos os olhares se voltaram para a figura etérea que descia com uma dignidade silenciosa. Edward a aguardava ao pé da escada, impecável em seu smoking preto, e a forma como ele a encarava — sem desviar, sem respirar, com uma adoração que não poderia ser ensaiada — fez com que até os mais cínicos hesitassem.

Jasper, no entanto, apenas sorriu de forma sombria, levando a taça de champanhe aos lábios.

— Agora… — murmurou ele para si mesmo — Vamos começar o verdadeiro espetáculo. Que venha o Cavalo de Troia.

Edward permaneceu imóvel na base da escadaria de mármore, ignorando o burburinho da elite de Washington que preenchia o salão. Para ele, o resto do mundo havia se tornado um borrão de rostos sem nome e luzes desfocadas; sua visão estava totalmente ancorada na mulher que descia em sua direção. Quando Bella finalmente alcançou o último degrau, ele deu um passo à frente, estendendo a mão para envolver a dela com uma firmeza que era, ao mesmo tempo, um apoio e uma reivindicação. A pele dela estava fria, mas o contato dos dedos de Edward trouxe um calor imediato que pareceu estabilizar o chão sob os pés de Bella. Ele se inclinou, aproximando o rosto do dela o suficiente para que apenas ela pudesse ouvir o tom rouco e carregado de uma admiração genuína que nenhuma cláusula contratual seria capaz de simular.

— Você está maravilhosa, Bella... — sussurrou Edward, os olhos verdes percorrendo cada detalhe do rosto dela antes de se fixarem em seus lábios. — Eu achei que estava preparado para essa noite, mas olhar para você agora me faz esquecer até como respirar. Você não é apenas a noiva perfeita para o mundo; você é a única coisa real neste salão.

Sem esperar por uma resposta e ignorando o protocolo rígido dos Cullen, Edward inclinou a cabeça e selou a confissão com um beijo. Não foi o beijo técnico e coreografado que haviam praticado para as câmeras, mas algo profundo, lento e possessivo, que fez com que os convidados ao redor soltassem exclamações abafadas de surpresa e admiração. Bella sentiu o mundo girar, as mãos dele em sua cintura agindo como o único ponto de equilíbrio em meio ao caos de flashes e sussurros. Por um breve e glorioso segundo, a mentira pareceu ter se dissipado completamente, deixando apenas a verdade crua do que sentiam um pelo outro sob as luzes de cristal da mansão.

Contudo, a bolha de romance foi estilhaçada de forma violenta pelo som de um anúncio que fez o sangue de Bella congelar instantaneamente nas veias. As portas duplas da entrada principal foram abertas com uma pompa que superava qualquer convidado anterior, e o mestre de cerimônias anunciou os nomes que Bella passara anos tentando apagar de sua memória. O Senador Philip Stephens entrou no salão com a arrogância típica de quem está acostumado a comandar nações, mas era a mulher ao seu lado que prendia todos os olhares. Renée Stephens, antes Renée Dwyer, caminhava com um sorriso plástico e olhos de rapina que buscavam imediatamente a figura da filha. Ela vestia um vestido de seda azul meia-noite que gritava opulência, cada passo que dava em direção ao centro do salão sendo uma afronta direta à paz que Bella e Charlie haviam tentado construir.

O silêncio que caiu sobre o recinto foi pesado, quase palpável. Edward sentiu o corpo de Bella enrijecer sob seu toque, os dedos dela cravando-se em seu braço como se buscassem um salva-vidas em meio a um naufrágio. Antes que qualquer um dos dois pudesse reagir ou que os seguranças pudessem intervir, Jasper Hale surgiu das sombras laterais com uma taça de champanhe na mão e um sorriso que era a própria definição da traição. Ele caminhou com uma elegância predatória até parar diante de Edward e Bella, fazendo um gesto teatral em direção ao casal que acabara de chegar e que agora atraía todos os fotógrafos da noite.

— Edward, Isabella... me perdoem a interrupção neste momento tão idílico — disse Jasper, sua voz carregada de uma satisfação venenosa que fazia o estômago de Bella revirar. Ele inclinou a cabeça, os olhos brilhando com a vitória estratégica que acabara de conquistar. — Mas eu achei que o noivado do século não estaria completo sem a presença da família imediata. Considerem a vinda do Senador e de sua esposa como o meu presente pessoal de noivado para vocês. Affinal, que tipo de união "verdadeira" seria essa se a mãe da noiva não estivesse presente para abençoar o caminho da filha rumo à fortuna dos Cullen?

Edward sentiu a fúria borbulhar sob sua máscara de controle absoluto, o maxilar tão travado que uma veia saltou em sua têmpora. Ele puxou Bella para mais perto, o braço protegendo-a de forma instintiva enquanto seus olhos encontravam os de Jasper em uma promessa silenciosa de guerra total. O Cavalo de Troia não estava apenas nos portões; ele havia acabado de entrar no salão principal, e agora, diante de toda a alta sociedade e das câmeras, Bella teria que encarar a mulher que a abandonara enquanto Jasper aguardava o primeiro erro que destruiria o império de Edward de dentro para fora.

Notas finais
E assim, sem levantar a voz… a guerra começou. Não houve escândalo. Não houve caos imediato. Apenas um sorriso, um convite… e uma verdade posicionada como arma. O tipo mais perigoso de ataque não é aquele que destrói na hora, é o que planta dúvida, dor e passado no mesmo espaço onde deveria existir segurança. Agora me conta…você acha que o que Bella e Edward têm é forte o suficiente para sobreviver ao que acabou de entrar naquela sala? Ou o Cavalo de Troia já venceu antes mesmo da batalha começar?