A Esposa Perfeita
9 A noite em que a mentira brilhou
Notas iniciais
O salão estava iluminado como se cada detalhe tivesse sido cuidadosamente pensado para impressionar, mas não de forma exagerada, havia uma elegância silenciosa na disposição das luzes, nos arranjos florais perfeitamente simétricos, no brilho contido das taças de cristal que refletiam pequenos pontos dourados ao longo do ambiente. A música preenchia o espaço com suavidade, uma melodia clássica que se misturava às vozes baixas das conversas sofisticadas, criando uma atmosfera onde tudo parecia fluir com naturalidade… mesmo que nada ali fosse realmente simples.
Bella hesitou por um segundo antes de sair do carro.
O salto fino tocou o chão com um leve som seco, e naquele instante, o mundo pareceu se ajustar ao redor dela. O vestido que usava, escolhido, ajustado, moldado ao longo de um dia inteiro de preparação, deslizava pelo seu corpo com perfeição, acompanhando cada movimento com uma leveza quase hipnótica. O tecido suave refletia a luz de forma delicada, e cada detalhe parecia ter sido pensado para destacar aquilo que ela tinha de mais natural.
E, ainda assim…ela sentia.
Os olhares.
Mesmo antes de entrar.
Edward saiu logo depois, contornando o carro com passos firmes, e quando parou ao lado dela, não houve hesitação no gesto seguinte. Sua mão encontrou a dela com segurança, os dedos entrelaçando-se com firmeza, como se aquele contato fosse mais do que necessário, fosse essencial.
— Fica comigo — murmurou ele, baixo, inclinando levemente o rosto na direção dela.
Bella assentiu, ainda sem confiar completamente na própria voz.
— Eu não sei se estou pronta pra isso…
Ele apertou de leve a mão dela.
— Não precisa estar — respondeu — Só não me solta.
E então eles entraram.
A mudança foi imediata.
O ambiente parecia vivo, pulsante, e ao mesmo tempo… observador. Pessoas bem vestidas, olhares atentos, conversas interrompidas por segundos discretos quando Edward Cullen cruzava o espaço com alguém ao seu lado.
E, pela primeira vez…
não era qualquer pessoa.
— Edward — disse um dos homens, aproximando-se com um sorriso controlado — Estava ansioso para te ver.
Edward assentiu, mantendo a postura impecável.
— Boa noite, Aro.—disse ele sorrindo e cumprimentando o homem.— Essa é Isabella Swan...
Pausa.
E o olhar dele mudou.
Sutilmente.
Mas o suficiente.
— A mulher que eu amo.
Bella sentiu o impacto como se aquelas palavras tivessem peso físico.
O homem à frente deles sorriu imediatamente.
— É um prazer conhecê-la, Isabella— disse ele, estendendo a mão — Finalmente alguém conseguiu amarrar este menino.
Bella sorriu de volta, com uma leve inclinação de cabeça.
— Prazer é meu.
E aquilo…funcionou.
A cada nova apresentação, a reação era a mesma.
Interesse, curiosidade e, em poucos minutos…admiração.
Bella não era apenas bonita, embora isso fosse evidente. Havia algo na forma como ela se expressava, na maneira como escutava antes de responder, no jeito natural com que se adaptava às conversas mais complexas sem parecer forçada, que fazia com que as pessoas se inclinassem um pouco mais, permanecessem um pouco mais.
Ela encantava.
Sem perceber e Edward…observava.
Em silêncio, por mais tempo do que deveria.
Do outro lado do salão, Jasper observava.
Sem se mover muito, chamar atenção.
Mas vendo tudo.
Seus olhos acompanhavam cada interação, cada gesto, cada troca entre Edward e Bella, analisando com uma precisão que poucos ali seriam capazes de sustentar.
E algo…não fechava.
— Você está me olhando como se estivesse avaliando uma planilha — murmurou Bella em um momento mais tranquilo, inclinando levemente o rosto na direção de Edward.
Ele piscou, como se tivesse sido puxado de um pensamento distante.
— Hábito.
— Eu não sou um gráfico.— disse rindo.
— Eu sei.—ele sussurrou — Você é bem mais interessante...
Ela arqueou uma sobrancelha.
— Isso foi um elogio?
Ele inclinou levemente o rosto.
— Talvez.
E, pela primeira vez naquela noite…ela riu de verdade.
A música mudou, mais lenta e muito íntima.
Edward estendeu a mão.
— Dança comigo?
Bella hesitou apenas por um segundo e então aceitou.
A pista parecia menor do que realmente era, ou talvez fosse apenas a forma como o mundo ao redor desapareceu no momento em que ele a puxou para perto. A mão dele repousou na cintura dela com firmeza, guiando-a com segurança, enquanto a outra permanecia entrelaçada à dela. O movimento era natural, fluido, como se ele estivesse completamente confortável ali… e, de alguma forma, ela também estava.
— Eu não sabia que você gostava de dançar — murmurou ela.
— Eu não gosto.
Ela olhou para ele.
— Então isso é o quê?
Ele aproximou levemente o rosto.
— Exceção.
O coração dela acelerou de forma descompassada, como se tivesse perdido o ritmo certo ao perceber o quanto ele estava perto.
E, por um momento… não havia mentira.
Não havia plano.
Apenas aquilo.
O beijo aconteceu naturalmente.
Sem aviso.
Sem necessidade de justificativa.
Ele inclinou o rosto, os dedos ajustando levemente a posição dela, e quando seus lábios encontraram os dela, não havia plateia, não havia estratégia… apenas um silêncio carregado de algo que já não parecia tão controlado quanto antes.
Mas havia plateia e ela reagiu.
Sorrisos.
Olhares.
Esme segurou discretamente a mão de Carlisle.
— Ele encontrou — murmurou ela — a mulher certa.
Carlisle observou em silêncio e assentiu.
O caminho de volta foi diferente, mais quieto… e real.
Edward dirigia, mas sua atenção não estava completamente na estrada.
— A gente precisa de uma trégua — disse ele, finalmente.
Bella virou o rosto.
— Trégua?
— Sim — continuou ele — Parar de brigar, de testar limites… se a gente quiser que isso funcione, precisamos ser parceiros.
Silêncio.
Bella respirou fundo.
— E isso inclui… o quê?
— Confiança.
Ela sustentou o olhar ,por alguns segundos.
— Tudo bem...Trégua.
Na manhã seguinte, o telefone de Bella tocou cedo demais e ela atendeu sem olhar quem era.
— Você tem passaporte? — perguntou Edward, direto.
Bella ainda estava meio sonolenta, sentou em sua cama.
— Tenho… — Bella murmurou, passando a mão pelo rosto para despertar — por quê?
— Ótimo.— disse ele animado — Vamos para Paris amanhã.
Silêncio.
— O quê?— perguntou assustada.
— Vamos ficar noivos, Bella— cantarolou provocando ela.
E a linha ficou muda por um segundo.
Antes que tudo…mudasse novamente.
Horas depois, no hospital, Edward estava sentado ao lado de Charlie Swan, a postura mais contida, mas ainda assim firme. Havia respeito ali ,genuíno , na forma como ele falava, na forma como escutava.
— Ela fala muito de você — disse Charlie, com um leve sorriso cansado.
Edward assentiu.
— E eu dela— disse Edward sorrindo e de repenteele parou de falar e o semblante ficou mais sério.— Senhor Swan… eu quero pedir sua permissão.
Charlie franziu levemente a testa.
— Permissão pra quê?
Edward sustentou o olhar.
— Pra pedir a Bella em casamento.
O silêncio que se seguiu foi longo.
Pesado.
— É cedo — disse Charlie.
Edward não desviou.
— Eu tenho certeza.— disse edward encarando o sogro no leitor de hospital.— Eu quero passar o resto da minha vida com a sua filha.
Charlie observou em silencio, por tempo demais.
— Então cuida bem da minha menina…—A voz falhou levemente.— Eu não sei quanto tempo ainda tenho.
Edward inclinou levemente o corpo para frente.
— O que depender de mim…o senhor vai viver muitos anos.
E, pela primeira vez…não foi apenas promessa.
Na casa de Bella, as malas estavam abertas, roupas novas espalhadas pelo chão, por sacolas de marca e uma nova realidade sendo construída.
— Paris… — murmurou Bella, dobrando uma peça com cuidado — Isso é loucura, Edward...
Edward encostou-se na parede, observando.
— É necessário...Como diz Alice "Paris, sempre é uma boa ideia..."
Ela olhou para ele.
— Ou conveniente?—perguntou arqueando a sobrancelha.
Ele não respondeu imediatamente.
— Minha mãe me entregou o anel da família — disse ele, por fim.— Para o pedido...Isso não é só um plano pra eles…
Bella parou.
— Não.
— Isso é real pra eles.
Pausa.
Ela desviou o olhar.
— Mentir pra Esme… me deixa mal.
Edward sustentou o olhar nela.
E, pela primeira vez…não teve resposta.
Porque, naquele momento…a mentira já não parecia tão simples quanto antes.
E talvez…nunca tivesse sido..
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