A Espera Da Morte

2 Não é a hora dela.


Notas iniciais
Bom pessoas, espero que estejam gostando, e decidi que cada Cap terá uma musica para acompanharem... Espero que gostem desta ;)

http://www.youtube.com/watch?v=4jfJC_E0ix8

T.A.T.U 30 Minutes

A coisa esta esquentando aqui.... É bom tomar cuidado com certas coisas!!

Cássia Foster

21/02/2003

Semana passada foi meu aniversário de dez anos, e mais uma vez papai não veio, quando perguntei pra mamãe o motivo ela começou a chorar e disse que não sabia nada sobre ele ultimamente, e então correu para o quarto. Mamãe acha que eu não sei, mas há algumas semanas atrás ouvi alguém me contar que meu pai estava em um lugar melhor, que ele havia morrido tinha alguns anos, e sinceramente eu não sei como me senti sobre isso, só que nunca contei a ela, tenho medo de que ela fique pior do que antes.

Ganhei este diário aqui de uma amiga minha, gosto de chamá-lo de Caderno de Anotações ou invés do que esta escrita na capa dura roxa, com pequenos detalhes desenhados parecidos em jeans. Foi a Danielle quem me deu ele, conheço-a desde que me mudei de casa há quatro anos, Danii é minha melhor amiga, mas não é a única, tenho mais uma melhor amiga, é a Brenda. Elas já se conheciam eu apenas entrei para o "clubinho" depois. Nunca conheci pessoas tão boas comigo quantos elas.

Infelizmente elas não sabiam sobre o meu dom, não acho que seja uma boa idéia, um pouco antes de eu me mudar, em um sonho ouvi alguém dizer para ninguém além de minha mãe saber o que eu via e sentia. Até aquela época eu não entendi já que não tinha muitos amigos, agora eu sei.

Mas ontem eu vi uma coisa que me assustou muito, não é difícil eu me assustar na verdade, só que passou da conta...

Eu estava saindo de meu quarto no meio da madrugada para tomar um copo d'água na cozinha, eu estava com tanto sono que não percebi que caminhava no escuro e não conseguia ver por onde estava indo. Coçava os olhos várias vezes, só que de repente parei de fazê-lo quando ouvi alguém sussurrar em meu ouvido.

"Não olhe para os lados."

Meu coração acelerou muito e eu simplesmente não sabia o que fazer, continuei com as mãos nos olhos, e estavam começando a arder. Ainda sim, eu podia sentir a respiração abafada do que quer que fosse aquilo que estava perto do meu pescoço.

Dei um passo para frente até sentir alguém se aproximar, eu não sabia o que era, e estava morrendo de medo de chamar minha mãe e ela não vir, assim acabaria por deixá-los irritados. Sei disso porque já aconteceu uma vez. Não posso deixar eles bravos, isso não seria algo bom, para ninguém aqui em casa.

Foi quando ouvi novamente alguém murmurar em meu ouvido.

"Continue virada para frente, ou poderá se arrepender do que irá ver."

Porque estavam fazendo isto comigo? Eu não fiz nada para eles. Já não aguentava mais a dor que sentia nos olhos, assim retirei as mãos, porém, continuei com eles bem fechados. No meio da escuridão eu podia ver aquelas galáxias que enxergamos quando coçamos os olhos, era lindo, e por um momento me esqueci do horror que vivia naquele momento.

Respirei fundo assim que as galáxias desaparecerem e então abri meus olhos, não demoraram a acostumar com a escuridão que já me rodeava só que eu me esqueci de tudo o que ma apavorava agora porque, não havia nada a minha frente, então assim que saí de meu lugar, sem querer eu dei um leve espaço vago ao meu lado e automaticamente eu deixei alguém passar, e então ouvi novamente, não era um sussurro, mas parecia falar dentro da minha cabeça.

"Você descuidou-se"

Era uma voz grossa e amedrontadora, me senti como se nunca foi fosse sorrir, eu sabia no fundo que devia ajudá-lo, mas o medo falou mais alto. Assim que estava pronta para me virar e voltar ao quarto. Eu esbarrei no corpo alto de alguém, foi a primeira vez que se materializou, isso jamais aconteceu antes. Recusei-me a olhar para cima. Empurrei o corpo e então voltei ao meu quarto, sem ar, e minha cabeça parecia explodir com a dor de cabeça que começou de repente. Só consegui pregar os olhos mesmo depois das 6 horas da manhã.

–--------*

O ar sufocante deixou Cássia um pouco desconfortável sozinha em sua casa, acabará de chegar da escola. Era seu ultimo ano escolar e mesmo com aquela idade, odiava ficar sozinha. Mesmo que tenha se acostumado com tudo o que via e sentia, ainda sim, ela possuía um medo que com o passar do tempo aprendeu a controlar, mas ainda sim, ela tinha total consciência, de que não adiantasse o quanto ela escondesse. Eles sempre sabiam a verdade.

Apesar de só naquela enorme casa que para ela não era tão gigante assim, exceto quando havia muito silêncio e durante a noite, suas amigas estavam para chegar e começar o bendito trabalho de química. Cássia era péssima nesta matéria, e sempre fazia questão de dizer o quanto era ruim. Porém quando ela escutou as batidas na porta ficou aliviada que química naquele dia a salvaria de um possível encontro com alguma coisa estranha.

Ela suspirou nervosamente e correu até a porta, ela segurava um pequeno prato de vidro contendo sorvete de creme, seu favorito. Geralmente olhava pelo olho mágico, até porque São Paulo nunca foi um lugar seguro, contudo hoje, ela não o fez. Talvez se tivesse, não precisaria passar pelo o que estava prestes a acontecer.

Cássia abriu a porta de supetão e deu de cara com um homem de terno marrom e gravata vermelha quase vinho, ele usava um chapéu preto estilo Panamá com um laço vinho ao meio. Ele estava de cabeça baixa e mãos por dentro dos bolsos do paletó. Por estranho que pareça Cássia não se sentiu ameaçada, mas algo dentro dela dizia não ser a única vez que o veria, e que talvez não tenha sido a primeira.

Ela balançou a cabeça para o lado e esticou o braço atrás da porta para pegar um bastão de basebol que havia ali. Sim, era difícil ter um objeto deste no Brasil, mas veja bem, ela se quer era daquele país, sua origem Canadense era a mesma de sua mãe. -Continuando-

Ela engoliu em seco e continuou impassível ali, esperando que o homem dissesse algo, quando viu que o mesmo continuou quieto ela pronunciou.

– Posso ajudar senhor?

O homem levantou a cabeça e retirou a mão do bolso levando-a até a aba do chapéu como forma de saudação. Um sorriso branco brilhante apareceu em seu rosto, ele tinha uma pele morena, só que não chegava a ser negro. Seus olhos eram de um amarelo intenso puxados para um avelã. Ela sentiu um frio no rosto ao olhar fundo nos olhos dele, e assim desviou sua atenção para longe.

– Sim senhorita Foster. -ela franziu o cenho, mas não respondeu nada, sabia que o bastão de beisebol não funcionaria com aquele homem. O mesmo abaixou a mão do chapéu e continuou com o mesmo sorriso. -Avise a sua amiga Brenda que seria melhor tomar cuidado na hora de atravessar a rua esta noite.

Cássia não teve tempo de perguntar o motivo, o homem virou-se de lado e concluiu agora sem o sorriso.

–Não é a hora dela ainda. Pode avisá-la Srta. Foster?

A garota balançou a cabeça assentindo sabendo que mesmo o homem não olhando diretamente para ela, veria o que ela fazia agora. O rapaz começou a caminhar de costas, mas Cássia precisava saber, mesmo que temesse a resposta.

–Quem é você? -gritou ela levantando-se nas pontas dos pés.

Ele parou de andar e continuou com as mãos por dentro dos bolsos. Olhou para ela por cima dos ombros e com um sorriso leve murmurou, e mesmo assim Cássia ouviu como se estivesse ao seu lado falando.

–Aquele que todos encontraram no final da vida. Mas para você, sou alguém que verá mais vezes antes de chegar a hora Srta.

E assim o homem continuou andando, no momento em que a garota piscou assustada já não havia ninguém na calçada.

Cássia Foster sentiu que naquele momento precisava se proteger e com isso proteger aqueles que ama, ou seria tarde demais.

Quase meia hora mais tarde e na porta mais batidas foi ouvida da sala onde Cássia se encontrava deitada com a TV alta, morrendo de medo de ouvir alguma coisa, que, aliás, hoje estranhamente nada havia acontecido. Talvez tenha sido aquele homem. Ela pensava. Assim que escutou as batidas ela se levantou do sofá receosa de ser Ele novamente, mas achou que não fosse do tipo que avisava duas vezes.

Olhando desta vez pelo olho mágico viu serem suas duas amigas, ela sentiu um alivio tomar conta de seu corpo e abriu a porta. As duas estavam com um caderno grande em cada mão, Cássia reconheceu-os de imediato, eram os mesmo que elas usavam para escrever. As três tinham a escrita como algo bastante em comum, só que apenas Cássia queria levar isto para o lado profissional como escritora, apesar de sempre achar nunca ter coragem para mostrar suas anotações a algum crítico de verdade.

–Oiiiii amiga. -gritou Brenda com um enorme sorriso no rosto. Cássia não conteve o sorriso que apareceu, ela adorava aquelas garotas. -Nossa você esta uma lástima. Aconteceu algo?

E foi com aquela pergunta que ela lembrou-se do que houve com aquele homem mais cedo, as lembranças do que ele disse voltaram com força total de tal forma que ela sentiu as pernas ficarem bambas.

"Avise a sua amiga Brenda que seria melhor tomar cuidado na hora de atravessar a rua esta noite" O seu sorriso era como uma espada atravessando o ar até ela. "Não é a hora dela ainda. Pode avisá-la Srta. Foster?" E novamente a imagem de seus olhos amarelos apareceram na sua cabeça.

Na condição dela deveria ou não acreditar naquilo? Ela nunca teria certeza. Mas também como faria para ter a amiga avisada e acreditar em tal coisa sem que a mesma a achasse uma louca total? Cássia precisava pensar rápido, não poderia perder nenhuma de suas únicas amigas.

–Eu estou bem, não se preocupe. Entrem logo. -ela abriu mais a porta e deu passagem paras as garotas. As mesmas se entreolharam após estar dentro da casa, sabiam que algo não ia bem com sua amiga, entretanto, sabiam também que forçá-la falar a deixaria irritada. Brenda e Danielle caminharam até a sala e se sentaram no sofá juntas enquanto que Cássia jogou a almofada no chão e deitou-se com a cabeça na mesma. Aquela era uma pequena mania que ela tinha quando estava acompanhada, adorava ficar daquele jeito, se sentia mais confortável.

As garotas deixaram os cadernos sobre a mesa de centro e então do nada a conversa começou a fluir. Cássia queria saber se iriam ou não estudar química, mas elas disseram que não estavam nem um pouco com vontade de estudar, e que teria o fim de semana, fariam algo durante esses dias. Foi que daí Cássia teve a idéia.

Ela se sentou rapidamente cruzando as pernas e puxou a almofada no colo, um sorriso bem grande brotou em seus lábios rosa pálido.

–Que tal dormirem aqui em casa hoje? -assim Brenda ficaria em segurança e Cássia não deixaria a fama de louca para trás. Era perfeito, só restava saber se elas aceitariam.

–Nem temos roupas, louca. -avisou Danii colocando as mãos na cintura fingindo estar brava. Mas aquela questão não seria um problema para Cáss.

–Podem vestir alguma minha, temos o mesmo tamanho e peso. -ela continuava sorrindo esperançosa.

–Sei, mas a Brenda tem uma coxa meio grande demais, vai rasgar seu short. -comentou Danii fazendo Cáss rir, enquanto Brenda cerrou os lábios e mostrou a língua jogando a almoçada na cabeça de Danielle.

–Certo então. Só precisamos ligar para nossas mães.

Brenda e disse e se levantou em direção ao telefone da cozinha. Cássia respirou fundo e tombou o corpo para trás, agora sabia que tinha feito a coisa certa, apenas um sentimento estranho de culpa que a rodeou por alguns momentos, ela tratou logo de retirar pensamentos que vieram a sua cabeça sem serem convidados.

O resto da tarde passou-se muito bem até, deixou Cássia ignorando todos os seus problemas, era assim sempre que estava na companhia daquelas garotas, ela se sentia tão normal, tão livre de tudo o que os outros não podem ver, somente ela. Mesmo que algo em sua mente ficasse às vezes repetindo que aquela vida salva teria um preço, que talvez a vida de Brenda na verdade tenha colocado o de outra na linha de perigo, a dava enjôos.

Finalmente o dia seguinte chegou e com ele péssimas noticias andavam lado a lado. Logo pela manhã, Pâmela a mãe de Cássia ligava a TV como sempre para saber das noticias recentes. As três garotas estavam na cozinha começando o café da manhã quando Cássia tem sua atenção voltava para o volume alto da televisão, a qual sua mãe aumentará.

No jornal uma repórter dizia que uma moça de 17 anos havia sido atropelada na noite passada. O acidente foi pior do que se imagina. Um dos carros estava vindo na contramão, o que estava certo parou em cima da garota deixando-a apenas sentir o capô encostar-se a sua perna. Porém o carro que estava errado não viu a moça e se quer os faróis que naquele maldito momento estavam apagados, e assim a podre menina ficou imprensada contras os dois automóveis. Ela morreu na hora afinal seu corpo havia se partido quase ao meio já que a velocidade havia sido extrema, consequentimente a batida também.

Cássia se sentiu tão mal naquele instante, sabia que salvou a vida de sua amiga, mas que também condenou a da outra. Só que uma coisa em sua mente avisou-a, ela jurou ser a voz do homem de ontem, mas não tinha certeza.

"Se você não salvasse sua amiga, era ela quem estaria morta agora. Acredite, não era hora dela. E sim de Karol, ela morreria no lugar da outra, isto sim é injusto..."

–Karol? -repetiu ela sem querer dizendo alto demais, e seguido da repórter que falou o nome da menina morta. Todos olharam para ela, pensando que talvez Cássia a conhecesse. Mas a verdade era pior...

Foi deste dia em diante que Cássia mudou totalmente... As páginas escritas em seu caderno de anotações começaram a ficar uma coisa obscura, e algo que nenhum cientista jamais conseguiriam entender. Na noite seguinte a única coisa que Cássia escreveu...

Cássia Foster

14/03/2005

O homem que vi ontem era nada mais nada menos do que o próprio... A própria... Conhecida... Conhecido... Como a Morte. Tenho a impressão de que irei revê-lo em breve. Mas quando?