Notas iniciais
Escrevi para um trabalho, na verdade, mas resolvi postar, apesar de não achar que esse texto ficou realmente bom...

A noite poderia ter sido alegre. Estávamos todos muito bem arrumados, muito contentes. A mesa era farta. Os mais inimagináveis e deliciosos pratos estavam presentes. Desde pratos judeus até típicos pratos da Alemanha. Nossa numerosa família estava reunida: tios, tias, primos, meus irmão, meus pais.

Morávamos num casarão, no centro de uma Alemanha que voltava a prosperar com o regime de Hitler. A mesma que a alguns anos estava totalmente arrasada com os prejuízos da Primeira Grande Guerra. Naquela época, sabíamos de todos os “termos” do regime nazista, mas achávamos que estaríamos salvos. Meu pai era dono de uma grande empresa no país, a família tinha sido considerada importante para a economia dele. Tínhamos sido salvos por isso.

Ou pelo menos achávamos que sim. Um monte de enganos.

A Alemanha já não era tão próspera. Pouco sabíamos, porém nosso exército perdia a batalha em Stalingrado. Hitler, a partir daí, perdia apenas a primeira batalha de muitas outras que levariam ao fim da Segunda Guerra Mundial. Mas não sem antes levar o máximo de judeus que podia para a morte certa. Nós não estávamos salvos.

Por um momento, a conversa foi interrompida, um estrondo foi ouvido.

Vimos, em êxtase, soldados com farda e suástica adentrarem o local com armas nas mãos.

O resto da família caiu em si quando ouviu o barulho do estrondoso tiro, seguido pelo baque surdo do primeiro corpo contra o chão.

Eu não consegui registrar tudo o que aconteceu, no entanto sei que minha primeira atitude foi correr. Vi diversos vestidos rasgados, corpos no chão, sujos de sangue. Eu não tive tempo para sentir qualquer coisa que não fosse pânico.

O lance de escadas às minhas costas foi a primeira rota de fuga que visualizei. Provavelmente, ser esguia e baixa foi uma vantagem naquele momento, os soldados estavam concentrados demais nos adultos ali presentes. Mesmo assim, ela sabia que não tinha muito tempo.

Já no andar de cima, percebi que as grandes janelas de vidro estavam travadas. Não me restou outra opção senão quebrá-las e pular.

Eu poderia fingir que não senti a neve gelada sujando-se com o sangue quente que escorria pelos meus, agora, pés descalços. Eu poderia fingir que não corri até meus pulmões queimarem e que já não sentia meu corpo direito. Eu poderia fingir que não ouvi os gritos. Poderia fingir que não ouvi os tiros. Poderia fingir que consegui fugir da Alemanha Nazista por mais tempo. Mas eu não posso. Fui capturada algumas semanas depois. Levada para um Campo de Concentração. Nos meus últimos dias pensei na minha família, pensei naquela noite, nas minhas decisões. E eu não posso ignorar o fato de estar morta.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!