A Escuridão Escarlate
3 Capitulo 2
Notas iniciais
Não foi difícil encontrar a escola, embora eu nunca estivesse ido lá. Como a maioria das coisas, ficava perto da rodovia. Não parecia uma escola — o que nos fez parar foi a placa, que dizia ser a Forks High School. Era um conjunto de casas iguais, construídas com tijolos marrons. Havia tantas arvores e arbustos que não consegui calcular seu tamanho.
Stefan estacionou na primeira vaga que viu. O que demorou, graças à grande quantidade de carros acumulados. Assim como eu previra, a maioria dos carros tinham a mesma idade da picape chevy, alguns até mais velhos. O carro mais novo e legal, que eu tinha certeza que meus irmãos aprovariam era um volvo prateado, fora isso consegui evitar discussões futuras com meu irmão caçula.
— Se comporte — falei antes que ele saísse do carro — Já tenho problemas o suficiente com Damon.
Stefan revirou os olhos
— Você se preocupa demais.
Talvez fosse verdade.
Sai do carro e observei que havíamos parado em frente ao primeiro prédio, que tinha uma plaquinha acima da porta dizendo: SECRETARIA. Caminhei até a porta da frente, ladeada por meu irmão.
Lá dentro o ambiente era bem iluminado e mais quente do que eu imaginava. O escritório era pequeno; uma salinha de espera com cadeiras dobráveis acolchoadas, carpete laranja manchado, recados e prêmios atravancando as paredes, um relógio grande tiquetaqueando alto. Havia plantas por toda parte em vasos grandes de plástico. A sala era dividida ao meio por um balcão comprido, abarrotado de cestos de arame cheios de papeis e folhetos de cores vivas colados na frente. Atrás do balcão havia uma ruiva grandalhona de óculos.
Mexi-me desconfortavelmente tentando chamar atenção da mulher, sem sucesso. Stefan pigarreou, conseguindo a atenção da mulher.
— Posso ajudá-los?
— Meu nome é Isabella Salvatore. E esse é meu irmão Stefan Salvatore — informei – lhe, e logo vi a atenção iluminar seus olhos. Ótimo. Já éramos assunto na cidade.
— É claro — disse ela. E cavoucou uma pilha instável de documentos na mesa até encontrar o que procurava — Seus horários estão bem aqui, e há um mapa da escola. — ela trouxe varias folhas ao balcão para me mostrar.
Depois de apontar os lugares respectivos onde ocorreriam as nossas aulas, agradeci a secretaria e, eu e meu irmão, nos dirigimos à frente da escola. Ignorando os olhares, conversamos alegremente, especulando as aulas que teríamos juntos.
Não demorou para o sinal reverberar pelos corredores anunciando a próxima aula.
— Qual a sua primeira aula?— perguntou Stefan enquanto olhava seus papeis.
— Literatura. E a sua?
— Historia.
Eu suspirei
— Bom... Nos vemos depois.
Ele assentiu e nos separamos.
A sala de aula era pequena. Há maioria das pessoas tinham uma pele branca de porcelana. O que era bom, já que assim minha pele pálida não se destacaria aqui.
Sentei-me numa cadeira vazia no fundo da sala, sem deixar que o professor me apresentasse à turma. Ele havia me passado uma bibliografia básica, que eu já conhecia décor. Isso era reconfortante, e ao mesmo tempo, entediante. Já perdera a conta de quantas vezes os havia lido.
Quando a aula finalmente acabou, um garoto magricela de cabelo preto oleoso se inclinou para falar comigo.
— Você é Isabella Salvatore?
— Bella— corrigi. Todo mundo num raio de três metros se virou para me olhar, fazendo com que eu ficasse vermelha igual a um tomate.
— Qual sua próxima aula? — perguntou ele
Não precisei olhar os papeis em minha bolsa
— Educação cívica, Jefferson, prédio 6.
— Eu vou para o prédio 4,posso te acompanhar até lá.
Prestativo, pensei
— Claro — concordei.
O dia passou como um borrão. A cidade era pequena e pessoas novas na escola era uma verdadeira raridade. Aqueles tipos de escola que a ultima vez que alguém novo chegou foi na terceira série. Assim, tanto eu, quanto Stefan acabamos virando populares dentre os adolescentes.
Quando encontrei meu irmão caçula na porta do refeitório, revirei os olhos em ironia para a comoção de pessoas ao seu redor. Ele abriu um sorriso em resposta e escancarou a porta para mim entrar no prédio. Stefan me seguiu até a fila para pegar comida.
— Como foi seu dia?— perguntei
Ele fez uma careta
— Lotada
Eu ri
— A minha também. — disse com um suspiro
— Eu preciso falar com você — falou Stefan
Assenti, e levantei a mão para ele esperar.
— Onde vamos ficar?— falei olhando para as mãos que acenavam por todo o refeitório.
— Ficamos isolados? — ele sugeriu
— Grande idéia de socialização. — zombei
Stefan franziu a testa
— Eu não tenho um autocontrole tão forte quanto o seu.
— Todas as mesas estão marcadas com seu próprio grupinho. Não há mesas sobrando. Os humanos vivem assim. — falei
Ele bufou
— Por eliminação — dissemos em uníssono.
Stefan mordeu o lábio inferior enquanto eu eliminava as opções.
— Preciso mesmo dizer uma coisa.
Caminhei por entre as mesas.
— Sim? — murmurei desatenta
Ele hesitou, quando eu congelei.
Meu olhar cairá em uma das mãos levantadas, cujo rosto da pessoa era surpreendente. Não por ser bonito, mas por ser familiar.
Katherine.
Sem perceber, falei o nome em um sussurro.
Com dificuldade desviei o olhar para meu irmão mais novo.
— Não é Katherine, parece, mas o nome dela é Elena Gilbert. É humana, era isso que eu queria lhe dizer.
Franzi a testa.
— Eu sinto muito.
Ele balançou a cabeça como se o assunto não tivesse importância.
— Bem... — ele disse— Agora só nos restou uma opção.
Olhei para a mesa que ele apontava com a cabeça. Lá estavam alguns doa amigos que eu tinha feito.
Mike, um garoto loiro com rosto infantil; Jessica, uma garota tagarela e a tímida Ângela, balançavam as mãos para que sentássemos com eles.
Sentei-me ao lado de Stefan. Ao contrario dele, não tentei acompanhar a conversa dos outros. Concentrei-me apenas na comida, que por sinal eu não suportava. Havia algo de asqueroso na comida humana.
Enquanto eu esfarelava uma bolacha sutilmente, eu os senti.
Meus sentidos aguçados os detectaram rapidamente. Seus cheiros eram inconfundíveis. Imediatamente fiquei a par da realidade: havia mais vampiros aqui.
De um a um, eu os observei entrar. Assim como eu previra, eram cinco. As mulheres eram extremos opostos; enquanto uma era loira e alta, a outra era baixinha de cabelos pretos espetados. Os homens eram tampouco parecidos; um grandalhão de cabelos escuros; um esguio de cabelos claros; e o que se parecia mais jovem, possuía cabelos cor de bronze.
Ao meu lado, Stefan ficou rígido ao sentir suas presenças.
Era obvio que eles haviam nos sentido. Percebi pelos seus gestos. Seus olhares de esguelha.
Gemi internamente.
De tantos lugares para eu escolher como moradia, tinha que escolher um território habitado por vampiros!
Suspirei, me acalmando e virei para a garota que estava do meu outro lado, Jessica.
— Quem são eles?— perguntei. Enquanto ela olhava para ver de quem eu estava falando.
Eu não acreditaria que ele faria aquilo. Mas ele o fez.
O garoto de cabelos cor de bronze olhou para a gota do meu lado por só uma fração de segundo e então seus olhos escuros se dirigiram aos meus. Por fim, olhou para longe bem rápido, mais rápido do que qualquer humano conseguiria.
A garota do meu lado riu envergonhada, olhando para a mesa. Acompanhei sua reação, percebendo que seria assim que uma adolescente se comportaria.
— Aqueles são Alice, Edward e Emmett Cullen e Rosalie e Jasper Hale. Todos vivem juntos com o Dr. Cullen e a esposa dele. — disse
— Oh... — murmurei com se não houvesse outra resposta.
— Eu sei — ela disse — Eles são muito bonitos.
Eu não estava pensando nisso.
— Mas nem tente — ela continuou — Estão todos juntos? Rosalie e Emmett. Alice e Jasper. E Edward... Bem... Não perca seu tempo. Ele não namora. Aparentemente nenhuma garota aqui é boa o suficiente.
Franzi a testa. Não me interessava por isso.
— Mmm— murmurei
Stefan apertava os lábios com força para não rir. Dei uma cotovelada no estomago. Ele grunhiu e eu ri, enquanto eles mudavam de assunto.
Mais vampiros? Isso era ruim. Muito ruim.
**********************
Acompanhada por Ângela, caminhei até a minha próxima aula. Biologia.
O trajeto foi silencioso, permitindo que eu pudesse pensar um pouco. Foi complicado acalmar Stefan, mesmo que por pouco tempo. Ele ainda estava nervoso, eu sabia, mas é claro que tinha seus motivos. Sabia que ele estava nervoso, não pela mudança iminente, mas pela garota. O clone de Katherine. Elena Gilbert. Acho que agora, ele ansiava a ida.
Esse era apenas um dos primeiros problemas. Como eu conseguiria marcar uma reunião com os Cullens e explicar nosso modo de vida e nossa estadia? Minha mente fervia.
Felizmente ou não,quando cheguei à classe,vi. Só havia um lugar sobrando, e era ao lado de Edward Cullen.
Sentei-me rígida. Ao meu lado, vi ele se afastar e suas mãos se fecharem em punhos.
Reprimi um suspiro. Isso ia ser longo.
Ele não conversaria comigo, pensei. Me sobravam poucas opções. Resolvi optar pela mais obvia. Mais rápido que qualquer humano poderia ver, escrevi uma mensagem no papel e passei para ele. Desconfiado, ele leu e guardou no bolso, mexendo a cabeça quase imperceptivelmente.
Gostaria de conversar com seu clã. Oeste da floresta. A meia noite.
Bella Salvatore
Fale com o autor