A Escolhida

3 O trabalho começa!


EUA, Seattle, laboratório da AMTH...

— Dr. Mitchell...

— Diga.

— Bem, seria melhor que pudéssemos conversar um pouco mais a sós.

— Hm, é claro! Vamos...

...

— Diga-me então, o que é tão importante?

— Eu a encontrei, é a Lucy, não consegui conversar mas pude vê-la, é ela.

— O que? Você ta louco? Como... Como?

— A gente sabia que ela morava em Toronto, só não sabíamos se estava viva. Eu andei por aquela cidade inteira, um dia no ônibus em que a maioria eram estudantes, vi algumas meninas conversando e chamavam essa garota de Lucy... Eu fui atrás dela, semanas, até ter certeza.

— Duncan, como sabe?

— Eu vi Louís saindo da casa de onde a Lucy mora...

— Louís está vivo?

— É, sim, mas deve estar mal... Quando o conheceu já estava doente.

— Mas por quê não me disse que iria atrás dela?

— Você acharia loucura, pensávamos que estava morta, ninguém sobreviveu ao Drozium...

— E por quê não a trouxe aqui?

— Precisava da sua permissão Dr. E eu não sabia o que poderia dizer a ela ou não...

— Não diga muito, pois minha permissão está concedida.

...

No dia seguinte...

Canadá, Toronto.

— Lucy, ele ainda não mandou nenhuma mensagem? — Perguntou Susi mordendo a caneta...

— Não, infelizmente... Mas fazer o quê né?

— Não liga não, é assim..

— Não to ligando Susi. — Interrompi ela antes de terminar o que ia dizer...

— Eu sei, só estou dizendo que é assim mesmo...

— Ei meninas, vamos prestar atenção na aula? Ok...

Era mais um dia normal no Laurent, Emilly faltou porque estava doente, é até estranho falar de gripe, virose ou qualquer coisa do tipo, eu nunca tinha isso.

Susi não prestava atenção na aula e tinha certa dificuldade, assim como ela eu também não prestava muito atenção mas as minhas notas eram sempre boas e melhores que a dela e de Emilly.

Naqueles dois dias depois de ir ao Shopping eu andava pensando demais naquele garoto pelo fato dele ter meu número. Mas também não parava de pensar naquele homem que havia me observado e me seguido na mata de atalho em que eu passava todos os dias.

Foi um momento assustador e depois muito intrigante, eu estava com medo mas no fundo eu queria descobrir o que era. Mesmo sendo uma tolice pensar isso.

O sinal da última aula toca e faz pulsar meu coração de alegria quando chega esse horário, parece infantil mas apesar do ensino ser ótimo é extremamente entendiante.

— Tchau Susi.

Caminho em direção as escadas, estudo na parte de cima do prédio, são dois andares. Na metade das escadas lembro do livro biologia que estava no meu armário, tinha que estudar pra prova.

Peguei o livro e o coloquei na bolsa, quando fecho dou te cara com Kendrick...

— Ai que susto seu idiota...

— Desculpa moça, não foi minha intenção... (risos).

— E aí, o que quer?

— Na verdade eu vim te perguntar se, não quer uma carona?

— Ah, melhor não, por quê eu aceitaria?

— Tudo bem, é que apesar de você ser quieta eu gosto do seu jeito, queria te conhecer melhor...

— Entendi, só uma carona...

— Só uma carona! (risos).

Kendrick é da minha turma e nunca conversei com ele assim, só na sala de aula, quase nada. É simpático mas sempre via segundas intenções em tudo o que falava.

Conversamos muito sobre ele enquanto caminhamos para o estacionamento do colégio.

— Meu pai e minha mãe são donos de um Super Mercado, sócios.

— Ah, entendi... E você os ajuda?

— Não, eles não querem, dizem que outras pessoas precisam do emprego... E o que os seus pais fazem?

— Bom, minha mãe faleceu quando eu tinha 9 anos. Meu pai está doente há muito tempo mas agora que a situação dele está piorando. Eu não tenho nenhum irmão então, você pode ver que a minha vida não foi e não é das mais fáceis.

— Entendi...

Caminhamos em silêncio durante um tempo até chegar perto do carro. Ele desliga o alarme, é um Dodge Journey.

— Gostei do carro...

— É, to pensando em comprar outro.

Ele não abre a porta pra mim e isso me deixa mais calma, seria estranho se abrisse.

— Onde mora?

— Um pouco antes da saída 401, chegando lá eu te explico melhor.

— Nossa, na saída 401?

— Não sei se tenho combustível pra viajar até lá... (risos).

— (risos).

...

17 minutos depois...

— Pode me deixar naquela estradinha ali...

— Por quê? Tem certeza?

— Sim, daqui é mais fácil pra você voltar também.

— Tudo bem então moça. — Ele disse com um sorriso suave...

— Obrigado pela carona, espero que isso aconteça mais vezes hein.

— (Risos) tchau Lucy...

A companhia dele foi ótima em todo o tempo, sempre via ele na turma mas nem pensava que seria tão simpático e que dirigia. Apesar que no Canadá pode dirigir sendo maior de 16 anos, a idade de Kendrick...

Caminho para a estrada da mata, penso em encontrar o homem misterioso, com medo mas curiosa.

Ando devagar e olhando para os lados, o vento sopra forte e me sinto num filme de terror. Caminho mais rápido, não por medo mas por saber que nada aconteceria.

O vento continua forte, o tempo estava fechando. Com certeza não havia ninguém na mata. E isso não me deixou bem, se ele não aparecia mais depois daquele dia com certeza tinha más intensões...

Chego em frente de casa e olho em volta de mim antes de entrar...

— Papai?

— Oi filha...

Vem ele dizendo descendo as escadas...

— Tudo bem? Como foi hoje além de normal?

— Igual a sempre, (risos).

— (Risos).

— Na verdade hoje um rapaz da minha turma me trouxe até aqui, conheci ele hoje...

— Ah é? ... Então não foi como sempre, gente boa?

— Sim, se não fosse talvez não teria vindo com ele. Só se estivesse chovendo, (risos)

— O almoço ta na mesa, se quiser almoçar...

Deixo a bolsa no sofá e sento na mesa com ele. Eu queria contar sobre o que ocorrera na mata perto de casa mas tenho medo da reação dele. Causar preocupações e transtornos era o que eu menos queria.

...

4 horas depois...

Meu celular apita e já com ele na mão vejo o que é... Uma mensagem de um desconhecido. Meu coração acelera e finalmente aquele garoto do shopping tinha me mandado uma mensagem...

(— Oi )

(— Quem? )

(— Eu estava no shopping terça-feira )

(— Ah sim, eu te vi... )

... ...

Passamos um tempo conversando e ele me chamou pra sair... Eu disse que iria pensar, o que no caso era falar com Emilly e Susi.

Ainda não acreditava que ele tinha falado comigo, mas aconteceu, seria melhor dizer pessoalmente as meninas, estava ansiosa...

...

No dia seguinte...

Acordei e fui direto ao banheiro escovar os dentes. Era 6:36, estava muito atrasada, meu colégio é um dos poucos que funcionam em período da manhã e depois da tarde. A maioria começa em torno das 9:00 e vão até 15:30...

Sem dúvidas, atrasada eu me arrumo mil vezes mais rápido. Coloco a mochila nas costas e desço as escadas depressa. Papai ainda está dormindo então não preciso dar tchau e me atrasar ainda mais...

Sem tomar café eu saio de casa em passos rápidos, estava mais frio que o normal e minha jaqueta não estava adiantando. O vento forte e gelado contra o meu rosto quase me deixava sem ar.

Entrando na trilha da mata eu ouço uma voz desconhecida em alto tom atrás de mim, uma voz que faz passar muitas coisas na minha cabeça.

— Olá Lucy...