A Escolhida

1 O homem estranho


Notas iniciais
O que Lucy teria de especial?

— Papai?

— Oi querida?

— Já estou indo...

...

É, mais um dia neste colégio, o que poderia dar errado? ... Caminho até o portão principal de acesso ao Laurent Garnier e já vejo elas vindo de encontro comigo.

— Oi Lucy...

— Oi Emilly!

Caminhamos juntas até o pátio principal, eu, Emilly e Susi. De vez em quando ficava um silêncio constrangedor, até alguém puxar algum assunto. Era o que eu mais queria, mas sempre que começo um assunto o clima parece ainda mais constrangedor.

— Lucy, pode ir ao shopping com a gente hoje?

Pergunta Emilly levantando a sobrancelha...

— Claro, sem problemas.

— Te esperamos lá mesmo as 19:00...

O sinal toca pouco tempo depois que chegamos ao saguão, sempre chego perto do horário mas isso é normal, por mais que eu tente meu celular vai despertando de cinco em cinco minutos. Não resisto.

Primeira aula, Química, gosto da matéria mas a professora Deby parece ter raiva de todos os alunos que lhe fazem alguma pergunta... É difícil passar a manhã no colégio, mesmo fazendo 6 anos que minha mãe faleceu ainda sinto muito a falta dela. Meu pai, Louís, está muito doente, não fico explicando isso a ninguém então não sei como dizer. Digamos que ele tenha uns tumores no corpo, os médicos dizem que não há cura, expectativa de vida de dois anos. Por isso minha vida é extremamente difícil, mas eu consigo lidar com isso, faço amizades para me preencher mas não sei como vai ser quando perder o meu pai. Acho que vou desabar... Bem, hora de ir pra casa.

Ando sozinha até o caminho de casa depois de descer do ônibus, é que pouca gente mora pra cá, é em Toronto mas digamos que fica um pouco afastado. Tem uma pequena mata aberta como atalho, não tenho medo de passar por ela, muito dizem ser perigoso mas já cansei de ter medo.

— Oi papai, cheguei, tudo bem?

— Ah, sim, como foi hoje filha?

— Como sempre papai, normal. Quer almoçar?

— Querida estou sem fome, depois eu como... Tudo bem?

— Claro, você que manda!

Ele fica a maior parte do tempo deitado no sofá assistindo Tv, apesar dos tumores serem graves não deixam ele tão debilitado, ele pode andar o quanto quiser.

— Aaah, hoje eu vou ao shopping com as meninas pai...

— Ah ok, volta muito tarde?

— Não sei, provavelmente não. Se demorar muito é porque decidimos ver algum filme no cinema...

...

18:30, pronta para ir. Meu celular chama, é Susi.

— Ei Lucy, tá pronta?

— Ligou na hora certa, acabei de me arrumar, já vou sair de casa.

— Ah, eu e Emilly estamos chegando no shopping, vamos te esperar na entrada principal ok?

— Ok, então até mais, beijos gata!

— Tchau pai, até mais tarde...

— Tchau, se cuida em moça!

— Pode deixar!

Vou caminhando, direto para a estradinha da pequena mata, estava escurecendo por isso decidi passar por ali. Geralmente a noite não vou pelo atalho...

Já quase na metade minha visão periférica capta alguém no meio da mata, levei um susto enorme, parecia ser um jovem alto. Começo a caminhar rápido, vejo que ele acompanha meu ritmo paralelo em minha direção. Meu coração acelera, e quase saio correndo quando ele grita:

— Ei ...

Continuo andando rápido e saio da estrada e da mata, olho para trás e ele ainda está lá, me olhando parado. Retomo meu olhar a frente e sigo rápido até um ponto mais longe...

Mas quem seria aquele homem? O que queria comigo?, talvez agora eu devesse ter medo de passar por ali...