A Escolhida
10 Capítulo 9
Notas iniciais
O lugar era simplesmente esplêndido, e nenhuma outra palavra conseguiria descrevê-lo melhor. Os prédios de mármore de vários tamanhos diferentes eram sinalizados com uma placa de ouro que dizia o que havia ali dentro. Meus olhos pararam num em especial, com uma placa onde estava escrito “Luditors”. Eu poderia descobrir ali se Cristopher olhos-multicolor era mesmo um Lound e mago das revas ou se era apenas um californiano com o sobrenome incomum.
Josh provavelmente ouviu meus pensamentos, pois fez uma cara de reprovação e um não com a cabeça, não sei se ele achando que aquilo me faria mudar de ideia.
Dá pra parar de bisbilhotar minha mente?, pensei, torcendo para que ele me ouvisse. Quase pulei de susto ao receber uma resposta.
Preciso ficar bisbilhotando sua mente para te impedir de fazer besteiras.
***
Eu precisava andar praticamente me debruçando em Josh, pois a quantidade de novidade que havia naquela dimensão era imensa – e a quantidade de buracos também, eu não conseguia andar e analisar ao mesmo tempo. As casas tinham um estilo toda e completamente diferente do nosso. Era rústico, antigo, mas com elementos tão modernos que eu me perguntava se não imitavam uma arquitetura futurística, mesmo sabendo que isso era impossível. Cheguei à conclusão que era melhor parar de ficar pensando a respeito da arquitetura de cada estrutura e me concentrar no chão pelo qual caminhava. A calçada de pedra clara era tão esburacada quanto um queijo suíço – ou que a pele da minha avó. De vez em quando, me pegava encarando as pessoas brincando em frente às suas casas como se não existisse tempo nem nada que pudesse as impedir de conquistar a felicidade, e tropeçava em um pequeno buraco do tamanho de uma cratera causada pela queda de um meteorito.
— Marcas de guerras. — Josh me explicou. — Esse lugar é comandado por Scire, lembre-se. Ela nunca se livraria das memórias de uma batalha.
— Pensei que Proelium fosse o deus da guerra. — franzi o cenho.
— Ele é. Mas Scire também pode ser considerada uma deusa da batalha, não? Quer dizer, ele é o deus da guerra bruta e sangrenta, e ela é de uma coisa mais planejada e elaborada. Compreende?
— Não. E também não entendo por que ela deixa esses buracos aí. É ridículo.
Josh sacudiu a cabeça, exausto demais para discutir comigo.
— Ela deixa isso aí para se lembrar que já falhou. Então relembra os acontecimentos do dia, descobre o erro que causou esses estragos e tenta reparar em seu próximo plano. Por isso as estratégias são mais elaboradas a cada guerra que passa.
— Se ela continuar assim, vai ser impossível vencê-la. — eu ponderei.
— A questão é: quem seria burro o suficiente para tentar enfrentar a deusa da sabedoria?
Dei de ombros, sem saber a resposta. Eu é que não seria, pensei.
Nem eu, ele me respondeu telepaticamente.
Dei um tapa em seu ombro, torcendo para que recebesse isso como uma ameaça. Fique longe dos meus pensamentos ou eu te uso como saco de pancadas. Ele ergueu uma sobrancelha, como se duvidasse da minha ameaça, mas mudou de ideia quando viu meu olhar. Meus pensamentos são coisas particulares demais para serem divididos com outras pessoas.
Andamos por tanto tempo que eu percebi que minhas pernas estavam moles e trêmulas. Não sabia exatamente para onde Josh estava me levando – mas torcia para ter um banco no meio do caminho no qual pudesse me sentar. Além disso, as cores claras que tomavam conta de Ligentia estava começando a irritar meus olhos. O sol forte batia no mármore branco, me obrigando a olhar apenas para a calçada. Era clara também, infelizmente, mas não reluzia tanto quanto... Todas as outras coisas.
Deuses.
Como eu queria sair dali.
— Para onde estamos indo? — perguntei, já sem forças nenhuma para continuar movendo minhas pernas. Sentei-me no meio fio e continuei a falar antes mesmo de receber a resposta. — E estamos muito longe?
Josh fez uma careta.
— Você questiona demais.
— Você faz suspense demais.
— Não faço suspense — ele ficou na defensiva —, apenas estou tentando lhe ensinar a ter paciência.
— Bom, você não está conseguindo. — pisquei forte para tentar bloquear um pouco da luz.
Ele não se mexeu, e eu me perguntei se não tinha ido longe demais. Apesar de, às vezes, me irritar muito, Josh ainda era a única pessoa para quem eu podia contar tudo. Era o único que sabia interpretar meus sonhos corretamente, que sabia como esclarecer minhas dúvidas, que tinha uma paciência quase incompreensível comigo. E, de repente, eu senti um aperto no coração ao me dar conta que havia conseguido criar um portal sozinha sem desmaiar ou algo do gênero, como era no início. Eu estava evoluindo – e muito – no treinamento, e também já conseguia controlar meus poderes. Logo ele não precisaria mais me ensinar nada.
E eu ficaria sozinha novamente.
Sacudi a cabeça, afastando aqueles pensamentos antes que Josh resolvesse os ler. Quando o vi olhando diretamente para mim, imaginei uma dezena de pôneis enfileirados e cantando a música tema de My Little Pony, apenas precisando relembrar meu último final de semana na casa dos meus tios com duas primas de três anos viciadas no desenho dos cavalos coloridos.
Porém, ele não teve reação alguma. Ficou apenas parado, me encarando, e eu pude jurar que havia escutado sua voz em minha mente dizendo não sei mais o que faço com você.
Quando pensei que Josh iria explodir, ele me deu um sorriso que não chegava aos olhos, mas já fazia com que eu me sentisse melhor, e sentou-se ao meu lado.
— Prometo que vou me esforçar mais, ok? — ele tirou uma garrafa de sangue divino do casaco e me entregou. — Você gastou bastante energia andando por aqui. São muitos Noimosynis roubando sua força vital para conseguirem viver, não é? Por isso está tão cansada.
— Noimosynis fazem isso? — perguntei, espantada. Tomei um gole da bebida e me senti automaticamente melhor.
— Fazem. Geralmente os Electis e magos que vivem aqui não se incomodam, pois o sangue dos deuses já faz parte do jantar. —ele ri, mas para ao perceber que não o acompanhei. — Estar nessa dimensão é bastante cansativo e nos desgasta muito. Não apenas para criar o portal, mas para resistir à tentação de entrar naqueles prédios e descobrir o passado dos nossos inimigos, amigos, conhecidos, desconhecidos... Enfim.
E seu olhar provava que ele sabia que eu queria entrar no prédio dos Luditors, mas que não o faria em sua companhia. Josh não mediria esforços para me impedir de entrar lá e descobrir o que não devia, mas não tinha como fazer isso estando longe de mim. E agora que eu já sabia como chegar ali...
—Agora pode me dizer para onde estamos indo?
— Ali. — ele apontou para um parque parecido com os que nós tínhamos em Stonewood. — Queria te mostrar um pouco de Ligentia. Mas se você quiser voltar para casa, não tem problema...
Sacudi a cabeça em negação – queria conhecer o máximo possível daquela dimensão.
— Vamos, então. — me levantei e o puxei comigo.
N/A:
Eu sei que não pode usar o post para fazer notas, que o titio do Nyah! acha feio e briga, mas é que não tenho outra opção. Vim avisá-los que estou passando por uma das populares "crises de falta de criatividade", onde escrever um pequeno capítulo de qualquer fanfic torna-se um martírio. Estou extraindo boa-vontade (porque criatividade eu já não tenho mesmo) de não sei onde para comentar nas fanfics que acompanho, mas nem recomendações em consigo fazer mais.
Então, vim avisá-los que eu não sei quando conseguirei voltar a escrever. Ainda tenho alguns capítulos prontos que eu posso postar (o 10, 11, e 12), mas não faço a menor ideia de quando sairá o treze, quatorze, quinze e afins. Apenas orem para que esse bloqueio passe e eu volte a escrever, porque tenho uma fanfic em andamento e mais dois projetos que eu estou começando a escrever, e não quero parar (um eu estou na metade da metade do prólogo, e o outro já estão com prólogo e capítulo 1 prontos. Não sei quando posto) tão cedo por causa de uma criatividade estúpida que resolveu dar chá de sumiço.
É isso aí, espero que me compreendam. E nem tentem me bater — acreditem, já testei esse método também.
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